O negócio radiofónico devidamente esclarecido por António Silva n'"A menina da rádio". Parecendo que não, está lá tudo: a importância da publicidade para os anunciantes e para a própria rádio, a viabilidade financeira da coisa, a importância dos conteúdos transmitidos. Pelo meio, as eternas punchlines que dão um perfume próprio aos velhos clássicos do cinema português.
O fim do chumbo
Sempre tive a ideia de um chumbo ou reprovação como a declaração da incapacidade de se atingir um patamar mínimo de objectivos, pelo que acaba por ser uma forma de se voltar um pouco ao início de um processo para que os objectivos possam ser cumpridos na próxima tentativa. Os exemplos são vários: o carro chumba na inspecção porque não cumpre certos requisitos e terá de regressar com as mudanças necessárias, a obra é embargada porque faltam certos patamares de segurança que terão de melhorados, um tipo chumba no exame de condução porque não foram cumpridos procedimentos considerados essenciais para que esteja habilitado para a condução.
Isto a propósito da proposta do Conselho Nacional da Educação para acabar com os chumbos até aos 12 anos. Para quem abandonou os bancos da escola há pouco mais de uma década, devo dizer que já estou bastante desactualizado com as novas práticas, pois cada vez ouço mais estórias sobre a imposição quase administrativa da ausência de chumbos. Recordo até o episódio caricato de um sujeito conhecido que, após constatar que a filha de 13 anos nada fez durante o ano (em acumulou notas negativas durante o ano e em condições normais acabaria por chumbar), teve de ser ele próprio a obrigar a directora de turma da filha para que esta chumbasse de ano. Tanto quanto me lembro, sempre convivi com casos de chumbo, ou seja, casos de pessoas que não cumpriam os requisitos mínimos para passar de ano, fosse em qualquer nível de ensino ou na universidade. Seja bom para os alunos e respectivas famílias ou não, o sistema da passagem de ano/chumbo de ano acaba por ser o único que faz a destrinça entre o cumprimento ou não de parâmetros mínimos, ou seja, entre aqueles que se esforçam minimamente na actividade escolar e os que não o fazem. Ao acabar com o chumbo, tanto os que se esforçam como os que não se esforçam são prejudicados: aos primeiros deixa de valer a pena estudar para passar, aos segundos é dada uma falsa ideia de que não faz sentido o esforço pois a recompensa acabará sempre por chegar. E esta criação de uma certa cultura avessa ao premiar do mérito e do esforço não é certamente benéfica para o país e seus cidadãos.
Isto a propósito da proposta do Conselho Nacional da Educação para acabar com os chumbos até aos 12 anos. Para quem abandonou os bancos da escola há pouco mais de uma década, devo dizer que já estou bastante desactualizado com as novas práticas, pois cada vez ouço mais estórias sobre a imposição quase administrativa da ausência de chumbos. Recordo até o episódio caricato de um sujeito conhecido que, após constatar que a filha de 13 anos nada fez durante o ano (em acumulou notas negativas durante o ano e em condições normais acabaria por chumbar), teve de ser ele próprio a obrigar a directora de turma da filha para que esta chumbasse de ano. Tanto quanto me lembro, sempre convivi com casos de chumbo, ou seja, casos de pessoas que não cumpriam os requisitos mínimos para passar de ano, fosse em qualquer nível de ensino ou na universidade. Seja bom para os alunos e respectivas famílias ou não, o sistema da passagem de ano/chumbo de ano acaba por ser o único que faz a destrinça entre o cumprimento ou não de parâmetros mínimos, ou seja, entre aqueles que se esforçam minimamente na actividade escolar e os que não o fazem. Ao acabar com o chumbo, tanto os que se esforçam como os que não se esforçam são prejudicados: aos primeiros deixa de valer a pena estudar para passar, aos segundos é dada uma falsa ideia de que não faz sentido o esforço pois a recompensa acabará sempre por chegar. E esta criação de uma certa cultura avessa ao premiar do mérito e do esforço não é certamente benéfica para o país e seus cidadãos.
O custo-benefício
Embora sem duvidar da importância de uma grande carga metafórica inerente ao uso de piropos (e todos nós sabemos o quão divertido é ouvir coisas com carga metafórica), sempre me pareceu pouco lógico o seu uso do ponto de vista da eficácia. Ou seja, olhando para os ditos cujos numa óptica de custo-benefício. Se até pode existir algum benefício na expressão pública de ditos como «Ó jóia, anda cá ao ourives!» - como um certo efeito de catarse ou o marcar pontos na tabela onde se contabiliza um certo machismo marialva - esse mesmo benefício é rapidamente anulado pelos elevados prejuízos que estes acartam: ao autor de tais impropérios é imediatamente colado um rótulo de boçalidade, sem falar no facto de que ainda estou para conhecer a estória do primeiro tipo que teve direito a tudo aquilo a que se propunha fazer com a transeunte em causa. Mas desta vez sem metáforas pelo meio.
