Picar o ponto
Eu, que gosto de muitas bandas e músicos, tenho para mim que não é a mesma coisas gostar de Oasis ou gostar de outra banda qualquer. Não pela música, pelos fãs, pelos videoclips ou pelos concertos. Mas porque gostar de Oasis significa quase trazer às costas toda a má fama da banda e ter de responder com toda a diplomacia possível às perguntas envolvidas num manto de espanto e de escánio sobre como é possível eu gostar deles, o que faz de mim uma espécie de irredutível gaulês num império romano onde dizer mal de Oasis é já lugar-comum. Flagrante exemplo foi o atribulada presença da banda em 2000 no Sudoeste, com o concerto a acabar ao fim de 20 minutos - resta acrescentar que fiz 5 horas de viagem num autocarro de propósito para assistir ao concerto - graças a uma das mais flagrantes faltas de civismo a que assisti até hoje, o que serviu de mote para ser alvo de algumas graçolas sobre o tema ao longo de alguns meses.
Independentemente dos números de vendas de discos, de longevidade de carreira, de espectadores nos concertos ou da já certificada intemporalidade de algumas das suas canções desde há 15 anos, o que acaba por vir invariavelmente à memória da maioria das pessoas é a pretensa arrogância dos membros da banda, os sistemáticos casos em que se vêm envolvidos, as pretensas rivalidades com outros músicas sejam elas reais (Robbie Williams) ou fabricadas pela imprensa (Blur). Eu, que respeito as diversas facetas de todas as figuras públicas, tenho como indiferente tudo o que gira à volta da banda e que não diga respeito à música propriamente dito. E, se bem que se instalou a ideia de que não fizeram nada de jeito nos últimos anos - o hype em torno do brit pop, que os ajudou a trazer para a ribalta, acabou há muito tempo - têm conseguido lançar discos e construir uma carreira que, pelo menos, não desilude quem os segue há muito, como é o caso deste vosso escriba. Assim sendo, é fundamental picar o ponto quando assim se justifica: dia 15 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico.
"Igualzinho"
O facto de o meu actual emprego ser perto da universidade onde estudei permite ver de vez em quando algumas figuras com quem me cruzei durante vários anos. Não os alunos - que já não andam lá - , não os professores - que entram discretamente nas instalações ao volante de carros, quase sempre de boas cilindradas - , mas os funcionários, que na sua maioria serão os mesmos de há 10 anos. Ontem encontrei na paragem de autocarro um funcionário de um dos bares da universidade. Eu, que nunca nutri grandes confianças com empregados de bares, restaurantes ou snack-bares, acabei por conhecer tal indivíduo por uma razão muito particular: nos meus primeiros dias de licenciatura, tal figura dirigiu-se à minha pessoa e perguntou-me se tinha algum irmão gémeo, um irmão não-gémeo ou algum familiar muito parecido. Após a minha resposta negativa, explicou o motivo da pergunta: eu era "igualzinho" (palavras do próprio) a um tipo que tinha feito a tropa com ele. Só por isso, merecia o seu respeito. É bem possível que eu seja capaz de suscitar algumas associações semióticas a algumas pessoas, mas desconheço outra pessoa para quem a minha pessoa suscite este tipo de memórias bélicas misturada com outros marialvismos típicos do tempo da tropa.
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Danos materiais
O mau tempo que se instalou nas últimas semanas no país têm provocado inúmeros estragos. Assinaláveis, por sinal. Hoje, também tive os meus danos materiais provocados pelo vento: um edredão colocado no estendal para apanhar um bocado de ar (matar ácaros e quejandos) não terá ali durado mais do que 10 minutos. Pena eu só ter dado por isso ao fim de uma hora, quando já nem sequer havia qualquer edredão no estendal, como o mesmo não andava pelas redondezas, o que atesta que algum espertalhão terá hoje uma colecção de roupa de quarto mais recheada. Se é certo que o mesmo edredão estava longe de gerar simpatia da minha parte, que não terá sido propriamente caro e que até me dá um motivo para comprar uma coisa mais ao meu gosto, é um facto: era o único que tinha e o Inverno ainda nem sequer vai a meio.
Boi
Entre o mais variado vernáculo insultuoso, o termo boi tem ganho algum protagonismo nos últimos anos. Percebe-se o porquê: o "Ó boi!" tem uma panóplia de usos, que tanto podem ser aplicados em desavenças no trânsito, em epítetos lançados ao árbitro de um jogo de futebol ou na descrição de um jogador com elevados índices de contacto físico no seu jogo (assim tipo Fernando Aguiar), mas também pode ser usado como um "Então, pá?" por amigos que já não se encontram há algum tempo. A versatilidade do seu uso, bem como a quantidade de metáforas sugestivas - o boi enquanto símbolo de força, mas também de falta de inteligência ou até o próprio animal associado à vítima de infidelidade feminina - faz, portanto, com que o termo esteja na moda. Desconheço qual o simbolismo do boi na cultura chinesa - em bom rigor, tamém sou incapaz de dar qualquer contributo hermenêutico no que respeita a todos os outros - mas que fique assinalado: começa hoje o ano chinês do boi.
