Qualquer pessoa mais atenta ao fenómeno do
star system da blogosfera portuguesa já se terá apercebido que o
31 da Armada é um blogue que está na linha da frente: pela quantidade e qualidade dos autores, pelo número de
posts produzidos ou por terem sabido sair de trás dos teclados estando presentes em congressos partidários (creio que foi o primeiro blogue a cobrir um congresso partidário em Portugal) ou por algumas "acções de rua" devidamente documentadas - a mudança de nome da algumas ruas lisboetas, a bandeira portuguesa colocada em Olivença ou a recente colocação da bandeira monárquica na Câmara de Lisboa.
Se o objectivo inicial era criar polémica, então este foi plenamente conseguido. Apesar de os próprios terem classificado a acção como uma brincadeira e de esta até ter um conteúdo ideológico, pouco a distingue de uma vulgar acção de vandalismo juvenil. Qualquer um de nós protagonizou acções de vandalismo, possivelmente mais graves do que esta, mas sem cair em desculpas meio esfarrapadas: quando alberguei um pino das obras em minha casa tal não tinha como intenção uma crítica à ditadura do automóvel ou ao funcionamento da extinta Direcção-Geral de Viação, quando decidi trazer para casa algum recheio de bares e restaurantes tal não deveria ser visto como um protesto face aos preços que esses estabelecimentos praticam. Em suma, como já li algures, o princípio inerente a esta acção não andará muito longe do que a rapaziada do Verde Eufémia andou a fazer nos campos de milho transgénico.
O facto de chegarmos aos 100 anos de República seria uma boa oportunidade para se fazer um balanço dos último século da História e convenhamos que um referendo sobre qual o melhor regime para Portugal seria uma boa forma de fazer esse julgamento. Supostamente, esta acção teria essa intenção. Até a forma meio bonacheirona com que D. Duarte Pio ajuda até a dar a ideia de que os monárquicos portugueses são rapaziada que, por falta de ocupação, gosta de brincar aos golpes de Estado. Convenhamos que não é a melhor forma de lançar o debate.