Cheguei por estes dias aos 100 amigos no Hi5, um número que não será propriamente elevado em comparação com outros fenómenos de popularidade naquele site. No entanto, por ser um número redondo poderia quase ser usado como amostra estatística, do género "Cerca de 15% dos meus amigos do Hi5 usa t-shirts ridículas" ou "No meu perfil do Hi5, há 22% de amigos que deveria ter mais cuidado com as fotos que põe na Internet", mas um estudo destes merece conclusões mais pertinentes.
Assim sendo, quanto ao painel de amigos de acordo com o meu perfil de Hi5, posso dizer que: três são umas jovens que não conheço mas a estampa física expressa nas suas fotografias fica bem em qualquer grupo de amigos, 11 dispensaram fotografias próprias na imagem principal, três têm fotografias com personalidades internacionais realmente conhecidas (Dave Baptista, Pierce Brosnan e Angelina Jolie), três são perfis aldrabados, 8 partilharam comigo os bancos da escola, 27 fizeram-no na universidade, 21 trabalharam comigo, uma partilhou os bancos da universidade e também trabalhou comigo, 2 são da minha família, nunca estive pessoalmente com seis a que acrescem cinco com quem não terei privado mais de meia dúzia de vezes, já apanhei bebedeiras com 36, já estive na casa de 17, de entre os que conheço pessoalmente há 18 que não vejo há mais de cinco anos e inco que não via há mais de 10 anos mas vi-os no último sábado. Quanto às fotos principais do perfil: há 41 que aparecem sorridentes nas fotografias principais, um aparece a vomitar, outro a cantar, um outro aparece ao lado dos ABBA, sete fotografias são tiradas na praia, três são tiradas de copo na mão ou cigarro na boca.
Por esta é que não eu esperava...
Um post a armar ao engraçado sobre televisão e bola provocou uma enchente neste blogue nas horas e até durante o malfadado jogo de hoje. Não esperava as visitas nem o resultado. Passo à frente nas visitas e componho o quadro de uma noite difícil: um rácio absolutamente impressionante em matéria de tiros à baliza e golos concretizados, o primeiro grande erro táctico de Quique Flores - leia-se, pôr o David Luiz acabado de vir de uma lesão de meses e pela primeira vez ao lado de Sidnei antes dum jogo desta importância - uma emissão fraca da Zon com a voz monocórdica de Hélder a ser devorada pelos ruidosos adeptos gregos, a iminente sensação de que a coisa poderia acabar com números semelhantes aos da hecatombe de Vigo e o receio de que esta derrota tenha o mesmo efeito que a tal derrota na Galiza teve aquando da época 99/2000, quando provocou uma queda anímica com óbvios resultados classificativos.
Ou isso ou o assumir de forma optimista de que, em cada época que o Benfica é campeão, está sempre condenado a levar uma goleada vinda de um adversário menos óbvio, aconteceu em Setúbal em 93/94 e no Restelo em 2004/05. Em Atenas a equipa ficou vacinada para o resto da época e o resto da época afigura-se glorioso.
Olympiakos - Benfica, hoje às 19h45 na Zon
Não sei se estão lembrados, mas há pouco mais de um ano aquilo que hoje conhecemos por Zon e por Meo estava tudo no mesmo sítio. A separação da PT Multimédia face à PT obrigou a que velhos amigos tivessem de se separar e, onde antes havia amizade, compadrio e jantaradas ou serviços de acompanhantes pagos pela empresa, hoje há competição e a noção de que é preciso abater o antigo amigo com quem se partilharam mesas com marisco e champanhe francês.
Esta disputa dos velhos amigos deu frutos imediatos. A PT Multimédia percebeu que os nomes TV Cabo e Netcabo causavam suores frios nos consumidores face à má fama do serviço, a quem as pessoas recorriam por não terem alternativa, e rapidamente mudou os respectivos nomes dando-lhes o galáctico nome Zon. A Portugal Telecom decidiu, dentro da mesma onda galáctica, criar o Meo, apostando nos Gato Fedorento, um investimento que tem sempre retorno garantido. Começaram a piscar o olho aos clientes do outro e a Zon lá foi ganhando alguns clientes do telefone à PT, mas esta conseguiu roubar mais clientes do Cabo através do Meo, que já vai em 200 mil clientes. Ao Triple Play do Meo, a Zon subiu a parada com o Zon Mobile, oferta interessante para quem tem os seus três serviços. Tudo com uma publicidade agressiva nos meios de comunicação social, nas ruas e nos telemóveis do incauto consumidor, com o seu telemóvel inundado das mais diversas propostas lidas pelos operadores de outbound deste país.
Enquanto a coisa andou pelos serviços e pelos preços, a coisa foi-se passando na normal lógica do mercado, de ver quem dá mais, algo que os consumidores já desejavam há muitos anos. A coisa assumiu outro tipo de contornos quando, de repente, a relação já conturbada dos dois ex-amigos azeda um pouco mais quando o Benfica entra ao barulho. A PT, com uma ligação ao Benfica que já vem de trás, assegura o canal do Benfica para o Meo e deixa que os pequenos concorrentes também o distribuam, rejeitando qualquer hipótese de o inimigo ter direito à transmissão de um canal que não se prevê ser um produto televisivo por aí além mas que traz por arrasto muitos novos assinantes. Ao ver que, no que ao Benfica diz respeito, a Zon terá perdido a luta - até porque a Sport TV também é distribuída no Meo - avança com uma medida drástica: a transmissão em directo do Olympiakos-Benfica às 19h45, jogo que poderá ser a tábua de salvação do Benfica para continuar na UEFA e uma forma da Zon beliscar o benfiquismo do Meo. E, tanto quanto me lembro, esta transmissão é algo de completamente inédito no mundo TV Cabo. Para ser ver ao estado a que a coisa chegou.
