Muro de Berlim 20 anos depois


A Queda do Muro de Berlim é talvez um dos primeiros momentos históricos a nível mundial de que eu me recordo de ver acontecer. Obviamente, por ter 10 anos na altura, pouco sentia fazia para mim a razão pela qual a queda de um muro numa cidade suscitava tamanha alegria nos habitantes dos dois lados e no resto do Mundo, não tendo eu associado qualquer carga simbólica a aquela parede gigante. Mais tarde, fiquei a perceber que aquele facto não só simbolizava o fim do Comunismo na Europa como representava o fim do fechamento de parte bastante relevante do espaço europeu. O resto é o que sabe: os países que viviam sob o jugo do Comunismo foram-se democratizando, ganhando dimensão económica e política e já há gerações para quem aquele período pouco feliz da sua História já pouco ou nada diz. O facto de hoje a União Europeia se fazer com muitos desses países já diz muito da importância do que se passou há cerca de 20 anos.

Fazer de conta

Na escola de línguas onde tenho aulas de Inglês, no âmbito de uma pergunta aos membros da turma em relação a desportos radicais - quase que eu nunca fiz nem tenho curiosidade em fazer - , quando questionado com a experiência mais radical com que já me confrontei foi ter estado uma vez duas horas em casa com uma fuga de gás a decorrer. Enquanto caminho no passeio e falo ao telemóvel, faço de propósito para que um tipo que quer estacionar no passeio não o possa fazer e paro propositadamente em cima do passeio, fazendo de conta que não me apercebo que ele quer estacionar. Parece evidente que uma forma eficaz de lidar com as pequenas complicações quotidianas é fazer de conta que não é nada connosco.

Quem vê têvê...

O serviço, até há alguns anos, prestado pela entretanto extinta Netcabo tornou-se uma espécie de referência no que não se devia fazer numa atividade como as telecomunicações: serviço por vezes inexistente, tarifários abusivos, assistência ao cliente pouco eficaz e um consumidor quase sempre de mãos atadas entre escolher o mau e não escolher coisa nenhuma. Esses tempos felizmente já lá vão - embora deles guarde algumas boas memórias, como faturas de mais de 500 euros ou dias seguidos sem Internet - mas tenho tido a oportunidade de os recordar após ter instalado o Vodafone TV, há coisa de mês e meio. Depois de dois anos com poucos ou nenhuns problemas, a simples instalação do serviço, com mudanças na infraestrutura do "triple play" revelou-se uma espécie de virus que vai alastrando e deixando sequelas: Internet que vai abaixo sem razão, telefone sem rede, a televisão que são mais os dias em que está em baixo, uma "box" inovadora mas que quase não funciona ou visitas agendadas para técnicos que só aparecem à terceira. E a melhor forma de encarar a coisa é lançar uma profunda introspecção sobre a dependência das novas tecnologias. Isso e esperar que amanhã a visita do técnico resolva finalmente o problema - das últimas três vezes, apareceu uma - , afinal de contas 33% de probabilidade não é assim tão pouco...

Kindle

Dir-se-á que o ser humano tem um lado conservador que serve de mecanismo de defesa perante as novidades. Quando Fernando Pessoa criou o "Primeiro estranha-se, depois entranha-se" mais não fazia do que sintetizar a reação natural à novidade. Não mudámos muito ao longo dos tempos e, se olharmos para as nossas próprias respostas a algumas das novidades, nomeadamente no campo tecnológico, que nos foram apresentadas, não o poderemos fazer sem esboçar um sorriso: os telemóveis eram uma forma de sermos controlados pelas outras pessoas e eram uma redundância por existirem telefones, a Internet era uma coisa que não precisávamos de ter ligada ao computador, os mp3 não seriam necessários porque existiam os leitores de CD portáteis, os GPS constituíam um assassinato aos mapas e ao ditado "Quem tem boca, vai a Roma". A lista poderia facilmente continuar.