Deviam era ensinar os putos a fazer destas coisas
Parece-me incontestável que o vídeo do "Alma gémea" do Sam The Kid é indubitavelmente uma lição sobre como fazer bons vídeos sem grandes recursos e transformar imagens aparentemente sem grande interesse (muito embora qualquer imagem de festividade familiar nos anos 70 mereça sempre a nossa atenção) num bom objecto artístico. Mais uma prova de que "Beats Vol.1" é um dos grandes discos feitos a Portugal nesta década.
Googladas
nadir hi5 póvoa varzim
Gravar conversas com telemovel é permitido por lei?
Hiperbole 30°
roque enrole do smuel uria
para que serve a erva do diabo
como saber que a locoste é falsificada? tem como saber?
as leis da sensibilidade
youtube estos chicos de ravessa
Ponto para costura do Jacaré da lacoste
qual o valor da fortuna de mike oldfield
Gravar conversas com telemovel é permitido por lei?
Hiperbole 30°
roque enrole do smuel uria
para que serve a erva do diabo
como saber que a locoste é falsificada? tem como saber?
as leis da sensibilidade
youtube estos chicos de ravessa
Ponto para costura do Jacaré da lacoste
qual o valor da fortuna de mike oldfield
Ao fim de três anos e picos
Despedi-me por estes dias do emprego onde passei os últimos três anos e pouco, tendo acabado uma relação que já há muito tinha chegado a um ponto em que eu e o meu empregador já pouco tínhamos para dar de novo um ao outro. O que ia segurando, por assim dizer, a nossa relação era apenas um ordenado, que embora magro, me era imprescindível para cobrir as despesas que qualquer pessoa normal tem. Se, por norma, a palavra mudança associada a emprego costuma assustar só de ouvir, sempre tive a sensação de que, quando esse mudança é para melhor, há mais razões para festejar do que para lamentar e eu já posso dizer que tenho algum currículo nessas "mudanças de camisola", o que confere sempre uma maior bagagem para aguentar o inevitável impacto das mudanças. O emprego onde amanhã ingresso andará certamente um pouco longe do que andei a congeminar durante os anos da minha Licenciatura, mas a experiência de mercado de trabalho e do confronto com a lei da oferta e da procura confere certamente um maior pragmatismo e realismo à forma como olhamos para o nosso percurso profissional. Percurso esse que conhece amanhã uma nova etapa. Vamos a isso!
O arroz na Guiné
Embora tenha sido eu a lançar o primeiro bitaite, agradeço obviamente a citação ao LdM no blogue "Na Guiné, só comi arroz" .
A tropa
Independentemente do que se possa achar dos governos PSD/CDS e , em particular, de Paulo Portas enquanto ministro, é um facto que o líder dos populares concretizou uma medida que acabou definitivamente com um pequeno fantasma que povoava a mente de muito jovenzinho da minha idade: o serviço militar obrigatório. Se a nação deve estar grata a Paulo Portas por isto, não é menos verdade que esta decisão teve também o efeito pernicioso de acabar com um denominador comum nas conversas dos homens deste país e, por inerência, a um importante factor de socialização junto de uma determinada camada social. Refiro-me, obviamente, à sempre eterna discussão e memória que assalta qualquer homem deste país sobre o tempo em que andou na tropa.
No Hi5 como na vida
Quando determinadas novidades tecnológicas surgiram, quase sempre as primeiras reacções foram de estranheza. Ainda me lembro: os telemóveis eram desnecessários por causa dos telefones, a Internet supérflua porque nada se aprendia lá, a televisão por cabo fazia pouco sentido porque já existiam os canais portugueses. A lista é longa, portanto. A minha primeira reacção a todas estas coisas foi mais ou menos a mesma, mas acabei por me adaptar a todas essas novidades que inicialmente se estranhavam mas que acabavam por se entranhar. E posso dizer que fiquei mais ou menos a meio caminho em muitas dessas coisas: já conhecia muita gente com telemóvel antes de eu próprio ter um calhamaço Ericsson mas vi outros terem o primeiro a seguir a mim, fui na grande vaga que colocou Internet a preços de chamadas telefónicas na transição do milénio, tendo-se passado algo parecido em relação à televisão por cabo.
