Três semanas de paragem


Durante as próximas três semanas, estarei de férias. Numa extraordinária coincidência, este blogue (como qualquer um dos outros em que participo) não terá actividade durante esse período de tempo. Vou de férias e o LdM aproveita a oportunidade. Em meu nome e em nome do blogue, mando um até já. Encontrar-nos-emos os três (eu, o blogue e o caro leitor) dentro de 21 dias.

8-bit trip

Pouco mais de uma semana depois de ter sido adicionado, o vídeo de "8-bit trip" leva mais de 2,3 milhões de visitas. Uma música viciante e um vídeoclip que rende homenagem aos videojogos dos anos 80 - Pacman, Pang, Tetris, por aí adiante - feito exclusivamente com recursos a Legos. Reza a informação oficial do vídeo que foram empregues 1500 horas de trabalho para o realizar. Face a isto, o mínimo que podemos fazer é lançar um ar de espanto perante o trabalho final - uma excelente homenagem à cultura pop dos anos 80.

A 1,50 € o copo

Apesar de ser um bar onde vou com alguma frequência, quando me desloco a "As Primas" no Bairro Alto acabo por ficar nas mesas mais afastadas do balcão. Ontem apercebi-me de que há todo um manancial sociológico que me tem andado a escapar nos últimos anos: personagens que pareciam vindas do universo da "Letra L", estranhas euforias momentâneas nas empregadas, casais homossexuais ao lado de tipos de bigode com camisa aberta e palito no dente, estranhas figuras de variadas faunas urbanas (hippies, betos, metaleiros), sempre com a sólida banda sonora dos ABBA por trás. Numa atmosfera de choldra como esta, um tipo paga um adamado a 1,50€ mas sai obviamente de lá com muito para comentar.

"Eles é que o ganham!"

Um dos mais interessantes fenómenos associados ao futebol é a recepção dos adeptos às respectivas equipas aquando das vitórias ou fracassos europeus. Se a recepção associada às vitórias até fará algum sentido na óptica da festa associada à paixão por um clube, é sempre mais complicado tentar perceber o que vai na cabeça dos cidadãos que passam horas em aeroportos para lançar impropérios contra jogadores, equipa técnica e direcção durante alguns minutos.

Em qualquer das situações, mas sobretudo no segundo caso, vem-me sempre à cabeça o lado pragamático do fenómeno. Quem vai para um aeroporto perder uma noite ou uma manhã para acusar os jogadores de chulos é sempre um motivo de especulação do ponto de vista, por exemplo, profissional. Quem está a insultar os jogadores do Sporting por terem perdido contra a Fiorentina, o que sucedeu ontem à tarde, é alguém que fará o quê para viver? Se trabalha por turnos e está na folga, qual a razão de a aproveitar para insultar jogadores em vez de ir para o hipermercado abastecer a despensa aproveitando a menor confusão? Ou se está em horário de expediente, quem será que fica no escritório a garantir os serviços para que o colega sportinguista cumpra o dever de criticar o brio profissional dos atletas do clube? Seria certamente uma boa matéria de estudo jornalístico. Sei também que há um velho clichê da sabedoria popular associado a estas agruras futebolísticas e que ajuda a aliviar: "Eles (leia-se os jogadores) é que o ganham!".

Apetites estivais

Então vai ela e diz-me assim: "Mas eu Agosto não consigo dizer que não a ninguém!"

(conversa de um traseunte ao telemóvel)

Cool kids

Uma animada discussão num sábado à tarde na praia e eis que acabo envolvido no Cool kids never die, homenagem blogosférica às mais variadas figuras, desde a ciência à cultura popular. Desta vez em projecto partilhado.

"Então e o Jazz, tem preocupação estética por trás?!"



