O baú das canções: "O telefone chora"
Canonização
Canonizações à parte, D. Nuno Álvares Pereira é das mais interessantes figuras da História de Portugal. Alguém que ajudou a que este país caísse nas mãos dos espanhóis na sequência da instabilidade vivida entre 1383 e 85 contornando o pormenor de ser um filho varão de um rei a tomar conta do trono, que ajudou à vitória em Aljubarrota quando os espanhóis eram cinco vezes mais e que ainda andou mais alguns anos a escovar de vez quem queria tornar Portugal mais uma província espanhola é alguém que devia ser considerado um santo pelo povo português há já vários séculos. À canonização do último domingo chama-se a Igreja ir de encontro à verdade histórica.
Seis meses
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carlos paião morreu vivo
Sensação de déjà vu
Com o fim das carreiras dos jogadores emblemáticos e de um certo desvario na gestão do clube, as referências na modalidade foram-se perdendo e os títulos não regressaram à luz. Sem saber ainda o desfecho da presente época, salta à vista um dado: uma fase regular apenas com vitórias, algo nunca visto por cá. Alguns anos volvidos após o dream team de Carlos Lisboa, Mike Plowden ou Jean-Jacques, há razões para prestar mais atenção a João Santos, Ben Reed ou Elvis Evora e acreditar no regresso a tempos áureos para o basquetebol benfiquista.
Fim da sinusite
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Nem viril nem burguês
Castigo
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rtp 3
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Contorcionista
O triunfo dos anti-heróis
Susan Boyle estaria completamente nos antípodas do que seria um concorrente para um concurso de talentos na TV - 47 anos, sem atributos físicos, um estilo meio trapalhão, desempregada, solteira com um gato como companhia - o que motivou uma imediata reacção de escárnio assim que pisou o palco do Britain's Got Talent. Bastaram alguns minutos e uma actuação impressionante para virar o jogo e, num ápice, deixar de ser uma mera desconhecida para se tornar uma vedeta. Acreditamos que o mundo ainda tem salvação quando vemos os anti-heróis a triunfar desta forma.
Fazer História
Tenho andado arredado de números concretos sobre a dimensão da recessão, mas o Banco de Portugal apresentou uma contracção de 3,5%. A maior desde os tempos do PREC, em que cidadãos precavidos inundavam as dispensas de enlatados com receio de fim de stocks e em período de nacionalização de bancos. Para se ter uma ordem de grandeza, na década em que vivemos Portugal nunca assistiu a um crescimento superior a 2%. Um tipo olha para Vítor Constâncio e ouve uma coisa destas e a única coisa optimista que apraz pensar é que, ao menos, estamos assistir a um momento histórico, pelas piores razões é certo, para recordar dentro de anos.
Resquícios
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Sem idolatrar os suportes
Apesar de uma certa tendência da minha parte para a perpetuação da memória (por exemplo, dois terços da minha oferta blogosférica não têm outro objectivo que não esse) e da conservação de coisas cujo único atributo é precisamente o que diz respeito ao tempo que têm, estranhamente nunca idolatrei os chamados suportes: se é certo que comecei a ouvir música essencialmente graças às chamadas k7 audio - escapei por pouco ao vinil e o CD chegou-me às mãos um ou dois anos mais tarde - acredito que nem uma terá ficado para recordação de tempos em que se esperava alguns minutos para ouvir "aquela" música que apetecia no momento (e pensar que hoje basta um clique na lista de mp3) ou em que sucessivas gravações em duplos decks eram sinónimo de perda progressiva de qualidade no trabalho final. E, quando isso acontecia, por muito boa que fosse a cassete, não havia milagres a fazer. A esta falta de apego aos suportes sonoros - que só foram deitados fora depois de devidamente salvaguardado o respectivo conteúdo por outras formas - chama-se preferir a memória do essencial (a música) do que a evocação do suporte. O conteúdo das primeiras k7 - U2, Depeche Mode ou Queen - está bem, obrigado.