Pullovers finos
Por norma, frequento apenas lojas de roupa durante o período dos saldos. Por isso mesmo, fico a par das modas que as lojas tentam lançar para o mercado apenas quando essas mesmas modas ficam a metade do preço ou, vá lá, com descontos de 30%. Nesse aspecto, as mulheres têm mais com que se entreter, pois parece que as coisas entram e saem de moda com mais facilidade, o que é certamente um foco de angústia antes de sair de casa mas também um desafio para todas as mulheres preocupadas em estar na tendência. Adiante, daquilo que vi das lojas da praxe é que há um velho clássico do vestuário que voltou em maior força: o pullover fino. Não um pullover clássico como o conhecemos, mas o mesmo pullover com a espessura de uma t-shirt mas feito obviamente de um outro material cujo nome agora não me ocorre. Se bem que os ditos já andassem por aí a pulular há muito tempo, a memória mais consistente que tenho deles é essencialmente fotográfica, ou seja, fotografias familiares na década de 70, da qual obviamente não tenho qualquer tipo de memória física. E esta década terá sido talvez a melhor do ponto de vista de roupas e afins, basta compará-la, por exemplo, com a de 80 - mulheres de blaser, cores garridas, a pirosice levada ao extremo - ou de 90 - pullovers ridículos, camisolas de flanela ou camisas de ganga enfiadas sempre por dentro das calças - para se perceber que a argumentação é válida.
Eu, que percebo tanto de guarda-roupa quanto George W. Bush de geoestratégia, devo dizer, no entanto, que esta gama de pullovers é das melhores coisas que foram inventadas para o público masculino. Em primeiro lugar, quase sempre são feitas num estilo sóbrio, lisas ou com riscas, o que inviabiliza a hipótese de cair na piroseira. Em segundo lugar, são relativamente baratas (15€ na H&M ou por metade do preço se forem uns vivaços e apanharem uns nos saldos, mas não custará muito mais noutros sítios). Em terceiro lugar, são o truque ideal para quem não quer passar camisas a ferro e quer continuar a usá-las, o que é uma notícia notável para preguiçosos que querem parecer tipos fashion. E, pensando a prazo, tem também uma notável vantagem temporal: dificilmente alguém se envergonhará daqui a 10 anos envergando um destes pullovers, um pouco como as intemporais t-shirts das Adidas.
Eu, que percebo tanto de guarda-roupa quanto George W. Bush de geoestratégia, devo dizer, no entanto, que esta gama de pullovers é das melhores coisas que foram inventadas para o público masculino. Em primeiro lugar, quase sempre são feitas num estilo sóbrio, lisas ou com riscas, o que inviabiliza a hipótese de cair na piroseira. Em segundo lugar, são relativamente baratas (15€ na H&M ou por metade do preço se forem uns vivaços e apanharem uns nos saldos, mas não custará muito mais noutros sítios). Em terceiro lugar, são o truque ideal para quem não quer passar camisas a ferro e quer continuar a usá-las, o que é uma notícia notável para preguiçosos que querem parecer tipos fashion. E, pensando a prazo, tem também uma notável vantagem temporal: dificilmente alguém se envergonhará daqui a 10 anos envergando um destes pullovers, um pouco como as intemporais t-shirts das Adidas.
20.01.2009
Não me lembro de presenciar muitas datas particularmente marcantes para a História da Humanidade, mas recordar, por exemplo, a queda do Muro de Berlim ou o 11 de Setembro é ter presente a ideia que imediatamente se instalou de que o mundo não seria mais o mesmo a partir daí, o que acabou por se provar que era verdade. Como, por norma, há uma tendência para se assinalar a História pelo lado positivo - por exemplo, os feriados nacionais assinalam datas consideradas como relevantes no bom sentido para os respectivos países - normalmente as datas marcantes são consideradas pontos de viragem e onde se instala a esperança, por vezes legítima outras vezes quase mística, de que para a frente virá tudo de bom.
A tomada de posse de Barack Obama e o interesse com que foi seguida em todo o mundo pareceu hoje adquirir a dimensão de uma data histórica, pelo culminar de todo um processo que ajuda a criar uma aura quase messiânica em torno do novo presidente dos Estados Unidos - por ser o primeiro negro a presidir a aquele país, pelo grau de improbabilidade com que partiu em campanha, pelo legado de Bush, pela difícil situação económica que transbordou da América para o resto do Mundo, pelo seu carisma ou pelos dons de oratória. No fundo, toda uma série de desejos e de mudanças sociais acabaram por se cristalizar numa só figura, que iniciou hoje o seu percurso. E também hoje, apetece dizer que se passou um dia que não será um pormenor na História.