Há alguns anos, em noites de paródia e tertúlia no Bairro Alto, havia uns fulanos que gostavam de começar a discutir o que era a Arte. Quem viu a peça de teatro (que curiosamente até tinha o nome de) "Arte" é capaz de perceber no que as discussões redundavam. Era trocar as personagens de António Feio e José Pedro Gomes por alguns dos convivas presentes e a discussão acabava por cair mais ou menos no mesmo, pegando quase sempre nos exemplos mais extremos - como o do ponto vermelho num fundo branco, por exemplo - para discutir se A ou B poderiam ser ou não Arte. Eu que, à época, até trabalhava numa das mais importantes instituições museológicas portuguesas, remetia-me invariavelmente ao silêncio, não só porque a abordagem é de tal modo subjectiva - provando que o primeiro objectivo do artista, ao suscitar a dúvida, é conseguido - mas porque me pareciam discussões à partida condenadas ao fracasso.

Para os próximos tempos, irei recordar essas discussões, com um pequeno snack feito pela rapaziada que produz o Bruno Aleixo. Enquanto não chega o programa definitivo, vamo-nos entretendo com discussões como as sete artes existentes. Pela primeira amostra - onde obviamente Bruno Aleixo assume o lugar de céptico e exprime posições bem vincadas face ao Jazz, aos gaiteiros e à música erudita - dá para perceber que esta dicotomia em torno da Arte é um terreno bastante propício para a comédia.

Portela

Pela necessidade de ter de tratar de uns assuntos, tive hoje que me deslocar à Portela de Sacavém. O assunto em si nada teria de relevante, não fosse o facto de não ter grande cabimento alguém necessitar de ir propositadamente à Portela para tratar de papelada - passe o paradoxo, tive mesmo de o fazer - e porque já não me deslocava àquele local há já alguns anos. Desde que mudei de casa, exagerarei se disser que fui lá mais do que umas três ou quatro vezes. Apesar de ter alguns amigos/conhecidos de lá oriundos - e eu quase que arrisco o meu dedo mindinho em como a maioria ainda por lá anda - e de alguns momentos divertidos ali passados, é um facto que não é dos locais no meu raio de conhecimento do subúrbio lisboeta que mais me atrai. A traça arquitectónica não é das mais variadas - acredito que o castanho e o branco estivessem na moda na época, mas encher uma freguesia inteira com prédios com estas cores é exagero -, o centro comercial exerce um efeito de quase centrifugação da pouca vida social que ali se desenrola e falta o carisma que existe nas freguesias vizinhas: Moscavide junta a tradição - várias gerações de famílias que dali não arredam pé - a um cosmopolitismo meio forçado - vários fenómenos migratórios, sejam oriundos do Brasil ou do Leste têm ali paragem obrigatória -, ao passo que Sacavém constitui quase um caso de estudo sociológico, onde tanto é possível encontrar famílias de imigrantes africanos a viver em prédios que nunca foram concluídos como algumas figuras de uma classe média alta mediática.

No entanto, há que deixar uma mensagem de esperança: a Portela está mais bonita. Não que os prédios castanhos e brancos tenham tomado outra cor ou que alguém tenha decidido criar novos pólos de vida social, mas a freguesia está com outras cores. Há locais de criação de aves, mais plantas nos canteiros, mais árvores para fazer sombra e embelezar a paisagem. Também se vêm reformados a ler o jornal ou a socializar nos bancos de jardim, locais antes ocupados por putos de boné a enrolar charros. Em grau de atractividade continua a léguas das freguesias vizinhas, certamente mais pobres mas com toda uma atmosfera de festa para oferecer, mas sou forçado a reconhecer que a coisa me parece melhor do que no passado.

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morte chineses portugal mito
quero uma parodia sobre sistema circulatorio
ver raquel strada toda nua
como comprar so o jacare da lacoste?
alguem ja provocou aborto com exercicios pesados?
lasanhas supermercados
como declinar um pedido de apoio
cerveja preta e aspirina
lena dagua droga

A marca portuguesa

No artigo sobre a empresa de conservas Ramirez, publicado este fim-de-semana no Expresso, é dado especial realce ao facto de terem sido encontradas três latas de conservas desta marca no bunker de Hitler. Por associação de ideias, depois de ler o artigo lembrei-me também de que a bandeira norte-americana hasteada na lua, naquela que alegadamente foi a primeira vez que o Homem pisou o solo lunar, tinha sido feita por uma cidadã portuguesa residente nos Estados Unidos. Parece evidente que uma das melhores coisas de se ser português é indubitavelmente o facto de conseguirmos dar sempre um cunho quase sempre enternecedor a alguns dos grandes momentos da História.

