Um tipo pensa que conhece o que há para conhecer
e depois fica surpreendido como, de um simples conceito, se faz um belíssimo blogue. Vale a pena visitar o Alfaiate Lisboeta (com o devido agradecimento ao Recantos da Alma por me ter dado a conhecer o bloge)
Levar a criança à creche
No debate televisivo de ontem entre António Costa e Santana Lopes, fixei como momento mais interessante da discussão a visão de ambos sobre o trânsito na capital. António Costa, fugindo à incómoda pergunta sobre um hipotético avanço de portagens dentro da cidade, lá avançou com a possibilidade de estabelecer diferentes preços no acesso ao estacionamento para lisboetas e não-lisboetas, proposta que certamente colherá votos de alguns eleitores de uma cidade manifestamente sem capacidade para a quantidade de carros que diariamente vêm dos arredores. Aos argumentos da qualidade do ar na cidade, da insustentabilidade da actual situação, da necessidade de promover mais os transportes públicos e as bicicletas, Santana Lopes contrapõe com o argumento que arruma com qualquer discussão séria sobre o tema: as pessoas têm de ter condições para se deslocar dentro de Lisboa, sobretudo para levar as crianças às creches. A isto chama-se falar ao coração dos eleitores. Parece que é assim que sobrevivem os chamados animais políticos.
Os hits de Verão
Não sou um nostálgico, mas recordo com alguma saudade os êxitos idiotas do Verão. Músicas que são passadas até ao limite em todo o lado, que fazem furor nos casamentos da época, que dão uma ajuda nas playlists das rádios mais comerciais, que até convidam a um passo de dança. Noto que nos últimos anos, o fenómeno d'"O" êxito de Verão não tem ocorrido. Não há uma "Macarena", um "Asereje", um "Dragostea din Tei", não há canções com letras sem sentido ou, com um pouco de sorte, totalmente imperceptíveis, pelo menos para os portugueses. Todo esse carácter absolutamente inócuo da música era devidamente compensado com melodias com o dom de se colarem que nem ventosas ao ouvido. Para o caso pouco interessava existirem grupos espanhóis com nomes tão originais como "Ketchup" a cantarem músicas das quais surgiu o mito urbano de serem satânicas ou de uns moldavos amaricados cantarem uma canção de que apenas se percebia que eram supostamente o Picasso.
Venham falar em editoras a fechar, em concertos com menos público ou vendas de discos pelas ruas da amargura, que tudo isso são miudezas : percebemos que a indústria da música está em crise quando é incapaz de proporcionar ao mundo os êxitos idiotas de Verão.
Os estranhos critérios de saúde pública
Seis utentes são sujeitos a operações oftalmológicas no Hospital de Santa Maria e a intervenção acaba por ser mais prejudicial do que o mal de que padeciam, já que foram para o hospital a ver mal e acabaram praticamente cegos. Na mesma semana, sai a notícia de que 10% dos doentes hospitalizados acabam por contrair infecções hospitalares. Sabendo-se que os hospitais são o espaço onde as doenças deveriam ser tratadas e não contraídas, não deixa de suscitar estranheza que notícias destas não tenham um terço da importância do que a histeria e o circo mediático causados pela gripe A.
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Uma groselha
Tenho para mim que Catarina Portas deu um contributo importante para a preservação de alguns ícones portugueses, sobretudo pel'A Vida Portuguesa - loja ali para os lados do Chiado, onde é possível encontrar os lápis Viarco, a pasta medicinal Couto ou os sabonetes Confiança - mas também pelos quiosques de refresco que agora explora na capital. Se quisermos analisar a coisa do ponto de vista dos números, estes estabelecimentos valem mais do que várias semanas de emoções da RTP Memória. Hoje, dei pela primeira vez um salto a um destes quiosques. Lá estão a groselha, o capilé ou o licor Beirão. Bebi lá a melhor groselha que até hoje as minhas pupilas gustativas puderam provar, mas o preço - 1,90 € por 0,33 cl - deixa qualquer um com legítimas dúvidas filosóficas sobre a preservação da portugalidade.
É que nem um...