Esta disputa dos velhos amigos deu frutos imediatos. A PT Multimédia percebeu que os nomes TV Cabo e Netcabo causavam suores frios nos consumidores face à má fama do serviço, a quem as pessoas recorriam por não terem alternativa, e rapidamente mudou os respectivos nomes dando-lhes o galáctico nome Zon. A Portugal Telecom decidiu, dentro da mesma onda galáctica, criar o Meo, apostando nos Gato Fedorento, um investimento que tem sempre retorno garantido. Começaram a piscar o olho aos clientes do outro e a Zon lá foi ganhando alguns clientes do telefone à PT, mas esta conseguiu roubar mais clientes do Cabo através do Meo, que já vai em 200 mil clientes. Ao Triple Play do Meo, a Zon subiu a parada com o Zon Mobile, oferta interessante para quem tem os seus três serviços. Tudo com uma publicidade agressiva nos meios de comunicação social, nas ruas e nos telemóveis do incauto consumidor, com o seu telemóvel inundado das mais diversas propostas lidas pelos operadores de outbound deste país.
Enquanto a coisa andou pelos serviços e pelos preços, a coisa foi-se passando na normal lógica do mercado, de ver quem dá mais, algo que os consumidores já desejavam há muitos anos. A coisa assumiu outro tipo de contornos quando, de repente, a relação já conturbada dos dois ex-amigos azeda um pouco mais quando o Benfica entra ao barulho. A PT, com uma ligação ao Benfica que já vem de trás, assegura o canal do Benfica para o Meo e deixa que os pequenos concorrentes também o distribuam, rejeitando qualquer hipótese de o inimigo ter direito à transmissão de um canal que não se prevê ser um produto televisivo por aí além mas que traz por arrasto muitos novos assinantes. Ao ver que, no que ao Benfica diz respeito, a Zon terá perdido a luta - até porque a Sport TV também é distribuída no Meo - avança com uma medida drástica: a transmissão em directo do Olympiakos-Benfica às 19h45, jogo que poderá ser a tábua de salvação do Benfica para continuar na UEFA e uma forma da Zon beliscar o benfiquismo do Meo. E, tanto quanto me lembro, esta transmissão é algo de completamente inédito no mundo TV Cabo. Para ser ver ao estado a que a coisa chegou.
A jornalada
Quem anda por Lisboa às horas de ponta, sobretudo no centro de Lisboa (eu felizmente, há já alguns anos que deixei de combinar estes dois elementos, ou seja, ou ando no centro de Lisboa fora da hora de ponta ou, aquando da hora de ponta, estou arredado do centro da capital) já não consegue viver sem toda o aparato da entrega dos jornais gratuitos. A chegada deste fenómeno acarretou toda uma logística destinada a fazer chegar os jornais ao maior número de pessoas possível no mais curto espaço de tempo, não importando se esses jornais acabarão no caixote do lixo ou, pior, no passeio mais próximo.
Hoje aceitei, em menos de meia hora, três exemplares do mesmo jornal entregues pela mesma pessoa, que se me dirigiu por duas vezes, o que implica que fui cúmplice de uma pequena "finta" à regra de um jornal por transeunte. A pessoa em causa estava numa das vias mais percorridas de Lisboa e, como tantos outros, punha em causa a sua segurança ao andar no meio dos carros, muitas vezes já em movimento, para cumprir o seu dever. Quem trabalha sabe a importância de quando terceiros nos facilitam, ou quanto muito não complicam, o trabalho que fazemos. E, coerente a esta minha tese, obviamente que não complico o trabalho de quem tem a dura tarefa de distribuir jornais ou folhetos de restaurantes indianos ou italianos, de centros de explicações, de dietas milagrosas, de magos e astrólogos africanos. E, já que falo nisso, a ver se não me esqueço de esvaziar a minha mala Eastpak da jornalada que hoje me entregaram...
Hoje aceitei, em menos de meia hora, três exemplares do mesmo jornal entregues pela mesma pessoa, que se me dirigiu por duas vezes, o que implica que fui cúmplice de uma pequena "finta" à regra de um jornal por transeunte. A pessoa em causa estava numa das vias mais percorridas de Lisboa e, como tantos outros, punha em causa a sua segurança ao andar no meio dos carros, muitas vezes já em movimento, para cumprir o seu dever. Quem trabalha sabe a importância de quando terceiros nos facilitam, ou quanto muito não complicam, o trabalho que fazemos. E, coerente a esta minha tese, obviamente que não complico o trabalho de quem tem a dura tarefa de distribuir jornais ou folhetos de restaurantes indianos ou italianos, de centros de explicações, de dietas milagrosas, de magos e astrólogos africanos. E, já que falo nisso, a ver se não me esqueço de esvaziar a minha mala Eastpak da jornalada que hoje me entregaram...
Out of hours
Um leitor atento deste blogue lança para o debate uma dúvida sobre contactos telefónicos em situações de alcoolismo. Uma boa ideia a dois níveis: porque merece ser realmente abordada e porque não tinha assunto para escrever hoje.
Apesar de haver muito por onde explorar, vou restringir-me a isto: contactos telefónicos em situação de embriaguez, seja por via de SMS ou de chamadas reais, são uma consequência absolutamente normal de um estado de falta de consciência onde são pouco medidos os riscos e as consequências dos actos. Em bom rigor, não há uma percepção de que nem todas as pessoas estão disponíveis para ser incomodadas às 4 da manhã. No entanto, este é um sinal dos tempos: lembro-me com uma ponta de saudade dos tempos em que esse contacto inconveniente - a chamada "conversa de bêbedo - se fazia com meros desconhecidos, com cartazes, com as paredes, com animais ou até mesmo sozinho. E eu acho que já assisti a tudo isto. Usando a célebre cena de Vasco Santana ébrio a falar com um candeeiro, seria hoje mais provável que essa cena de bêbados faladores descambasse numa situação em que o protagonista tiraria do bolso um Nokia e começava a ligar para o primeiro número que aparecesse à mão.
Nada me move contra este tipo de contactos nocturnos. Algumas das mais originais SMS que recebi até hoje foram feitas neste contexto e são uma inequívoca prova de amizade entre seres humanos, que acrescentam algum calor às nossas interacções sociais. E, sejamos claros, comparado com o perigo que representa um tipo bêbedo pegar num carro ou numa arma, um dedilhar de teclas é algo que pode ser considerado perfeitamente inocente.