A tomada de posse de Barack Obama e o interesse com que foi seguida em todo o mundo pareceu hoje adquirir a dimensão de uma data histórica, pelo culminar de todo um processo que ajuda a criar uma aura quase messiânica em torno do novo presidente dos Estados Unidos - por ser o primeiro negro a presidir a aquele país, pelo grau de improbabilidade com que partiu em campanha, pelo legado de Bush, pela difícil situação económica que transbordou da América para o resto do Mundo, pelo seu carisma ou pelos dons de oratória. No fundo, toda uma série de desejos e de mudanças sociais acabaram por se cristalizar numa só figura, que iniciou hoje o seu percurso. E também hoje, apetece dizer que se passou um dia que não será um pormenor na História.
João Aguardela (1969-2009)
Pessoas com idade ou memória musical suficiente não terão dificuldade em lembrar-se dos Sitidos, grupo que nos anos 90 teve o mérito de incorporar uma certa tradição musical portuguesa na música que o grande público, em particular o mais jovem, ouvia. João Aguardela foi provavelmente o nome mais sonante do ambicioso e original projecto, que trouxe para a ribalta hits como "Vida de Marinheiro", "Circo", "Outro parvo no meu lugar" ou "O triunfo dos electrodomésticos". Os últimos anos anos de Aguardela foram preenchidos com outros projectos, sendo A Naifa o mais conhecido. Para a história fica alguém que soube evitar atalhos e trilhar caminhos difíceis na música e que certamente terá o seu trabalho reconhecido mesmo depois de partir. Pela parte que me toca, posso indubitavelmente dizer que foi ele que cantou algumas das melhores músicas que ouvi em português.
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ELUDRIL DIFERENÇAS ELGYDIUM
vestuário 1980 and portugal
onde comer cachupa bar ilegal lisboa
hi5 ricardo gonçalves, 19 anos
primeira musica 2009
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Feira Nova-Odivelas Parque Hi5
assistentes luciana abreu programa infantil
RTP 5
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As angústias
Estive ontem umas cinco horas à volta de uma mesa num restaurante. Acredito que já o tenha feito muitas vezes em jantares onde a vontade de me levantar tenha sido toldada por algum álcool ingerido a mais, mas ontem fi-lo por ter estado a almoçar num restaurante cujo serviço assenta em dois vectores: o facto de ser buffet e portanto cada um põe o que quiser num prato e também o facto de esse acesso ser ilimitado, a chamada comida à descrição.
Este conceito do "comer tudo quanto possa", baluarte de alguns restaurantes famosos da praça, é de facto enganador e também portador de angústias. Porque o nosso sistema digestivo não é, de facto, um poço sem fundo por muito que quiséssemos o contrário quando vamos a este tipo de restaurantes. É inevitável que a alarve vontade de comer esbarra invariavelmente no momento em que queremos pôr na boca um último camarão ou uma última colher de mousse de chocolate enquanto arrotamos o pimento de há 2 horas e meias e sentimos que temos o estômago prestes a recebentar. O limite que a nossa condição humana impõe esbarra invariavelmente no irresistível apelo a comer mais um pouco porque não pagamos mais por isso e porque há que fazer render o peixe - não o peixe que comemos algures depois de uma farinheira e antes de uns ovos de codorniz, mas o peixe enquanto factura a pagar. E nem a promessa de podermos ter mais tarde acesso aos digestivos que quisermos dá mais ânimo, porque nem para os ditos cujos encontramos espaço. Todas estas angústias que nos povoam no momento em que deixamos de acreditar que somos uns super-homens da deglutição alarve acabam por fazer deste tipo de sítios locais a visitar muito raramente, sob pena de nos baixar a auto-estima.
Este conceito do "comer tudo quanto possa", baluarte de alguns restaurantes famosos da praça, é de facto enganador e também portador de angústias. Porque o nosso sistema digestivo não é, de facto, um poço sem fundo por muito que quiséssemos o contrário quando vamos a este tipo de restaurantes. É inevitável que a alarve vontade de comer esbarra invariavelmente no momento em que queremos pôr na boca um último camarão ou uma última colher de mousse de chocolate enquanto arrotamos o pimento de há 2 horas e meias e sentimos que temos o estômago prestes a recebentar. O limite que a nossa condição humana impõe esbarra invariavelmente no irresistível apelo a comer mais um pouco porque não pagamos mais por isso e porque há que fazer render o peixe - não o peixe que comemos algures depois de uma farinheira e antes de uns ovos de codorniz, mas o peixe enquanto factura a pagar. E nem a promessa de podermos ter mais tarde acesso aos digestivos que quisermos dá mais ânimo, porque nem para os ditos cujos encontramos espaço. Todas estas angústias que nos povoam no momento em que deixamos de acreditar que somos uns super-homens da deglutição alarve acabam por fazer deste tipo de sítios locais a visitar muito raramente, sob pena de nos baixar a auto-estima.
