Até ao Santo António

Durante as próximas duas semanas estarei de férias. Como este blogue não tem uma existência autónoma face à minha pessoa, é bastante provável que até ao feriado municipal de Lisboa não surjam novidades por aqui. Até lá.

Para além da imaginação

Quando se organiza um jantar de aniversário, pode estar-se à espera de muita coisa, mas acordar de manhã, com uma camisa vestida, um colar ao pescoço e uma amostra de vomitado nos lençóis era daquelas coisas que eu, nem nos meus momentos criativos, me iria lembrar...

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Capitalizar o descontentamento

Em vésperas de manifestação da CGTP em Lisboa, não custa pensar em duas situações. Em primeiro lugar, é raro ver acções de sindicatos ligados à CGTP em separado. Como foi recentemente a greve dos operadores dos transportes públicos e dos funcionários dos CTT, que ocorreram em dias seguidos. O impato na nossa vida coletiva, convenhamos, é maior quando tais acções são feitas em curtos espaços de tempo. Tal como este exemplo recente, muitos poderiam ser encontrados ao longo das últimas décadas. Em segundo lugar, só ingenuamente se poderia pensar que tal nada teria a ver com a moção de censura ao Governo apresentada 10 dias antes pelo PCP, que foi previsivelmente chumbada, mas que serviu de mote para prometer ao Governo que a luta que se perdeu no Parlamento teria expressão na rua. Numa altura de crise como a que vivemos, há terreno fértil para que quem tem mais influência no mundo sindical acabe por tentar partido disso. Infelizmente, aquilo que deveria ser uma legítima expressão de descontentamento dos trabalhadores soa a grande manobra do PCP para capitalizar esse mesmo descontentamento. O que é pena.

Wurst

Eu, que pouca ou nenhuma ligação tenho à cultura germânica - excepção feita à extraordinária música dos Scooter - , seria normal não ter conhecimento das linhas com que se coze a fast-food daquele país. Conheci no último fim-de-semana, graças a um discreto cubículo, mais pequeno que o meu quarto, ali para os lados do Cais do Sodré, onde se servem as famosas wurst, desde a simples bratwurst até uma outra recheada com caril. Sabemos que estamos a dar sapatadas na nossa nutrição e saúde enquanto deglutimos uma salsicha de porco devidamente acondicionada num molho de ketchup e caril, mas acredito que é uma opção menos má que as cadeias americanas de hamburguers. Há que passar um dia pelo LIDL mais próximo e experimentar fazê-las em casa. Até lá, Wurst é o nome a reter.

Os 25 anos



É interessante o anúncio dos 25 anos do Continente, quanto mais não seja pelas memórias que traz. Em plenos anos 80, os tais em que o país andava a meter o prego a fundo para tentar acompanhar os países que passaram a ser nossos parceiros na então CEE, um dos tais sinais de modernidade veio sob a forma do surgimento das grandes superfícies. Com aquela pequena dose de provincianismo que por vezes revelamos nestas situações, a euforia foi grande em torno dos primeiros hipermercados que por cá apareceram. Estranhou-se o que parecia uma dimensão excessiva dos espaços, a falta de calor humano associado ao pequeno comércio, devidamente compensadas pela possibilidade de comprar muita coisa a preços baixos ou pela possibilidade de trazer de uma só vez coisas que no comércio tradicional nunca estariam disponíveis no mesmo espaço.

A partir daí foi o que se viu. Os grandes hipermercados cresceram como cogumelos -até consta que o mercado não andará muito longe da saturação - contribuindo para o desaparecimento de algum pequeno comércio, com pouca capacidade de resposta em matéria de oferta e de preços, a relação vendedor-comprador tornou-se mais anónima e sem a pequena carga de afetividade de uma mercearia ou mini-mercado e fenómenos como as marcas brancas deixaram de criar estranheza para entrarem nas listas de compras do comum cidadão. Pelo meio, o contributo para o lastro de destruição da agricultura portuguesa, com a oferta de produtos agrícolas de outros países, a preços bastante mais competitivos.

Mourinho

Há 45 anos que o Inter de Milão não ganhava a maior competição de clubes a nível europeu. Por muito que se diga que tal é fácil face aos recursos de que a equipa dispunha, a verdade é que durante décadas a equipa teve grandes jogadores e nem assim ganhou. O jogo de ontem colocou definitivamente José Mourinho nos píncaros: venceu as três provas possíveis na mesma época ao serviço de um clube que vivia até há poucos anos no limbo de andar perto do título e não chegar lá, estando perto de selar a transferência para o Real Madrid.