Apesar de haver muito por onde explorar, vou restringir-me a isto: contactos telefónicos em situação de embriaguez, seja por via de SMS ou de chamadas reais, são uma consequência absolutamente normal de um estado de falta de consciência onde são pouco medidos os riscos e as consequências dos actos. Em bom rigor, não há uma percepção de que nem todas as pessoas estão disponíveis para ser incomodadas às 4 da manhã. No entanto, este é um sinal dos tempos: lembro-me com uma ponta de saudade dos tempos em que esse contacto inconveniente - a chamada "conversa de bêbedo - se fazia com meros desconhecidos, com cartazes, com as paredes, com animais ou até mesmo sozinho. E eu acho que já assisti a tudo isto. Usando a célebre cena de Vasco Santana ébrio a falar com um candeeiro, seria hoje mais provável que essa cena de bêbados faladores descambasse numa situação em que o protagonista tiraria do bolso um Nokia e começava a ligar para o primeiro número que aparecesse à mão.
Nada me move contra este tipo de contactos nocturnos. Algumas das mais originais SMS que recebi até hoje foram feitas neste contexto e são uma inequívoca prova de amizade entre seres humanos, que acrescentam algum calor às nossas interacções sociais. E, sejamos claros, comparado com o perigo que representa um tipo bêbedo pegar num carro ou numa arma, um dedilhar de teclas é algo que pode ser considerado perfeitamente inocente.
Googladas
gatos-bonsai é um mito moderno?
fotos de acidentes super mercados
semelhantes ao youporn
roulotes usadas fialho
musicas que facies de modificadas - para fazer parodias
Lacoste é caro
como era chamada a internet antigamente
erva do diabo cacem
leide sala de aula de 5 ano
modelo de contestação poluiçao sonora igreja
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Um olhar sobre o passado
Estive ontem num jantar com antigos colegas de um colégio moscavidense onde fiz o terceiro ciclo do ensino básico, local que foi marcante para mim pela panóplia de episódios recambolescos que protagonizei ou assisti e pelo facto de boa parte das minhas amizades actuais também por lá ter passado, ainda que em anos separados, nalguns casos. Apesar de alguns contactos que fui mantendo, de alguns encontros fortuitos ou de informações que acabavam por me chegar, a verdade é que fui perdendo o rasto à grande maioria. É que em 1994 não havia contactos de e-mail ou de telemóvel para partilhar ou perfis do Hi5 para qualquer eventualidade...
Mesmo sabendo que estaríamos pouco mais de uma dúzia, mentiria se dissesse que um reencontro com uma distância tão grande face a esse longínquo ano de 1994 (para quem tem 29 anos de idade, 14 anos é um espaço temporal considerável) não suscitava expectativas, não só pelas pessoas em causa mas para saber o que seria feito dos que não puderam estar presentes mas também para lançar um pequeno olhar sobre os anos em que se partilhava o mesmo espaço, mas também algumas experiências marcantes e a óbvia irresponsabilidade associada à transição da infância para a adolescência. Face aos percursos que foram sendo seguidos, permaneceu uma certa previsibilidade face aos gostos e aptidões que cada um então evidenciava: quem tinha jeito para o desenho seguiu Design, quem gostava de carros acabou a escrever sobre eles, quem já demonstrava aptidões para os computadores seguiu esse caminho.
Embora eu não seja um saudosista no sentido de clamar oh tempo volta para trás!, o meu lado marcadamente revivalista - apesar de tudo, saudosismo e revivalismo não são bem a mesma coisa - ficou absolutamente deliciado com os muitos episódios e as figuras marcantes daqueles anos e , no que à minha pessoa diz respeito, a imagem que fica é a de alguém com muita proactividade para protagonizar muitos momentos bizarros e que hoje me parecem um tanto ou quanto descabidos, devidamente recordados por entre um gole de Monte Velho e um naco de carne, envolvendo por exemplo pacotes de leite, comboios, tapetes, fogo de artifício carnavalesco, tascas de Moscavide, cadáveres de bichos ou papel higiénico molhado em tectos de casa-de-banho. Enfim, todo um dinamismo que fui perdendo com o tempo.
Mesmo sabendo que estaríamos pouco mais de uma dúzia, mentiria se dissesse que um reencontro com uma distância tão grande face a esse longínquo ano de 1994 (para quem tem 29 anos de idade, 14 anos é um espaço temporal considerável) não suscitava expectativas, não só pelas pessoas em causa mas para saber o que seria feito dos que não puderam estar presentes mas também para lançar um pequeno olhar sobre os anos em que se partilhava o mesmo espaço, mas também algumas experiências marcantes e a óbvia irresponsabilidade associada à transição da infância para a adolescência. Face aos percursos que foram sendo seguidos, permaneceu uma certa previsibilidade face aos gostos e aptidões que cada um então evidenciava: quem tinha jeito para o desenho seguiu Design, quem gostava de carros acabou a escrever sobre eles, quem já demonstrava aptidões para os computadores seguiu esse caminho.
Embora eu não seja um saudosista no sentido de clamar oh tempo volta para trás!, o meu lado marcadamente revivalista - apesar de tudo, saudosismo e revivalismo não são bem a mesma coisa - ficou absolutamente deliciado com os muitos episódios e as figuras marcantes daqueles anos e , no que à minha pessoa diz respeito, a imagem que fica é a de alguém com muita proactividade para protagonizar muitos momentos bizarros e que hoje me parecem um tanto ou quanto descabidos, devidamente recordados por entre um gole de Monte Velho e um naco de carne, envolvendo por exemplo pacotes de leite, comboios, tapetes, fogo de artifício carnavalesco, tascas de Moscavide, cadáveres de bichos ou papel higiénico molhado em tectos de casa-de-banho. Enfim, todo um dinamismo que fui perdendo com o tempo.
Quando o futebol pode ser uma ciência exacta
Pensar em Maradona como seleccionador da Argentina não é um exercício de lógica fácil. Se é certo que falamos de alguém que inequivocamente nasceu para o futebol, dificilmente seria encaixável no perfil do académico do desporto-rei, como atesta a forma um tanto ou quanto errática como geriu a sua carreira. A sua única experiência enquanto treinador de um clube não foi feliz, mas a sua escolha para seleccionador não terá sido tão descabida como parece, dado que a forma como se trabalha os talentos das selecções requer mais uma espécie de coach místico capaz de motivar os jogadores do que um grande pensador do futebol, dada a impossibilidade de trabalhar em grande profundidade de modelo de jogo. E, tendo em conta o perfil de líder e o carisma de Maradona enquanto símbolo máximo do futebol argentino, não é descabido pensar que passa a existir toda uma aura em torno de uma selecção capaz de gerar incessantemente grandes talentos do futebol mundial.