Também eu reagi de forma semelhante a algumas das novidades tecnológicas com que tenho vindo a ser brindado ao longo dos anos. Abri há pouco tempo uma exceção a uma que já por aí anda há algum tempo e que por estes dias vai dando passos mais largos rumos à sua generalização: o Kindle. Um tipo ouve falar numa novidade destas e manda os conservadorismos e mecanismos de defesa às urtigas, só de pensar na imensidão de espaço que acabará por poupar em casa a e nos títulos a que poderá aceder a partir do momento em que tiver um brinquedo destes nas mãos. Mesmo para quem imagina o fim da literatura com o advento do Kindle, acredito que a democratização dos livros será maior e alguns impedimentos que hoje conhecemos - como determinada obra já não estar disponível no mercado, devido ao fim dos stocks - acabarão por se tornar numa recordação. Hoje, custa à volta de 300 euros , não valendo a pena euforias premeditadas: daqui a dois ou três anos não custará muito mais que um leitor de mp3.

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As piadas de Juca


Passando pelos blogues e pelos jornais, parece que o desinspirado vídeo de Maitê Proença sobre Portugal ainda não é assunto totalmente encerrado e a coisa parece que chegou ao ponto de servir de metáfora na relação de portugueses e brasileiros com a sua história. Ao ouvir ainda a troca de argumentos e de insultos mais ou menos elaborados, lembrei-me de um nome, certamente recordável para quem quem tem idade suficiente: Juca Chaves - artista brasileiro com grande sucesso em Portugal no final dos anos 70, graças a discos e espetáculos onde gostava de escarnecer nos políticos corruptos do Brasil, nos maridos enganados pelas mulheres e... nos portugueses. Do nosso país dizia então coisas como "Eu estive em Portugal, passado pouco tempo fui para a Europa". Se tais considerações fossem hoje e fosse aplicada a "Escala Maitê Proença", acredito que o castigo popular não andasse muito longe de ser lançado ao Tejo com os pés num balde de cimento.

Remi Gaillard na Volta a França


Remi Gaillard é uma das mais interessantes personagens da Internet. Mesmo que o nome não seja familiar, certamente que muitos já terão visto alguns dos seus episódios devidamente documentados em vídeo e colocados na Internet, que tanto têm de bizarros como de imaginativos: os murros em presuntos ao som de "Eye of the tiger" ou o ter entrado em campo para festejar uma Taça de França sem ninguém ter dado por ele.

Mesmo não sendo um adepto do género dos "Apanhados", há aqui uma associação ao que o género tem de melhor: em vez de o enfoque ser dado no incauto cidadão, é dada primazia ao cenário montado. Quem se lembra de "Trigger Happy TV", encontra aqui um conceito semelhante. Esta pitoresca filmagem nas estradas francesas, em que Remi Gaillard tem atrás de si uma numerosa quantidade de pessoas para criar o cenário, só prova que o homem tem arte e engenho para a coisa.

Apito final


O Nacional Maior chega hoje ao fim. A evocação de Cacioli, Bernardino Pedroto ou Marlon Brandão fica reservada nas memórias de produção bloguística. As outras coisas a que decidi chamar de blogues continuam o funcionamento habitual.

Uma aventura no ME

Faço parte do extenso rol de portugueses adultos que hoje possuem hábitos de leitura mais ou menos enraizados e que os foram ganhando graças aos livros "Uma Aventura", selo de qualidade na chamada literatura infanto-juvenil em Portugal. Uma das autoras da colecção - Isabel Alçada - foi hoje anunciada como Ministra da Educação do novo Governo. É legítimo ter boas aspirações em relação ao seu desempenho. Afinal de contas, é alguém que antes de sequer imaginar vir a ser Ministra da Educação conseguia lançar as sementes do gosto pela leitura de forma bem mais eficiente do que qualquer política educativa.

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telenovelas@impresa.pt-filipa vacondeus
hi5 manduca
lei laboral com horaRIO ROTATIVO fim de semanas
faz bem comprimidos esmagados?
gabriel alves 442
totos de grelo grande
enganado por site da china
como se põe dinheiro no zoo tycoon

"Fascismo nunca mais!"

- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?

- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.

- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

- Não sei que questão concreta dos direitos humanos...