Roque in Rio

De dois em dois anos, a agitação do costume com a chegada do circo à cidade - leia-se o Rock in Rio. Por entre os velhos nomes do costume - Shakira, Ivete Sangalo, Xutos & Pontapés - a velha lengalenga do desafio de querer ter um mundo melhor e ambientalmente mais sustentável - apesar de ter como um dos patrocinadores uma bem poluidora petrolífera ou de pouco ou nada acrescentar ao arraial de desperdício de lixo em festivais - , com o visitante a pagar uma vistosa maquia para poder ir aos concertos. Uma espécie de versão festivaleira dos vendedores brasileiros que tentam intrujar os portugueses a vender-lhes cartões de férias ou enciclopédias.

Os direitos e os deveres

No prédio onde vivi durante muitos anos, havia uma casa que era propriedade da Câmara Municipal. Essa habitação era utilizada com objetivos sociais e inseria-se numa lógica que faz algum sentido de dispersar pessoas por várias zonas, em vez de criar bairros sociais. Nos últimos anos, essa habitação tem sido ocupada por uma família, alegadamente de fracos recursos, sendo que a família anterior se inseria na mesma situação. Se em teoria nenhum problema haveria nisso, o modo de vida de qualquer uma das famílias tinha, no mínimo, um caráter insólito: sempre nos habituámos a que os habitantes daquela casa tivessem o melhor carro, a maior quantidade de ouro ao pescoço ou que saíssem normalmente para a venda nas feiras. Junte-se a isto o direito ao polémico Rendimento Social de Inserção e percebe-se que casos destes são precisamente a antítese do que deveria ser uma prestação social. Por muito reaccionária que pudesse parecer, a proposta do PSD para que quem auferisse este rendimento social - para o qual todos contribuímos - retribuísse com algumas horas de trabalho para a comunidade devolveria algum valor simbólico a esta prestação social: se há o direito a recebê-lo, então que também exista um dever subjacente a isso. Sem termos esse princípio presente, o que acaba por suceder é existir um grupo social tratado de forma um tanto ou quanto paternalista e que, quando a coisa aperta, acabam por ser um alvo fácil de ser catalogado como preguiçosos ou parasitas. A proposta, essa, acabou por ser chumbada.

É impressão minha ou estes tipos estão a tornar-se umas lendas da música?

De Mirandela para o mundo

A única coisa que me apraz dizer sobre o caso da professora de Mirandela que posou nua para a Playboy e que teve problemas por causa disso é que ninguém se está a lembrar dos grandes beneficiados desta história: os alunos da dita professora, esses sim, devem ser motivo de inveja da Nação. Quem nunca teve uma professora na escola que desejasse ver numa Playboy que atire a primeira pedra. Este episódio mais não é que uma cristalização de um desejo antigo da população estudantil masculina, diria mesmo desde que existe escola. E, fosse eu um autor de canção brejeira, não tardaria a fazer uma qualquer poesia metendo atividades extra-curriculares, alheiras de mirandela e capas de revistas masculinas.

Googladas

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e seo bacalhau tem rabo se a banana
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qual é um bom elixir bocal
jogos de bartese
autoria da msica Tout de Toi
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Em 1985



1985 não será propriamente o ano de que tenho recordações mais aprofundadas. Recordo-me, ainda assim, de a maioria da população masculina ter bigode, de termos dois canais da televisão que a maioria das pessoas via nuns aparelhos dessa grande marca finlandesa chamada Salora, duns telefones com uns disquinhos onde se punham os dedos para ligar para um qualquer número. O que não me lembro, de todo, é de existirem telemóveis naquela altura e de tal ser um cenário ser exequível no futuro próximo, pelo menos em Portugal. Por isso, suscita-me alguma estranheza uma marca de telemóveis - neste caso, a TMN - dizer que já em 1985 esteve presente num grande momento da selecção - neste caso o milagre de Estugarda, protagonizado por Carlos Manuel -, um ano em que tais coisas pertenciam talvez ao domínio da ficção científica.

