Óscares

Não se pode dizer que os resultados dos vencedores dos Óscares deste ano não foram previsíveis. Os desempenhos de um rei com problemas de fala e de uma bailarina que leva uma interpretação ao extremo já tinham sido sobejamente elogiados e as vitórias de Colin Firth e Natalie Portman confirmaram o que já se desconfiava. Quanto ao melhor filme, venceu aquele que seria o mais consensual, apesar de concorrer com um Western. Os Óscares deste ano confirmaram também a tese de que o arrojo nem sempre significa uma estatueta importante, prova disso foi a quase ausência de "A rede social" nos premiados e o facto de "A Origem" ter ganho nas categorias ditas mais técnicas. Não nutro particular interesse pela cerimónia dos Óscares, a que se junta o facto de ser transmitido a horas que para um cidadão europeu funcionário por conta de outrem são impróprias, pelo que não perdi sequer um minuto com o evento. Para além disso, uma atribuição de prémios de cinema norte-americano que deixa a zeros, em termos de nomeações, um filme como "Shutter Island" não me merece propriamente o maior dos créditos.

Jogos como o de hoje

A equipa bem que carregava, mas o azar parecia perseguir quem tentava alcançar com sucesso a baliza do Marítimo. Aos remates faltava aquela centelha que separa o entrar na baliza do ficar lá próximo e, quando isso não acontecia, lá estava um tal de Marcelo, que ia dando aulas de como defender remates com selo de golo. Tanto esforço teve a recompensa oposta: um golo do Marítimo num canto. Qualquer benfiquista teria na memória tantos e tantos jogos que no passado acabaram assim, com a equipa a carregar e a sofrer golos em contra-ataque ou em lances de bola parada, em que ficava no ar aquele sabor a injustiça trazido pela frieza do 1-0 favorável aos adversários. Mas a equipa não desistiu e, como que em jeito de revolta, ia compensando com vontade o que faltava já em clarividência. Até ao fim do jogo, foi ver o Marítimo aguentar como podia a invasão benfiquista e eis que vem, mais uma vez, ao de cima aquele que é o jogador que atualmente mais personifica o que deveria ser o jogador benfiquista. Falo de Fábio Coentrão, inexcedível no esforço em prol da equipa, que serviu de bandeja o golo do empate e selou a vitória com um golo na segunda-parte. Um jogo inteiro a sofrer, que acabou com o tão almejado golo, conseguido da forma mais impensável. São jogos como este que nos fazem pensar que o futebol é mesmo um grande espetáculo.

Googladas - o regresso

porque arrotamos com pimentos
lacoste no ebay é falso
manuel joão vieira stripper promessa eleitoral
especialista em futebol social
AEIOU - MÉZINHAS TRADICIONAIS
jane-fonda nua
pull and bear évora saldos
pirotecnia para carnaval estalinhos bombinhas chinesas e mau cheiro vendo
tomar o cafe da manha e dir-te-ei quem es

Personagens

Quem me conhece minimamente, sabe que nutro alguma simpatia por todas as figuras que fujam da nossa normalidade. Há quem lhes chame cromos, eu tenho mais tendência a chamá-las de personagens. Todos nós temos as personagens que tornam mais colorida as nossas vidas com traços de algum cinzentismo e quando encontramos uns novos sentimo-nos como se nos tivesse saído um prémio do meio da tabela no Euromilhões (obviamente, não podemos colocar uma situação destas ao mesmo nível de um prémio de grande envergadura).

Há algum tempo descobri um destes, num sítio onde vou ocasionalmente ver jogos de futebol, e ontem tirei a prova dos noves, ao levar um amigo meu para que ele pudesse dar o seu veredito, sendo que afinal estava certo no meu palpite. Na base desta minha tese está um tipo que consegue concentrar em si mesmo um espírito meio arruaceiro (embora sem qualquer tipo de violência física), politicamente incorreto, hiperatividade e uma basófia completamente nos píncaros. Tudo junto, dá um verdadeiro agitador de cafés, capaz de discutir com um tipo do outro lado do café tendo como audiência várias dezenas de pessoas, lançando atoardas sobre os adversários do Benfica (esqueci-me de referir o fanatismo neste melting pot de caraterísticas) , deficiências físicas ou doenças, num registo que mistura o incendiário com o aspirante a cómico, que deixa qualquer um ora no desespero ora no choro provocado pelo riso constante. Sobre a vitória de ontem do Benfica sobre o Sporting, não darei grandes explicações, mas sei que a nova personagem que vou encontrando nas minhas incursões pelos estabelecimentos com a Sport TV me vai dando algumas alegrias e, já agora, sempre que o vejo o Glorioso no mesmo estabelecimento que este senhor, não tenho visto outro resultado que não a vitória.

Toponímia

Carlos Castro continua a dar que falar. Não pelo julgamento do seu alegado assassino, mas pelo facto de ter sido feita uma sugestão à Câmara de Lisboa, no sentido de o seu nome ser usado para batizar uma rua na capital. Pedido esse que foi feito por um grupo de amigos, onde se incluem Filipa La Féria ou Serenella Andrade. De imediato, surgiu um grupo no Facebook, a opôr-se à possibilidade, dizendo que, por esse critério, também Carlos Silvino também teria direito a que uma placa de uma rua ostentasse o seu nome. Sendo que a autarquia da capital disponibiliza vários meios para os cidadãos apresentarem sugestões, é um facto que qualquer um de nós poderia propôr o seu próprio nome para uma rua. Se é certo que Carlos Castro não será propriamente o cidadão que mais tenha feito em prol da comunidade para que uma rua lisboeta passe a ter o seu nome, não é menos verdade que Lisboa terá certamente ruas que recordam figuras que arrisco que possam ter estórias de vida mais sórdidas do que o próprio Carlos Castro, sem esquecer aquelas de quem nada se sabe e que terão ganho o direito a ter uma rua com o seu nome por favor ou porque terão pago para isso. Seja como fôr, é um facto que as questões da Toponímia têm estado bastante afastadas das grandes discussões no país e eu, enquanto alguém que tem um vago interesse na matéria, só posso saudar que de repente se tenham começado a discutir publicamente, e de forma tão calorosa, os critérios para nomes de ruas na praça pública. Parece que o Carlos Castro continua a provocar a polémica, mesmo depois de morte.

Sentimento popular

Com uma música mal amanhada, os Deolinda conseguiram marcar a agenda. Uma canção dedicada ao drama de uma geração que de algum modo se vê privada daquilo que havia projetado no passado - seja pelo baixo ordenado, pela precariedade ou simplesmente por não conseguir dar um passo em frente na sua vida - acaba invariavelmente por encontrar eco no seu público. O tempo dirá se "Parva que sou" se tornará nalgum hino geracional ou se tudo não passa de um epifenómeno, mas para já conseguiram o mérito de funcionar como voz de um certo sentimento popular. Com as devidas distâncias, esse foi o mérito de nomes como Amália Rodrigues ou António Variações.

Nos arquivos



Enquanto organizava os meus arquivos musicais - sim, ainda na ressaca do terramoto informático que assolou a minha vida - dei com este "My friend", dos Groove Armada, canção que teve um assinalável sucesso há uma meia dúzia de anos atrás. O que mais surpreende na canção, ouvindo-a com a distância temporal de alguns anos, é o facto de mostrar que é possível criar músicas com uma certa melancolia, mesmo que incluídas num género musical muito mais dado à festa e à loucura. Este facto é obviamente, já que na música nem todos são capazes de virar as regras do avesso.

O símbolo

Com a agitação que se vai vivendo por estes dias no mundo sportinguista, vão aparecendo os inevitáveis salvadores da Nação a anunciar as soluções milagrosas para o futuro do clube. O sempre contundente Dias Ferreira anunciou Paulo Futre como o seu homem-forte para o futebol, por considerá-lo um grande símbolo do clube. Assim de repente, parecia-me difícil encontrar um melhor símbolo do clube de Alvalade que pudesse ser recuperado para um cargo desta envergadura.




Fim de carreira



De entre os jogadores que me lembro de ver jogar, Ronaldo foi até hoje aquele que me parecia ter uma carreira mais promissora. Basta recordar a sua época 96/97 ao serviço do Barcelona - aquela em que a equipa catalã tinha mais portugueses em campo que o Benfica e que era treinada por Bobby Robson - e a forma como um jogador tão jovem conseguia uma combinação tão extraordinária de técnica e de força, mostrando-o ao serviço de um emblema tão importante. Houve também gente - eu incluo-me no grupo - a profetizar que iria assistir a uma carreira que o colocaria acima de Pelé ou Maradona, o que acabou por não acontecer. Se é certo que a sua carreira coloca-o entre os grandes nomes do futebol, mas não deixa de haver um certo amargo de boca tentar imaginar o que poderia ter sido a sua carreira, se não fossem as várias lesões que quase fizeram com que a sua carreira acabasse mais cedo. Ronaldo anunciou ontem o termo da sua carreira aos 34 anos.

Viral



Uma das músicas que faz parte da banda sonora de uma dessas comédias românticas que por aí andam, da qual vi apenas o trailer - sim, continuo a não achar piada ao género - colou-se-me ao ouvido durante o dia de hoje. Desconheço completamente o grupo, mas a música tem os condimentos necessários para ser um bom hit pop-rock. A ver vamos o que dá este "Ours".

Lisboa acaba aqui

Descaradamente roubada no Facebook, esta foto de Moscavide - que arrisco ter sido tirada em finais dos anos 70, baseado nos carros que ali constam, embora o meu conhecimento automobilístico não seja dos mais fiáveis - consegue trazer à liça duas visões contraditórias sobre o que se passou nos últimos 30 anos. Se por um lado causa estranheza ver arredados o viaduto, a rotunda e as intermináveis obras do metropolitano - marcas de um tempo bastante anterior à Expo 98 e de uma altura em que a distância face ao centro de Lisboa era mais acentuada - , não é menos verdade que o essencial mantém-se lá: o caos no estacionamento, os prédios baixos (à exceção daquele mono à esquerda), a desorganização na paisagem urbana motivada pela pluralidade de cores no exterior dos edifícios e a oferta desenfreada de cafés, restaurantes e snack-bares, que só os conhecedores da vila descortinam.

Havia de chegar o dia

em que iria ver um filme do Woody Allen e ficar com aquela sensação de desilusão, igual à que temos quando estamos de tal maneira habituados a ter uma imagem de alguém e depois, um dia, nos aparece outra, como aquele colega bem comportado que um dia vemos perdido de bêbado. Abreviando razões, em "Vicky Cristina Barcelona" parece existir a antítese do que são os filmes do Woody Allen: o cinzentismo no ar de Nova Iorque substituído pelo sol da Catalunha, as personagens inseguras e sistematicamente em situações de psicanálise protagonizadas quase sempre pelo próprio Woody Allen são substituídas por um canastrão artista e boémio interpretado por Javier Barden, as figuras femininas ganham um protagonismo mais parecido com Almodovar e por aí fora. Agradeço apenas ter visto o filme com dois anos de atraso, não tendo corrido o risco de ter pago pelo bilhete de cinema, relativamente ao qual poderia argumentar que deveria ser ressarcido porque o produto não condizia com o rótulo. Felizmente que o que se seguiu - "Whatever works" - lá conseguiu provar que esta comédia romântica fajuta não passou de um devaneio meio adolescente.

O homónimo

A tentação de fazer a piadola é obviamente demasiado fácil. Há um artista que começa a fazer nome que partilha comigo o nome. Desconheço obviamente se efetivamente este jovem se chama Gonçalo Gonçalves ou se decidiu adotá-lo como nome artística. O facto de nunca ter publicado qualquer foto minha aqui no blogue poderia gerar a confusão, mas devo dizer que, pese embora o facto de ambos termos nascido em 1979 e de acharmos o Nilton César e o Roberto Carlos nomes ímpares da canção romântica, mais nada nos une. E, se me é permitido alvitrar sobre o trabalho do cantor romântico Gonçalo Gonçalves, devo dizer que a minha opinião está longe de ser boa: a voz é fraca, a música tem pouco ritmo e tudo não passa de uma paródia sem grande nível aos cantores românticos consagrados. O meu desejo profundo é que a carreira deste senhor acabe depressa.

A justificação

A meia dúzia de seguidores deste blogue certamente que se terá apercebido da demora em novas atualizações por estes lados. Essas demoras, por norma, costumam ter duas razões: as pessoais ou as técnicas. Aqui verificou-se claramente um problema técnico, já que algo semelhante a um tsunami - com um misto de problema técnico e uma azelhice minha - que levou consigo muita coisa importante - músicas, filmes, documentos pessoais importantes, dezenas de links úteis, extratos bancários digitais, a lista é longa... - sem que eu tivesse feito um backup devido. Por estes dias, o sentimento é um misto de transtorno pelo que perdi e a aprendizagem da importante lição de que tamanho descuido da minha parte será impossível daqui para a frente. Logo eu, que passo uma relevante parte do meu tempo no trabalho a imaginar planos B para uma série de coisas. Ele há ironias do camandro.