O baú das canções: "Kanimambo"


As canções que costumo evocar de vez em quando neste blogue quase nunca causam estranheza pela temática que abarcam: os barcos à vela dos Nevada, miúdos com o pai na prisão, a aldrabice intelectual do "Verde Vinho" e por aí fora. "Kanimambo" é diferente: já ouvi esta canção umas quantas vezes e admito que continuo a não saber bem o que o raio da música quer dizer, ouço falar em Kanimambo ambo, agradecimentos poliglotas e que tudo é Kanimambo. Se pode ser tudo, então o Kanimambo até pode ser os ténis que tenho calçados, o arroz de pato que comi ao almoço ou uma obra sobre Epistemologia. Talvez por isso, João Maria Tudela continua a ser o barão das canções para os portugueses que viveram em Moçambique nos tempos coloniais e esses terão contributos hermenêuticos bem mais profícuos sobre o tema. Quando a mim, que nunca pus os meus pés em África - dizer que já o fiz por já ter estado na Quinta do Mocho ou no Bairro 6 de Maio seria obviamente uma piada de algum mau gosto - resigno-me com a minha ignorância.

Redundar em ironias futebolísticas

Corria a época de 1995/96 e o Benfica, orientado pelo bonacheirão Mário Wilson, jogava no campo do Bayern de Munique a contar para a UEFA. Ainda com a regra do limite máximo de estrangeiros e em plena invasão do plantel por jogadas das mais variadas latitudes, era necessário uma ginástica mental forte para construir equipas para estes jogos. Resultado: o então naturalizado Paulo Pereira ficava encarregue de marcar Jurgen Klinsmann, que faria um hattrick num jogo que os bávaros ganhariam então por 4-1. Lembro-me perfeitamente de ver poucos dias depois escrito numa parede de uma rua lisboeta , curiosamente na zona onde actualmente resido, um lacónico "Merry Klinsmann, Benfica", exemplo acabado de que os desaires do Benfica fora de portas geram sempre um esfregar de mãoes de contentamento por parte de adeptos dos rivais, como atestam as reacções eufóricas em jornadas pouco gloriosas em competições europeias, bastando por exemplo citar a derrota recente com o Olympiakos. Curiosamente, hoje o Sporting sofreu uma mão cheia de golos do Bayern, orientado pelo mesmo Klinsmann que então terá dado tantas alegrias e saltos no sofá. Todos sabemos que ninguém é obrigado a torcer pelo rival em competições europeias - eu próprio não tenho por hábito fazê-lo - mas lançar foguetes com as derrotas desses rivais redunda sempre nestas ironias.

O caso de Jade Goody

A história de Jade Goody, assim que entrou no Big Brother britânico, há alguns anos atrás, poderia ter sido semelhante à da grande maioria dos concorrentes de "reality shows": do anonimato sairia para a ribalta, gozaria os píncaros da fama durante umas semanas ou meses e cairia no esquecimento com o tempo. No entanto, a participação que protagonizou e acabou por vencer foi o ponto de partida para se tornar uma figura pública no Reino Unido. Uma anónima vinda de uma família disfuncional de um qualquer subúrbio, sem qualquer talento em particular e com especial apetência para boutades (como não saber que em Portugal se falava português) conseguia transformar-se numa figura conhecida, à custa das polémicas alimentadas por tablóides e de novas participações em diferentes versões do Big Brother - tendo numa delas proferido comentários pouco abonatórias a uma concorrente indiana, o que acabaria por ajudar à vitória desta última.

Esta espécie de nova working class hero conseguiu ser o exemplo acabado das especificidades da cultura de massas: criou-se uma figura a partir do nada e essa figura conseguiu manter-se à tona e manter popularidade. Sem pejo em expor publicamente a sua intimidade, acabou por manter-se fiel a si mesma mesmo depois de saber que uma doença terminal iria acabar por lhe tirar a vida. Expôs as imagens do sofrimento e decidiu leiloar as imagens os últimos dias de vida e as imagens do casamento. Muito dinheiro que , segundo a própria, reverterá para o futuro dos filhos.