Apesar de não contar, no meu grupo de amigos e conhecidos, com pessoas que possa considerar racistas ou xenófobas, lá vou lidando com alguns fenómenos de aversão ou antipatia perante algumas raças que não a branca ou por algumas nacionalidades que não a portuguesa. Pese embora este tipo de sentimento não ser o mais simpático, nos casos que conheço acaba por assumir um carácter meio pitoresco. Desde a pessoa que não gosta de chineses por achar que têm o cabelo excessivamente oleoso, ao tipo (que até viveu quase 20 anos no Brasil) que não gosta de brasileiros mas apenas os oriundos do Nordeste, ao tipo que diz não gostar de brasileiros quando está sob o efeito de estupefacientes (por sinal, comprada a imigrantes brasileiros)ou a pessoas bastante cosmopolitas que se dão bem com todas as nacionalidades menos com espanhóis, dá para perceber que estas opiniões não têm propriamente o maior dos fundamentos. Tenho também um amigo que partilha de uma tese pouco benéfica em relação a cidadãos estrangeiros, sejam eles quais forem, mas aplicada apenas a jogadores de futebol. Para ele, nenhum clube de futebol poderia ter mais do que um estrangeiro no seu plantel, dado que o panorama actual desvirtua o futebol. É quase sempre nas suas sábias palavras que me lembro quando vejo notícias como a de que o Benfica ontem entrou em campo sem qualquer português no seu onze inicial.
Vida social
Há uns dias, cruzei-me na rua com o jovem que faz a voz do Busto no Programa do Aleixo. Pese embora ter alcançado notoriedade graças ao seu trabalho, é alguém cuja vida social não posso invejar, sobretudo por ser alguém cuja voz é exactamente igual à da personagem que encarna. Assim sendo, não é difícil imaginar que, numa qualquer situação, qualquer pessoa se sinta legitimidade para lhe mandar um "A mim que m'importa, ó busto!" ou um "'Tá mas é calado, ó busto!".
Saldos '09
3 pólos, 2 camisas de manga curta, um casaco tipo desportivo, dois pares de sapatos, tudo por cerca de 100 euros. Duas horas no Colombo e uns 20 minutos no comércio tradicional perto de casa chega a sobram para um aproveitamento eficiente do escoamento de stocks. A primeira pessoa a dizer mal da época de saldos merece obviamente um par de bananos.
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onde arranjo a galinha dos ovos de ouro nos Sims 2 para a PS2
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sal e cerveja preta abortam?
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JacksonMania
É sair à noite e ouvir amiúde as suas músicas, é percorrer os canais de música e dar de caras mais frequente com os seus videoclips, é ir ao Youtube e ver antigas relíquias em lugar de destaque com centenas de comentários, é passar em lojas de música e ver os seus álbuns em destaque ou ver desenterrados os seus vinis. Por mais paradoxal que pareça, a morte de Michael Jackson foi o melhor que poderia ter acontecido à sua discografia.
"Vida tão estranha"
O ano ainda vai a meio, mas a melhor música nacional de 2009 já está encontrada. Ironicamente, "Vida tão estranha" de Rodrigo Leão veio ao mundo numa telenovela da TVI. Quanto a mim, conheci-a numa forma um pouco glamourosa, precisamente numa emissão da TSF enquanto tomava um pequeno-almoço às 6 da manhã antes de rumar ao trabalho, há alguns meses atrás. Convenhamos que uma música destas terá um impacto maior nessas circunstâncias.
Lusofonia
Começo a ver o jogo Portugal - Macau em basquetebol e rapidamente perco o interesse, dado ao fim de pouco mais de 10 minutos a nossa equipa já levar uma vantagem de 25 pontos sobre o adversário. Pouco antes, uma selecção de putos vencia a sua congénere indiana por 7-1. Algo que me diz que estes Jogos da Lusofonia são uma forma de nos vingarmos do fim do Império.
Voto útil em Lisboa
As autárquicas de Lisboa em 2007 ficaram em marcadas pela dispersão de votos por diversos partidos e movimentos. Dois anos depois, assiste-se ao fenómeno inverso e à bipolarização. Santana Lopes deu o mote e lançou o repto a CDS, MPT e PPM, centrando os votos de parte do eleitorado na sua lista. O CDS arranjou uma forma expedita de se esquivar a um possível mau resultado como o de há dois anos. Em vão, vozes tentaram que à esquerda se fizesse o mesmo. Prevendo que a disputa será difícil, António Costa vai tentando arregimentar forças contra as quais lutou há dois anos: Sá Fernandes e , como se viu hoje, Helena Roseta, precisamente duas figuras que foram capazes de, por si mesmas, conquistar eleitores. Suscita a curiosidade saber qual o papel que lhes será assegurado, bem como aos movimentos que encabeçam.
Santana Lopes tem contra si uma história pouco feliz de Primeiro-Ministro e as dívidas na Câmara, ao passo que António Costa tem a desvantagem de pertence ao partido que actualmente está no Governo, ao qual até chegou a pertencer. Nunca como nestas eleições a pressão do voto útil irá pairar pela cabeça dos lisboetas e será interessante tentar perceber como BE e PCP conseguirão inverter essa tendência.
