PPA
Descobri via Facebook que está na forja a criação de um Partido pelos Animais, cujos propósitos serão relativamente perceptíveis, mas que ainda vai passando pela fase de recolha de assinaturas. Para já consegue a proeza de juntar mais de 1200 membros no seu grupo naquela rede social. Embora respeitando tal mobilização, ainda que no mundo virtual, em prol dos animais, suscita-me obviamente a curiosidade sobre o que é que aquelas 1200 pessoas comeram hoje ao almoço.
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o que é um pidófilo
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escolas onde se pode tirar carta de conduzir empilhador
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Tudo como dantes
Ir a discotecas não será o que mais gosto de fazer na vida, pelo que o meu conhecimento nesta matéria será um pouco escasso, em particular em Lisboa, onde a percentagem de espaços onde estive é certamente reduzida. No entanto, das discotecas que conheço e onde vou uma vez por outra, o Plateau é provavelmente a que mais gosto. Não por haver ali qualquer extra que faça daquilo "o" local, mas precisamente pela previsibilidade do espaço. Uma pessoa estar no Plateau é como estar em casa, não na nossa, mas de uns tios que moram lá longe, mas que quando lá vamos sentimos que está tudo mais ou menos na mesma como da última vez: os mesmos sofás onde jogávamos aos legos com os primos hoje já adultos como nós, a mesma vizinha quase surda que mora no andar de baixo ou a velhinha televisão que embora trocada pelo LCD na sala mora agora na cozinha, o que confere um ar meio enternecedor ao cenário. No Plateau, não há novas tendências da música, DJ's extraordinários, bailarinas em cima de colunas ou mulheres que façam um tipo beliscar-se para saber se aquilo é verdade ou se já bebemos demais. Ali, tudo acaba por funcionar sob o signo de uma certa previsibilidade: uma percentagem de músicas familiares já acima dos 90%, a certeza de que ouviremos Bryan Adams ou Rod Stewart, o ir convicto de que alguém se lembra de passar Michael Jackson dois dias depois do seu desaparecimento, os seios salientes das bartenders certamente para que um tipo se esqueça que tem de pagar quatro euros por uma imperial, esta ou aquela personagem mais freak mas que acaba por se diluir no meio de uma certa normalidade ou saber que os últimos 10 anos da história da música ficam de lado. Em suma, não há noites más no Plateau, até porque - para não destoar - quando lá vamos já sabemos isso de antemão.
E um tipo que achava que estas estrelas não morriam
"Olh'á concorrência!"
O meu regresso pós-laboral a casa , com o habitual percurso pela Internet - o e-mail, o Facebook, a meia dúzia de blogues que vou seguindo assiduamente - foi hoje um pouco mais agitado com as reacções a uma pequena pérola que decidi postar no Facebook - uma fotografia de um amigo que ontem completou 30 anos, mas tirada há 15 anos atrás e que obviamente suscitou um rol de reacções - e o anúncio de criação de um novo blogue por João Seixas. Alguém que chegou ao mundo dos blogues mais cedo do que eu, mas que tem andado a abrir e fechar os blogues que vai criando sempre à procura da "next big thing", precisamente a antítese da minha pessoa, um conservador e um defensor da estabilidade em matéria da produção bloguística. Em jeito de provocação, alguém lança o repto: "olha que vem aí a concorrência ao teu blogue". Pese embora ter a consciência que estou longe de escrever num fenómeno da blogosfera, talvez tenha a legitimidade de, certamente com algum paternalismo pelo meio, responder com um "daqui a 75 mil visitas, 3 anos de actividade e 1000 posts conversamos". O Ódios e Amores pode ser seguido aqui.
Só por má vontade o "Bem, bom" passa à frente do "Dr. Optimista" na ordem dos singles do Rui Reininho
D. Afonso Henriques

Aquele que se pode considerar o primeiro português e, por inerência, o percursor de toda uma série de traços fundamentais culturais que ditaram a História do país, seja a porrada em espanhóis e nos mouros, a violência doméstica, os pedidos de auxílio ao exterior quando a coisa aperta, a associação Estado - Igreja, o bigode ou as claques de desordeiros do Vitória de Guimarães. Embora sabendo que pensar em "ses" é um dos mais perniciosos exercícios associados à História, é legítimo pensar o que seria destes 90 e poucos mil km2 de terra no canto da Europa se não fosse este cavalheiro, que, segundo algumas crónicas, nasceu há 900 anos.
