Um misto
Duas pessoas que eu não imaginava sequer que se conheciam chegaram há uns dias à conclusão que me tinham como amigo em comum graças à evocação de um excesso alcóolico meu há alguns meses atrás no qual eu tive um "apagão" - leia-se, não ter grande memória - de algumas horas. Em tempos, um outro amigo meu tentava convencer outras pessoas de que conhecia uma pessoa - precisamente eu mesmo - que cometera um dia a proeza de beber uma garrafa de Martini sozinho em pouco mais de uma hora, mas tal façanha afigurava-se perante terceiros como uma aldrabice cuja probabilidade de ter acontecido era inexistente. Posto isto, é fácil concluir que a maneira mais bizarra de sermos conhecidos é através de um misto de decadência alcóolica e mito urbano.
Homenagem à memória benfiquista

No jogo contra a Pobreza, o universo benfiquista rejubilou com a presença em campo de um naipe de jogadores que apenas no universo Pro Evolution Soccer era possível: Néné, Valdo, Schwarz, Chalana ou Shéu lado a lado com as atuais estrelas da equipa. Um desfile de velhas glórias devidamente enquadrado jornalisticamente pelos comentários simultaneamente sóbrios e a transpirar nostalgia de Rui Tovar. Apraz dizer que não foram só as vítimas do sismo no Haiti a beneficiar do jogo de ontem, também a memória da Nação benfiquista teve o seu momento solidário e reduzir o jogo à barriga de um antigo goleador sueco talvez seja pegar demasiado em pequenas minudências.
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jardim e o aborto do 1º ministro
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Falar mal
A vaga de rejeição aos anúncios do Pingo Doce - estou a recordar-me dos hate groups a estes anúncios no Facebook - deixava transparecer que estes estavam a entrar na cabeça das pessoas. Não se sabe se contribuíram ou não para aumentar vendas, mas cumpriram o seu papel de dar um maior reconhecimento à marca. Tantas pessoas a falar nos anúncios acabaria por aumentar a notoriedade da marca, como é demonstrado por um estudo que revela que esta cadeia de distribuição se intrometeu na luta dos pesos pesados em matéria de reconhecimento de anúncios - leia-se, as empresas de telecomunicações - ficado mesmo à frente da Vodafone.
A fazer lembrar o arquitecto
Há duas décadas atrás, um famoso arquiteto que à altura só era conhecido pelas obras arquitetónicas pouco ortodoxas - leia-se, uns monos como as Amoreiras ou o IADE - teve a infelicidade de ter gravações caseiras de atos sexuais com uma panóplia de senhoras serem conhecidas pelo resto da Nação. A carreira desse senhor ficou inexoravelmente associada a essas gravações.
Recordei-me de tal personagem ao ver os vídeos que foram publicados no Youtube com as famosas escutas do Apito Dourado. Vistas bem as coisas, nada do que lá vem é particularmente novo: Pinto da Costa mantém intacto o respeito pela hierarquia no clube e move bem as influências na arbitragem ou na comunicação social, Valentim Loureiro solta eficazes palavrões para reforçar a mensagem e somos levados a acreditar que até a falar com o Papa não se coibiria de soltar o vernáculo, João Loureiro mantém ao telefone a mesma ambiguidade que se lhe conhecia nos tempos em que era compositor de canções. Sobra, ainda assim, algum espaço para algo novo, como umas personagens caricatas, por exemplo um tal de Júlio Mouco que fala com o antigo presidente do Boavista com a mesma reverência que um empregado de mesa de um restaurante onde só vai gente importante, abordando penáltis duvidosos da mesma forma que se desculpava pelo facto de a lagosta não estar bem cozida. De hoje em diante, veremos estas figuras de outra forma, tal como sucedeu com o famoso arquiteto. Custa é a crer que estas escutas pouco ou nenhum resultado tenham tido ao nível da Justiça desportiva. Nada a que não nos tenhamos habituado na Justiça portuguesa.