Santana Lopes tem contra si uma história pouco feliz de Primeiro-Ministro e as dívidas na Câmara, ao passo que António Costa tem a desvantagem de pertence ao partido que actualmente está no Governo, ao qual até chegou a pertencer. Nunca como nestas eleições a pressão do voto útil irá pairar pela cabeça dos lisboetas e será interessante tentar perceber como BE e PCP conseguirão inverter essa tendência.
Cotação
Por estes dias, descubro o valor da indemnização que atribuída pela companhia de seguros pela qual fiz o meu Seguro de Vida, gentilmente oferecido pela minha entidade patronal. Pese embora a simpática oferta, não deixa de causar consternação o valor que a seguradora irá gastar caso se justificar. Causa consternação de tão baixo que é, sobretudo se pensarmos que qualquer Mercedes para pelintras tem uma cotação superior à minha. Toda esta carga existencial associada a uma simples apólice de seguro poderá descambar em uma de duas coisas: numa profunda análise sobre os fundamentos da nossa existência e o carimbo monetário sobre a mesma ou então a um teste tipo quizz do Facebook destinado a saber qual dos jogadores tem a cotação mais elevada junto da actividade seguradora.
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O enxovalho
A apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid teve o dado curioso de ter posto 80 mil pessoas a ouvir "À minha maneira" dos Xutos & Pontapés no estádio. É um facto: desde a Batalha de Aljubarrota que não causávamos tamanho enxovalho aos espanhóis.
Vino griego
Na última noite, tentava explicar a quem me acompanhava em noite de copos no Bairro Alto o paradoxo que é ter enquanto um dos nossos fenómenos da música popular - "Verde Vinho" - adaptado de uma canção austríaca, com a agravante de ser um país de que não conhecemos música alguma. Voltar ao tema é obviamente penoso e só ajuda a meter o dedo na ferida, mas acabei hoje por saber que, nesta matéria, os espanhóis não ficam a rir-se.
(Curiosamente, enquanto explicava tal situação, e numa daquelas grandes coincidências, cruzo-me no Bairro Alto com um velho amigo com quem tenho tido acaloradas questões sobre esta matéria. )
Uma no cravo e outra na ferradura
Chegados a Julho, estaríamos já a preparar-nos para a silly season política, um período em que curiosamente o país até parece andar nos eixos, isto se não vier nenhuma vaga de calor. Mas o facto de termos dois períodos eleitorais dentro de meses não deixa espaço para pausas no ritmo. Por estes dias, discute-se a polémica relativa à existência de candidaturas da mesma pessoa a diferentes o que, em ano de eleições, se traduz pela impossibilidade de um candidato a deputado também poder candidatar-se à presidência de uma Câmara.
Sendo certo que a incorporação de um determinado nome para encabeçar ou incorporar uma lista candidata a algo presume sempre um compromisso com o cargo em causa - seja deputado em Lisboa ou no Parlamento Europeu ou a lista para a presidência de uma autarquia - estranho é que esta exista esta possibilidade de candidatura a vários cargos em simultâneo. A credibilidade democrática de figuras como Elisa Ferreira ou Ana Gomes que, em poucos meses, se candidatam para o Parlamento Europeu e para autarquias fica obviamente em causa, e suscita a reacção típica do português que remete sempre para o "tacho" ou o "poleiro". É legítima a dúvida de um eleitor do Porto ou de Sintra em relação às reacções intenções de alguém que se candidata ao seu concelho e que, meses antes, foi eleito para o Parlamento Europeu, dúvidas essas que acabam por beneficiar os respectivos adversários, neste caso os actuais autarcas eleitos pelo PSD. Acresce que , com estes episódios, continua a queimar em lume brando a imagem, já de si frágil, da classe política portuguesa.
Sendo certo que a incorporação de um determinado nome para encabeçar ou incorporar uma lista candidata a algo presume sempre um compromisso com o cargo em causa - seja deputado em Lisboa ou no Parlamento Europeu ou a lista para a presidência de uma autarquia - estranho é que esta exista esta possibilidade de candidatura a vários cargos em simultâneo. A credibilidade democrática de figuras como Elisa Ferreira ou Ana Gomes que, em poucos meses, se candidatam para o Parlamento Europeu e para autarquias fica obviamente em causa, e suscita a reacção típica do português que remete sempre para o "tacho" ou o "poleiro". É legítima a dúvida de um eleitor do Porto ou de Sintra em relação às reacções intenções de alguém que se candidata ao seu concelho e que, meses antes, foi eleito para o Parlamento Europeu, dúvidas essas que acabam por beneficiar os respectivos adversários, neste caso os actuais autarcas eleitos pelo PSD. Acresce que , com estes episódios, continua a queimar em lume brando a imagem, já de si frágil, da classe política portuguesa.
Agostinho
O comentário no post de baixo sobre o futebolista Agostinho suscitou-me obviamente a reacção típica de quando nos confrontamos com algo de que já não ouvimos falar há bastante tempo. As memórias que possuo e uma pesquisa rápida pela net permitem concluir que se tratou de um jogador bastante promissor nas camadas jovens e que foi perdendo fulgor com o tempo, uma sina que parece relativamente transversal ao jogador português. Este jogador pertence à mesma geração de Nuno Gomes e Dani, a tal que disputou um mundial de juniores no Qatar em 1995, ano em que rumou ao Real Madrid, para depois iniciar um périplo por equipas espanholas de segunda ou terceira linha - Salamanca, Las Palmas, Málaga - tendo regressado a Portugal em 2002 para representar também equipas pouco mediáticas, como o Moreirense, o Rio Ave ou o Felgueiras.
Curioso neste jogador é o seu nome: Joaquim Agostinho da Silva Ribeiro. Esqueçamo-nos do apelido Ribeiro e restrinjamo-nos aos dois nomes e ao restante apelido. Poderia ter aqui nascido uma conjugação extraordinária entre força e saber, entre o querer e o pensar. Agostinho poderia perfeitamente ter tido a raça, o carisma e a capacidade atlética de Joaquim Agostinho mas substituindo a bicicleta pelas chuteiras e a estrada pelos relvados e poderia ter acrescentado a isso a defesa da liberdade enquanto condição essencial para o indivíduo ou o amor pela língua portuguesa protagonizados por Agostinho da Silva, um conceito que até te paralelo no futebol português de hoje, dado o contigente de jogadores brasileiros nos campeonatos profissionais. As expectativas eram obviamente elevadas, mas para a história do futebol fica um jogador promissor e que, por ser esquerdino, foi mais um dos jogadores talhados para substituto de Futre, o que obviamente não se concretizou.
Curioso neste jogador é o seu nome: Joaquim Agostinho da Silva Ribeiro. Esqueçamo-nos do apelido Ribeiro e restrinjamo-nos aos dois nomes e ao restante apelido. Poderia ter aqui nascido uma conjugação extraordinária entre força e saber, entre o querer e o pensar. Agostinho poderia perfeitamente ter tido a raça, o carisma e a capacidade atlética de Joaquim Agostinho mas substituindo a bicicleta pelas chuteiras e a estrada pelos relvados e poderia ter acrescentado a isso a defesa da liberdade enquanto condição essencial para o indivíduo ou o amor pela língua portuguesa protagonizados por Agostinho da Silva, um conceito que até te paralelo no futebol português de hoje, dado o contigente de jogadores brasileiros nos campeonatos profissionais. As expectativas eram obviamente elevadas, mas para a história do futebol fica um jogador promissor e que, por ser esquerdino, foi mais um dos jogadores talhados para substituto de Futre, o que obviamente não se concretizou.
Memória selectiva
Por estes dias, só se vai falando de Cristiano Ronaldo e da sua ida para o Real Madrid. E é sempre obrigatório voltar um pouco atrás, recordar a passagem de Figo pelo mesmo clube e também vir à memória o facto de ter sido considerado o melhor do mundo enquanto representava o Real Madrid. O espectador do futebol acha que os portugueses estão é talhados para estes grandes clubes e quem colocou tão grandes embaixadores no melhor clube do Mundo - ainda por cima jogadores esses associados a grandes prémios a nível individual e colectivo - é um país futebolisticamente extraordinário. Parece-me tudo muito bem, mas será que ainda ninguém se lembrou de um pequeno pormenor?