Marketing desportivo

Com os mundiais de Atletismo a decorrer, somos diariamente bombardeados com grandes marcas , algumas delas redundando em recordes mundiais. Custa obviamente a crer que aqueles que vemos correr 100 metros em menos de 10 segundos, que marcham sem parar durante 3 hora e meia ou que dão saltos em comprimento acima de 6 metros e meio sejam pessoas de carne e osso como nós. E é inevitável pensar na utilidade que poderia advir de possuir as capacidades destes atletas capazes de derrubar recordes. Que ser o detentor dos 100 metros dava um jeitaço para fugir de uns biltres prontos para nos assaltar ou para correr para o autocarro que por pouco não foge, que ser o campeão no salto com vara ou no salto em altura poderia ter vantagens para o dia em que deixássemos a chave em casa ou que os atributos do vencedor dos 10 mil metros seriam a melhor forma de poupar dinheiro em gasolina e no passe social. Quem sabe se não é este lado utilitário associado ao desporto que poderia servir de mote para o Marketing para estas modalidades.

Um velho clássico

Apanhar enquanto é tempo



Quando era petiz, havia pais que tentavam aproveitar a vaga de doença das crianças para que os filhos apanhassem aquelas doenças que se deve apanhar em tenra idade, como o sarampo e a papeira. Pais mais esclarecidos que queriam despachar rapidamente o cardápio destas doenças tentavam colocar os filhos junto do filho do vizinho, que padecia da doença, para aproveitar o balanço. Com tanta polémica em volta da gripe A, e o crescente aparato envolvendo planos de contingência, evacuação de edifícios ou máscaras para evitar propagação, e perante a possibilidade mais ou menos óbvia de vir a padecer desta doença, eu diria que apanhar uma destas - não agora, mas depois de vir de férias - era capaz de ter o seu lado profilático e arrumava logo a questão. Se Diamantino Aleixo fosse hoje vivo, era tipo para aproveitar a sua proverbial sabedoria e dizer uma coisa dessas.

Entre a raça humana e a animal

Hoje cruzei-me com uma ambulância do INEM, na qual a tripulante que vai ao lado do motorista lê compenetradamente a "Cães e Companhia". Para quem lida diariamente com a desgraça humana e que, em boa verdade, dela necessita para viver, a fuga para o universo animal, nem que seja sob a forma de uma revista, é certamente uma boa imagem poética para ser explorada por quem tem esses dotes, mas remeto apenas para a qualidade metafórica da situação, sobretudo nesta altura do Verão, em que queríamos estar precisamente nos antípodas do nosso local de trabalho.

Googladas

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O mundo dos brindes

O período de grande actividade eleitoral em que nos encontramos será certamente motivo de análise de vários ângulos: as propostas na Economia ou na Saúde, o desempenho dos candidatos aos mais diversos cargos ou o marketing eleitoral. Para os analistas políticos da Nação - que são muitos, desde aqueles devidamente credenciados por terem colunas em jornais e blogues com mais de 1500 visitas diárias até aos tipos que mandam os seus bitaites sobre assunto em tascas, paragens de autocarro ou barbearias - parece-me importante a visita ao Autarquicas-2009.com, um site criado para esse importante nicho de mercado que são os brindes em plena campanha eleitoral. A oferta é transversal em matéria de brindes: estão lá os clássicos isqueiros e porta-chaves, mas há também o vanguardismo dos coracões anti-stress e dos bate-palmas em plástico.

Se parece relativamente linear que um lápis com borracha na ponta seja mais barato que um boné, suscita obviamente a interrogação sobre qual a razão pela qual uma bandana em algodão (aqueles lenços de meter na cabçeça) são mais baratos que um jogo de dominó em madeira ou por que motivo os bastões insufláveis em PVC têm uma cotação praticamente semelhante à dos lápis cabeça divertida. Em pleno período eleitoral, será que os fornecedores dos brindes das campanhas eleitorais estão, também eles, a jogar limpo? Sendo este um fenómeno incontornável da política nacional, o que têm os analistas políticos a dizer sobre o assunto?