A cultura de massas tem a particularidade de trazer à tona cada vez mais casos de estudo e de desbravar sempre novos tabus. Se, há 10 anos, um Big Brother parecia coisa do diabo, é de forma quase enternecedora que hoje se recorda a ingenuidade dos primeiros concorrentes a participar no programa. E por aí adiante: a Ilha da Tentação parecia uma coisa quase freudiana, os Acorrentados uma paródia sado-masoquista, o Bar da TV uma amálgama de suburbanidade, sangue na guelra e conversas meio badalhocas. Voltando a Jade Goody, também aqui um poderoso dilema ético se levanta: se por um lado, é criticável que a próprie crie um circo em torno dos seus últimos dias de vida e que haja um interesse meio mórbido da parte de media e público, ninguém pode ser criticado por querer assegurar um bom futuro aos filhos antes de morrer. E não deixa de ser irónico que alguém que se catapultou para a ribalta graças ao circo mediático vá tirar dividendos a esse mesmo circo mesmo com a sua morte. Pelo meio, aumentaram os rastreios ao cancro e também as doações de particular para investigação. O futuro dirá se Jane ficará como um triste caso de circo mediático ou como um ícone pop.

Por antecipação

Por volta das 3 da tarde portuguesas é possível assistir aos programas da manhã no Brasil através dos canais do cabo. Manhãs animadas recheadas de informação, com tiroteios, homicídios, raptos e demais azares do comum cidadão transformadas em matéria noticiosa, que gera um sentimento que do lado de lá do Atlântico se vive no Faroeste. Começa por estes dias o canal de notícias da TVI. Não sei se é pelo estilo Correio da Manhã dos alinhamentos dos seus noticiários, se pelo tempo de antena que é dado aos porta-vozes mais arruaceiros do jornalismo mais próximo do cidadão como Hernâni Carvalho - que consta que será candidato autárquico dentro de meses, o que não causa estranheza - ou pela pressão das audiências num mercado audiovisual cada vez mais competitivo, mas a ideia que me dá é que o novo TVI 24 certamente nos proporcionará muitos momentos como os oferecidos pelas manhãs da TV Record. Dentro de dias verei se é verdade ou se sou eu armado em Nuno Rogeiro.

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O pequeno interregno

A minha aversão ao Carnaval virá certamente já dos tempos em que me mascarava de forma muito pouco convincente de cowboy - uma camisa de flanela, um chapéu em plástico com um tempo de vida curto, uma pistola e um coldre mal amanhados - algures no meio de zorros, princesas, futebolistas ou punks também de eficácia duvidosa. Hoje, o próprio conceito da coisa em Portugal me parece um pouco descabido: travestis de 3ª divisão em Torres Vedras, desfile de escolas de samba em pleno Inverno (algo tão lógico como ir à Serra da Estrela em Agosto à procura de neve), o ressuscitar anual do termo "folião" (nem que o dito cujo seja alguém que pacatamente se sente numa bancada a ver passar os tais desfiles) ou tempos em que o Alberto João Jardim aparecia de cuecas na capa do Tal & Qual.

Esta aversão ao Carnaval teve apenas um pequeno interregno, quando com 12 ou 13 anos me dediquei, durante dois carnavais, ao mundo da pirotecnia carnavelesca que fazia os furores de qualquer rapazola imberbe: bombinhas da china, estalinhos, foguetes, "abelhinhas", bombinhas de mau cheiro ou até uns foguetes em miniatura, que apetrechavam os stocks de qualquer respeitável papelaria e cujo acesso era relativamente fácil apesar das proibições - meramente teóricas, diga-se de passagem - e cujo efeito visual, associado ao sentimento de transgressão, era algo que propiciava algum prazer. Toda esta abordagem inicial ao mundo da pirotecnia não constituiu, felizmente, qualquer tipo de porta de entrada para o que quer que fosse dentro deste campo, a não ser para estórias que tanto tinham de bizarras na altura como de cómicas recordadas hoje em dia.