Googladas - Murphy
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murphy três tipos de pessoas
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especialista na lei de murphy 2009
voce conhece a lei lei de Murphy
Campanha Murphy não
lei de murfy dois corpos
reseitas de murfy
macaco murphy
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Fotos do Mural
Por não ser uma auto-estrada de informação como um blogue ou um espaço para o voyeurismo como o Hi5, o Facebook é capaz de ser uma das melhores plataformas neste momento para colocarmos fotografias. Se é certo que a grande maioria das pessoas que conheço apresenta fotografias cujo horizonte temporal mais longínquo seja o de dois ou três verões atrás, acho que é precisamente por aqui que um utilizador consciente deve marcar a diferença e deve advogar a partilha de fotografias e períodos de que, de tão longínquos, a pessoa tem dificuldade em recordar. Uma pesquisa por CD's gravados há alguns anos, por pastas de backups de que nem me lembrava - a minha capacidade de gestão destes arquivos é uma qualidade respeitável -, permitiram encontrar um bom naipe de fotografias minhas e de outros amigos que também andam pelo Facebook, obviamente com um espaço temporal superior a dois ou três verões. Sem querer assustar ninguém mas também se querer criar falsas expectativas, posso afiançar que as minhas "Fotos do Mural" continuarão a ser palco, nas próximas semanas, de memórias e de discussões que valerá a pena a seguir.
Coração amaciado
Regressar a um restaurante chinês em que a última presença foi recheada de episódios, no mínimo, caricatos - envolvendo material danificado por uns meliantes e discussões a entrar quase no campo do racismo - era algo obviamente com algum risco. Mas os aniversariantes são sempre os portadores da verdade quando se trata de escolher os locais dos seus aniversários. Os receios acabaram por não se confirmar e a noite correu de forma pacífica, tendo o chinês passado uma esponja sobre o assunto. O facto de numa noite ter facturado entre 500 e 600 euros num aniversário encomendado por alguém que semanas antes andava a insultar e a chamar de vândalo ajuda sempre a mudar a opinião. O dinheiro é sempre uma boa forma de amaciar o coração.
O Pinho

Manuel Pinho foi um dos ministros com vida mais difícil. Embora, em abono da verdade, deva reconhecer-se que ser Ministro da Economia em Portugal não é fácil. Num país de economia de mercado como o nosso, é certo e sabido que estamos sujeitos às regras naturais economia, em que empresas abrem e fecham, multinacionais chegam e partem, e onde a tutela pouco ou nada pode fazer, a não ser arranjar uns incentivos para alguns sectores, tentar promover a imagem do país para atrair investimento estrangeiro ou tentar dar um empurrão a certos sectores. Se é certo que o sector das renováveis teve um impulso positivo com o actual Governo, não deixa de ser verdade que se assistiu a uma espécie de continuação da agonia da economia portuguesa, com o desemprego a aumentar e as debilidades do nosso tecido produtivo a estarem cada vez mais à vista. Acrescente-se a isso uma propensão natural para as gaffes que teve o seu ponto alto com os cornos feitos a um deputado no Parlamento. Chega ao fim, da forma mais idiota possível, o ciclo de ministro de Manuel Pinho, alguém que esteve longe de ser o cirurgião que a economia portuguesa precisou ao longo dos últimos anos.
O baú das canções: "Onde estão os meus passos"
Barrerito não será certamente o nome mais conhecido - pelo menos por cá - da música popular brasileira, mas foi certamente um daqueles que carregou uma cruz mais pesada às costas. Membro do grupo Parada Dura, sofreu um acidente de avião em 1982, que o deixou paralítico e agarrado a uma cadeira de rodas até à sua morte, em 1998. A canção "Onde estão os meus passos" dá a conhecer um testemunho simultaneamente de sofrimento e esperança, pelo facto de nunca mais ter conseguido a caminhar, o que suscita obviamente a interrogação do autor sobre o paradeiro da sua capacidade de locomoção, entretanto perdida num fatídico acidente. Num universo musical em que o que de mau é relatado quase sempre tem a ver com desgostos de amor, houvesse então alguém que trouxesse para os tops uma música sobre a perda de capacidades motoras.
Os "hard discounts"
Com a crise a apertar, há um sector que vai ganhando terreno: os "hard discounts". Se é certo que minipreços e quejandos sempre tiveram procura, é um facto que esta aumentou desde que o dinheiro começou a escassear. Se seria expectável que a um aumento da procura correspondesse um aumento da qualidade do serviço (estou a pensar em mais funcionários nas caixas), essa possibilidade torna-se obviamente numa falácia, dado que o segredo do negócio é precisamente a elasticidade na gestão dos poucos recursos humanos disponíveis. Mantém-se o número de funcionários, independente de estarmos em crescimento económico exponencial ou em recessão profunda. O resultado são as largas filas para ser atendido na caixa, provando que mesmo o barato tem sempre os seus custos, com o tempo a ser dispendido nestes espaços comerciais a ser cada vez maior. Por estes dias, ir a um "hard discount" deixou de ser uma necessidade para passar a ser uma espécie de ocupação de tempos livres.
