nilton césar tudo nessa vida passa mas o rock não passou
o maoir clitoris já visto
candido barbosa chulo
musica de parodia sobre patrão e empregado
o telefone chora parodia
amiga oito anos se passaram
linguagem corporal BRAÇO CRUZADO
omeletesdechouriço
apanhar uvas
O salto
Antes de termos Democracia, o sistema de Segurança Social era ainda incipiente, apenas quem tinha dinheiro tinha possibilidade de dar uma educação decentes aos filhos, a saúde universal não existia e morria-se de doenças que hoje nos parecem um tanto ou quanto anacrónicas, o medo de ser convocado para uma guerra em África pairava na cabeça de muitos jovens, a liberdade de expressão ainda estava por conquistar e a emigração acabava por ser a única forma viável de fugir a tudo isto. É absolutamente normal o desanimo que se instalou no país e, tendo em conta que o agudizar dos problemas irá provocar um aumento do descontentamento, mas é indubitável dizer que o salto que Portugal deu - embora insuficiente em muitos aspetos - foi enorme.
Sabores da Páscoa
Num país recheado de católicos não-praticantes como o nosso, sempre me suscitou a interrogação saber por que razão as pessoas assinalavam a Páscoa. Eu próprio recebi nos últimos dias alguns SMS e tive pessoas a desejarem-me boa Páscoa, sem que eu soubesse ao certo o que me estavam a desejar. As minhas memórias mais longínquas da Páscoa, no tempo em que a minha agenda lá ia tendo uns encontros familiares anuais, remetem invariavelmente para uma reunião com alguns familiares próximos, muitas vezes porque naquela altura eu gozava de férias escolares ou da universidade. Sim, é certo que era uma data mais conveniente, pelo tal fator das férias, mas a ideia que eu sempre tive é de que aquilo tanto poderia ocorrer naquela altura como na primeira quinzena de Outubro ou no terceiro sábado de Janeiro. Como eventos familiares sem comida não podem ser considerados como tal, lá vinha inevitavelmente à berlinda o cabrito ou o borrego no forno, desculpa eficaz para se beber uns bons copos de vinho ao almoço, coisa que eu não fazia na altura, mas cujo efeito era visível nos adultos à mesa. Hoje em dia, devo admitir que a única coisa que a data me sugere é o sabor do borrego ou do cabrito no forno à hora do almoço, o que para mim chega e sobra para dizer que tive uma boa Páscoa. E hoje o borrego ao almoço, num domingo igual aos outros, soube-me pela vida. Para o ano há mais festejos de Páscoa.
Atração
Mais do que qualquer outra coisa, o Benfica só pode queixar-se de si mesmo por ter sido eliminado ontem da Taça de Portugal, mesmo partindo com a vantagem de dois golos no campo do Porto. Uma equipa que parecia estar apenas a prolongar o início da avalanche do adversário, recorrendo aos expedientes, infelizmente cada vez mais comuns, de inventar táticas aquando dos jogos decisivos, que nem são sequer devidamente alteradas. Não me parece errado dizer que essa espécie de que esta estranha atração benfiquista pelo abismo acaba por ser pior que sofrer cinco golos na casa do maior rival, que os erros de arbitragem com influência no resultado ou que ter a festa do título adversário no próprio estádio.
Planetário
Uns 15 anos depois de lá ter ido pela última vez, fui ontem ao Planetário Calouste Gulbenkian. É fácil perceber que em meados da década de 90, seria um sítio que mais facilmente produziria o espanto do que hoje, não só porque entretanto as expos e afins vieram a seguir, mas também porque o próprio desenvolvimento tecnológico nos tornou mais exigentes. Ainda assim, há meia dúzia de anos, a compra de um novo projetor, que substituiu um que já vinha dos anos 60, consegue dar todo um novo elan ao mapa de estrelas que se vêm numa cúpula que já não parece tão grande como quando éramos pequenos e a explicação que se ouve, embora caindo em demasia em pormenores relativos à mitologia em vez de incidir em aspetos mais triviais em relação ao porquê daquele grande fenómeno, dá obviamente umas luzes - passe a comparação forçada - e só alguém muito preguiçoso ou muito desinteressado pode dizer que não aprende nada ali. Em suma, é um equipamento de que não nos devemos envergonhar e certamente que os quatro euros que ali se gastam não são mal empregues
pim pam pum
Há uns anos, este "Pim pam pum" passava insistentemente nas rádios. Eu, que nunca gostei da canção, fiz por apagá-la da memória. Mas eis que o dj de uma conhecida discoteca lisboeta fez por recuperá-la, para gáudio da população presente. Há uns anos, a canção lançava um alerta para os males da guerra. No dia de hoje ecoa insistentemente na minha cabeça.
O caso de estudo
Um país à beira da bancarrota espeta com três equipas nas meias-finais duma competição europeia, fazendo da Liga Europa uma espécie de Taça da Liga com o resto da Europa - os tais que nos olham como uns pedintes, com um misto de compaixão e de repulsa - a assistir. É impressão minha ou estamos a tornar-nos num verdadeiro case study?