Obras

O Parlamento Global tem acompanhado os últimos meses de obras da Assembleia da República (ver aqui) com um dossiê especial dedicado ao tema. A melhor forma de promover a imagem do Parlamento é fazer dele palco para um espécie de «Querido, mudei a casa».

Pela primeira vez

Estórias de enfermeiros com contratos de trabalho um pouco ambíguos mesmo trabalhando para o Estado, um médico ucraniano mais interessado que o meu pai ou a minha mediadora de seguros em detalhes pouco abonatórios da minha vida, um questionário com perguntas pertinentes como "alguma vez recebeu dinheiro para ter actividade sexual?" ou "já alguma vez teve alguma relação homossexual?", relatos de desmaios mal determinadas pessoas vêm uma agulha, sandes de fiambre ou queijo devidamente acompanhadas por sumos de melocotón de marca duvidosa. Em suma: hoje fui dar sangue pela primeira vez.

Cheguei há bocado do Pavilhão Atlântico

O concerto dos Oasis a que hoje (ontem) assisti foi certamente bastante melhor do que o último que assisti deles - 20 ou 30 minutos de música misturados de garrafas de água vazias vindas de todos os lados - e talvez um pouco melhor do que o penúltimo, em 2000 na Praça Sony. Se, em bom rigor, alguns vícios continuam lá - Liam Gallagher vai marcando pontos numa certa arrogância que é a sua imagem de marca e mantém aquela estranha mistura de estrela rock com arruaceiro de pubs suburbanos e agora com patilhas à lenhador, Noel Gallagher continua certamente a achar que é o maior músico vivo e os restantes elementos acabam quase por servir como contraponto à personalidade dos manos Gallagher - notei que há um entusiasmo um pouco maior nas actuações e uma vontade de querer aumentar a empatia com o público. Para além disso, ao nível de iluminação e efeitos visuais, a coisa esteve bem. Ainda assim, no que respeita ao alinhamento, embora seja compreensível que o último disco tenha tido alguma preponderância, parece-me que faz pouco sentido a continuação da colagem excessiva a "Definitely Maybe" e "Morning Glory", que terão preenchido possivelmente metade do alinhamento. Resultado: três álbuns (os Oasis têm um total de sete de originais) fizeram seguramente três quartos do concerto. Houve pouco dos restantes quatro: "Lyla", "The importance of being idle", "The Masterplan", "Songbird" e pouco mais. De "Be here now" e "Standing on the shoulder of giants" nem uma música.

Se dos Oasis não se deve esperar espectáculos absolutamente memoráveis, este concerto cumpriu as expectativas. A banda seguiu um alinhamento relativamente previsível, fez por cativar o público e tocou as músicas que a maioria quereria ouvir. Da minha parte, até podia apontar alguns defeitos, mas - que diabo! - há oito anos que não via esta rapaziada ao vivo. Só por isso, valeram a pena os 32 euros do bilhete.

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nome das 30 primeiras musicas 2009
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Hoje acordei particularmente bem disposto...

Contabilidade e fiscalidade

No périplo que José Sócrates, na qualidade de Secretário-Geral do PS, tem feito pelo país, uma das medidas que o próprio considerou como tendo uma marca de Esquerda foi a redução das deduções de IRS das classes tidas como mais altas, em benefício da classe média. À primeira vista, soa como uma medida que teria alguma componente de justiça social, dado que a classe média tem sido das mais prejudicadas ao longo dos últimos anos, sobre a qual parece recaído o ónus da resolução dos problemas orçamentais no país.