Dignidade humana
Sem querer vir proclamar qualquer supremacia moral do chamado mundo Ocidental, é inquestionável que este tem uma capacidade de assimilação de outras culturas que não encontramos noutros sectores do globo. Dito por outras palavras, é bem mais fácil encontrar uma diversidade de culturas, em maior ou menor harmonia, num país da União Europeia do que, por exemplo, na Nigéria ou no Irão.
Isto a propósito da discussão que vai em França sobre o alegado uso da burca naquele país. Se é certo que a Europa é um espaço multi-cultural - e a França, nesse particular, é um país onde a diversidade é bem visível - não é menos verdade que a tolerância para com outras culturas possa ir abertamente contra uma matriz cultural. A mesma Europa que deve servir de bandeira para valores que visem a certa dignificação do ser humano não pode obviamente ser conivente para com práticas atentatórias da condição humana, neste caso em particular da mulher, onde se incluem outros fenómenos como a mutilação genital feminina. O respeito por outras culturas deve obviamente ser cultivado, mas este é um daqueles casos em que é imperioso escolher entre um valor mais elevado do que a tolerância, que é o da dignidade humana, pelo menos em espaço europeu.
Isto a propósito da discussão que vai em França sobre o alegado uso da burca naquele país. Se é certo que a Europa é um espaço multi-cultural - e a França, nesse particular, é um país onde a diversidade é bem visível - não é menos verdade que a tolerância para com outras culturas possa ir abertamente contra uma matriz cultural. A mesma Europa que deve servir de bandeira para valores que visem a certa dignificação do ser humano não pode obviamente ser conivente para com práticas atentatórias da condição humana, neste caso em particular da mulher, onde se incluem outros fenómenos como a mutilação genital feminina. O respeito por outras culturas deve obviamente ser cultivado, mas este é um daqueles casos em que é imperioso escolher entre um valor mais elevado do que a tolerância, que é o da dignidade humana, pelo menos em espaço europeu.
Os nossos adeptos
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como se apresenta a peça publicitaria coca cola gta em redundancia
musica clemente vais partir letra
acidentes com carpinteiros
musica a bicharada, cantor netinho
processos perdidos pela midas prestige
hi5 personalizado submundos
cantores ingleses amigos da leide daiana
lacoste itaipava falsificação
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O fenómeno está de parabéns
O maior fenómeno do humor nacional completa hoje 52 anos, ainda por cima numa viagem ao Brasil. Convenhamos que não é para todos. Parabéns, Bruno Aleixo!
Ondas de calor
Em relação à tese segundo a qual o calor é bom por causa da praia e que o frio é óptimo para ir para a neve, tenho o dever de contrapor com o facto de normalmente a vida não se faz só de férias. O calor é absolutamente extraordinário quando o assunto é a extensão do corpo na horizontal sobre uma toalha no areal e uns mergulhos num mar salgado, mas quando o calor se apodera de nós qual força letárgica que nos retira qualquer iniciativa, desde a mais simples tarefa doméstica até o sair à rua ou comer, aí já se torna mais chato. O Verão é bom, mas convém não abusar.
O antes e o depois
Estou longe de ser um entendido em raps, hip-hops e afins, mas sem querer armar-me em velho rezingão, acho que a old school neste campo era bastante melhor do que aqueles que se seguiram. Um tipo ouve os Cypress Hill, um dos poucos nomes deste género musical que ainda vou apreciando, com uns tipos vestidos à skaters e a apelar constantemente ao consumo de drogas leves ainda por cima em boas músicas, e compara com aquilo que hoje em dia se faz: quase sempre o mesmo ritmo, apelando ao crime e à pilantrice, descrições de anatomia feminina, relatos de vida no gueto cantadas por tipos que vivem em gigantescas mansões e conduzem carros topo de gama. Um tipo ouve um "Hits from the bong" (atente-se na prova de resistência ao sistema respiratório antes da música) e começa a pensar que a transmissão de conhecimento neste meio não terá sido feita da melhor maneira.