O síndrome PMC
Hoje dei de caras com uma notícia sobre o Pedro Matos Chaves. A notícia é irrelevante para o caso, o que interessa mesmo é que falava do Pedro Matos Chaves, figura do automobilismo português de que não ouvia falar há muitos anos. Como em relação a quase todas as figuras do automobilismo luso, pouco teria eu para dizer em relação a Matos Chaves, não fosse a sua passagem pelo circo da Fórmula 1, durante o ano de 1991 ao serviço de uma equipa chamada Coloni. Nessa altura, tínhamos um piloto que não tinha qualquer tipo de protagonismo na prova principal do automobilismo - basta pensar que não conseguiu qualificar-se para um único grande prémio - mas podíamos ao menos dizer que havia um português na competição, coisa de que nem todos os países se podiam orgulhar.
Imaginar Pedro Matos Chaves na Fórmula 1 no longínquo ano de 1991, ao lado de figuras como Ayrton Senna, Nigel Mansell ou Riccardo Patrese, quase pode remeter para o arquétipo do pequeno no meio dos grandes, aqueles que conseguem ou conseguiram por momentos figurar ao lado de grandes nomes. O futebol está cheio de casos desses - basta pensar que Marcos Paulo já jogou na equipa de Cristiano Ronaldo, que Secretário envergou a camisola do Real Madrid ou que Rui Óscar foi campeão nacional ao serviço do Porto - mas podemos ir a outros desportos e pensar no sururu que se gerou com a possibilidade de Betinho Gomes ter ido para a NBA e de nos idos dos anos 90 Carlos Lisboa ter recebido uma proposta para o campeonato norte-americano ou da participação da selecção portuguesa no último mundial de râguebi. Todos nós temos alguém na vizinhança que já trabalhou na limpeza na casa de algum ministro, um primo ou tio afastado que jogou um dia contra o Eusébio, um familiar que trocou palavras com um antigo presidente dos Estados Unidos ou alguém cuja banda abriu um dia um concerto para um grande nome do rock português. Em suma, todos nós conhecemos um Pedro Matos Chaves.
Imaginar Pedro Matos Chaves na Fórmula 1 no longínquo ano de 1991, ao lado de figuras como Ayrton Senna, Nigel Mansell ou Riccardo Patrese, quase pode remeter para o arquétipo do pequeno no meio dos grandes, aqueles que conseguem ou conseguiram por momentos figurar ao lado de grandes nomes. O futebol está cheio de casos desses - basta pensar que Marcos Paulo já jogou na equipa de Cristiano Ronaldo, que Secretário envergou a camisola do Real Madrid ou que Rui Óscar foi campeão nacional ao serviço do Porto - mas podemos ir a outros desportos e pensar no sururu que se gerou com a possibilidade de Betinho Gomes ter ido para a NBA e de nos idos dos anos 90 Carlos Lisboa ter recebido uma proposta para o campeonato norte-americano ou da participação da selecção portuguesa no último mundial de râguebi. Todos nós temos alguém na vizinhança que já trabalhou na limpeza na casa de algum ministro, um primo ou tio afastado que jogou um dia contra o Eusébio, um familiar que trocou palavras com um antigo presidente dos Estados Unidos ou alguém cuja banda abriu um dia um concerto para um grande nome do rock português. Em suma, todos nós conhecemos um Pedro Matos Chaves.
Pingo no nariz
Por estes dias, tenho estado engripado. Coisas chatas, como mandar três espirros em 30 segundos ou gastar uma embalagem de 10 lenços num dia, que já não são a primeira vez que me acontecem neste Inverno. O facto de trabalhar num open space - que, nestas alturas, mais parece a sala de espera do centro de saúde, face aos sistemáticos barulhos tússicos ou espirros que se ouvem ao longo do dia, para além de funcionar como um verdadeiro viveiro de propagação de vírus - de ter ares condicionados, de ter a mania de não secar o cabelo antes de sair de casa são atenuantes, mas há um dado inquestionável: a temporada 2008/09 teve um Inverno a sério. Tivemos chuva, frio, nevoeiro, neve, o que parece um pouco desfasado do que têm sido os últimos invernos, em que 6 ou 7 graus em Lisboa já eram quase uma hecatombe meteorológica. O meu organismo, normalmente rijo nos chamados tempos invernais, tem-se ressentido destes pseudo-invernos dos últimos anos. A recente vaga de gripe que percorreu é capaz de não ter sido por acaso
No tempo dos TLP
Sem querer vir aqui fazer a apologia do que era a vida há 15 ou 20 anos, não deixa de ter alguma piada remontar ao tempo em que não havia telemóveis. Se hoje o telemóvel é uma daquelas coisas sem as coisas não saímos de casa - e, quando o fazemos, parece que ficamos com um vazio enorme dentro de nós - em tempos qualquer pessoa era capaz de estar horas foras de casa sem qualquer forma de contacto.