Apoio a Durão Barroso
Não possuo conhecimentos suficientes para saber se Durão Barroso foi ou não um bom presidente da Comissão Europeia, mas parece-me evidente que o debate fica inquinado à partida quando um Primeiro-Ministro de um país entende que é vantajoso ter no cargo um português, independentemente dos seus méritos à frente da União Europeia. O discurso provinciano de querer ter um português à força no cargo significa pensar mais no suposto prestígio do país do que propriamente no projecto europeu. Para além disso, significa um tiro no pé em termos eleitorais: para que Durão seja eleito, é necessário que o PPE seja o partido mais votado e, em Portugal, quem pertence a essa família política é precisamente... o PSD. Ainda assim, percebe-se a posição: não tivesse Durão Barroso decidido aceitar o cargo em 2004 e talvez José Sócrates não fosse actualmente o Primeiro-Ministro em Portugal.
De borla
O facto é que nunca li nenhum livro de Margarida Rebelo Pinto. Não por qualquer tipo de preconceito intelectual (alguém que pisca ao olho ao brega brasileiro ou à música romântica kitsch já terá perdido esses preconceitos há muito tempo), mas simplesmente porque nunca tive essa oportunidade. Hoje, no Sapo, vinha em destaque o blogue da autora e qual não é o meu espanto quando é anunciado um download gratuito da obra "Sei Lá". O .pdf já mora no meu disco rígido e a ele dedicarei algum tempo quando tal se proporcionar, não sem deixar aqui o meu feedback. Sem querer antecipar conclusões, quem é o tipo que não antecipa o caos ao ler um primeiro parágrafo como este ?
O que mais me chateia é quando perco a ponta — comentou a Luísa na sua voz distante e inexpressiva, de quem está sempre um bocadinho a leste. Mais uma vez tínhamo‑nos juntado as cinco para jantar em casa da Mariana e para variar, entre cada garfada de bolognesi atacávamos o nosso prato preferido: homens.
Investimento estrangeiro
O teu género
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O encontro
Perceber do assunto
Em 11 daquelas individualidades há algumas que, de uma forma ou de outra, se associam ao futebol, seja sob a forma do comentário desportivo, do dirigismo ou de demonstrarem publicamente de forma reiterada a preferência futebolística. Outras terão certamente uma relação mais recatada com os meandros futebolísticos. Julgar-se-ia que seria o primeiro grupo a ter mais representantes nos lugares cimeiros mas somos traídos pela lógica. No top dos comentários certeiros, vemos Rita Ferro, Teresa Caeiro e Nuno Melo. Para além da presença de dois deputados do CDS no pódio, vem também à cabeça o facto de nenhum dos três estar propriamente conotado de caras com o mundo da bola. Associação essa que é salva com o quarto lugar de Manuel Serrão. Em contrapartida, no fim da lista vemos Luís Nazaré (com ligações ao Benfica), Francisco José Viegas (que foi em tempos comentador de bola na televisão defendendo as cores do Porto) , e saltando Francisco Sarsfield Cabral, encontramos Rui Oliveira e Costa, que também se dedica ao comentário desportivo defendendo a facção sportinguista.
Tudo isto me faz lembrar uma sociedade de totoloto e totobola que tive numa empresa onde já trabalhei há uns anos, em que todos os membros podiam preencher uma coluna com previsões de resultados desportivos. Surpresa das surpresas - ou talvez não - quem conseguia ter um maior número de resultados acertados era precisamente quem pouco ou nada ligava ao fenómeno da bola, e que tinha o mérito de acertar nos resultados do Desportivo das Aves ou do Moreirense, mesmo que não soubesse o nome de mais do que de dois jogadores de qualquer um dos "grandes". O mundo do futebol é tramado e todos parecem ter um espírito de treinadores de bancada, mas talvez devêssemos começar a ouvir quem nada percebe do assunto.