Junte-se a isto o factor lógica: desde 1962 que o vencedor do mundial vai alternando entre um campeão europeu e sul-americano, sendo que o Brasil ou a Argentina vencem de forma consecutiva os campeonatos ganhos por selecções daquele continente (Brasil venceu em 62 e 70, em 94 e 2002, Argentina em 78 e 86), pelo que essa mesma lógica determinará que o próximo campeão do mundo será sul-americano e que o Brasil já ganhou os dois últimos mundiais cujo título estaria "destinado" a países desse continente. Dado que selecções como o Paraguai ou Uruguai não apresentam um potencial suficiente para ganhar uma competição deste género, não é descabido apontar a Argentina como um favorito bastante válido ao próximo Mundial. Mas tal como a carreira um pouco errática de Maradona, tanto pode estar no horizonte uma grande Argentina ou então ver Messi e companhia serem eliminados pelo Togo ou Irão.
Já que falamos de futebol sul-americano, a selecção nacional perdeu 6-2 com o Brasil. Depois das nacionalizações, dos óculos ray-ban e dos bigodes no sexo masculino na casa dos 20 anos, o jogo de ontem fez-me recordar tempos que já julgava serem passado, quando os nossos jogadores eram cilindrados pelos colossos do futebol mundial e regressavam a Portugal todos contentes por terem trazido na bagagem uma camisola que trocaram com um craque qualquer. E, puxando a brasa à minha sardinha de uma forma um tanto ou quanto masoquista, ao olhar para a forma como os jogadores portugueses eram quase espectadores de um carrossel armado pelos verdadeiros artistas da bola, fiquei com algumas saudades dos meus jogos de futebol de 5 aos sábados de manhã.
Junte-se a isto o factor lógica: desde 1962 que o vencedor do mundial vai alternando entre um campeão europeu e sul-americano, sendo que o Brasil ou a Argentina vencem de forma consecutiva os campeonatos ganhos por selecções daquele continente (Brasil venceu em 62 e 70, em 94 e 2002, Argentina em 78 e 86), pelo que essa mesma lógica determinará que o próximo campeão do mundo será sul-americano e que o Brasil já ganhou os dois últimos mundiais cujo título estaria "destinado" a países desse continente. Dado que selecções como o Paraguai ou Uruguai não apresentam um potencial suficiente para ganhar uma competição deste género, não é descabido apontar a Argentina como um favorito bastante válido ao próximo Mundial. Mas tal como a carreira um pouco errática de Maradona, tanto pode estar no horizonte uma grande Argentina ou então ver Messi e companhia serem eliminados pelo Togo ou Irão.
Já que falamos de futebol sul-americano, a selecção nacional perdeu 6-2 com o Brasil. Depois das nacionalizações, dos óculos ray-ban e dos bigodes no sexo masculino na casa dos 20 anos, o jogo de ontem fez-me recordar tempos que já julgava serem passado, quando os nossos jogadores eram cilindrados pelos colossos do futebol mundial e regressavam a Portugal todos contentes por terem trazido na bagagem uma camisola que trocaram com um craque qualquer. E, puxando a brasa à minha sardinha de uma forma um tanto ou quanto masoquista, ao olhar para a forma como os jogadores portugueses eram quase espectadores de um carrossel armado pelos verdadeiros artistas da bola, fiquei com algumas saudades dos meus jogos de futebol de 5 aos sábados de manhã.
A cama branca
Há uns dias, enquanto fazia um zapping, deparei-me com uma reportagem, transmitida no canal que substituiu o outrora famigerado canal 18 da grelha da TV Cabo em Lisboa, sobre crianças ucranianas com problemas neurológicos. Quem conhece o canal Infinito certamente já terá conhecido toda a dramatização inerente a tudo e mais alguma coisa, seja vampiros, astros, doenças ou espíritos. Nos poucos minutos que vi o programa, havia todo um enredo constituído em torno de uma criança com distonia em que a família rodeava a dita criança, num cenário de grande sofrimento, o que, aliado ao facto de o programa ser obviamente de baixos recursos, constituía um momento televisivo um pouco estranho.
O que mais motivou a minha atenção não foi aquela representação dramática da doença em meio televisivo, mas a decoração do espaço, pelo facto de a criança estar deitada numa cama branca meio metalizada com uma estética duvidosa. A imagem da dita cama continua perfeitamente presente na minha memória, já que a dita cama era precisamente igual a uma que tenho em minha casa. A utilização de peças de mobiliário iguais às da minha casa em programas série B sobre doenças infantis na Ucrânia é obviamente um sinal de que a área da decoração doméstica precisa de um razoável investimento a médio prazo da minha parte.
O que mais motivou a minha atenção não foi aquela representação dramática da doença em meio televisivo, mas a decoração do espaço, pelo facto de a criança estar deitada numa cama branca meio metalizada com uma estética duvidosa. A imagem da dita cama continua perfeitamente presente na minha memória, já que a dita cama era precisamente igual a uma que tenho em minha casa. A utilização de peças de mobiliário iguais às da minha casa em programas série B sobre doenças infantis na Ucrânia é obviamente um sinal de que a área da decoração doméstica precisa de um razoável investimento a médio prazo da minha parte.
Messenger ligado
Ao longo de toda a minha vida, fui aprendendo a respeitar e a confiar nos médicos, colocando-os quase num pedestal. Mas ontem, ao deparar-me, durante uma consulta de medicina do trabalho, num MSN Messenger activo no PC da médica enquanto decorria a dita consulta, algo me diz que tenho de rever o meu esquema de prioridades em matéria de reputação profissional.
