Equilíbrios

Embora versem uma atividade que as pessoas praticam fazem no seu quotidiano, os programas televisivos de culinária acabam sempre por jogar numa série de equilíbrios difíceis de conseguir: o ensinar coisas novas às pessoas mas fazíveis para pessoas comuns, o fugir ao déjà vu da cozinha quotidiana evitando cair num exotismo pouco aplicável à cultura em que os espetadores se inserem, a necessidade de ter alguém credível em frente à câmara mas que consiga captar a atenção do telespetador. Apesar de haver uma oferta enorme deste tipo de programas - basta olhar para as programações dos canais do cabo - e de apenas dois ou três terem alguma notoriedade entre o público por cá, demonstra que esse equilíbrio nem sempre é conseguido. De Inglaterra, depois de Jamie Oliver, o programa Nigela Bites, na SIC Mulher, encaixa no que se pretende de um programa destes, mas com um extra: o que Jamie Oliver tem em espetáculo na performance televisiva, Nigela Lawson tem em sex-appeal. Agora é uma questão de escolher.

Roleta



Fixem este nome: Chat Roulette. Tanto pode se pode revelar um epifenómeno ou mais um marco da Internet. Eu, que não conhecia de todo este site, após me deparar com críticas pouco abonatórias na blogoesfera e saber da polémica que está a causar, não seria coerente comigo mesmo se não o experimentasse. O conceito é um tanto ou quanto perverso, mas simples e eficaz: um utilizador (preferencialmente com uma webcam ligada), conecta-se no site e, numa questão de segundos, é colocado num chat com alguém completamente ao acaso. Como se estivéssemos a caminhar na rua e metêssemos conversa com um traseunte de forma aleatória. Se, de outro lado da câmara, a companhia não agradar, basta clicar em "next" para encontrar outro parceiro.

Os 20 ou 30 minutos que testei o site permitiram-me compreender o sururu que a coisa está a causar. O facto de não precisar de registo, de permitir mudar interações de forma simples e de ter a componente de webcam associada acaba por ser uma porta aberta para o lado mais estranho e divertido da Internet. Assim sendo, neste meu zapping, para além de pessoas aparentemente normais, também iam aparecendo do lado de lá pessoas a ensaiar passos de dança, casais de namorados a beijarem-se, homens nus em frente à câmara e até um strip-tease feminino. No fundo, o lado surpresa vem sempre ao de cima, um pouco a variante virtual de quando é possível espreitar pela janela do vizinho, em que tanto o podemos ver sentado no sofá a ver televisão como em frente ao espelho a experimentar roupa de mulher. E o Chat Roulette acaba por ser a versão virtual daquilo que todos nós acabamos por ter: um misto de voyeurismo e exibicionismo, devidamente misturado com freak-show e a imaginação que somos incapazes de pôr em prática no dia-a-dia. Em suma, algo que, pelo menos, merece ser visto. Até já existe uma espécie de best of do que por lá se vê - como mascarados de soldados nazis, tipos armados, simulações de enforcamento, sexo para a webcam ou homens-aranha no sofá - que pode ser visto aqui.

O baú das canções "Recado pra mãe"



Desta música sei muito pouco. Sei que é cantada por uma artista de nome Magda, mas desconheço se esta mesma artista publicou mais canções para além desta e o ano em que foi lançada não é um facto que eu conheça. O único dado que sugere alguma antiguidade na canção (pelo menos duas décadas) é o facto de o pai sair de casa cedo para ir para o futebol, o que, face aos horários das partidas que se praticam atualmente, não seria de todo necessário. O que sei é que há aqui um profundo sentimento de admiração e respeito da filha pela mãe, que parece ser a única âncora em matéria afetiva com os seus progenitores - atente-se como o pai é imediatamente remetido para segundo plano, por preferir ir ao futebol - , embora nem sempre possa estar presente. O tom é emotivo, como qualquer canção intepretada por uma criança, e os valores da família saltam imediatamente à vista.

