O fim da época do Benfica é evidentemente o melhor dos períodos para efetuar balanços. Para quem vinha de um título que já fugia há cinco anos, as expectativas eram obviamente altas e tudo o que fosse abaixo do que se conseguira em 2010 saberia a pouco. O que é facto é que soube e só por excessiva boa vontade se pode dizer que a época não trouxe um sabor a desilusão, já que a revalidação da Taça da Liga, a impressionante série de vitórias consecutivas a meio da temporada e as meias-finais da Liga Europa não disfarçam os 20 pontos de distância para o campeão, a perda de qualidade no plantel de uma temporada para a outra em virtude de saídas não devidamente acauteladas e o morrer na praia na Taça de Portugal e na Liga Europa.
Nestas alturas, o bode expiatório acaba por ser a mesma pessoa que há um ano atrás era colocado nos píncaros no mundo benfiquista, mostrando que do céu ao inferno a distância é mais pequena no Benfica do que noutro clube qualquer. Se é certo que haveria fatores não controláveis, como a épica prestação do Porto ou o cansaço dos jogadores que estiveram no último Mundial, não é menos verdade que não foi feito o devido planeamento do plantel para acautelar as saídas de jogadores e que nos jogos realmente decisivos a equipa tremeu bastante e as estratégias do treinador ajudaram para isso - uma falha que já vinha da época anterior, basta recordar a derrota com o Liverpool. Ainda assim, faço parte do grupo, provavelmente minoritário, de pessoas que acha que Jesus deve ficar na próxima temporada. Acreditando que há sempre uma margem para aprender com os erros do passado e que essa aprendizagem será útil no futuro, é também importante acrescentar o que se conseguiu nos últimos dois anos: um título nacional (que fugia já cinco anos), duas Taças da Liga, uma meia-final de uma competição europeia (algo inédito desde 1994) e a ajuda inquestionável para a evolução de alguns jogadores. Basta pensar no pré e no pós-Jesus de jogadores como Fábio Coentrão, Di Maria ou Carlos Martins.

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