Só um oceano nos separa

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Se houve momentos que, involuntariamente, marcaram o percurso do LdM, o post em que se fala do ícone musical "Porque não tem talo o nabo" de Leonel Nunes é um deles. A carga brejeira associada ao mundo dos vegetais teve o condão de trazer à liça o termo "grelo", uma das muitas palavras da língua de Camões portadoras de um sentido dúbio consoante o contexto em que é proferida ou o carácter mais "descasca o pessegueiro" de quem a profere. O que se seguiu é mais ou menos conhecido: face à presença da palavra nos textos do blogue (ainda que por uma única vez) começaram a surgir as primeiras pesquisas a chegar ao blogue, prontamente aproveitadas para a secção das Googladas, gerando um efeito bola de neve. O facto de a pesquisa pela palavra ser feita essencialmente por visitantes brasileiros ajuda ao número de cima.

Acresce a isso a pesquisa , também ela significativa, sobre quais as formas para praticar o aborto, nem que seja recorrendo a camarão ou a cachaça. O facto de o Brasil ter uma legislação menos permissiva que, por exemplo, a portuguesa nesta matéria dá obviamente um contributo forte haver mais "unique visitors" localizados no Brasil do que em Portugal. Só um oceano parece separar este blogue daqueles que procuram resposta para as suas inquietações.

Já não bastava o clube, também a freguesia já é um exemplo para o resto do país

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Resultados das Legislativas em Portugal e na freguesia de Benfica, praticamente iguais. Para quem não sabe o que é uma freguesia-modelo, pode ficar com uma amostra.

O Marcelo Rebelo de Sousa dos pobres

E eis que chega o momento de fazer o balanço das Legislativas '09:

O PS venceu as eleições, inequivocamente. Foi o partido que mais votos conseguiu e a dinâmica da campanha ajudou a que descolasse nas sondagens, numa altura em que andou algures nos empates técnicos com o PSD, sem descurar a derrota nas Europeias. Mas não é menos verdade que houve uma dimensão importante de perda de votos. Cerca de 9%, prova de que o eleitorado que deu a maioria absoluta em 2005 dispersou-se ontem por outros partidos.

O PSD teve como principal vitória, precisamente o facto de o PS não ter conseguido a maioria absoluta, o que fará com que possa haver maior dificuldade dos socialistas em aprovar propostas na Assembleia e ajudará o discurso de "que o Governo nada faz". A médio prazo, esta situação poderá ajudar o PSD a reorganizar-se - provavelmente sem Manuela Ferreira Leite como líder - e a afirmar-se como alternativa de Governo. Houve um ligeiro acréscimo face a 2005, mas um resultado de 29% para um partido de poder não pode ser senão um mau resultado.

A haver um vencedor, seria talvez o CDS, que obteve um resultado acima dos 10%, chegou a terceira força política e colocou-se na posição de ser o único dos três partidos "médios" a poder constituir uma maioria no Parlamento com o PS. Paulo Portas fez uma campanha esforçada, embora demasiado concentrada na figura do líder, e centrada em meia dúzia de ideias-chave - como reforço de segurança, apoio a PME ou os cortes no rendimento mínimo - e que passou, sobretudo naquele eleitorado que oscila entre o PSD e o CDS.

O Bloco de Esquerda consegue um grande resultado e foi a força política que mais cresceu face a 2005. Um partido que há 10 anos atrás festejava a eleição de dois deputados consegue agora eleger oito vezes mais e pode bem ter sido o que mais ganhou com a fuga de eleitores do PS. Falhou, no entanto, o objetivo de ser a terceira força política e não consegue chegar a um resultado de 50% + 1 na contagem de deputados próprios com os do PS.

A CDU manteve o seu eleitorado e conseguiu uma ligeira subida nos votos, mas fica certamente um amargo de boca por não ter conseguido capitalizar descontentamento à esquerda do PS. Fica provado que é força política mais à prova de hecatombes eleitorais ou de apelos ao voto útil, mas também que dificilmente protagoniza subidas eleitorais em flecha.

Por último, duas notas sobre a nova distribuição parlamentar. Em primeiro lugar, o Bloco de Esquerda - normalmente com um rácio de eficiência entre votos e mandatos bastante acentuado - foi a prova das vicissitudes da lotaria da proporcionalidade entre deputados e votos. O BE teve mais 2% de votos que a CDU mas apenas mais um deputado e menos cinco deputados que o CDS (menos 25%), decorrentes de menos...0,8% nos resultados finais. Em segundo lugar, fica também claro que o PS e o Governo terão vida complicada nos próximos anos, com a obrigação de negociar sistematicamente à esquerda e à direita, algo em que os socialistas não se especializaram nos últimos anos. Por fim, e face a cenário, o meu prognóstico é de que antes de 2013 seremos chamados a novo eleitoral para eleger Governo.