O conceito do café

Há uns dias, comprei juntamente com alguns colegas de setor, uma máquina Dolce Gusto. Devo dizer que, nestas coisas do café, os modernismos ficam à porta de casa. Há alguns anos, quando decidi comprar uma máquina de café espresso, já existia a Nespresso e a Delta Q, mas optei pela velha guarda destas máquinas, com manípulos e café à colher. Dir-me-ão que é menos prática do que estas novas máquinas. Com a mesma eloquência, respondo que consigo beber uma bica com café Sical, Delta ou Nicola por menos de 10 cêntimos. Adiante, a Dolce Gusto traz obviamente vantagens: é uma máquina acessível ao nível de preço (pelo menos a Krups que adquirimos), não necessita de um curso de formação para dali tirar cafés face à extrema simplicidade do processo, há uma variedade de cápsulas razoável e estas até são fáceis de encontrar. A objeção aqui é meramente conceptual: criou-se algo que no fundo já existia no nosso quotidiano de ímpios bebedores de cafés e afins, juntou-se tudo num mesmo conceito e deu-se-lhe outros nomes. O expresso não é mais do que a bica, o latte machiato só muda o nome em relação ao galão, o chococino já por cá morava sob a designação de chocolate quente. Nem o consolo de se criarem compêndios de receitas recorrendo à Dolce Gusto serve de consolo, a não ser que o irish coffee um dia caiba em dois cápsulazinhas prontas a usar. Se até já há cápsulas de Nestea de pêssego, não custa sonhar.

As velhas receitas

Quando os problemas começam a apertar a Nação, interessa mais apresentar soluções do que andar a esmiuçar sistematicamente sobre a origem dos problemas. Neste sentido, faz mais sentidos que os dois maiores partidos decidam o que fazer para baixar o défice orçamental do que andarem com politiquices. Ao contrário do que foi anunciado até há pouco tempo, mais cedo ou mais tarde seria inevitável uma subida de impostos. Subirá o IVA, o IRC, o IRS e serão cortadas despesas, que acabarão por afetar o funcionamento de serviços que até já podem estar asfixiados e até a medida, tão proclamada nas caixas de comentários do Correio da Manhã ou nas paragens de autocarro, de reduzir os salários dos políticos vai avançar. Se, por um lado, não me choca o facto de se distribuir o sacrifício por diferentes áreas, também me parece que acaba sempre por se cair nas mesmas receitas, ficando de fora situações mais ou menos óbvias: as parcerias público-privadas como as dos hospitais, a contratação de empresas de estudos externas para fazer estudos que poderiam ser feitos dentro da própria Administração Pública, as grandes operações bolsistas ou a fuga de capitais para paraísos fiscais. Quando ficam de fora as receitas inovadoras, também será legítimo que, dos sindicatos aos patrões, se ouçam as vozes contra do costume.

Mistérios insondáveis



Que se façam campanhas de sensibilização para a SIDA e distribuam preservativos no Carnaval, Festivais de Verão, Queimas das Fitas eu ainda percebo. Talvez seja ignorância minha, mas quer-me parecer que a visita do Papa a Portugal não será das celebrações coletivas que mais influência tenha na libido.

Pois, parece que sim...

O dia do título

Recordo-me de ser petiz e de o Benfica ainda ser o clube que mais títulos ganhava em Portugal, numa altura em que a disputa começava a ser feita mais taco-a-taco com o Porto, que gradualmente substituiu o Benfica como equipa mais vitoriosa. Quem tenha alguma memória recorda o Benfica recheado de craques que envergavam camisolas patrocinadas pelos ares condicionados FNAC, o Estádio da Luz onde nos sentávamos em bancos de cimento mas onde cabiam 120 mil pessoas e tempos em que só saiam jornais desportivos 3 ou 4 vezes por semana.

Esta temporada foi o mais próximo que os Benfiquistas tiveram desses anos. Troquem-se os protagonistas - Mozer por Luisão, Magnusson por Cardozo ou Vítor Paneira por Di Maria - mas o argumento não deixa de ser parecido. Viu-se uma equipa sem rodriguinhos a jogar futebol, a lutar por marcar mais um golo nem que esteja a ganhar por 5, com uma defesa a toda a prova e todo o mundo benfiquista entusiasmado com o desempenho da equipa. Jorge Jesus soube ser pragmático e colocar os melhores jogadores nas posições onde efetivamente deveriam estar e conseguiu que muitos deles evoluíssem bastante, casos de David Luiz, Carlos Martins ou Fábio Coentrão. Só por manifesta má vontade se poderá dizer que o Benfica não será a equipa que mais merece o título, dado ser a equipa que melhores espectáculos deu em campo. Se, no futebol, houver justiça, daqui a menos de meia dúzia de horas, estará grande parte da Nação benfiquista a festejar o título de campeão. Se será ou não uma viragem no futebol português, só o tempo o dirá.

As escolhas para o Mundial (2)

Sendo óbvio que Cristiano Ronaldo é um dos melhores futebolistas do mundo, não é menos verdade que a nível de Selecção o seu rendimento é bastante mais baixo em comparação ao que faz a nível de clube. Seja por culpa do sistema táctico, pelas marcações a que está sujeito pelos adversários ou por sentir que não é na Selecção que tem de provar o seu valor, é um facto que na equipa nacional poucas vezes consegue ser decisivo e que acaba por ter o efeito nocivo a nível coletivo, por querer muitas vezes resolver as coisas sozinho sem sucesso. Tentem encontrar excelentes exibições que tenha protagonizado pela selecção nacional nos últimos anos e verão que a tarefa não é fácil. Por outro lado, basta pensar que últimos jogos na Qualificação foram jogados maioritariamente sem a sua presença e aí viu-se efetivamente a Selecção a jogar como equipa e outros jogadores a emergirem de forma mais benéfica para a equipa, como Simão Sabrosa e Nani.