Há uns dias em que fico com a ideia de que há tipos no Record que andam a fazer uma perninha em publicidade



Googladas

crítico de televisão no jornal tal e qual
tirar carta de condução de empilhador em sintra
moviflor pop art
vinho verde pode ser tinto?
pontos de venda borda d'água 2010
qual a altura da plantaçao dos morangos
Alberto João Jardim de cuecas carnaval tal e qual
pecol cais do sodre

Prioridades

O temporal que se abateu sobre a Madeira ontem de manhã impressiona. Pela destruição que provocou, pelas vidas que ceifou, pela demonstração de que a força do Homem perante a violência de certos fenómenos naturais conta pouco. De uma tragédia destas, o que se esperaria seria um discurso de "mãos à obra" por parte de quem gere o território, mas não deixam de me causar surpresa as declarações de Alberto João Jardim, pedindo à comunicação social portuguesa cautela na descrição da situação, para não afetar o turismo na região. Uma questão de prioridades, talvez.

Nobre candidatura a presidente

Em todas as eleições presidenciais, ouvimos falar em candidaturas supra-partidárias, pese embora todas aquelas que se apresentam acabam por ter sempre uma lógica partidária, nem que seja pelo facto de os candidatos serem militantes deste ou daquele partido. A candidatura hoje anunciada de Fernando Nobre, a ir para a frente, acaba por furar esta lógica, por ser alguém sem uma atividade político-partidária que se propõe a um cargo destes. Para já, talvez valha a pena olhar para isto com alguma atenção por duas razões: será curioso saber a quem Fernando Nobre irá buscar votos - se, ao eleitorado de esquerda ou a sectores da direita como a democracia-cristã - e, por outro lado, se, numa altura em que os partidos e os políticos não gozam da maior das popularidades, há ou não um número suficiente de portugueses capazes de dar votos a grandes figuras da sociedade portuguesa, embora fora do nosso espectro partidário.

Feeling

Tenho para mim que "I gotta feeling" é uma das melhores canções pop que a indústria conheceu nos últimos anos. Ali, parece não haver ponta por onde pegar: uma entrada que deixa água na boca para o resto da música, um refrão forte e um ritmo dançável e alucinante, que deixa com vontade de bater o pé até uma pessoa que tenha sido capturada pela máfia napolitana e tenha os pés enterrados num balde de cimento, e que, pelo menos a mim, remete para a imagem de ver avenidas inteiras com pessoas a sair de dentro dos seus prédios para irem para a rua dançar. Uma música com um potencial destes acabaria inevitavelmente por ser esgotada pelas playlists, publicidade e televisão, mas eis senão quando a selecção nacional acaba por adotar a canção como hino da participação no Mundial deste Verão. À medida que a competição se aproximar, mais ouviremos a canção e será difícil não a associar às minudências associadas aos jogadores da selecção nessa altura. O problema é que só estamos em Fevereiro e duvido que a paciência para a música não esgote até lá. É pena.

Foliões

Ao longo dos anos, vou expressando neste blogue a minha antipatia pelo Carnaval. Um sentimento que vem dos tempos das minhas máscaras pouco convincentes quando petiz e que teve uma ligeira interrupção na pré-adolescência, período em que praticava algum experimentalismo pirotécnico graças a uma larga gama de dispositivos feitos para a época à venda nas boas papelarias, cujos donos não se coíbam de vender a uns mariolas que nem um buço exibiam. Este sentimento ganha uma maior repercussão pelo triste espetáculo a que assisto em diversos pontos do país: homens de bigode vestidos de mulher, o João Baião a ganhar numa tarde mais do que eu ganho num ano por andar a dizer adeus em cima de um carro alegórico, desfiles de escolas de samba organizados e protagonizados por pessoas que se esquecem que Portugal e Brasil estão em diferentes hemisférios, ruas povoadas por miniaturas de princesas, bruxas e, no caso dos adultos, por cabeleiras postiças. Este ano, toda esta brincadeira parece ter sido alvo de um castigo divino: chuva, frio e neve, uma espécie de remédio santos os "foliões" - tribo urbana que só parece sair à rua nesta altura do ano - deste país.