As reacções fizeram-se sentir de vários quadrantes. Oposição, comentadores políticos e economistas fizeram saber que a medida era essencialmente demagógica e criada mais como propaganda ideológica barata, já que não iria acabar com as desigualdades sociais no país. Hoje, um interessante artigo no Expresso levanta uma importante questão: a medida irá apenas voltar a penalizar os rendimentos de pessoas que, é certo, ganham bastante mais do que o normal, mas cujos rendimentos são obtidos através do trabalho. De acordo com dois fiscalistas entrevistados, teria bastante mais lógica a tributação de rendimentos obtidos através de ganhos nos mercados de capitais, ao invés de ir buscar dinheiro ao trabalho. Uma medida que sempre me pareceu perfeitamente sensata: se qualquer um de nós ganhar, por exemplo, 1000 euros com o seu trabalho, ficará imediatamente sem uns 200 ou 300 euros, em virtude da tributação de que o seu trabalho é alvo, mas se ganhar os mesmos 1000 euros com compra e venda de acções, nada terá de pagar ao Estado. O mesmo podendo ser aplicado a empresas, que geram riqueza e empregos, que são obrigadas a pagar toda uma série de contribuições ao Estado, a começar no próprio IRC, mas se tais valores envolverem José Berardo e a sua estratégia de especulação bolsista (a quem a banca até emprestou dinheiro para comprar acções), parece que o erário público fica a perder no caso deste último. Sendo relativamente evidente que é quem já tem dinheiro quem consegue ganhar ainda mais dinheiro através dos mercados bolsistas, assim se vai criando uma classe de pessoas muito ricas sem quaisquer obrigações tributárias.

A tributação destas ordens de compra e venda em bolsa (nada de especialmente novo para quem se dedica a estes negócios, dado que já paga comissões ao banco de que é cliente) seria uma especial marca de esquerda na actual governação, especialmente apreciada em ano de eleições, ao invés de medidas técnicas tomadas ao nível de IRS, que a maioria da população tem alguma dificuldade em perceber. Numa altura em que cresce a desconfiança dos eleitores em relação à relação entre poder político e alta finança - basta ver a intervenção estatal no BPN e BPP - seria um efectivo sinal de justiça fiscal e, mais importante do que isso, económica e social.

Bock


O nome de Fernando Oliveira será certamente pouco nos meandros do futebol português. A alcunha "Bock", nome pelo qual ficou conhecido no mundo do futebol, talvez ajude a refrescar a memória. Não de todos os adeptos, claro está, mas daquilo a que se chama o público especializado de futebol, aquele que conhece a segunda liga ou cujo nome suscita uma vaga lembrança nos jogos de Championship Manager.

A verdade é que Bock tem tido um percurso singular no futebol português. Formado nas escolas do Porto, clube de onde saiu em meados da década de 90, construiu uma regularíssima carreira ao serviço dos clubes das divisões secundárias. Percorrendo a maior parte da sua carreira ao serviço do Freamunde, foi também alargando o currículo a outros nomes de peso dos escalões secundários - Gondomar, Vizela, Trofense ou Leixões, estes últimos em tempos em que não andavam na Superliga.

Toda a carreira de Bock, jogador que já conta com 33 anos, suscita obviamente algumas questões. A primeira é o facto de nunca ter jogado em clubes que não fossem no Norte. A segunda é o porque de este jogador nunca ter dado o salto para um clube da Primeira Liga, o que obviamente seria chamado de um figo pelos jornalistas desportivos da pátria - alguém imaginaria as manchetes ou títulos que seriam possíveis com um nome destes, como "(adversário passou) um mau Bockado" ou o inevitável "Super Bock"? - e que suscita também o inevitável exercício de inteligência abstracta. Se , no auge da sua carreira, Bock tivesse saído do Freamunde (clube onde conta com 6 épocas, distribuídas por 3 momentos distintos) para ir para um Salgueiros ou Rio Ave? Seria uma opção para um qualquer José Romão ou Vítor Oliveira tentar virar o resultado nos últimos 10 minutos de jogo ou seria um jogador que deixaria a sua marca na primeira divisão? Tal como muitos portugueses, mais ou menos apegados a um emprego, a uma cidade ou a uma zona geográfica, também Bock simboliza esse lado mais familiar da vida. Bock, no fundo, é o símbolo futebolístico desse lado mais familiar do povo português. Um de nós, portanto.