Recordei-me de tal personagem ao ver os vídeos que foram publicados no Youtube com as famosas escutas do Apito Dourado. Vistas bem as coisas, nada do que lá vem é particularmente novo: Pinto da Costa mantém intacto o respeito pela hierarquia no clube e move bem as influências na arbitragem ou na comunicação social, Valentim Loureiro solta eficazes palavrões para reforçar a mensagem e somos levados a acreditar que até a falar com o Papa não se coibiria de soltar o vernáculo, João Loureiro mantém ao telefone a mesma ambiguidade que se lhe conhecia nos tempos em que era compositor de canções. Sobra, ainda assim, algum espaço para algo novo, como umas personagens caricatas, por exemplo um tal de Júlio Mouco que fala com o antigo presidente do Boavista com a mesma reverência que um empregado de mesa de um restaurante onde só vai gente importante, abordando penáltis duvidosos da mesma forma que se desculpava pelo facto de a lagosta não estar bem cozida. De hoje em diante, veremos estas figuras de outra forma, tal como sucedeu com o famoso arquiteto. Custa é a crer que estas escutas pouco ou nenhum resultado tenham tido ao nível da Justiça desportiva. Nada a que não nos tenhamos habituado na Justiça portuguesa.
Mudanças no MNAA
Em meia dúzia de anos, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) acaba por contar com quatro diretores. Uma área normalmente pouco mediática acaba por ganhar protagonismo à custa das constantes mudanças nas respetivas direcções. Quem tem um mínimo de conhecimento sobre a realidade dos museus em Portugal sabe que não há nada mais pior do que andar sistematicamente aos ziguezagues em matéria de direcção e de orientação destas instituições - o que já é mau em qualquer instituição ganha mais relevo nos museus portugueses, com uma dotação financeira ínfima e onde é quase hábito fazer omeletes sem ovos, passe o paradoxo. O que se passa no MNAA acaba por reforçar a ideia de que a área da Cultura é um meio pequeno, feito de pequenas capelas e grupos de interesses.
Prioridades
Na volta sou eu que não tenho bem a perceção das prioridades, mas numa cidade recheada de problemas, em que os carros são semeados nos passeios, que os graffiti se tornaram banais na paisagem urbana, com problemas de mobilidade em boa parte das vias e onde há diversas zonas de segurança duvidosa, não deixa de me causar alguma perplexidade que a proposta que mais votos teve no Orçamento Participativo de 2010 em Lisboa tenha sido a expansão... do canil e gatil municipal.
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Buzinas aos milhares
Don't get me wrong: dou por adquirido que as buzinas dão colorido ao futebol. Antes das medidas de segurança que hoje vigoram nos estádios, qualquer entrada em campo da equipa da casa era comemorada com um valente coro de buzinas, sendo estas atualmente usadas num ambiente externo aos estádios, nomeadamente com pessoas penduradas em carros a gritar "Campeões!". Eu próprio já contribuí com valentes buzinadelas, utilizando para isso as buzinas de topo, para festejar vitórias futebolísticas. No entanto, os jogos da CAN que atualmente se desenrolam, trazem consigo um dado negativo nesta matéria - e não estou a falar do comentador da Eurosport com sotaque francês - que é o verdadeiro arsenal de buzinas levadas para o estádio, que em vez de contribuir para ambiente de festa, parecem trazer para dentro do estádio um ambiente de engarrafamentos numa extensa avenida às seis da tarde de um dia de semana. Um tipo está 90 minutos a ouvir milhares de buzinas a ecoar ao mesmo tempo e chega a ter saudades do famoso "Lourenço do trompete", que nos anos 80 e 90 animava os jogos do Porto.
A melhor diversão
A revolta dos pequeninos
Tive há uma noite atrás a primeira intoxicação alimentar de que tenho memória. Embora ligeira, pude finalmente experienciar os famosos efeitos ao nível do sistema digestivo, o qual parece funcionar para qualquer alimento como um segurança do BBC se uns tipos vestidos de fato de treino ali tentam entrar. Pese embora todos nós tenhamos a sua experiência em matéria de rejeição do organismo às mais variadas coisas - como álcool em excesso, comida de restaurantes chineses ou demasiados temperos - não deixa de causar estranheza que algo tão minúsculo como berbigão, devidamente acondicionado num dispendioso arroz de marisco, consiga ter um efeito inversamente proporcional ao seu tamanho no organismo humano. É a prova em como os pequeninos às vezes conseguem derrotar os grandes, desde que tenham as armas - leia-se as toxinas - mais apropriadas.