80 anos do rato Mickey

Tenho para mim que o rato Mickey é o melhor dos personagens do universo Disney. Tanto que muitos dos meus usernames ou logins algures no universo internético ainda hoje metem o seu nome ao barulho. Esta preferência advém obviamente da sua simpatia, mas também por ser um tipo bastante equilibrado: não se lhe conhecem grandes defeitos, conhece o significado da lealdade, tem uma boa vida social, parece ter uma boa relação com a Minnie. Este carácter nobre deve obviamente ser citado, pelo menos quando comparado com outras figuras do mundo Disney, que são conhecidas precisamente por alguns defeitos de carácter que acabam por ser as suas imagens de marca: o tio Patinhas é um velho avarento, o Pateta é boa pessoa mas demasiado naif, o Peninha também tem bom coração mas é muito desastrado, o Gastão é um sortudo fanfarrão, a Margarida é uma galdéria e protagonista de uma bigamia mais ou menos assumida, o Zé Carioca é um favelado sem qualquer aspiração de ascensão social, o pato Donald tem um mau feitio desgraçado e por aí adiante.
Não seria exagero dizer que, se cada um de nós fizesse parte do mundo Disney, o rato Mickey seria um dos tipos com quem simpatizaríamos à primeira vista. Certamente que beberia uns copos a seguir à jornada laboral (sem cair em exageros, claro está), que completaria a equipa de futebol de 5 se para isso fosse chamado a um sábado de manhã e daria certamente um jeito junto do chefe para arranjar um trabalho para os amigos. Por tudo isto, pela sua imagem de rato simpático e por ter sido a primeira criação da Disney, o rato Mickey acaba indefectivelmente por ser a intemporal imagem de marca desse mundo gigantesco. Como é óbvio, os seus 80 anos merecem aqui ser assinalados.
Rusgas
A PSP passou o domingo a passar a pente fino as casas de alguns membros dos No Name Boys. Para além das detenções, o resultado da rusga seria mais ou menos expectável: droga (barras de haxixe que mais pareciam pedras da calçada), armas a sério e a fingir, very-lights, tacos de basebol e por aí adiante. Apesar de estarmos já fartos de ouvir falar em claques, parece que se arranjou mais tema para uns noticiários na TV.
Tenho para mim que as claques corporizam o melhor e o pior do futebol. Se é verdade que conseguem ser veículos de genuína paixão pelos seus clubes e são o que anima os jogos de futebol num país onde o público é essencialmente passivo, também não é menos verdade que acabam por ser terreno fértil para a criminalidade e para a violência, não só por serem elas próprias fenómenos essencialmente grupais mas também porque o fervor clubístico pode ser aproveitado, por exemplo, como centro de recrutamento para ideários políticos extremistas. Sendo assim, faz pouco sentido distinguir as claques, sobretudo quando falamos das claques dos três grandes e basta pensar quando há clássicos, em que não há certamente lugar para os bons e para os maus. Um raciocínio que poderia facilmente ser estendido para outro tipo de duelos, como os protagonizados entre o Vitória de Guimarães e o Braga.
Apesar de ser pouco claro o papel dos clubes no enquadramento das claques - em particular dos No Name Boys, que não existe legalmente - parece-me errado meter os clubes ao barulho por isto. Tanto quanto sei, isto é caso de polícia e, mesmo sendo eu benfiquista, tanto me faz que sejam elementos da claque do Benfica como se fossem membros da associação cultural e recreativa de Monte Gordo. Ou melhor, se o Benfica fica mal visto no meio de tudo isto, seria razão para que as penas fossem a dobrar. Ainda assim, e já que as autoridades andam com a mão na massa, seria bom investigar a rapaziada das claques do Porto que, ao que consta, até anda de Porsche.
Tenho para mim que as claques corporizam o melhor e o pior do futebol. Se é verdade que conseguem ser veículos de genuína paixão pelos seus clubes e são o que anima os jogos de futebol num país onde o público é essencialmente passivo, também não é menos verdade que acabam por ser terreno fértil para a criminalidade e para a violência, não só por serem elas próprias fenómenos essencialmente grupais mas também porque o fervor clubístico pode ser aproveitado, por exemplo, como centro de recrutamento para ideários políticos extremistas. Sendo assim, faz pouco sentido distinguir as claques, sobretudo quando falamos das claques dos três grandes e basta pensar quando há clássicos, em que não há certamente lugar para os bons e para os maus. Um raciocínio que poderia facilmente ser estendido para outro tipo de duelos, como os protagonizados entre o Vitória de Guimarães e o Braga.
Apesar de ser pouco claro o papel dos clubes no enquadramento das claques - em particular dos No Name Boys, que não existe legalmente - parece-me errado meter os clubes ao barulho por isto. Tanto quanto sei, isto é caso de polícia e, mesmo sendo eu benfiquista, tanto me faz que sejam elementos da claque do Benfica como se fossem membros da associação cultural e recreativa de Monte Gordo. Ou melhor, se o Benfica fica mal visto no meio de tudo isto, seria razão para que as penas fossem a dobrar. Ainda assim, e já que as autoridades andam com a mão na massa, seria bom investigar a rapaziada das claques do Porto que, ao que consta, até anda de Porsche.
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X&P
Uma destas noites, um amigo envia-me um SMS confessando arrependimento pelo facto de ter ido a um concerto dos Xutos & Pontapés (creio que mandou a mensagem enquanto lá estava), pedindo também o meu perdão pela falha. Concedo obviamente o perdão, esperando obviamente que tenha sido uma pequena mancha em termos de currículo no que a concertos diz respeito. E já que falamos em falhas no currículo, também eu devo dizer que, para além de gostar do "Remar, remar" - uma das boas músicas do rock português, apesar de tudo - estive em tempos num concerto de Xutos & Pontapés, num dos muitos festivais que em tempos se realizavam no Minho. Talvez não haja propriamente lugar para o arrependimento nos mesmos moldes, já que os ditos cujos estavam incluídos num package bastante atractivo, mas tive o azar de os apanhar como cabeça de cartaz. Mas, digam-me o que disserem, uma hora e meia ou duas horas num concerto daqueles, obviamente que dói, pelo que, mais do que o perdão para quem esteve num concerto destes senhores, parece claro que também há lugar para a solidariedade.