E a televisão ali ao lado
Na noite de segunda-feira, faço um zapping rumo à Eurosport onde assisto a um pouco do Wrestling, comentado por João Seixas , reavivando aquele velho hábito suburbano de ver - neste caso ouvir - os amigos na televisão. Como chego a casa já no tempo dos combates vintage, ouço a largar várias considerações como "no dia tal de Fevereiro em 89 estava eu num piquenique familiar no Bombarral" ou "Fulano tal estaria certamente bem numa banda punk gonhé". A satisfação por ver transportado para a televisão um certo léxico e imaginário usado em conversa de café ou de noites de copos entre amigos suscita imediatamente uma por SMS, imediatamente respondida não pela mesma via, mas em directo para Portugal inteiro, tendo eu sido citado como o fundador da Lei de Murphy e grande admirador de um tipo de quem nunca ouvi falar. Isto enquanto uns homens em cuecas, de bigode e frondosos mullets, andam à batatada mas a fingir. É nestas alturas que um tipo se sente alguém na vida.
Testes, só no Facebook
Cátia, c'est dommage, mas é rarísismo responder a testes em cadeia via blogues, em particular quando se trata de responder a um tema tão tramado como sugerir cinco momentos específicos. Pese embora o flashback ser uma actividade a que gosto de me dedicar com alguma frequência, nunca me deu para seleccionar este ou aquele momento por considerá-lo especial. Para além disso, actualmente remeto toda a análise da minha personalidade para os testes do Facebook, onde já descobri coisas absolutamente extraordinárias sobre a minha pessoa, como saber que, caso fosse uma bolacha, então seria um biscoito de canela ou que o Mosteiro dos Jerónimos é o monumento que mais se adapta à minha personalidade.
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A polémica em torno das sondagens
Desde o dia em que o Margens de Erro fez involuntariamente publicidade ao LdM, tendo o assunto também o desabafo suscitado comentário e um link aqui para o blogue Delito de Opinião, que houve um razoável aumento de visitantes. Coisa passageira, obviamente. Não tencionava pegar no post, não fosse o facto de este falar numa polémica que até já começou antes das europeias: a questão das sondagens pré-eleitorais e os alegados resultados demasiado baixos do CDS.
Ao contrário da generalidade dos assuntos que abordo neste blogue, de sondagens terei um pequeno background que obviamente ajuda a opinar sobre o tema já que, há alguns anos (enquanto andava na universidade), trabalhei no mesmo Centro de Sondagens da Católica que o próprio Pedro Magalhães dirige. Em primeiro lugar, é preciso ter em conta um facto: uma sondagem está sempre longe de representar de forma exacta um universo inteiro, daí o velho chavão de que o que conta é a sondagem do dia das eleições. Isto porque é sempre difícil fazer com que 1000 ou 2000 inquiridos consigam condensar toda o sentimento de um país seja em matéria fôr, especialmente em matéria de eleições. Daí a necessidade das amostras: seja um número significativo de freguesias-piloto (locais onde os resultados costumem ser semelhantes ao universo nacional) quando se faz a sondagem porta-a-porta ou o tentar ser abrangente a nível nacional quando o método é a sondagem telefónica.
Para além diso, há um outro ponto a ter em conta: a forma como é questionada uma pessoa sobre a sua intenção de voto. Todos sabemos que nem todas as pessoas têm o mesmo à-vontade e disposição para falar de política, sobretudo quando se trata de dar a conhecer o seu sentido de voto. Se isso já acontece com pessoas conhecidas, imaginem quando se trata de o fazer perante desconhecidos que lhe batem à porta ou lhe telefonam para casa. E, mesmo que a pessoa se disponha a divulgar uma intenção de voto, ninguém garante que o faça de forma sincera, o que pode estar na base dos resultados de alguns partidos nas sondagens. Por norma, PCP e CDS são partidos relativamente prejudicados neste método, por poder existir uma certa "vergonha" do inquirido em admitir o voto nestes partidos, remetendo a resposta para outro partido, para a abstenção ou para a indecisão. O método de simulação de voto, usado em datas mais próximas das eleições e em que o entrevistador não tem qualquer contacto com o conteúdo do boletim de voto, obviamente que ajuda a aliviar a desconfiança, mas continua a não garantir a total sinceridade na resposta.
Posto isto, o CDS acaba por ter alguma razão nas críticas que faz às sondagens quando diz que a sua publicação pode influenciar votos. Não deixa de ser verdade, mas o CDS está longe de ser o partido que mais prejudicado foi com as sondagens, cujo baixo resultado para o partido poderá ter ajudado a reduzir a mobilização do eleitorado-base para evitar uma catástrofe eleitoral, para além de ter baixado a mobilização de eleitores que potencialmente votariam no PS e não o fizeram com base nos recentes estudos. Para evitar a repetição destas situações, que obviamente contribuem para ajudar a condicionar os resultados à partida, a única medida que me ocorre seria restabelecer um período mínimo de uma semana antes das eleições a partir do qual não seria possível conhecer resultados de sondagens, como sucedia até há alguns anos.
Ao contrário da generalidade dos assuntos que abordo neste blogue, de sondagens terei um pequeno background que obviamente ajuda a opinar sobre o tema já que, há alguns anos (enquanto andava na universidade), trabalhei no mesmo Centro de Sondagens da Católica que o próprio Pedro Magalhães dirige. Em primeiro lugar, é preciso ter em conta um facto: uma sondagem está sempre longe de representar de forma exacta um universo inteiro, daí o velho chavão de que o que conta é a sondagem do dia das eleições. Isto porque é sempre difícil fazer com que 1000 ou 2000 inquiridos consigam condensar toda o sentimento de um país seja em matéria fôr, especialmente em matéria de eleições. Daí a necessidade das amostras: seja um número significativo de freguesias-piloto (locais onde os resultados costumem ser semelhantes ao universo nacional) quando se faz a sondagem porta-a-porta ou o tentar ser abrangente a nível nacional quando o método é a sondagem telefónica.
Para além diso, há um outro ponto a ter em conta: a forma como é questionada uma pessoa sobre a sua intenção de voto. Todos sabemos que nem todas as pessoas têm o mesmo à-vontade e disposição para falar de política, sobretudo quando se trata de dar a conhecer o seu sentido de voto. Se isso já acontece com pessoas conhecidas, imaginem quando se trata de o fazer perante desconhecidos que lhe batem à porta ou lhe telefonam para casa. E, mesmo que a pessoa se disponha a divulgar uma intenção de voto, ninguém garante que o faça de forma sincera, o que pode estar na base dos resultados de alguns partidos nas sondagens. Por norma, PCP e CDS são partidos relativamente prejudicados neste método, por poder existir uma certa "vergonha" do inquirido em admitir o voto nestes partidos, remetendo a resposta para outro partido, para a abstenção ou para a indecisão. O método de simulação de voto, usado em datas mais próximas das eleições e em que o entrevistador não tem qualquer contacto com o conteúdo do boletim de voto, obviamente que ajuda a aliviar a desconfiança, mas continua a não garantir a total sinceridade na resposta.
Posto isto, o CDS acaba por ter alguma razão nas críticas que faz às sondagens quando diz que a sua publicação pode influenciar votos. Não deixa de ser verdade, mas o CDS está longe de ser o partido que mais prejudicado foi com as sondagens, cujo baixo resultado para o partido poderá ter ajudado a reduzir a mobilização do eleitorado-base para evitar uma catástrofe eleitoral, para além de ter baixado a mobilização de eleitores que potencialmente votariam no PS e não o fizeram com base nos recentes estudos. Para evitar a repetição destas situações, que obviamente contribuem para ajudar a condicionar os resultados à partida, a única medida que me ocorre seria restabelecer um período mínimo de uma semana antes das eleições a partir do qual não seria possível conhecer resultados de sondagens, como sucedia até há alguns anos.
O futuro da Nação
Face à tentativa de perpetuação no poder de Luís Filipe Vieira, com a marcação de eleições em tempo recorde para inviabilizar qualquer tentativa de reorganização da oposição, o único nome que vai surgindo na penumbra é o de João Varandas Fernandes. Um nome que dirá pouco à generalidade das pessoas, por ser um típico exemplo dessa instituição da relação inter-pessoal portuguesa chamada "Não associar o nome à pessoa". Ajudo a recordar: sempre que há acidentes graves algures na Grande Lisboa, e em casos mais graves noutras zonas do país, e as vítimas têm de ser conduzidas para o Hospital de São José, é normalmente João Varandas Fernandes que fala (por ser o director do Serviço de Urgência) e faz o diagnóstico para os meios de comunicação, com uma calma olímpica, independentemente de falar de um assaltante a bancos alvejado na cabeça ou do cidadão que só um milagre salvou de um destino trágico num acidente de carro. Ainda assim, já uns anos antes tinha ouvido falar no seu nome, quando decidiu heroicamente encabeçar uma lista do CDS-PP à Câmara de Loures, o que, convenhamos, apresentava um grau de sucesso bastante reduzido. Coragem de carácter e falta de medo em sujar as mãos. Para além disso, sendo médico, poucos ou nenhuns antecedentes em matéria de gestão desportiva e episódios pouco claros lhe possam ser imputados. Talvez seja de uma figura destas que o Benfica esteja agora a precisar.
Flashback com 15 dias de atraso
Uns posts abaixo, um leitor lança o repto para uma descrição minuto a minuto do meu jantar de aniversário. Não chego a tanto, mas posso fazer a vontade e deixar umas notas sobre o assunto, dado que tal se passou durante as duas semanas de férias deste blogue. Acima de tudo, foi um acontecimento que valeu a pena. Não particularmente por ter sido a celebração de anos, algo que eu não tenho feito nos últimos anos, mas especialmente pela sensação de retomar uma estória que andava algures a meio. A estória da amizade entre um grupo de pessoas que andou meio afastada nos últimos anos pelas mais diversas razões - todas elas sem fazer muito sentido - mas que eu fiz questão de juntar à mesma mesa de um restaurante chinês, a um metro de um equipamento de karaoke.
Pese toda a carga associada ao reencontro - o que fez de mim, por uma noite, uma espécie de Henrique Mendes dos pobres - tudo o que naquela noite se passou foi mais um episódio desse longo livro em que poucos pegaram nos tempos mais recentes. E, em abono da verdade, um episódio que pouco difere de muitos outros a que assisti no passado, já que os ingredientes mágicos estavam lá todos: comida chinesa, consumo de vinho verde como se fosse água, a descoberta da magia do karaoke, alguns excessos (obviamente evitáveis) em matéria de destruição de propriedade alheia directamente associáveis ao vinho verde, a óbvia rejeição de tais excessos pelo sistema digestivo, contas exorbitantes no fim do jantar, lesões corporais que se prolongaram dias depois e que motivaram visitas a médicos, o acabar a noite quando o sol já vai espreitando no horizonte, os SMS com pouco sentido mesmo às 9 da manhã, o day-after que acaba por durar vários dias com as mais variadas reacções e recordações. Em suma, quem sabe nunca esquece.
Pese toda a carga associada ao reencontro - o que fez de mim, por uma noite, uma espécie de Henrique Mendes dos pobres - tudo o que naquela noite se passou foi mais um episódio desse longo livro em que poucos pegaram nos tempos mais recentes. E, em abono da verdade, um episódio que pouco difere de muitos outros a que assisti no passado, já que os ingredientes mágicos estavam lá todos: comida chinesa, consumo de vinho verde como se fosse água, a descoberta da magia do karaoke, alguns excessos (obviamente evitáveis) em matéria de destruição de propriedade alheia directamente associáveis ao vinho verde, a óbvia rejeição de tais excessos pelo sistema digestivo, contas exorbitantes no fim do jantar, lesões corporais que se prolongaram dias depois e que motivaram visitas a médicos, o acabar a noite quando o sol já vai espreitando no horizonte, os SMS com pouco sentido mesmo às 9 da manhã, o day-after que acaba por durar vários dias com as mais variadas reacções e recordações. Em suma, quem sabe nunca esquece.