Há coisas que hoje soam anacrónicas. Por exemplo, linhas cruzadas. Antes da PT ter qualquer tipo de concorrência e até antes de se chamar outra coisa como Marconi ou TLP, obrigava os consumidores a pagar 2 ou 3 contos para terem telefone e ainda os sujeitava a não terem privacidade, como aqueles que restaurantes que sentam meia dúzia de pessoas na mesma mesa à hora de almoço quando não há mesas vagas. Recordo-me perfeitamente de, ao ligar para um número específico, muitas vezes deparar-me com outra conversa e de ter conversas a quatro. Outra coisa engraçada eram as casas em que quem nos atendia quase nunca era a pessoa com quem nos queria falar. E todos nós fomos coleccionando os nossos "cromos" de estimação quando a nossa chamada era atendida por terceiros: a avó que em 30 segundos conseguia dizer onde estavam e o que faziam todos os membros da família, o pai sacana que ouvia as conversas pela calada graças ao segundo telefone da casa, a empregada que tratava por "menino" o mesmo tipo a quem só faltava injectar heroína na própria casa, a mãe atarantada que não só não sabia por onde o filho andava como perguntava ao incauto interlocutor qual o respectivo paradeiro. Sem esquecer outros fenómenos interessantes do extraordinário mundo dos telefones fixos, como os desgraçados que acabavam com dívidas monumentais à companhia dos telefones porque os filhos andavam a desgraçar o dinheiro em chamadas de valor acrescentado ou os pais preocupados que corriam todos os números da agenda (a começar no colega de escola e a acabar no talhante) porque não sabiam por onde andava o petiz. E pensar que hoje um simples SMS resolve tanta coisa.
Há coisas que hoje soam anacrónicas. Por exemplo, linhas cruzadas. Antes da PT ter qualquer tipo de concorrência e até antes de se chamar outra coisa como Marconi ou TLP, obrigava os consumidores a pagar 2 ou 3 contos para terem telefone e ainda os sujeitava a não terem privacidade, como aqueles que restaurantes que sentam meia dúzia de pessoas na mesma mesa à hora de almoço quando não há mesas vagas. Recordo-me perfeitamente de, ao ligar para um número específico, muitas vezes deparar-me com outra conversa e de ter conversas a quatro. Outra coisa engraçada eram as casas em que quem nos atendia quase nunca era a pessoa com quem nos queria falar. E todos nós fomos coleccionando os nossos "cromos" de estimação quando a nossa chamada era atendida por terceiros: a avó que em 30 segundos conseguia dizer onde estavam e o que faziam todos os membros da família, o pai sacana que ouvia as conversas pela calada graças ao segundo telefone da casa, a empregada que tratava por "menino" o mesmo tipo a quem só faltava injectar heroína na própria casa, a mãe atarantada que não só não sabia por onde o filho andava como perguntava ao incauto interlocutor qual o respectivo paradeiro. Sem esquecer outros fenómenos interessantes do extraordinário mundo dos telefones fixos, como os desgraçados que acabavam com dívidas monumentais à companhia dos telefones porque os filhos andavam a desgraçar o dinheiro em chamadas de valor acrescentado ou os pais preocupados que corriam todos os números da agenda (a começar no colega de escola e a acabar no talhante) porque não sabiam por onde andava o petiz. E pensar que hoje um simples SMS resolve tanta coisa.
Jogador do ano 2008
Cristiano Ronaldo, enquanto digno representante de um estilo suburbano-marialva-novo-rico, certamente está longe de merecer a minha simpatia como pessoa e como representante de uma Nação. Ainda assim, qualquer prémio internacional destinado a reconhecer jogadores mais não faz do que escolher aquele que, durante um determinado ano, maior qualidade futebolística demonstrou nos relvados. E os títulos que conseguiu e as marcas individuais que protagonizou não deixam marcas para dúvidas sobre quem foi o melhor jogador no ano que passou. Embora seja legítimo lançar a questão sobre quem é o melhor futebolista em actividade e até pode ser verdade que esse jogador não seja Cristiano Ronaldo, o que é facto é que em 2008 foi o jogador que mais se destacou, não só a nível individual como pelos títulos que deu a ganhar ao Manchester United. O título acaba por ser um reconhecimento daquilo que foi mais ou menos óbvio.
Mudanças no My Zon Card
Eu, que nos últimos anos, perdi praticamente o hábito de ir ao cinema, em má hora decidi retomar tais hábitos quando a Zon decidiu compensar-me pelos dias de Internet lenta ou ausente, por facturas enganadas ou por consumos de tráfego adicional cobrados a preço de ouro. Nem uma reles visita a uma sala de cinema, pois a Autoridade da Concorrência decidiu acabar com a borla e obrigou a Zon a mudar a oferta. Dois bilhetes pelo preço de um não é uma má oferta, mas acaba com esse essa instituição pós-moderna que se chama ir sozinho ao cinema.