Face a tudo isto, e recordando que num passado recente vários seleccionadores tomaram a opção de deixar de parte os nomes mais sonantes dos seus países por considerar que a sua ausência seria mais benéfica para o coletivo - veja-se a França de 1998 sem Ginola e Cantona ou o Brasil de 2002 sem Romário - seria assim tão descabido deixar Cristiano Ronaldo de fora das escolhas do Mundial ?

Depois venham cá dizer que os anos 80 ainda hoje não deixam rastro na música

As escolhas para o Mundial (1)


No dia em que se anunciam, de rajada, 50 nomes de onde sairão os 23 que representarão Portugal no Mundial de futebol, não desaparecem as dúvidas sobre determinadas posições, o que não é um fenómeno novo. Defesa-esquerdo e ponta de lança suscitam obviamente a discussão, essencialmente porque serem posições que ficam a perder em matéria de qualidade e quantidade. Quanto aos ponta-de-lança, já se tentaram as mais diversas opções, desde naturalizar brasileiros em plano descendente na carreira, chamar jogadores a equipas do meio da tabela de campeonatos internacionais de que pouco se falavam quando por cá jogavam ou outros a quem falta a técnica que talvez desse jeito em situações mais periclitantes do jogo. É então inevitável regressar a tempos em que jogávamos com o Paulo Alves a ponta-de-lança, porque não abundava a concorrência. Face a isto, o nome de Makukula seria um nome a considerar: tem presença na área, força física e parece estar a fazer uma época admirável, tanto que é o melhor marcador do campeonato turco que, vistas bem as coisas, não é qualitativamente muito diferente do nosso.

Contrato social

Com os recentes problemas decorrentes com as dívidas dos países, incluindo o nosso, saiu há alguns dias uma notícia que dava conta do facto de que a grande maioria dos portugueses visados no estudo (julgo que 70%) não estariam disponíveis, caso o cenário se colocasse, de abdicar do seu subsídio de férias para salvar o país.

O argumento segundo o qual os portugueses não abdicariam do subsídio da verba seria mais ou menos o de não querer alimentar a corja que nos governa. Uma situação como a actual dá, para além de outras coisas, azo para discursos populistas face a quem nos governa. Nomeadamente a tese que diz que, se não fosse o dinheiro que gastamos com Governo, ministros e deputados estaríamos salvos da crise, o que é obviamente uma falácia, dado que o dinheiro em causa seria irrelevante no cálculo do deve-e-haver neste país.

Quanto a mim, o grande problema deste país não é o de o subsídio de férias reverter ou não livremente para os cofres públicos. Não por achar que ele fosse encher os bolsos dos políticos, mas para onde ele seria gasto. Não faria sentido esse cenário hipotético se depois esse dinheiro acabasse a salvar bancos ou a pagar dívidas bancárias de obras demasiado grandes para a nossa dimensão - veja-se a alta velocidade. A minha proposta para a salvação do país seria qualquer coisa como um grande contrato social: os portugueses comprometer-se-iam a abdicar do subsídio de férias se, em troca, tivéssemos hospitais a funcionar em condições, escolas exigentes com os alunos, tribunais céleres a julgar, o fim do sonho lusitano com obras gigantescas que só aumentam o nosso endividamento e a expulsão daqueles que usam o Estado em proveito próprio. Se tal verba significasse um tal salto qualitativo para o país, eu próprio, consumido de fúria patriótica e sentido cívico, abdicaria do meu subsídio de férias em prol da comunidade.

Copa Aleixo



Sei que é voltar a dois temas já meio batidos, mas juntar bola e Bruno Aleixo, ainda por cima com 32 episódios, é um facto que não poderia deixar passar: Copa Aleixo, para ver aqui.

A memória de um dia como o de hoje



A associação de músicas a determinadas datas é um fenómeno que nada tem de estranho, o que é mais estranho é lembrar-me de certas canções nesses mesmos dias. É o caso de "Remendos e Côdeas" de José Mário Branco, canção que remete para a luta de classes cuja existência pareço esquecer durante o resto do ano, mas que acabo por lembrar sempre que ouço falar de grandes concentrações organizadas pelas centrais sindicais.