Correio do leitor
Hoje, dei com uma série de comentários aos posts mais recentes, aos quais prefiro comentar num único post:
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/um-mundo-catita.html - O Ruca mostra-se preocupado, e com alguma razão, sobre eventuais restrições quanto à transmissão do Um Mundo Catita no canal público de televisão. Ainda assim, sossego: esta mini-série já está feita antes que sequer se soubesse que seria transmitida na televisão posteriormente. A RTP comprou-a como poderia nem sequer a ter comprado.
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/diz-me-o-que-compras-dir-te-ei-quem-s.html - O leitor RECORD BOY PEX GOD GO YANKEES fala em serões passados com comidas de gatos e refeições vegetarianas. Até aqui tudo bem, não fosse a gaffe em relação às batatas fritas Torrense, às quais cola o epíteto de "manhosas". Quem lança estas acusações às batatas fritas de pacote mais fiéis ao espírito inicial - pequenas rodelas de batata fritas em óleo com o mínimo de adições à mistura - está longe da verdade. Batatas como a Torreense ou Titi estão nos antípodas matutanos, pringles, lays e outras artimanhas do marketing da indústria alimentar. Essas sim merecem o rótulo de manhosas.
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/pata-na-poa.html - O post do Spectrum sobre a morte do filho de Paulo Teixeira Pinto e Paula Teixeira da Cruz, que tanto alarido causou, foi entretanto alterado, o que até se percebe. O post original é este e foi já escrito um pedido de desculpas pelo autor neste post.
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/um-mundo-catita.html - O Ruca mostra-se preocupado, e com alguma razão, sobre eventuais restrições quanto à transmissão do Um Mundo Catita no canal público de televisão. Ainda assim, sossego: esta mini-série já está feita antes que sequer se soubesse que seria transmitida na televisão posteriormente. A RTP comprou-a como poderia nem sequer a ter comprado.
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/diz-me-o-que-compras-dir-te-ei-quem-s.html - O leitor RECORD BOY PEX GOD GO YANKEES fala em serões passados com comidas de gatos e refeições vegetarianas. Até aqui tudo bem, não fosse a gaffe em relação às batatas fritas Torrense, às quais cola o epíteto de "manhosas". Quem lança estas acusações às batatas fritas de pacote mais fiéis ao espírito inicial - pequenas rodelas de batata fritas em óleo com o mínimo de adições à mistura - está longe da verdade. Batatas como a Torreense ou Titi estão nos antípodas matutanos, pringles, lays e outras artimanhas do marketing da indústria alimentar. Essas sim merecem o rótulo de manhosas.
http://aleidemurphy.blogspot.com/2008/11/pata-na-poa.html - O post do Spectrum sobre a morte do filho de Paulo Teixeira Pinto e Paula Teixeira da Cruz, que tanto alarido causou, foi entretanto alterado, o que até se percebe. O post original é este e foi já escrito um pedido de desculpas pelo autor neste post.
Tenho andado blogosfericamente distraído...
Só é assim é que posso justificar o atraso com que registo o regresso do blogue Melancómico, de Nuno Costa Santos, ao convívio dos leitores.
Um Mundo Catita
Estreia no próximo Domingo na RTP2. Tem Manuel João Vieira como protagonista, mas traz consigo a pandilha do costume (Gimba, Tony Barrancuda, etc). Por estes dois minutos e meio, dá para ver que é o acontecimento televisivo deste ano em Portugal.
Onde é que andam os defensores dos animais quando precisamos deles?
Hoje de manhã, mal pus os pés fora de casa, deparei-me com dois cães com lenços iguais aos dos Xutos & Pontapés. Eu, que gosto pouco da espécie canina e dos so called reis do rock português, pensei logo para com os meus botões «Rico serviço!» e dei graças pelo facto de ser dotado de uma tolerância que parece ilimitada, fosse eu um tipo mais agressivo e aqueles bichos eram corridos ao pontapé até que alguém lhes pusesse a boina do Miguel Ângelo ou os óculos do José Cid. Fiquei, no entanto, na dúvida: será que a pessoa que cometeu tal proeza é uma dona de cães que não gosta de Xutos & Pontapés ou uma fã dos Xutos que não gosta dos cães?
Vá lá, as excepções...
Quem, como eu, torce o nariz ao rap, hip-hop e quejandos, só tem é de ficar agradecido com as canções que lá vão constituindo a excepção à regra, como "Get them hands hi" dos Ten Days Till e "I don't know what to tell you" de Redrama. Via NBA Live, claro está.
Googladas - aborto
paises que tem o aborto como lei
"bruxaria para aborto
receita caseira para abortar que já deram certo
licor xavier aborto
consequencias de realizar aborto quimico
ervas que provocam aborto
o que os cientistas pensam sobre o aborto?
tintura de café + melhoral abortivo
como provocar um aborto com uma culher caseira
o que leva uma pessoa a realizar o aborto?o que a lei diz sobre isto?
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Diz-me o que compras, dir-te-ei quem és
Entre os exercícios sociológicos que considero mais fascinantes e mais à mão de semear está certamente estar na fila do supermercado, onde passamos aquele pequeno hiato de alguns minutos entre encher o carrinho e o pagamento. Note-se que pus aqui supermercado e não mercearia, praça, frutaria, hipermercado ou loja de roupas. Enquanto espaço intermédio entre o recurso à mercearia e o atestar de compras para o mês dos hipermercados, os supermercados têm o mérito de mostrar a gestão caseira para um espaço reduzido de dias, o que permite a pessoas como eu (com algum currículo em filas de supermercado, devo dizer) tirar as devidas ilações e conseguir colar o rótulo a pequenos grupos sociais.