A importância das convicções



O hastear da bandeira monárquica foi uma má forma de estabelecer uma discussão sobre qual o melhor sistema para Portugal. Não só pelo acto de vandalismo inerente e porque um dos artistas do 31 da Armada até foi constituído arguido, mas porque me parece que a causa monárquica se esquece dos seus principais activos, como sucede com este candidato pelo PPM nas últimas eleições europeias. O seu desempenho televisivo mostra que a convicção é suficiente. Basta comparar com o vídeo de baixo feito pela JSD, uma série de velhos chavões da política, numa espécie de mistura de Bartoon com aquelas curtas-metragens caseiras que a SIC Radical passava aos domingos à hora do almoço.

Reeditar 1994

Para o novo campeonato nacional que amanhã se inicia, o desejo é que tenha um final feliz, semelhante ao que presenciámos nos saudosos meses de Maio de 94 e 2005. Se bem que 2005 foi o ano do fim do jejum, também ficam na memória a gestão de magras vitórias caseiras contra Moreirense, Estoril ou Penafiel, bem como um plantel que parecia reduzido a 14 ou 15 jogadores. Qualquer benfiquista com memória gostaria que esta fosse a época igual à de 94, com jogos épicos, boas prestações europeias e um plantel digno de vestir a camisola. Assim sendo, é esperar que no lugar de João Pinto esteja Saviola, que Aimar seja um digno sucessor da memória de Isaías ou que a equipa usufrua da técnica de Di Maria da mesma forma que em 94 usufruía de Vítor Paneira. Da mesma maneira que seria uma boa forma de quebrar o jejum de títulos associado à produção neste blogue: desde que o LdM foi criado que o Benfica não ganhou qualquer competição oficial.

Ouro e boi assado no quintal


Desconheço se efectivamente existe, mas é bem possível que alguém já tenha desenvolvido um estudo sociológico estabelecendo um paralelo entre a riqueza dos países e o tipo de medalhas obtidas nos Jogos Olímpicos. O senso-comum permite-nos concluir que um país africano tem mais probabilidades de vencer uma medalha numa competição de corrida de longa distância do que numa prova de natação, da mesma maneira que um país rico como os Estados Unidos ou a Alemanha terá maior probabilidade de ter mais atletas medalhados do que a Eritreia.

Nesse capítulo, a nossa história das medalhas aproxima-nos mais dos países do terceiro mundo do que propriamente das grandes nações - ainda que o número de medalhas não possa ser um indicador fiável do nível de vida de um país - dado que nos destacámos nas tais competições de que se dizia apenas ser necessário um par de sapatilhas e tempo para treinar, as tais que são constantemente ganhas por atletas do Quénia, um país que está para a corrida de longa distância como o Brasil está para o futebol, por se criarem condições favoráveis para a sua prática, leia-se aldeias separadas por dezenas de quilómetros entre si.

Cumprem-se hoje os 25 anos da primeira vitória olímpica portuguesa, precisamente na maratona, uma das tais provas cujas vitórias são normalmente atribuídas a atletas de países com pouco recursos. Carlos Lopes, um bancário de 37 anos vindo de Viseu e apreciador de vinho às refeições, conseguia o Ouro para Portugal nos jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984. O recorde mundial, então batido, haveria de se manter até às Olímpiadas do ano passado. Reza a história de que, antes da partida para os Jogos Olímpicos, prometera ao então Primeiro-Ministro Mário Soares que haveriam de assar um cabrito no jardim de São Bento, ao que Soares haveria de ripostar com um "Traga lá a medalha que não é um cabrito, é um boi". Dito e feito. Houve ouro e houve boi. Quem disser que o desporto português não tem episódios épicos está claramente a mentir.

