Por entre um defeso bem recheado de notícias sobre entradas e saídas de jogadores - para muitos, o mais profícuo período para ler notícias sobre futebol - saiu a notícia de que Nuno Gomes não continuará de água ao peito na próxima época. Para quem segue com um mínimo de atenção o mundo futebolístico, a notícia não surpreende, dado falarmos de um jogador que tem perdido protagonismo nas últimas épocas, a que não será alheia a vinda de novos jogadores para o ataque e também a natural perda de qualidades com o passar dos anos.Vemos também o nosso passar dos anos quando olhamos para a carreira de Nuno Gomes, nomeadamente ao tentar vasculhar nas memórias o momento em que apareceu aos olhos do público de futebol. Nem mais nem menos do que o mundial de júniores do Qatar, em 95, de onde a seleção portuguesa saiu com um honroso terceiro lugar, jogando ao lado de Dani ou Agostinho. Dois anos depois, daria o salto do Boavista para o Benfica, onde esteve por três épocas, regressando em 2002, depois de duas épocas na Fiorentina. Feitas bem as contas, 12 foram as épocas com a camisola do Benfica, o que, para quem tem boas memórias futebolísticas como eu, traz invariavelmente ao de cima memórias daquilo que o avançado viveu: o jogar ao lado de João Pinto, Poborsky e Simão Sabrosa, as centenas de colegas de balneário (muitos deles cuja lembrança neste momento seria um momento tragicómico) , o atuar nos dois estádios da Luz, os títulos de campeão e as épocas de desgraça, as vitórias gloriosas e os jogos que levantaram a moral dos anti-Benfica ou a presidência de Vale e Azevedo.
Sempre me pareceu que houve um certo empolamento de fenómenos no mundo benfiquista, com o nome de Rui Costa à cabeça e o sebastianismo que envolveria o seu regresso. Comparando com Nuno Gomes e o que um e outro deram ao clube, podendo acrescentar-se Simão Sabrosa a este raciocínio, só podemos dizer que o único defeito destes dois últimos foi não terem nascido para o futebol no Benfica, porque ambos tiveram um contributo maior para o sucesso do clube do que Rui Costa. A saída de Nuno Gomes, que até poderá continuar a sua carreira noutro clube português, certamente que não irá afastá-lo desse universo benfiquista, da mesma maneira que no passado jogadores como Oceano, Sá Pinto ou Jorge Costa não deixaram de ficar fortemente associados aos clubes onde fizeram maioritariamente a carreira só por terem feito a última época noutro clube. É que 12 anos num clube como o Benfica soa a algo um tanto ou quanto despropositado. Demasiado para cair no esquecimento.

1 comentários:
Subscrevo inteiramente, Gonçalo.
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