Googladas

pinga eh abortiva?
cibalena com cerveja preta aborta?
"erário público" + redundancia
foto da comunidade eu vi o pato na Lei de Murphy
dinamite é mais forte que a polvora
contorcionista e dores
greludasgigantes
h5i da Quinta do Mocho
"Lei de Murphy" dissertação probabilidade

Dia de eleições



Se é certo que por esta altura vêm à memória as velhas frases batidas associadas à sabedoria popular do "Eles querem é tacho!", "São todos iguais", "A mim que me importa que lá estejam uns ou estejam outros!", não deixa de ser verdade que é em eleições que "eles" são escolhidos. E a abstenção, deixando que as opções sejam tomadas pelos outros, é mais um ato de preguiça e de deixar estar do que propriamente de protesto ou insatisfação.

30 anos de carreira

Como é sabido, celebram-se hoje os 30 anos de um grande nome da música portuguesa. Um nome que nos habituámos a ouvir ao longo dos anos e que, embora não suscite unanimidades, acaba por ser um nome indissociável da cultura popular em Portugal nas últimas três décadas. Uma carreira que tem sido pautada por altos e baixos, com maior e menor aceitação do público, mas obviamente recheada de momentos inolvidáveis.

Este blogue não tem medo de reconhecer o mérito alheio. Dina, autora de êxitos como "Amor de água fresca", "Há sempre música entre nós", de várias músicas para telenovelas e também o hino do CDS assinala hoje 30 anos de carreira.

A pirataria reiventada

Não têm o glamour dos bons site pirata para fazer download ilegal de mp3, mas a vida está mais virada para a eficiência do que para opções estéticas : Youtube to MP3 Convert (para ir buscar os mp3 a partir dos vídeos ) File2HD.com (para ir buscar mp3 ao My Space)

Pré-eleições

Com a enxurrada de sondagens que tem chegado nestes dias, sendo que amanhã deverão ser conhecidas mais algumas, há um dado que merece reflexão: independentemente de qual venha a ser o resultado no Domingo, o PS não está a perder votos para aquele que seria o destino natural do voto dos "desiludidos" que deram a maioria absoluta em 2005 mas para ela não contribuirá em 2009. Num cenário de crise e de algum descontentamento, a perda de votos pelo PS far-se-ia naturalmente para a alternativa natural de poder, o que parece não estar a acontecer. O facto de o PSD andar pouco acima dos 30% significa que o PS pode estar a perder mais votos para o Bloco de Esquerda do que para os sociais-democratas, o que permite concluir que a própria sociedade parece estar a inclinar-se cada vez mais para a Esquerda.

Acresce que a dramatização dos dois grandes partidos em torno da ideia de que há apenas duas opções para ocupar o Governo - o chamado apelo ao voto útil - não está a resultar e a bipartidarização não se está a fazer notar em grande escala. Dos resultados de Domingo poderá resultar que PS e PSD juntos podem não chegar aos 70%, números bem longe dos que se verificavam, por exemplo, nos anos 90. O facto de os pequenos partidos parecerem relativamente incólumes à eventual bipolarização de votos atesta que o chamado "Centrão" está menos credível e também que uma parte significativa dos eleitores quer os partidos de média dimensão a ter um peso acrescido nas decisões que se tomam em Portugal.

Por um lado, o desvio do país para a Esquerda. Por outro lado, algum esvaziamento dos partidos do Centro. Algo me diz que os sociólogos políticos deste país terão muita coisa com que se entreter a partir de segunda-feira.

Esmiúçar as pérolas em vídeo





Não é sem um niquinho de vaidade que, ao ver o momento do "Gato Fedorento esmiúça os sufrágios" dedicado à velhas campanhas da CNE (1º vídeo a partir dos 03'27'') sou confrontado com um vídeo que eu próprio coloquei no Youtube (1º vídeo entre os 05'09''e 05'30''). Nada como uma boa paródia com casas feias como pano de fundo. Colaço, como podes comprovar, o teu videogravador e as tuas cassetes acabaram por se revelar úteis para a Nação.