Trinta-e-um



Qualquer pessoa mais atenta ao fenómeno do star system da blogosfera portuguesa já se terá apercebido que o 31 da Armada é um blogue que está na linha da frente: pela quantidade e qualidade dos autores, pelo número de posts produzidos ou por terem sabido sair de trás dos teclados estando presentes em congressos partidários (creio que foi o primeiro blogue a cobrir um congresso partidário em Portugal) ou por algumas "acções de rua" devidamente documentadas - a mudança de nome da algumas ruas lisboetas, a bandeira portuguesa colocada em Olivença ou a recente colocação da bandeira monárquica na Câmara de Lisboa.

Se o objectivo inicial era criar polémica, então este foi plenamente conseguido. Apesar de os próprios terem classificado a acção como uma brincadeira e de esta até ter um conteúdo ideológico, pouco a distingue de uma vulgar acção de vandalismo juvenil. Qualquer um de nós protagonizou acções de vandalismo, possivelmente mais graves do que esta, mas sem cair em desculpas meio esfarrapadas: quando alberguei um pino das obras em minha casa tal não tinha como intenção uma crítica à ditadura do automóvel ou ao funcionamento da extinta Direcção-Geral de Viação, quando decidi trazer para casa algum recheio de bares e restaurantes tal não deveria ser visto como um protesto face aos preços que esses estabelecimentos praticam. Em suma, como já li algures, o princípio inerente a esta acção não andará muito longe do que a rapaziada do Verde Eufémia andou a fazer nos campos de milho transgénico.

O facto de chegarmos aos 100 anos de República seria uma boa oportunidade para se fazer um balanço dos último século da História e convenhamos que um referendo sobre qual o melhor regime para Portugal seria uma boa forma de fazer esse julgamento. Supostamente, esta acção teria essa intenção. Até a forma meio bonacheirona com que D. Duarte Pio ajuda até a dar a ideia de que os monárquicos portugueses são rapaziada que, por falta de ocupação, gosta de brincar aos golpes de Estado. Convenhamos que não é a melhor forma de lançar o debate.

De borla

Photobucket

O último trimestre será bem recheado de bons concertos por solo lisboeta: Muse, Franz Ferdinand, Depeche Mode e, por que não dizê-lo, aquele que será o último concerto dos Delfins em Lisboa. Junte-se a isto Diana Krall, com bilhetes à borla no site da FNAC, que estão reunidas as condições para um Outono musicalmente inesquecível pela capital.

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quando é que há saldos na pull and bear
marco paulo canções nomes de mulheres
o que é Mister Cimba
lei para foguetes e bombinhas
ordenados no minipreço a tempo parcial
como ter uma memoria selectiva
raquel strada irritante
"série juvenil de desintoxicação de drogas passada na sic radical"
mafia L.D.M.

Raul Solnado

Muito embora não fosse um dos nomes da comédia nacional que mais me tenha habituado a ver e ouvir, não sendo por isso uma das figuras que me preencha a memória nesta matéria, é inevitável lembrar que Raul Solnado conseguiu demonstrar que se pode fazer comédia sem cair em alguns lugares-comuns como o palavrão ou o enxovalho, o que não o impediu de quebrar algumas barreiras em tempos que não estavam fáceis para os humoristas, como atesta o sucesso de Zip-zip, em pleno período Marcelista. O facto de a sua obra ter sido apreciada de forma absolutamente transversal em Portugal, tanto geracional como culturalmente, é a prova de que se consegue chegar a muitos públicos sem perder a identidade.

Pecar por excesso

Alguma dose de boa-educação com os outros é um dos ensinamentos que trago da educação que tive em tenra idade, que vou utilizando ao longo dos anos nas mais diversas situações da vida. Esse lastro tem-se trazido mais vantagens do que desvantagens, mas penso seriamente na pertinência desses ensinamentos quando dou por mim a despedir-me com um "Obrigado eu, boa tarde e bom trabalho!" ao receber chamadas de Telemarketing do call-center da Zon TV Cabo.