Encher chouriços

Hoje, 6h40 da manhã à espera do autocarro na paragem, com todo o estado de sonolência e frio a percorrer o corpo que a hora acarreta. Um senhor quase com 70 anos está à espera do autocarro e, de repente, chega outro mais ou menos da mesma idade. O primeiro está de fato e gravata, o segundo de fato de treino. Eram o que tecnicamente se chama de "conhecidos" - tratam-se por você, encontram-se por acaso nas ruas das redondezas de tempos a tempos - e conseguem em cinco minutos fazer uma conversa com os mais fantásticos "lugares comuns" e técnicas de "encher chouriços" que tive o prazer de ouvir até hoje: "o que interessa é estar tudo bem", "o que interessa é ter saúde", "uns dias melhor, outros pior", "desde que a gente lá consiga ir andando, isso é que interessa". No meio de tudo isto, fiquei com uma inveja extraordinária destes senhores. Não me refiro à jovialidade, ao encontrar razões para estar acordado a uma hora daquelas mesmo estando reformados ou às caminhadas feitas de madrugada, mas à extraordinária capacidade para alimentar conversas sem dizer praticamente nada de substancial. Suscita a dúvida imaginar a quantidade de vezes que protagonizaram estes pitéus linguísticos. Acho que é a isto que se chama experiência de vida.

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filipa sabrosa no circo com os filhos
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pingo do nariz
mantenha a sua superioridade
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A gaffe

O conceito de gaffe é particularmente explorado nos dias que correm. Basta olhar para a comunicação social e perceber o filão de notícias que são os lapsos no discurso de políticos ou outros actores da vida do país e do Mundo, o que ajuda a perceber de que forma George W. Bush será recordado no futuro ou como alguns comentadores ou jornalistas desportivos ficaram mais para a posteridade do que outros. Sou pouco dado a estas gaffes, a frases mal pensadas, a meter a pata na poça de forma flagrante. Mas hoje, qual episódio murphyológico em pleno emprego, calhou-me a mim incorporar o conceito. Num simples acto comunicacional e à distância às mais altas esferas da empresa onde trabalho, bastou um distracção de segundos para trocar alhos por bugalhos e suscitar reacções entre o riso, a estupefacção e a inevitável tendência para o enxovalho que a desgraça alheia provoca. A velha metáfora do "buraco onde me enfiar" e do "galo" nunca me pareceram tão apropriadaas como hoje. E por uma tarde, senti-me uma espécie de Manuela Ferreira Leite do mundo da tecnologia.

Porrada neles!



O facto de ter andado num curso de Comunicação faz com que me tenha habituado a ver alguns antigos colegas a tornarem-se figuras um tanto ou quanto conhecidas, designadamente por terem ido para a rádio ou para a televisão. Por isso, aquele sobressalto que normalmente sentimos quando ouvimos ou vemos alguém que já conhecemos na rádio ou na televisão é algo a que fui ganhando um certo hábito.