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A centena de milhar
Qualquer pessoa que tenha um blogue ou um site tem a noção que um contador de visitas nem sempre consegue fornecer dados completamente fiáveis em relação aos visitantes: há quem visite um site mais do que uma vez por dia, quem tenha acesso a certos contadores bloqueados ou visitas que não se sabe bem de onde vêm. Quem coloque dois contadores de serviços diferentes no mesmo dia no mesmo site não irá obter resultados iguais, por mais estranho que pareça. Ainda assim, continua a não existir melhor forma de ter uma ideia em termos de números de quantos visitam um link. Há algumas semanas atrás, pus-me a congeminar se conseguiria chegar aos 100 mil page views até ao final de 2009. A expetativa não me pareceu descabida, mas falhou por algumas centenas. Sem dramas: mesmo com todas as ressalvas que referi acima, não deixa de ter o seu interesse este blogue conseguiu separar essa barreira.
O princípio da discriminação
Se todas as pessoas opinam sobre o casamento de homossexuais, também este blogue assume a sua veia de comentador de tasca. Parece-me relativamente linear a ideia que pessoas do mesmo sexo se possam casar civilmente entre si, tendo por isso os mesmos direitos e deveres que os casais heterossexuais. Partindo do princípio que o casamento civil é, romantismos à parte, a celebração de um contrato livre entre duas pessoas, existe obviamente um princípio de discriminação quando esse direito é vedado aos homossexuais, o que parece que poderá acabar dentro de pouco tempo.
A pedra de toque que tem andado a assombrar o debate prende-se com a possibilidade de adoção por parte dos casais homossexuais. A lei que poderá vir a avançar prevê que os casamentos avancem, mas que a adoção fique de parte dos direitos. O irónico no meio disto tudo é que pretende-se combater uma situação de discriminação criando-se uma lei que institui outra. Ou seja, se se pretende que aos casais homossexuais sejam dados todos os direitos que aos casais heterossexuais, por outro lado esse princípio de igualdade é posto em causa porque o direito à adoção é dado em função da orientação sexual do casal. A discussão em torno de qual o melhor ambiente para criar uma criança pode ficar para outro dia , mas se é de igualdade de direitos que se trata, não é pedir muito que se seja coerente a dar esss mesmos direitos.
A pedra de toque que tem andado a assombrar o debate prende-se com a possibilidade de adoção por parte dos casais homossexuais. A lei que poderá vir a avançar prevê que os casamentos avancem, mas que a adoção fique de parte dos direitos. O irónico no meio disto tudo é que pretende-se combater uma situação de discriminação criando-se uma lei que institui outra. Ou seja, se se pretende que aos casais homossexuais sejam dados todos os direitos que aos casais heterossexuais, por outro lado esse princípio de igualdade é posto em causa porque o direito à adoção é dado em função da orientação sexual do casal. A discussão em torno de qual o melhor ambiente para criar uma criança pode ficar para outro dia , mas se é de igualdade de direitos que se trata, não é pedir muito que se seja coerente a dar esss mesmos direitos.
Umas semanas de emissão radiofónica
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ZONA murphy
pereco de mandar vir cromos caderneta de futobol
viagem finalistas brasil joao de deus 2007
"sotaque de coimbra
googlada morangos com acucar
primeiros passos farming extreme
mais as velas cancao portugues
CABO VERDE CENTRO ESPERTISTAS
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Novos velhos anúncios
Fiabilidade
Arrumações caseiras recentes fizeram com que encontrasse o almanaque Borda d'Água de 2006. Para além dos habituais avisos para quem se dedica à agricultura ou venera santos, uma secção com recomendações e análises variadas chamou-me a atenção. No capítulo "Diz-se que...", o leitor é avisado sobre os mais diversos perigos da vida moderna, como o risco de úlceras se comer e vir televisão (especialmente telejornais), o vício que a utilização dos videojogos pode causar, as consequências do fast food para o organismo a ou o perigo que então se previa com o avanço da gripe das aves. Tirando o facto de a gripe das aves não ter tido o impacto que então se previa, nenhuma das conclusões sobre a vida moderna poderia considerar-se descabida. Um grau de fiabilidade que obviamente advém de muita sabedoria popular, devidamente consolidada por uma sólida experiência de vida dos seus autores. Para o ano que agora começa, acho que é tempo de abandonar em definitivo todas aquelas que consideramos fontes mais ou menos seguras na arte da antecipação - agências de rating, astrólogos, politólogos, economistas - e passarmos a basear-nos mais nos conselhos do Borda d'Água.