O autor da proeza foi Paulo Branco, curiosamente também ele o arauto de um cartão que, por uma quantia inferior à que um consumidor paga por ser cliente da Zon, dá um manancial de entradas ao cinema superior às que seriam oferecidas pela Zon. A acusação de práticas anti-concorrenciais baseia-se no pressuposto de que a Zon já controla 70% do mercado do cinema e que tal poderia aumentar essa disparidade para valores bem mais expressivos. Todos este circo parece-me um tanto ou quanto infundado, por estas razões:
- a oferta de um cartão que permite à Zon dar bilhetes de borla aos consumidores não tem, do ponto de vista da exploração dos cinemas, um impacto positivo na sua actividade, já que eventuais clientes que hoje pagam deixarão de pagar e os novos clientes destes cinemas não trarão qualquer lucro a não ser pipocas e outras gulodices
- a oferta abrange apenas os titulares dos contratos da Zon, que seriam obrigados a mostrar identificação antes de terem direito ao bilhete. O universo de titulares de contratos de cabo da Zon não será exactamente o mesmo que frequenta cinemas com ruído a pipocas e frequentados por adolescentes tolos
- a tese de que a oferta se destina a captar novos clientes cai por terra a partir do momento em que apenas os titulares com mais de um ano de contrato terão direito ao cartão, pelo que não há qualquer benefício imediato da parte de quem subscreva a TV Cabo apenas por causa do cartão
- a base de público dos cinemas da Lusomundo e dos cinemas Medeia não é a mesma, tal como a oferta também não coincide, pelo que o perigo de um estar a roubar clientela ao outro não é evidente
- o facto de a Zon oferecer bilhetes grátis poderia fazer com que , a prazo, os bilhetes pagos acabassem por ser mais elevados para fazer face a uma hipotética perda de receitas dos cinemas da Lusomundo, o que talvez trouxesse vantagens para os cinemas de Paulo Branco
- e, por fim, uma decisão deste tipo acaba por ser uma machadada na lógica inerente a qualquer oferta promocional. Por exemplo, no ano que passou, o centro comercial Fonte Nova oferecia bilhetes para o cinema mediante determinado valor em compras, o que não configura qualquer prática anti-concorrencial, antes uma forma de salvaguardar um produto, neste caso, um espaço comercial. Mas medidas como a associação de cartões de crédito a viagens de avião ou a máquinas de café ou os descontos de cartões como o do Benfica a uma panóplia de ofertas comerciais, que fazem parte da concorrência em qualquer sector e com as quais os consumidores têm acesso a ofertas mais vantajosas, talvez deixem de ser vistas como formas de propiciar um acesso mais fácil a produtos, mas antes como lesivas do interesse dos consumidores, como parece indiciar a decisão da Autoridade da Concorrência.
O autor da proeza foi Paulo Branco, curiosamente também ele o arauto de um cartão que, por uma quantia inferior à que um consumidor paga por ser cliente da Zon, dá um manancial de entradas ao cinema superior às que seriam oferecidas pela Zon. A acusação de práticas anti-concorrenciais baseia-se no pressuposto de que a Zon já controla 70% do mercado do cinema e que tal poderia aumentar essa disparidade para valores bem mais expressivos. Todos este circo parece-me um tanto ou quanto infundado, por estas razões:
- a oferta de um cartão que permite à Zon dar bilhetes de borla aos consumidores não tem, do ponto de vista da exploração dos cinemas, um impacto positivo na sua actividade, já que eventuais clientes que hoje pagam deixarão de pagar e os novos clientes destes cinemas não trarão qualquer lucro a não ser pipocas e outras gulodices
- a oferta abrange apenas os titulares dos contratos da Zon, que seriam obrigados a mostrar identificação antes de terem direito ao bilhete. O universo de titulares de contratos de cabo da Zon não será exactamente o mesmo que frequenta cinemas com ruído a pipocas e frequentados por adolescentes tolos
- a tese de que a oferta se destina a captar novos clientes cai por terra a partir do momento em que apenas os titulares com mais de um ano de contrato terão direito ao cartão, pelo que não há qualquer benefício imediato da parte de quem subscreva a TV Cabo apenas por causa do cartão
- a base de público dos cinemas da Lusomundo e dos cinemas Medeia não é a mesma, tal como a oferta também não coincide, pelo que o perigo de um estar a roubar clientela ao outro não é evidente
- o facto de a Zon oferecer bilhetes grátis poderia fazer com que , a prazo, os bilhetes pagos acabassem por ser mais elevados para fazer face a uma hipotética perda de receitas dos cinemas da Lusomundo, o que talvez trouxesse vantagens para os cinemas de Paulo Branco
- e, por fim, uma decisão deste tipo acaba por ser uma machadada na lógica inerente a qualquer oferta promocional. Por exemplo, no ano que passou, o centro comercial Fonte Nova oferecia bilhetes para o cinema mediante determinado valor em compras, o que não configura qualquer prática anti-concorrencial, antes uma forma de salvaguardar um produto, neste caso, um espaço comercial. Mas medidas como a associação de cartões de crédito a viagens de avião ou a máquinas de café ou os descontos de cartões como o do Benfica a uma panóplia de ofertas comerciais, que fazem parte da concorrência em qualquer sector e com as quais os consumidores têm acesso a ofertas mais vantajosas, talvez deixem de ser vistas como formas de propiciar um acesso mais fácil a produtos, mas antes como lesivas do interesse dos consumidores, como parece indiciar a decisão da Autoridade da Concorrência.