O regresso da Super FM

Quando começamos a ouvir música mais atentamente, algures na nossa adolescência, há algo que nos ajuda a formar uma certa "onda musical", ou seja, a ouvir mais um determinado tipo de som em detrimento de outro. No meu caso em particular, a determinada altura fui-me habituando a ouvir e até posso dizer que cresci um pouco a ouvir bandas como Smashing Pumpkins, Radiohead, Soundgarden ou Stone Temple Pilots. Não havendo outros meios para aceder à música que não os CDs e as K7 que passavam de mão em mão, a rádio deu uma ajuda preciosa. Em meados da década de 90, a Super FM acabava por ser aquela que melhor dava a conhecer a sonoridade da chamada música alternativa - não esquecer que foi nessa altura que rebentou, por exemplo, o Grunge - , tendo também sido as suas ondas hertzianas que ajudaram a divulgar bandas como os Braindead, os Joker ou Ramp, sendo por isso uma saudável recordação. Ao fim de emissão em 1994 correspondeu nova abertura no ano seguinte, para fechar em 1998. Para os mais distraídos, recordo que foi neste período que Carlos Paço d'Arcos animava as noites, e mais tarde os fins-de-tarde, com o mítico "Merda na Madrugada".

Esta recordação da Super FM aqui no LdM não se deve a um qualquer rasgo saudosista de fim de férias, mas pelo facto de esta rádio reiniciar hoje as suas emissões. Do que é possível saber, o primeiro objetivo é ir buscar os antigos ouvintes da estação, hoje certamente cidadãos respeitáveis, com casas para pagar e filhos para alimentar. Suscita obviamente a interrogação saber até que ponto fará sentido este regresso. Se, por um lado, um projeto radiofónico corre sempre alguns riscos face à concorrência, por exemplo, da Internet, não deixa de ser verdade que pode haver saturação de boa parte do público face a um estilo de criar playlists assente essencialmente em hits das bandas, repetidos incessantemente até à exaustão, o que pode abrir algum caminho a este regresso. Eu que estou condenado a ver acabar relativamente cedo os meus projetos radiofónicos favoritos - lembram-se da Voxx? - não posso deixar de encarar com um sorriso na cara este regresso. O regresso pode ser acompanhado na frequência 104.8 Mhz e o respetivo site acedido aqui.

Googladas

homenagem aos imigrantes portugueses
bicicletas montagem caseira
carlos paiao enterrado vivo marcas unhas
guiné causa aborto
batata torrense
parabola do macaco tv cultura provocação 
vinho seco causa aborto??
leis contra barulho domésticos em Portugal
ferias em armaçaõ de pera 18 a 25 de agosto junto a praia

O canal maldito

Coincidiu o meu regresso às lides lisboetas com o concerto de UHF na Rua do Carmo, topónimo que deu nome a uma das mais conhecidas canções do grupo. Na lista de bandas portuguesas que me dispus a ouvir ao vivo, era um dos nomes que faltava riscar. Se é certo que há ali canções intemporais, não é menos verdade que há já algo de um pouco anacrónico ao nível da formação, já que apenas um dos membros da banda é efetivamente contemporâneo daquele reportório. Uma semana antes da "consagração" dos Xutos & Pontapés, e a fazer fé na tese de que existe uma espécie de disputa sobre qual dos dois grupos é o maior do rock português, não deixa de me causar um pouco de perplexidade que, pelo que ouvi no concerto de ontem, acabo por ser um conhecedor mais profundo da obra dos Xutos & Pontapés do que das canções de António Manuel Ribeiro. Logo eu, que gosto tanto de Tim e companhia como de chocos com tinta. Ele há ironias do camandro...

Reentrada

Passei umas boas três semanas de férias, obrigado. Regressando eu de férias, também o blogue regressa às atividades, como prometido. Regresso esse que não se faz sem algumas mudanças:

- Novo grafismo. Desta vez regressando a uma fórmula já usada no passado, de recorrer a templates "não oficiais" do Blogger, que poderão ser encontrados por eventuais interessados aqui.
- A adoção do novo Acordo Ortográfico naquilo que aqui se escreve. Acredito que a maioria dos leitores do blogue esteja contra o acordo e, por inerência, contra a grafia que aqui será utilizada, mas seria altura de eu próprio - para quem não sabe, sou favorável à adoção do acordo - dar o exemplo.
- Publicidade. Esta é uma possibilidade ainda em fase de testes.