Googladas

encontrei caderneta do planeamento familiar no quarto de minha mae sera que ela esta gravida?

hi5 badalhocas evora

centena de milhar

quais sao os episodios mais falados de os simpsons

Charles Bronson, esquizofrenia 

hi5 Latapy

anedotas picantes quim barreiros  

carteira dunas

ZX e Adidas





Soube hoje que a Adidas tem um modelo de ténis intitulado ZX 500, que deu origem a um jogo de computador baseado na tecnologia existente nos anos 80 intitulado "ZX Runner", no qual um DJ tem usar os seus ZX 500 para poder chegar em cinco minutos a um DJ-set. A associação entre Adidas e ZX Spectrum é por demais evidente, e para quem como eu coloca estas marcas como verdadeiras referências que merecem estar nos píncaros, é caso para agradecer que parece haver alguém que pensa como nós.

Ícones pop da publicidade

Gosto muito do Minipreço, mas a ideia de recorrer a figuras da nossa História enquanto meros ícones da nossa antiga moeda, apenas para passar a ideia de que ali se praticam os preços mais baixos da praça, não lembra ao diabo. Um tipo leva mais longe o raciocínio e começa a imaginar Fernando Pessoa a encarnar um dos seus heterónimos enquanto se embebeda com licor Geraldino ou o Gago Coutinho a matar saudades do Brasil ao comprar umas bananas brasileiras na prateleira das batatas fritas de marca Dia. O mais irónico de tudo - e daí talvez nem tanto - é que esta espécie de ícones pop da publicidade do ramo da distribuição é feita por uma cadeia... espanhola.

Recatados e calculistas

Normalmente recatados e bastante calculistas quanto ao momento para avançar, os putativos candidatos a líder do PSD começam agora a dar a cara e anunciar candidaturas. Percebe-se porquê: as recentes polémicas envolvendo o Primeiro-Ministro e um Governo sem minoria absoluta no Parlamento acabam inevitavelmente por desgastar do Executivo, a que se junta o facto de ser pouco provável o Governo cair durante o próximo ano, o que possibilita ao PSD ir fazendo o seu caminho e deixar o Governo queimar em lume brando. Num partido de poder como é o PSD, tal bastará para arregimentar devidamente as tropas. As eleições diretas no PSD pareciam, há uns meses, ser algo sem grande importância mas ditarão quem irá concorrer a Primeiro-Ministro como líder do partido bem antes do esperado fim da legislatura.

Clientela da farmácia

Em pouco mais de cinco minutos na farmácia, ouço uma das jovens farmacêuticas que está ao balcão a aviar umas pílulas a umas adolescentes de suburbano rematando com um maroto "Vá, divirtam-se!", enquanto uma mulher lançava a hipótese de ter falta de força nos músculos vaginais pelo facto de andar a dar-lhes pouco uso ultimamente, perante uma plateia visivelmente interessada naquele caso clínico. Um tipo é presenteado com estes espetáculos e quase que fica com vontade de regressar aos anos 70, em que os clientes masculinos só compravam preservativos nas farmácias fazendo um pequeno sinal recorrendo à gola da camisa.

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Filme pronográfico com Ana Zanatti ´Grátis
decorar cama branca
casa das tostas em mafra
boi simbolismo
clube escola no iraque
"edite estrela" acordo ortográfico
PAPAR JOGOS
hi5 odete faria

Compadrios

Quem se recorda dos jogos do Euro 2004, certamente se lembrará de um Suécia-Dinamarca que, a poucos minutos do fim, registou um estranho golo em que a defesa não ficou isenta de culpas. Esse golo ditou o empate entre as duas selecções, que possibilitava a ambas a passagem aos quartos-de-final, em detrimento da Itália. No último apuramento para o Mundial, os portugueses suspiraram de alívio ao saber que essas mesmas selecções não poderiam acabar empatadas o último jogo do apuramento, estando os dinamarqueses obrigados a ganhar para garantir o acesso direto. Está visto que te tipo de compadrios entre selecções do norte da Europa pode ser uma pequena mina neste tipo de competições. Daí que me pareça um pouco redutor olhar para o nosso sorteio no apuramento para o Euro 2012 - com Dinamarca, Noruega e Islândia - alertando unicamente para eventuais perigos do ponto de vista técnico e tático.

O baú das canções "Palhaço pobre"



No conjunto de exemplares de música popular portuguesa com o tema da desgraça alheia por detrás, certamente que o "Palhaço pobre" dos Lordes acaba por encarnar fielmente o espírito que lhe é inerente. Um palhaço que andava um pouco por todo o lado a divertir as pessoas teve a infelicidade de ter perdido de uma assentada dois familiares próximos. Nada que não tenha sido já explanado noutras canções produzidas em solo luso, mas com a mais-valia de haver aqui a ironia de isto ter acontecido a um palhaço, cuja profissão é criar alegria para os outros e de ter necessidade de continuar a fazê-lo mesmo após tamanha tragédia.

Tóquio via Pequim

Hoje vêm-se pelas ruas de Lisboa menos restaurantes chineses do que no passado. A coisa nada teria de anormal, não fossem terem surgido nesses mesmos espaços restaurantes... japoneses. Parece ter assumido contornos de mito urbano que os restaurantes outrora chineses são hoje propriedade dos mesmos donos. Este facto, tanto quanto parece, estará mais perto da verdade do que do mito.

Um cidadão português poderá então não dar muita importância ao facto de chineses se espalharem pela cidade com restaurantes de comida japonesa, partindo da tese tão comum de que os cidadãos orientais são todos iguais. Assim será, mas gostaria de saber qual seria a reacção do comum cidadão se soubesse que iguarias como o cozido à portuguesa ou o cabrito assado andassem a ser dadas a conhecer em todo o mundo, em restaurantes portugueses mas que fossem propriedade de espanhóis.

Roupa suja no Facebook

Só hoje é que li os comentários no Facebook escritos por comandantes e pilotos da TAP e que suscitaram alguma polémica nos meios de comunicação social e levaram a companhia a enviá-los para um curso de ética. Para quem não está a par, os comentários envolviam a lavagem de roupa suja relativamente à forma como era gerido o sistema de borlas em viagens de avião entre comandantes daquela companhia.

Em boa verdade, há algo que tenho em comum com quem interveio na discussão. Também eu já tive ( e desconfio que ainda tenho) viagens de borla ou a preços mais reduzidos - uma por ano - na nossa transportadora aérea, um direito concedido a quem é parente direto de um funcionário da TAP e que faz parte de um pacote de benesses que a companhia dá (ou dava) aos trabalhadores. Ainda assim, recordo-me perfeitamente de que estes bilhetes pouco ou nenhuns direitos davam a quem os possuía, já que só teriam direito a embarcar se houvesse vaga no avião, dado que qualquer passageiro pagante teria naturalmente direito a preferência. Também era recomendado a quem viajasse de borla nos avião que fosse o mais discreto possível nessa matéria, de preferência que não o referisse no vôo ou no embarque ou desembarque. Regras que, parece-me, relevavam do mais elementar bom-senso.

Lembrei-me dessas regalias de que no passado usufrui ao ver a conversa em causa, em que os comandantes e pilotos puxavam dos galões e do estatuto, ao criticarem o fato de serem colocados nos últimos lugares, de não lhes serem dados privilégios face a outros passageiros pagantes ou a acusarem colegas de trabalho e violando as mais elementares regras de sigilo profissional, mostrando estar mais preocupados com mordomias do que com a seriedade da própria classe.

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DOUTRINA MODERADA CATÓLICA SOBRE ABORTO
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