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filipa sabrosa em entrevista com fatima lopes
letra da cancao l'ete indien
tem alguma lei que obriga o pai dar pensao antes da criança nascer
toda ivone é!
"natal internético"
historia de macaco pai e filho humor
musica mais ouvida na radio orbital
legislação sobre canivete
teste morte irritante
carlos paiao estava vivo quando morreu
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Listen live
Até ver, o melhor portal de rádios via on-line que vi até hoje: http://www.listenlive.eu/index.html. Quem consegue juntar rádios de mais de 50 países europeus merece obviamente uma referência enquanto bom serviço público via net.
Quer ser mais feliz? Pergunte-me como!
Há uns dias, fui almoçar a um tasco que tem, até que me consigam provar o contrário, as melhores bifanas que consigo comer em Lisboa. Como qualquer tasco bom a servir bifanas, pouco mais há para comer ali sem ser as ditas cujas e um prato de sopa. Qualquer entendido em bifanas sabe perfeitamente que as bifanas das 2 da tarde são invariavelmente melhores do que as do meio-dia, porque o molho foi vai sendo devidamente apurando à medida que as bifanas saiem da frigideira para serem entaladas num pedaço de pão, devidamente besuntadas com um pequeno toque de mostarda, sem direito a pedaços de alface ou de tomate ou uma fatiazinha de fiambre para embelezar. Da mesma maneira que um entendido em sopas sabe que, num sítio onde apenas há bifanas e sandes de presunto, também a sopa tem de fazer jus à virilidade e à rudeza dos locais frequentados pelos profissionais da construção civil e da mecânica: a palavra varinha mágica só pode mesmo ter algo a ver com o mundo da fantasia, por isso não há misturas de sabores e o tentar adivinhar o que é que a senhora de avental lá pôs dentro. Cartas viradas para cima ou, gastronomicamente falando, a batata, a cenoura, o nabo e o feijão bem à mostra do cliente, sem direito a misturas ou a trituração. Uma sopa a fazer-me lembrar outras que comi algures de onde vêm as minhas raízes beirãs, também sem subterfúgios culinários.
A moral e a metáfora da estória é que precisamos apenas de ser mais bifanas, buscando a simplicidade e autenticidade, e de ser sopas beirãs, fazendo a diferença no meio da homogeneidade. Agora que penso nisto, tenho que voltar lá ao tasco um destes dias. E de empurrar a sopa e a bifana com um sumol de laranja, já agora.
A moral e a metáfora da estória é que precisamos apenas de ser mais bifanas, buscando a simplicidade e autenticidade, e de ser sopas beirãs, fazendo a diferença no meio da homogeneidade. Agora que penso nisto, tenho que voltar lá ao tasco um destes dias. E de empurrar a sopa e a bifana com um sumol de laranja, já agora.
Jornalismo de proximidade back to nineties
Quem se recorda do surgimento das televisões privadas em Portugal (esta constatação parece-me uma coisa cada vez mais datada com os anos, ainda assim arrisco) lembra-se de algum caminho que estas foram desbravando. No caso da SIC, uma das imagens de marca nos primeiros anos de vida foi o célebre "Praça Pública", apresentado por Conceição Lino, uma verdadeira lufada de ar fresco num país onde a televisão pública parecia amordaçada pelos interesses governamentais e onde era dada a oportunidade ao cidadão comum de relatar o cano roto na sua rua, o buraco na estrada que perigava a segurança rodoviária ou o prédio que foi construído meio à socapa. Pela primeira vez, a agenda setting não passava somente pelo crescimento económico ou as obras do cavaquismo e o habitante da Brandoa ou de Marco de Canavezes ficava a par das preocupações das populações de Loulé ou Portel.
A memória não me atraiçoa em relação ao programa, mas não posso dizer o mesmo quanto ao seu fim e quais as razões. Eventualmente, a rotação habitual nas grelhas de programação dos canais provocou o fim do Praça Pública, a que se terá juntado o fim do efeito novidade. Ainda assim, como em televisão parece vigorar a velha máxima do "Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" (veja-se os concursos, que andaram uns anos na penumbra e são hoje uma aposta viável das televisões) o programa regressa por estes dias pela mão da mesma Conceição Lino, dando maior autonomia e tempo de emissão à rubrica "Nós por Cá" que era transmitida em noticiários da SIC. Resta saber se, numa altura em que cada cidadão com um mínimo de conhecimentos técnicos pode fazer este tipo de denúncias via Internet, este jornalismo de proximidade terá o impacto de outrora, mas é um facto: um dos programas mais inovadores dos anos 90 regressa uma década depois.
A memória não me atraiçoa em relação ao programa, mas não posso dizer o mesmo quanto ao seu fim e quais as razões. Eventualmente, a rotação habitual nas grelhas de programação dos canais provocou o fim do Praça Pública, a que se terá juntado o fim do efeito novidade. Ainda assim, como em televisão parece vigorar a velha máxima do "Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" (veja-se os concursos, que andaram uns anos na penumbra e são hoje uma aposta viável das televisões) o programa regressa por estes dias pela mão da mesma Conceição Lino, dando maior autonomia e tempo de emissão à rubrica "Nós por Cá" que era transmitida em noticiários da SIC. Resta saber se, numa altura em que cada cidadão com um mínimo de conhecimentos técnicos pode fazer este tipo de denúncias via Internet, este jornalismo de proximidade terá o impacto de outrora, mas é um facto: um dos programas mais inovadores dos anos 90 regressa uma década depois.
Googladas
Árvore genealógica de Rowan Atkinson
posso levantar nos ctt os abonos familia
video cravo e ferradura
a voz por detras do bruno aleixo
chow mein sem soja
primeiro aniversario david poema
JOGO DE COMER COISINHAS
barrasca na meteorologia
letra de paródia sobre orelhudo
jacaré lacoste falsificado
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O mito urbano
O post escrito em Agosto passado sobre os 20 anos da morte de Carlos Paião teve meramente o intuito de assinalar essa efeméride e estaria certamente arrumado até começarem a chegar aqui comentários e buscas relacionadas com o dito senhor no caixão. Um pouco perplexo com a coisa, calhou perguntar a uns amigos que relação uma coisa poderia ter com a outra, até me explicarem que existia um certo mito urbano que dizia que o mesmo teria sido enterrado vivo, um mito à semelhança daquele que diz que não há registos de morte de chineses ou que não há ciganos deficientes (pouco ou nada sei sobre o primeiro, mas entretanto tentei informar-se sobre o segundo e foram-me contadas algumas estórias que o bom-senso aconselha a que não sejam aqui publicadas). Ainda assim, voltando a Carlos Paião e a pormenores sobre a sua morte, pouco ou nada sei do assunto. Vir visitar este blogue com esse propósito não será tempo bem gasto.
Duas mensagens
O fenómeno dos SMS durante o período festivo do Natal e Ano Novo é interessante de se seguir. Pelo facto de recebermos mensagens de pessoas de quem, muitas vezes, acabamos por só nos lembrar quando nos mandam essas mesmas mensagens, porque envolvem quase sempre pouca originalidade (mesmo as mais originais poderão já ter sido lidas no mesmo dia por um milhão de pessoas) e porque é feita tábua rasa dos destinatários: o primo, o vizinho, o colega de trabalho, o senhor do talho, o antigo colega de secundário ou o desgraçado a quem a mensagem chega por engano acabam impreterivelmente por receber exactamente a mesma mensagem. Perdeu-se, por inerência, a imaginação e o serviço personalizado. Para este período festivo, acabei por seguir um critério no que respeita às propaladas mensagens de Natal e Ano Novo: não iria lançar doses massivas de mensagens, limitando-me a responder àquelas que percebesse que tinham sido enviadas propositadamente para mim e não num full package de 50, por muito originais que fossem. Seguir este princípio teve um saldo absolutamente ridículo: enviei um total de duas mensagens.
Primeira música de 2009
Passei um bom fim-de-ano, recheado de marisco, sushi (tendo preterido o primeiro a favor do segundo, embora pareça um disparate deixar de lado sapateira para comer arroz doce com bocados de peixe crú, na minha consideração a gastronomia vinda da China vai ganhando aos clichês do "comer do bom e do melhor" normalmente associado ao marisco), vinhos e queijos. Não obstante a mesa farta e a agitação, não deixei de recordar com alguns dos meus comparsas - com quem passei a grande maioria das últimas passagens de ano - outros momentos de transição de ano em ambiente de euforia. Algum iluminado se terá lembrado de telefonar a todos quantos connosco, no passado, passaram reveillons em clima de paródia constante, mas seguindo um procedimento sui generis: o incauto destinatário atendia a chamada com a melhor das intenções, um de nós respondia de forma educada para três segundos depois começar uma berraria avassaladora do Wegue Wegue dos Buraka Som Sistema (ainda tenho uma ligeira rouquidão à conta dessa brincadeira) durante uns 20 segundos sem direito a reacção e com a chamada a ser imediatamente desligada. Nem que seja por uma razão absolutamente idiota, fica como a minha primeira (e de mais uns maduros) música de 2009.