O blogue que outros queriam criar mas não foram a tempo faz hoje três anos

Último post no Margens de Erro
A Lei de Murphy faz hoje três anos. A evocação destas datas acaba sempre por trazer as mesmas memórias sobre os motivos da sua criação, mas o LdM constituiu a minha entrada no mundo dos blogues, depois de ter estado quase quatro anos a produzir o Links de Luxo, um site cujo volume de trabalho a determinada altura deixou de ser compensador face à minha vontade de nele continuar. Sendo este um blogue sem aquilo a que se possa chamar um fio condutor a não ser os humores ou o sentido de oportunidade de quem se senta quase diariamente numa cadeira para nele escrever, certamente que vai sempre existindo matéria-prima para manter a máquina em funcionamento. Sem existir da minha parte quaisquer pretensões a fazedor de opinião ou ser referência para quem quer que seja, mas evitando sempre cair no vácuo, o blogue lá vai fazendo o seu caminho e contando sempre com as visitas daquelas que à socapa no trabalho ou na tranquilidade do lar lá gastam uns minutos do seu tempo para passar por aqui. Enquanto houver estrada, este blogue continuará obviamente a caminhar.
O efeito BE
Sem querer tirar mérito ao PSD pela vitória nas Europeias de ontem, aquilo que mais salta à vista é a impressionante subida do Bloco de Esquerda que consegue saltar de 5ª para 3ª força política e mais do que duplicar o número de votos. Para além destes resultados, é também de salientar que a habitual lógica de fuga de votos entre os dois maiores partidos terá sido quebrada, dado que o voto de descontentamento face ao Governo não foi canalizado maioritariamente para o maior partido da Oposição, mas antes para um partido fora desta lógica e que até hoje não teve quaisquer responsabilidades governativas.
Por norma, as eleições europeias tendem a ser benéficas para pequenos partidos. A maior abstenção dá uma maior dimensão a partidos cuja base eleitoral é mais militante, o facto de não se eleger directamente um Governo favorece um voto de protesto contra o Executivo embora inconsequente na política interna e não existe o fantasma do voto útil. Usando o jargão dos comentadores políticos, revela-se mais o voto sincero em detrimento do voto estratégico. No meio de toda esta euforia nas hostes sociais-democratas que parece ter contaminado a análise política do país, vem-me à memória aquela que me pareceu ser a análise mais lúcida, precisamente de Miguel Sousa Tavares, que salientou que, quando se tratar de eleições para eleger Governo e de escolher entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, aí haverá certamente uma maior mobilização dos eleitores e os votos de protesto que ontem foram conhecidos poderão hipoteticamente ser canalizados de outra forma. Seja como for, os resultados de ontem certamente aguçarão o apetite pelos próximos meses da política nacional.
Por norma, as eleições europeias tendem a ser benéficas para pequenos partidos. A maior abstenção dá uma maior dimensão a partidos cuja base eleitoral é mais militante, o facto de não se eleger directamente um Governo favorece um voto de protesto contra o Executivo embora inconsequente na política interna e não existe o fantasma do voto útil. Usando o jargão dos comentadores políticos, revela-se mais o voto sincero em detrimento do voto estratégico. No meio de toda esta euforia nas hostes sociais-democratas que parece ter contaminado a análise política do país, vem-me à memória aquela que me pareceu ser a análise mais lúcida, precisamente de Miguel Sousa Tavares, que salientou que, quando se tratar de eleições para eleger Governo e de escolher entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, aí haverá certamente uma maior mobilização dos eleitores e os votos de protesto que ontem foram conhecidos poderão hipoteticamente ser canalizados de outra forma. Seja como for, os resultados de ontem certamente aguçarão o apetite pelos próximos meses da política nacional.
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Dever cívico
Não segui obviamente a campanha eleitoral para as Europeias da melhor maneira. De qualquer forma, do pouco que vi, a campanha foi fraca. Não se esperavam comícios absolutamente arrebatadores e mobilizadores e promessas de uma luz ao fundo do túnel, mas o que é facto é que para uma campanha para as Europeias talvez o debate se devesse centrar essencialmente nas questões europeias. Tirando a proposta avançada por Vital Moreira para a criação de um imposto europeia ou a de Miguel Portas para um reforço das verbas para pensões a nível europeu com dinheiro dos offshores e das transacções financeiras internacionais não me ocorre mais nenhuma proposta. Ficou-me mais na memória as insistentes trocas de recados entre PS e PSD, o caso BPN, o caso BPP, o cartão amarelo ou vermelho ao actual Governo. Pouco para uma campanha que se deveria destinar a questões europeias. Perante uma campanha fraca, com partidos mais interessados nas questões domésticas do que nas matérias europeias, a minha opção acabou por recair pelo voto em branco.