Deixando imediatamente de lado quem recorre a supermercados por razões meramente profissionais - como os empregados de cafés e restaurantes, que levam certos artigos às dúzias, como água ou guardanapos - o cabaz de compras de cada cidadão diz muito sobre a sua personalidade e modo de vida. O senhor que leva uns croissants, uma lata de salsichas e um sumo de marca branca ou uma cerveja morna certamente trabalha na obra mais próxima. A jovem na casa dos 20 que vai recheada de chocolates e de sumos para casa teve decerto uma zanga com o namorado. A senhora que vai carregada de sopas pré-cozinhadas é divorciada e não tem dotes para a cozinha. O mesmo se aplica do senhor de bigode, na casa dos 50 anos, que enche os sacos com latas de cerveja e pratos devidamente acondicionados em latas. O puto de 18 ou 20 anos que recorre às pizzas e lasanhas congelados ficou sozinho em casa no fim-de-semana ou, caso não seja de Lisboa, já gastou toda a comida que a mãe lhe enviou em tupperwares da última vez que visitou a casa dos pais. Os grupos entre três e seis jovens com ar de militantes do Bloco de Esquerda, que carregam vinho, cerveja, pacotes de massa, latas de atum e vienettas preparam-se para um jantar caseiro que acabará inevitavelmente em bebedeira. Bolos da Dan Cake, chocolates e sobremesas todos juntos, quando carregados por uma mulher na casa dos 40 anos indiciam algumas carências emocionais. Tudo isto sob o olhar insuspeito dos funcionários das caixas, quase sempre mulheres e amiúde com vários anos de carreira naquelas funções. Querem saber mais? Perguntem a eles.
Deixando imediatamente de lado quem recorre a supermercados por razões meramente profissionais - como os empregados de cafés e restaurantes, que levam certos artigos às dúzias, como água ou guardanapos - o cabaz de compras de cada cidadão diz muito sobre a sua personalidade e modo de vida. O senhor que leva uns croissants, uma lata de salsichas e um sumo de marca branca ou uma cerveja morna certamente trabalha na obra mais próxima. A jovem na casa dos 20 que vai recheada de chocolates e de sumos para casa teve decerto uma zanga com o namorado. A senhora que vai carregada de sopas pré-cozinhadas é divorciada e não tem dotes para a cozinha. O mesmo se aplica do senhor de bigode, na casa dos 50 anos, que enche os sacos com latas de cerveja e pratos devidamente acondicionados em latas. O puto de 18 ou 20 anos que recorre às pizzas e lasanhas congelados ficou sozinho em casa no fim-de-semana ou, caso não seja de Lisboa, já gastou toda a comida que a mãe lhe enviou em tupperwares da última vez que visitou a casa dos pais. Os grupos entre três e seis jovens com ar de militantes do Bloco de Esquerda, que carregam vinho, cerveja, pacotes de massa, latas de atum e vienettas preparam-se para um jantar caseiro que acabará inevitavelmente em bebedeira. Bolos da Dan Cake, chocolates e sobremesas todos juntos, quando carregados por uma mulher na casa dos 40 anos indiciam algumas carências emocionais. Tudo isto sob o olhar insuspeito dos funcionários das caixas, quase sempre mulheres e amiúde com vários anos de carreira naquelas funções. Querem saber mais? Perguntem a eles.
Bola até ao pescoço
A notícia de hoje do Correio da Manhã sobre os ordenados dos futebolistas que jogam cá em Portugal e no estrangeiro insere-se no tradicional discurso português da indignação com a fortuna alheia e com os tipos que, lá por saberem dar pontapés numa bola, ganham balúrdios. Obviamente que partilhando do estarrecimento perante os 150.000€ mensais de David Suazo ou dos 100.000€ de Bruno Alves, sem falar dos 620.000€ e 500.000€ que Cristiano Ronaldo e Deco auferem todos os meses, certamente também me ocorre pensar que ambos estão inseridos em actividades de carácter privado onde funciona a lógica da oferta e da procura e que, se fulano A lhes paga esses ordenados, certamente que com eles irá ganhar um valor superior a esses mesmos ordenados, seja através de venda de camisolas, patrocínios ou melhores resultados desportivos que atrairão mais dinheiro. E o que se aplica às figuras de elite poderia certamente aplicar-se a todos os outros desportos, à alta finança, ao mundo dos negócios, à música, ao cinema, à gastronomia ou ao ilusionismo. A lista é longa e os cheques desses protagonistas será propocional à importância que adquiriram nas suas áreas de actividades, bem como a dimensão dessas mesmas áreas.
Inserido nessa mesma lógica dos ordenados dos futebolistas, também ouço muita gente dizer que não dá dinheiro para o futebol para não dar dinheiro a chulos, mesmo que os humores da segunda-feira dependam do resultado do fim-de-semana ou se vão para as ruas festejar as vitórias do clube ou coloquem a bandeira de Portugal nos grandes torneios. Um bom barómetro do futebol enquanto actividade económica são os patrocínios e basta atentar que a Portugal Telecom parece estar visceralmente ligada aos grandes clubes portugueses ou que as grandes cervejeiras patrocinam as principais competições. O futebol adquiriu uma dimensão tal que qualquer um de nós acaba por financiar essa grande máquina e, por inerência, os ordenados dos futebolistas. Estamos, portanto, metidos no mundo da bola até ao pescoço, independentemente de gostarmos ou não da modalidade ou do nosso clube de coração. No dia em que a atenção que prestamos ao futebol passar a ser canalizada para a horticultura, a cerâmica, a poesia ou o coleccionismo, certamente que o mundo da bola perderá importância, o dinheiro envolvido irá diminuir e os ordenados dos jogadores irão obviamente baixar. Enquanto isso não acontecer, não vale a pena andarmos com lamúrias.
Inserido nessa mesma lógica dos ordenados dos futebolistas, também ouço muita gente dizer que não dá dinheiro para o futebol para não dar dinheiro a chulos, mesmo que os humores da segunda-feira dependam do resultado do fim-de-semana ou se vão para as ruas festejar as vitórias do clube ou coloquem a bandeira de Portugal nos grandes torneios. Um bom barómetro do futebol enquanto actividade económica são os patrocínios e basta atentar que a Portugal Telecom parece estar visceralmente ligada aos grandes clubes portugueses ou que as grandes cervejeiras patrocinam as principais competições. O futebol adquiriu uma dimensão tal que qualquer um de nós acaba por financiar essa grande máquina e, por inerência, os ordenados dos futebolistas. Estamos, portanto, metidos no mundo da bola até ao pescoço, independentemente de gostarmos ou não da modalidade ou do nosso clube de coração. No dia em que a atenção que prestamos ao futebol passar a ser canalizada para a horticultura, a cerâmica, a poesia ou o coleccionismo, certamente que o mundo da bola perderá importância, o dinheiro envolvido irá diminuir e os ordenados dos jogadores irão obviamente baixar. Enquanto isso não acontecer, não vale a pena andarmos com lamúrias.