- O facto de haver presos políticos.

- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.

- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?

- Não, não abordámos isto.

- Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?

- O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS.

- Houve experiências traumáticas...

- A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom.

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

- Mas foi bem documentado...

- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

(Excerto de entrevista, publicada hoje no Correio da Manhã, a Rita Rato, 26 anos, recém-eleita deputada pelo PCP. A prova de que não vale a pena proclamar a mudança na classe política, quando os novos mais não fazem do que repetir o discurso e, pior ainda, a negação da História que os mais velhos apregoam...)

A nossa Seleção

Para quem cresceu a ver a seleção nacional a ser constantemente arredada das competições internacionais de seleções, em que se esperava que um rasgo de Futre ou um lance de génio de Rui Barros resolvessem a coisa, o que invariavelmente não acontecia em todos os jogos, ficando sempre à espera que na última jornada Malta derrotasse a Holanda ou que São Marino goleasse a Itália num Estádio de San Siro recheado de tiffosi, teve nesta qualificação uma boa oportunidade de recordar esses tempos. A derrota caseira com uma equipa que nem estará no Mundial - a Suécia - , o empate caseiro com a Albânia, as estranhas táticas, o Pepe a meio-campo, um Cristiano Ronaldo inoperante e a precisar de banco em jogos da seleção, o sistemático entra-e-sai nas convocatórias, o Queiroz sem bigode, o ter que ir buscar um brasileiro naturalizado em fase descendente da carreira são episódios suficientes para que a estória acabasse mal. Estranhamente, parece que ainda há lugar para um final feliz no meio desta história. A seleção teve um desempenho medíocre e, graças a uma melhoria de desempenho na reta final e a uma conjugação de resultados inicialmente pouco esperada, lá conseguiu ficar em segundo lugar. Se Portugal estiver no Mundial de 2010, será certamente mais a vitória da "vaca" ou do "desenrasca" do que de um meritório trabalho. Agora, é esperar pelos "Play-off".

O extenso mar que separa Chelas e Barreiro



Na reportagem que vai causando polémica por estes dias, Maitê Proença vai a Sintra e o mais interessante que encontra é uma placa virada ao contrário, filma-se a si própria a cuspir numa fonte depois de dizer que os portugueses são um povo esquisito, confunde o Tejo com o mar, critica a ausência de apoio técnico informático no hotel onde esteve hospedada - pode ser defeito meu, mas sempre achei que hotéis não são o melhor sítio para obter suporte com computadores, e julgo que também conheço uns craques de informática que são uns zero à esquerda em hotelaria - para mais tarde admitir que andava a enviar e-mails a dizer que... não estava a conseguir enviá-los. Parece-me não haver razão para tanta histeria em torno do vídeo. Quem fica mal visto não são os portugueses nem os brasileiros, valendo o mesmo para aqueles que cruzaram o Atlântico para viver no outro país. Face a tanta palermice junta, não custa muito admitir que é a própria protagonista quem fica mal na fotografia.

Para obras

Durante vários anos, fui assíduo frequentador de restaurantes chineses. Até que, há coisa de quatro ou cinco anos, praticamente deixei de os frequentar, não só por experiências pouco recomendáveis ao nível de reação adversa do organismo, mas também influenciado pelas notícias vindas da ASAE e companhia que transformaram em verdade alguns dos mitos urbanos associados a esta atividade. A possibilidade de aceder a outro tipo de extras, como um bom karaoke chinês, constituía a óbvia exceção a tudo isto.

No entanto, na sequência da mudança do meu local de trabalho - mantive-me a trabalhar na mesma empresa e no mesmo cargo, mas noutras instalações - passei a ir frequentemente a um restaurante chinês. Pequeno, funcional, comida saborosa - elementos a ter em conta quando falamos de um estabelecimento do género inserido num grande centro comercial. Uma situação que eu definiria como um flashback de sabores que a cozinha chinesa série B vai difundido pelos restaurantes da nação que: a galinha ou o frango com amêndoas, o porco agridoce ou aquela coisa que mete massa e rebentes de soja misturadas com gambas.

Mudava eu a minha opinião a propósito desta importação de conceitos orientais de cozinha quando me desparo com um restaurante fechado. Para obras. Todos nós sabemos que há muitos restaurantes a fechar para obras, mas não é menos verdade que há espaços onde ratos circulam pelo quintal e cuja razão para fecho (provisório ou definitivo) é precisamente a realização de obras. Ainda para mais tratando-se de um restaurante chinês e é difícil não avivar na memória aqueles mitos que associados a esta área de restauração. É esperar para ver. Neste momento, a minha reabilitação na avaliação sobre restaurantes chineses é um processo que está parado e é difícil não pensar na Lei de Murphy (na própria, não neste blogue) em relação a isto.

Resultados em Lisboa

Sobre as eleições de ontem, é difícil fazer grandes avaliações ao nível geral. A multiplicidade de realidades, em que apetece dizer que cada caso - leia-se autarquia - é um caso, o facto de a escolha recair mais em candidatos do que em partidos, as coligações ou os movimentos de cidadãos obrigam a alguma prudência no extrapolamento de resultados. O PS teve mais votos, mas há mais autarquias encabeçadas pelo PSD, um facto a que não são alheias as coligações que, ajudaram a ganhar algumas autarquias, como Faro. A CDU perdeu votos e câmaras, mas sem pôr em causa o estatuto de terceira força a nível autárquico. CDS e Bloco de Esquerda evidenciaram que são partidos sem uma implantação autárquica muito relevante, embora tenham aumentado o número de votos. Os movimentos de cidadãos independentes aumentaram em muito os votos e os mandatos, embora o número de autarquias ganhas - sete - se mantenha.

Em Lisboa, apesar de tudo o que mais me diz respeito, a vitória de António Costa é assinalável. Não só porque defrontava uma coligação encabeçada por Santana Lopes que é sempre um candidato a temer, mas também porque não beneficiava de algo que costuma pesar na cabeça dos eleitores quando elegem os seus autarcas: a chamada "obra feita". Pese embora não ter perdido por muitos, Santana Lopes jogava parte do seu futuro político nestas eleições e suscita a curiosidade saber se irá ou não manter-se como vereador. Quanto aos resultados da CDU e do Bloco de Esquerda, estes são reveladores da base social de apoio a ambos, sobretudo num contexto de voto útil: a CDU perdeu votos mas conseguiu ficar à frente do Bloco de Esquerda em número de votos e mandatos. A prova de que ainda há algum trabalho a fazer em relação à manutenção de eleitores do Bloco de Esquerda, para que deixe de ser apenas um partido de protesto e passe também a ser um partido sem medo do poder.

Por fim, será também curioso saber se António Costa se manterá ou não os quatro anos do mandato. Sendo uma hipótese plausível que o atual Governo não dure os quatro anos da legislatura e que José Sócrates acabe por ter de sair de cena, o nome mais provável para o suceder é o do autarca lisboeta, o tal que garantiu solenemente que ficará na capital por mais quatro anos.

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Delfins

Na lista de bandas que gostaria de ver ao vivo e ainda não tinha tido possibilidade de o fazer, risquei ontem o nome dos Delfins, que consegui graças a uma boa conjugação de sorte e possibilidades - o último ano de atividade da banda, o último concerto em Lisboa e ter apanhado um dos últimos três bilhetes disponíveis na plateia do Coliseu - e a verdade é que o concerto não desiludiu. Quem estaria à espera de ver uma boa compilação das músicas mais marcantes - "Aquele inverno", "Marcha dos Desalinhados", "A Baía de Cascais" e por aí fora - de um espetáculo mais elaborado dado ser uma data marcante e de novas roupagens para algumas canções - como sucedeu em "Sou como um rio" - terá ficado com uma boa última memória da carreira da banda.

Apesar de 25 anos ser um número redondo e algo digno de ser assinalado, não é menos verdade que o concerto de ontem acabou por evidenciar algo incontornável, que é o facto de a carreira da banda não ter sido gerida da melhor forma e haver um certo carácter heterogéneo na produção de músicas ao longo dos anos. Bem vistas as coisas, as canções mais marcantes foram todas elas feitas feitas há mais de 10 anos. Na última década, a banda lançou quatro discos, mas as melhores músicas da banda foram feitas antes disso, o que serve um pouco de motivo para alimentar um certo anedotário associado à banda a propósito da excessiva longevidade da sua carreira. Para a história fica então uma banda que soube marcar a música pop em Portugal em diferentes décadas e com um lastro que traz canções que, nalguns casos, tendo mais de 20 anos conseguem ainda persistir na memória de muita gente. O que evidentemente não deixa de ter o seu mérito.

Aleixo Turista em 2010



No próximo ano, estará a rebentar uma série de 18 (!) episódios de Bruno Aleixo em digressão pelo país, cada um passado numa cidade diferente, mas com as personagens do costume. Uma mega-produção que faz obviamente ansiar pela chegada de 2010.

Fresquinho na memória

Uma velha expressão associada ao estudo, mais nos tempos de escola do que nos de faculdade, é o "estudar de véspera", uma espécie de prolongamento da velha forma de estar portuguesa de deixar as coisas mais ao menos para a última, esperando que um golpe final ajude a desenrascar - lá está, outro vocábulo dificilmente traduzível - a situação. Tenho-me lembrado desta velha tática ao passar diariamente por duas obras que António Costa quer ver associadas ao seu primeiro mandato: a ciclovia que passa em Benfica mas também passa em Telheiras e um novo jardim junto ao Colombo. A primeira apareceu como num piscar de olhos, ao passo que o jardim poucas semanas demorou entre assentar a terra e lá aparecerem os primeiros bancos e árvores. Tal como no velho método do estudo de véspera para ter a matéria fresca na memória para o teste, estas obras também se esperem que fiquem frescas na cabeça de todos para domingo. E algo me diz que este é um período fértil em obras fresquinhas um pouco por todo o país. Se essa é a forma de as obras serem feitas de forma mais céleres, então é bom que se mande a estabilidade às malvas e se façam eleições autárquicas de dois em dois anos, tudo em prol da rapidez.

10 anos depois



Para além dos óbvios atributos técnicos - vozes daquelas é difícil encontrar - e das melodias que lhe serviam de banda sonora, o grande mérito de Amália Rodrigues foi o facto de ela própria conseguir encarnar todo o sentimento de um povo, cantando aquilo que ia na alma, não necessariamente na sua, mas do povo português. Um sentimento bem sintetizado nas palavras de António Variações, segundo o qual "todos nós temos Amália na voz". Esta identificação povo-artista é evidentemente o que ajuda a criar grandes referências e ícones pop, o que neste caso perdura para além da perda física da artista. Amália Rodrigues morreu há precisamente 10 anos.

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OURO DE LEI EM PORTUGAL
puto ze portela sacavem

A confusão institucional

Se é certo que, desde que há Democracia, o país assistiu a alguns conflitos institucionais entre Governo e Presidência da República, não é menos verdade que a coisa agora vai assumindo contornos de alguma bizarria, com um Presidente da República a fazer comunicações ao país com o condão de o lançar ainda mais na confusão, relativamente à polémica das escutas. Começa assim a vir ao de cima o carácter mais conflituoso de Cavaco Silva, o que prova que os méritos que muitos lhe atribuem como Primeiro-Ministro não sejam sinónimo de ser alguém com estatura suficiente para o cargo que ocupa hoje. O triste espetáculo dado por Cavaco nos tempos mais recentes não será propriamente o melhor dos cartões de visita para a República, que amanhã até comemora 99 anos.

Da Casa dos Frangos de Moscavide para o mundo...


Ou, na volta, um vídeo que parece ter vindo encomendado pela Extrema-Direita para evitar o êxodo de cidadãos brasileiros para Portugal ou, pelo menos, para Moscavide. Já a esfregona num estado lastimável tem quase um efeito de rolo compressor na credibilidade de uma das grandes instituições do "frango para fora" na Grande Lisboa.