A arte do insulto

Tenho um amigo que nasceu com um dom que lhe permite insultar de forma bastante eficaz as outras as pessoas, sobretudo do sexo masculino. Em primeiro lugar, por ter um raciocínio bastante rápido, que lhe permite pensar sempre numa resposta pronta quando está a ser atacado, sendo igualmente útil para fazer trocadilhos. Em segundo lugar, possui também um bom manancial de brejeirice e de lugares-comuns que são quase sempre virados para atingir a virilidade dos seus interlocutores.

Este mix de competências torna-o um predador na arte do insulto, nomeadamente quando pretende mostrar que o seu interlocutor é alguém desprovido de qualquer masculinidade, recorrendo a trocadilhos e a um vasto leque de associações semiológicas. Assim sendo, não é difícil qualquer homem ser atingido nestes seus atributos em qualquer situação da sua vida, seja a conduzir, a comer ou a jogar futebol, situações que, num momento de maior acutilância deste meu amigo, podem perfeitamente suscitar um vigoroso "Seu pan...!". Por outro lado, também simples objectos do quotidiano, que possam de algum tipo de associação de cariz sexual, podem também ser o rastilho necessário para que que um incauto que fale em martelos, charutos ou bananas seja automaticamente apelidado, da forma mais reles possível, de homossexual. Isto a propósito de ontem ter visto num ACSantos, um cartaz que anunciava a venda de leite de pepino. Parece razoável pensar que não será o melhor sítio para ir ao mesmo sítio que o nosso protagonista, a não ser que goste de um insulto atentatório da virilidade, no melhor estilo "descasca o pessegueiro"...

Alimentar o fenómeno





Enquanto não chega o regresso mais aguardado da televisão nacional (a seguir à reposição do Zé Gato, com Orlando Costa a ser substituído por alguma velha glória dos Morangos com Açúcar), lá se vai alimentando a curiosidade à volta do programa do Aleixo: seja através de uma espécie de invasão pacífica do tempo de antena de um programa brasileiro (ver vídeo a partir dos 00'45'') ou pela criação de mitos urbanos sem fundamento. Por enquanto, esta rapaziada lá vai encaixando uns cobres com os anúncios da TMN. Em boa verdade, também o merecem.

Vamos Isaltinar

Foi considerado "autarca-modelo" e até foi ministro num Governo chefiado pelo actual Presidente da Comissão Europeia e do qual fazia parte a actual líder da Oposição. As suspeitas de corrupção e branqueamento que até assumiam um carácter meio pitoresco e que lhe davam um carácter bastante português tiveram hoje o seu epílogo, com a condenação de sete anos de prisão efectiva. Desconheço se Isaltino Morais irá ou não prosseguir com a candidatura à autarquia de Oeiras, mas, caso podendo fazê-lo, alguém duvida que tal seria favas contadas?

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figuras para agradecer
morangos com acucar parodia
eludril faz mal ao estomago
grelo grande parece pinto
leide gajas
sangria de vinho perigos segurança alimentar
FOTOS DE ACINDENTES COM CARPINTEIROS
roulotes usadas a 200$
sonhar que ve espirito vestido de branco

Agosto em Lisboa

O mês de Agosto é um mês sui generis em Lisboa. No melhor dos sentidos, claro. É o mês em que a cidade está no estado em que todos gostaríamos que estivesse durante o resto do ano: menos trânsito, transportes públicos mais vazio, jovens nórdicas de 1.80 m a passear nas ruas de calções curtos, os espaços para sair são menos mas estão menos ocupados. A cidade parece finalmente funcionar, o stress característico da cidade vai também ele rumo a sul, gerando o fenómeno interessante das pessoas que saiem de Lisboa para fugir ao stress, mas rumam à zona do país onde a confusão se instala, precisamente o Algarve. Até mesmo a tese segundo a qual Lisboa padece de altas temperaturas, que tornam desgradável a vida do dia-a-dia, acaba por assumir mais contornos de mito urbano, face às mudanças do clima e à lotaria que são as estações do ano. Os corajosos que rejeitam o mês mais óbvio para ir de férias e passam-no a trabalhar em Lisboa agradecem a benesse durante as próximas semanas e podem assim aproveitar a cidade melhor em comparação ao que sucede durante o resto do ano. Viva o mês de Agosto!