Cartões para recordação
Fui hoje buscar o meu cartão do cidadão e invalidar os antigos documentos. A zelosa funcionária, após terminar a operação, lá disse para guardar os documentos numa caixa para recordação. Desconheço se ela dá semelhantes conselhos aos outros utentes do serviço, mas ninguém me tira de cabeça que a minha faceta revivalista e de colecionador de coisas antigas sem grande interesse começa a ser visível até para um estranho.
Nobre candidatura
Não podemos estar sistematicamente a criticar o facto de a política e os partidos apresentarem sempre as mesmas caras, sobre os quais recai a suspeita de apenas andarem na política para alimentar os seus interesses e o de terceiros e por não terem jeito para outra atividade, e depois insurgirmo-nos pelo facto de figuras da sociedade civil entrarem na política através desses mesmos partidos. Refiro-me ao caso de Fernando Nobre, que será cabeça de lista do PSD por Lisboa, decisão que até o obrigou a fechar páginas no Facebook, face ao chorrilho de críticas e insultos de que foi alvo.
Se é certo que a decisão, no essencial, nada tem de errado, convém não esquecermo-nos o passado recente de Fernando Nobre, que se candidatou à Presidência da República enquanto figura independente e fora dos partidos, estatuto que lhe valeu uma interessante soma de votos - incluindo o meu - e cimentou a sua posição enquanto figura importante da sociedade civil portuguesa. Some-se a isto o facto de ter dito recentemente que não estava nos seus planos ir para o mundo da política. Querendo acreditar que esta decisão não se baseou na vontade de querer assegurar um emprego na política - se este senhor se dedicasse a tempo inteiro à atividade de médico talvez ganhasse mais -, fica no ar uma certa perplexidade quanto ao caráter independente e suprapartidário de quem se apresenta com esse rótulo no combate político: viu-se Manuel Alegre a apregoar esse estatuto na campanha em 2006 enquanto aprovava orçamentos de Estado no Parlamento, agora Fernando Nobre ajuda a adensar essas dúvidas e a lançar o alerta para quem se apresente com esse estatuto no futuro.
Alguns anos depois do Xenu
Há coisa de 4 anos e qualquer coisa, criei com mais dois amigos o Xenu. Para dar o devido enquadramento, na altura o Facebook já existia mas o uso de redes sociais ainda não estava devidamente amadurecido e a experiência consistia essencialmente em tentar entrar dentro do possível na privacidade alheia via Hi5, e também por isso o mundo dos blogues atravessava um excelente momento. A ideia do Xenu era relativamente simples: juntar o conhecimento de três pessoas sobre matérias tão variadas como culinária, locais para sair à noite, páginas de Internet úteis ou dicas de compras, dando resposta a questões relativamente triviais do dia-a-dia de pessoas que, como nós, trabalhavam e viviam numa grande urbe e que poderiam recolher ali alguns ensinamentos em alguns minutos na Internet. Pensando sempre de uma forma relativamente descomprometida e sem entrar em estereótipos como o da página virada para tipos solteirões, divorciados ou sem a mínima capacidade para as tarefas mais mundanas.
A página durou menos de quatro meses e contou com quase 40 posts. Houve um visível entusiasmo inicial, mas com o tempo o contributo passou a ser dado por apenas uma pessoa e mesmo essa pessoa acabou por sair da página. A pessoa em causa era eu e, não obstante ter razões que sustentassem a decisão de sair, tinha a noção que se estava a matar um promissor projetor de forma prematura, por se tratar de algo relativamente inédito na Internet portuguesa na altura. O tempo acabou por me dar razão para essa suspeita. Durante estes quatro anos, fui lá meia-dúzia de vezes por ano para verificar se se a coisa ia dando em matéria de visitas. O facto é que hoje o Xenu conta com mais de 50 mil visitas e mais de 70 mil pageviews, numa média de mais de 30 e 40 por dia. Pode parecer pouco, mas pensarmos que o Xenu tem à volta de 50% das pageviews do LdM mas com um número de posts correspondentes a 3% dos posts colocados LdM e que as pesquisas são essencialmente coisas utilitárias como "receita de sangria" e afins é fácil perceber que a ideia foi genial ao início mas faltou o empenho: houve claramente os 10% de inspiração mas faltaram os 90% de transpiração. Junte-se como cereja em cima do bolo caixas de comentários como a de baixo e, se o caminho fosse outro, a esta hora teríamos direito a 20 minutos semanais na SIC Mulher.