A vitória de Obama
Um país envolvido em duas guerras, relações difíceis com a Rússia ou cortadas com parte da América Latina, a bolha do imobiliário que rebentou, o aumento do desemprego, uma crise financeira em curso que deverá despoletar uma crise económica. Este é o cenário que Barack Obama irá encontrar quando tomar posse, no início de 2009. Este cenário indesejável terá certamente jogado a seu favor por ter conseguido capitalizar o descontentamento de quem antes não votava ou votou nos republicanos nas eleições anteriores. Ainda assim, ninguém lhe pode tirar o mérito da vitória nas eleições norte-americanas e os próprios Estados Unidos mostraram ao mundo que as iniciais reticências à candidatura de um negro para o cargo de presidente não tinham, afinal, razão de ser, mesmo sendo um país onde parece existir quase uma compartimentação da população por raças.
Pata na poça
Confesso que, desde as minhas primeiras visitas ao Spectrum, fiquei um assíduo visitante do blogue, nomeadamente pela argumentação e pelo colorido que algumas divergências internas acabam por trazer, mas ainda assim há que assinalar: este post dedicado à morte do filho de Paulo Teixeira Pinto e de Paula Teixeira da Cruz teve obviamente um carácter despropositado.
4 de Novembro

É hoje que os olhos do mundo estão postos nos Estados Unidos. Um antigo herói de guerra e um afro-americano disputam o cargo de presidente da Nação que, ainda assim, continua a ser a grande referência para o mundo. E se o resto do Mundo pudesse votar, Barack Obama seria certamente o vencedor, tal foi o hype que gerou à sua volta, assumindo-se como a esperança na mudança de um país para quem os últimos anos não foram particularmente felizes - basta citar o 11 de Setembro, o envolvimento em duas guerras, a bolha imobiliária, a crise nos mercados financeiros e o início da recessão - o que pode trazer por arrasto uma melhoria para o resto do planeta. Em bom rigor, Barack Obama consegue ser um excelente produto de Marketing, basta atentar aos seus discursos e à sua pose algures entre o Estadista e o actor de Hollywood, o que provoca em todos nós a convicção de que a América irá mesmo enfrentar uma real mudança, mesmo que se saiba que em determinadas matérias - a Economia por exemplo - um presidente não tem assim tanto poder de influência. Mas a campanha teve precisamente esse lado messiânico e apetece dizer que Obama é uma espécie de D.Sebastião para parte da América e para o mundo, mesmo que até possa vir a ser um flop. No entanto, a Política continua a ser um pouco a arte de de lidar com as expectativas e os sonhos dos povos. Hoje, um pouco como a maioria dos habitantes do planeta, também eu torço por Obama.
Googladas
paródia da cafeina
lei parva
vidios gratis de peidas grandes
hiperbole na colher
o que é barrasca
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origem de lavar roupa suja
sonhar com espíritos vestidos de branco
simpatias miticas
um bacalhau é sinonimo de aperto de mão
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Onde é que eu já visto?!
Antes do Vitória de Guimarães - Benfica, um amigo dizia-me via MSN que hoje era para cilindrar e que lá para Maio estaremos a festejar o título no Marquês de Pombal. Fi-lo ver que o importante é a humildade e que nenhum jogo está ganho à partida. O facto de o Benfica ser quase um espelho de um certo desequilíbrio emocional do país requer que haja algo bom-senso na forma como olhamos para os jogos, que passa pelo eterno clichê de que todos os jogos são muito difíceis. Dito e feito. Aos 20 minutos, já o jogo parecia ganho, mas um desvario de Reyes e um golo do adversário fizeram-me voltar atrás no tempo até à saudosa época em que a Nação festejou o fim do jejum de 11 anos, mas onde cada vitória era mais difícil de arrancar do que as rolhas em garrafas de vinho com algumas décadas. E o saudosismo apoderou-se de mim, ao recordar as vitórias suadas em que, sob a batuta do grande Trappatoni, geríamos vantagens de um golo em pleno Estádio da Luz contra Moreirense, Penafiel ou Estoril. Foram essas vitórias suadas e esses largos minutos sem sair do próprio meio-campo que permitiram amealhar mais pontos que o adversário no final da temporada 2004/05. Por muito paradoxal que pareça, fiquei mais feliz com a vitória de hoje do que se o Benfica tivesse cilindrado o adversário por 4 ou 5. Para mostrar a importância das vitórias sofridas e evitar as euforias, claro.
A importância dos topónimos
Pus hoje os meus pés em Moscavide por apenas 15 minutos. Nesse quarto de hora, fui confrontado com os relatos de alguns dos episódios de pancada protagonizados por um senhor na casa dos 60 anos em toda a sua vida, envolvendo particularmente minorias étnicas e bairros sociais ali para os lados da Damaia. Este herói incompreendido fez-me ver a importância de nos sabermos defender da corja que pulula por essas ruas e reiterou que ainda hoje não nem tem medo de adolescentes com idade para serem seus netos. A fazer fé nestes relatos, o senhor em causa já teria despachado ao murro e ao pontapé meio concelho da Amadora. O nosso Rambo suburbano não é de Moscavide nem foi lá que cometeu as suas proezas, mas foi lá que ouvi estes relatos na primeira pessoa. É por estas situações que acho que quem disser que Moscavide é um sítio igual aos outros está evidentemente a mentir.
Trabalho sujo
Vi hoje pela primeira vez o programa no Discovery, em que Peter Schmeichel toma contacto com os mais diversos dirty jobs. No episódio a que hoje assisti, o antigo guarda-redes foi convidado a percorrer os esgotos de Paris, a trabalhar com carniceiros e a perfurar rochas. Em cada episódio, passa por um país diferente e toma contacto com alguns trabalhos mais complicados e aos quais a maioria das pessoas iria torcer o nariz. Se, à partida, nada há de mal em colocar o antigo guarda-redes num programa deste tipo, o que realmente me suscita a surpresa é não haver qualquer referência ao maior dirty job que Schmeichel teve de enfrentar até hoje:


