Sabores da Páscoa
Num país recheado de católicos não-praticantes como o nosso, sempre me suscitou a interrogação saber por que razão as pessoas assinalavam a Páscoa. Eu próprio recebi nos últimos dias alguns SMS e tive pessoas a desejarem-me boa Páscoa, sem que eu soubesse ao certo o que me estavam a desejar. As minhas memórias mais longínquas da Páscoa, no tempo em que a minha agenda lá ia tendo uns encontros familiares anuais, remetem invariavelmente para uma reunião com alguns familiares próximos, muitas vezes porque naquela altura eu gozava de férias escolares ou da universidade. Sim, é certo que era uma data mais conveniente, pelo tal fator das férias, mas a ideia que eu sempre tive é de que aquilo tanto poderia ocorrer naquela altura como na primeira quinzena de Outubro ou no terceiro sábado de Janeiro. Como eventos familiares sem comida não podem ser considerados como tal, lá vinha inevitavelmente à berlinda o cabrito ou o borrego no forno, desculpa eficaz para se beber uns bons copos de vinho ao almoço, coisa que eu não fazia na altura, mas cujo efeito era visível nos adultos à mesa. Hoje em dia, devo admitir que a única coisa que a data me sugere é o sabor do borrego ou do cabrito no forno à hora do almoço, o que para mim chega e sobra para dizer que tive uma boa Páscoa. E hoje o borrego ao almoço, num domingo igual aos outros, soube-me pela vida. Para o ano há mais festejos de Páscoa.

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