"Tropa de Elite 2"
"Tropa de Elite 2" consegue ser um inteligente passo em frente em relação ao seu antecessor. Em vez das cenas de violência urbana em favelas, o sucessor traz ao de cima o "sistema" sob um prisma mais político, onde em vez de se somente olhar para o fenómeno da criminalidade no palco mais óbvio - as favelas e as ruas do Rio de Janeiro - é dado mais enfoque para quem se aproveita da pobreza em proveito próprio. É justo dizer que o principal mérito tanto do primeiro como do segundo filme é precisamente o de mostrar o que sustenta a criminalidade, que o tão propalado BOPE combate já no fim da linha: se no primeiro filme não é esquecido que o fenómeno do tráfico de droga é devidamente sustentado por uma classe média ou alta desafogada habituada aos prazeres da "maconha", nesta segunda película é dado a conhecer uma elaborada estrutura, onde cabem interesses de profissionais corruptos oriundos da polícia, dos partidos políticos, da administração pública e dos meios de comunicação social. O protagonista do filme, que não é de todo uma personagem com a glória à sua volta por arrastar consigo um pesado fardo pessoal, acaba por ser simultaneamente uma vítima e um herói ao reconhecer que a sua luta contra o poderoso "sistema" acaba por não o derrubar, por este ter os seus pilares devidamente seguros. Em suma, a abordagem dos bastidores do fenómeno da criminalidade neste segundo filme não será tão espetacular como no primeiro, mas certamente que haverá ali alguma matéria de estudo. Não é por acaso que "Tropa de Elite 2" foi o filme mais visto de sempre no Brasil.
Táxis no feminino
Na última noite, andei pela primeira vez num táxi conduzido por uma mulher. Não serei o utente mais regular de táxis na capital, pelo que não sei se a senhora me andou a conduzir por Lisboa terá mais colegas do mesmo sexo. De qualquer forma, o episódio merece uma rápida nota. É sabido que a classe dos taxistas traz consigo uma certa carga negativa, onde se inclui a falta de tino ao volante, a tendência para a trapaça face ao cliente mais incauto ou a falta de simpatia. A senhora motorista parecia ser o oposto: cuidado ao volante, um total discernimento e até uma certa empatia para com as pessoas que enchiam a cidade às 4 da manhã de forma meio caótica - e a noite de ontem foi tudo menos calma em matéria de pessoas na rua - e um registo longe das habituais conversas sobre futebol, as críticas aos imigrantes ou aos senhores pouco escrupulosos que governam o país. Assim sendo, é imperioso concluir que uma injeção de mulheres no universo dos táxis talvez não faça mal nenhum a esta classe profissional.
A apologia do apagão
Seria injusto dizer que o apagão e o acionamento do sistema de rega no Estádio da Luz, aquando do início dos festejos da conquista do campeonato pelo Porto e seus adeptos, se baseou em princípios de desportivismo. Ainda assim, o meu benfiquismo, embora moderado, permite-me algum enviezamento na visão desta situação, com base em duas premissas. A primeira é a de que a hospitalidade e o saber receber os convidados, ainda que estes possam ser considerados uns facínoras e uns pantomineiros, é bom e tem limites. Uma coisa é o comum cidadão convidar um grupo de amigos para ir a sua casa, comer uns petiscos e beber umas cervejas, mas outra bem diferente seria o cidadão ceder a cama onde se deita para que o grupo de amigos possa deleitar-se com a sua própria esposa. O povo costuma dizer, e com alguma razão, que há situações em que urge soltar um "Alto lá e para o baile!" e isto seria, passe a comparação forçada, o que estava previsto ontem à noite. A segunda premissa é bem mais simples e, mais uma vez, perdoe-se-me o facto de não estar a ver a situação à luz da imparcialidade, que é: alguém minimamente informado sobre o futebol português duvida que, se fosse o Benfica a fazer a festa no Dragão, o tratamento não seria mais ou menos o mesmo?
As agências
Quem viu o "Inside Job", oportunamente distribuído com o último Expresso percebe o papel que as agências de rating tiveram na crise do subprime, ao avalizar e a dar nota máxima a produtos como aqueles baseados em empréstimos bancários concedidos a desempregados. A bolha especulativa teve obviamente o seu aval e também a eles devemos a situação em que países, cidadãos e empresas caíram. Também Portugal, enquanto economia periférica e pouco dotada de recursos que permitam um crescimento sustentado para dar a volta à crise, acabaria inevitavelmente por ficar afetado e, à necessidade de crédito externo junta-se o facto de essas agências, e, por inerência, os investidores, terem cada vez mais dúvidas sobre a capacidade de Portugal ser cumpridor dessas obrigações, o que leva a dívida para valores praticamente incomportáveis.
Neste contexto, parece pouco provável que a ajuda externa não chegue, isto apesar de várias medidas, nomeadamente as do PEC versão 4, poderem ser consideradas como aplicáveis num contexto de intervenção direta do FMI no nosso país. Em jeito de conclusão, não deixa de ser irónico que todos os dias o país acorde em sobressalto com os pareceres das Fitch's, Standard & Poor's e afins sobre a nossa dívida externa - que não anda muito longe da categoria de "Lixo" - , quando em boa parte o nosso problema de dívida deriva do que essas agências andaram a fazer no passado.