Se, em bom rigor, é tão normal andar em Comunicação e ver antigos colegas na rádio ou na televisão como ter cursado Direito e rever antigos colegas em escritórios de advogados ou ter estudado Antropologia e ver os antigos colegas no desemprego, a coisa muda de figura quando vemos aqueles de quem já éramos amigos bem antes de irem para a faculdade nestas andanças televisivas. É o caso do meu amigo João Seixas, que por defeito profissional aos poucos se foi tornando um especialista em Wrestling, o que faz dele uma espécie de Nuno Rogeiro dos espectáculos de porradaria Made in USA. Tem agora a sua tribuna com um espaço de comentário com o regresso do Wrestling na Eurosport. Conceda-se que o Wrestling pode até nem ser um desporto, que aqueles rapagões em cima do ringue são depósitos ambulantes de esteróides ou que é um espectáculo incluído num package de entertenimento que os americanos vão enviando massivamente para o resto do mundo, mas - que diabo! - não deixamos de sentir uma ponta de orgulho quando vemos um amigo ir para a frente do campo de batalha do comentário desportivo. Felizmente, do lado de cá do ringue.

O baú das canções "Easy come and go"



O conceito de Hard Rock teve poucos representantes em Portugal. No entanto, por volta de 92 ou 93, os Joker conseguiram durante algum tempo ser as grandes figuras do género em Portugal, numa altura em que a percentagem de bandas nacionais a cantar em inglês era bastante alta - arrisco mesmo que poucas seriam as bandas novas a cantar na nossa língua. A canção "Easy come and go", a que se seguiriam "Little Susie" ou "Lust for change", pôs os Joker e o álbum "Ecstasy" no mapa, embora por pouco tempo, para depois cair no esquecimento. Enfim, mais uma daquelas canções que só será lembrada por alguém já sem idade para usar cartão jovem.

Petições

Por curiosidade, depois de andar a lançar o mote para a petição destinada a pedir a continuidade do Programa do Aleixo, regressei ao site Petição.com.pt . Os meus receios a propósito de qualquer site com caminho livre para lançar petições obviamente que têm razão de ser. Se é um facto que há aquelas petições mais ao menos óbvias, remetendo para questões de maior relevo, como a Educação, o aeroporto do Porto ou os amigos do Manuel Alegre, não é menos verdade que este site acaba por ser o fiel depositário das ideias mais extraordinárias e o exemplo quase extremo do princípio consagrado na Constituição do Direito de petição e direito de acção popular: se há a petição pelo dia do Benfica, também há quem deseje remeter o mesmo clube para a 3ª Divisão, há os fãs do World of Warcraft a pedir um server em Portugal, uma petição sobre os Trabalhos de Casa, o fim das lojas chinesas (e há lá um que até deixa a morada), quem peça o Manu Chao na Festa do Avante, o alerta para comida e bebida grátis para todos, o apoio ao estilo de dança do Steve Cordeiro ou uns malandros que querem correr com o Paulo Luís dos jogos de terça-feira. Não estaria a ser coerente com os meus princípios se não assinasse as últimas três petições. Foi o que fiz.

Agradecimento à nação sueca

Estes saldos têm sido um fartote. Não só por ter mais algum dinheiro disponível para gastar este ano em comparação com os anteriores, mas porque tenho aproveitado de forma implacável os saldos da H&M, passando pela fase sensata (aproveitar os saldos a 50% para comprar coisas de que estivesse eventualmente a precisar) e acabando em dias como hoje a comprar de forma irracional (saldos a 70%, o que quase obriga a comprar coisas, porque são quase dadas). Alguns pullovers, camisas aos pontapés e até um sóbrio blazer directamente da H&M do Colombo para o meu recheado armário. Neste fim-de-semana, fui ao IKEA no último dia de uma promoção em que a compra de um edredon dá direito a 50% na capa, nem mais nem menos aquilo que procurava. Por estes dias, pergunto-me o que seria de mim sem aquilo que a nação sueca nos põe à disposição e, como forma de agradecimento pela panóplia de ofertas e descontos que tenho recebido nestas lojas, estava quase na disposição de tirar uma fotografia igual à de cima.

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A petição


Este blogue é conhecido por não virar as costas aos grandes problemas que o país enfrenta. Daí pedir-vos para que assinem a petição on-line para o regresso do Programa do Aleixo. Obrigado.