Certamente que todos presenciámos ou protagonizámos situações em que, num jantar ou num encontro nocturno de amigos mais agitado, há sempre um tipo que chega mais tarde quando os restantes já levam o que tecnicamente se chama "algum andamento". E à força, os recém-chegados tentam atingir esses mesmos níveis com recurso a formas pouco sensatas, como beber à bruta e meter shot's pelo meio. Esta situação pode aplicar-se à habituação tecnológica: os últimos a comprarem telemóvel acabaram por ser aqueles que mais se viciaram no seu uso e as últimas pessoas que conheci a terem Internet foram (e são) aquelas que mais me inundam o endereço de e-mail com imagens de quedas de água na América do Sul ou com 30 dicas para evitar o carjacking.
Passeava há pouco pelo Hi5 - um tal site que quando chegou, só servia era para os engates e para a coscuvilhice da vida alheia - e apercebi-me que por lá passou-se o mesmo: os primeiros a lá chegar mantêm páginas um tanto ou quanto sensaboronas, quase com o mesmo conjunto de fotografias ao longo dos últimos três anos, ao passo que os mais recentes utilizadores são os que mais povoam os perfis com mensagens de felicidade eterna, widgets de horóscopos, cocktails virtuais, wallpapers com flores ou listas de intermináveis de citações retiradas das Selecções do Reader's Digest. Chegar tarde às vezes dá nisto.
Certamente que todos presenciámos ou protagonizámos situações em que, num jantar ou num encontro nocturno de amigos mais agitado, há sempre um tipo que chega mais tarde quando os restantes já levam o que tecnicamente se chama "algum andamento". E à força, os recém-chegados tentam atingir esses mesmos níveis com recurso a formas pouco sensatas, como beber à bruta e meter shot's pelo meio. Esta situação pode aplicar-se à habituação tecnológica: os últimos a comprarem telemóvel acabaram por ser aqueles que mais se viciaram no seu uso e as últimas pessoas que conheci a terem Internet foram (e são) aquelas que mais me inundam o endereço de e-mail com imagens de quedas de água na América do Sul ou com 30 dicas para evitar o carjacking.
Passeava há pouco pelo Hi5 - um tal site que quando chegou, só servia era para os engates e para a coscuvilhice da vida alheia - e apercebi-me que por lá passou-se o mesmo: os primeiros a lá chegar mantêm páginas um tanto ou quanto sensaboronas, quase com o mesmo conjunto de fotografias ao longo dos últimos três anos, ao passo que os mais recentes utilizadores são os que mais povoam os perfis com mensagens de felicidade eterna, widgets de horóscopos, cocktails virtuais, wallpapers com flores ou listas de intermináveis de citações retiradas das Selecções do Reader's Digest. Chegar tarde às vezes dá nisto.
O baú das canções: "Encontrei"
Os meus velhos arquivos estão de boa saúde e recomendam-se. Uma pesquisa um pouco comprometedora por esta canção não resultou em nada de relevante, o que só dá vem dar valor aos meus CD-R recheados de músicas avulso apanhadas aqui e ali na net há uns anos atrás.
E o que é a canção "Encontrei", afinal? Voltamos oito anos atrás, quando o primeiro Big Brother estava no seu auge. E o mais polémico de todos os concorrentes talvez ainda por lá andasse, pouco antes do caso de violência doméstica (afinal de contas, tratou-se de violência dentro de uma casa) que o colocaria uma semana debaixo de fogo, mas que não beliscaria a sua popularidade entre o público. Semanas depois da expulsão, gravaria uma canção romântica, dedicada à então namorada, que hoje se senta ao lado de Cláudia Jacques ou José Castelo Branco nas conversas de cabeleireiro diariamente transmitidas nas tardes da SIC. "Encontrei" de Marco Borges foi uma grande canção de amor, a quem a Nação não deu o devido valor pelo contexto em que apareceu. E é também para lutar contra este tipo de esquecimentos que existe o LdM.
Canivete-suiço
Uma das maravilhas da vida moderna é o extraordinário desdobramento a que estamos sujeitos. Um dos mais fantásticos exemplos exprime-se na quantidade de cartões que transportamos na carteira. Ao observarmos tal espectáculo, somos imediatamente confrontados com as nossas variadas facetas sob a forma de pequenos rectângulos de cartão: o normal cidadão, o contribuinte, o eleitor, o utente do SNS, o utente de um seguro privado, o condutor, o utilizador de transportes públicos, o cliente de uma grande superfície, o jovem com direito a cartão que dá descontos, o trabalhador, o estudante, o cliente bancário ou o sócio do clube. A lista é longa.
Neste particular, não tenho saudades do tempo em que a minha carteira Dunas era um depósito quase vazio de cartões, no qual apenas constavam o BI, o cartão jovem ou o cartão da escola e, mais tarde, da universidade. Ainda assim, faz-me confusão olhar para uma carteira absolutamente a abarrotar de cartões que simbolizam as minhas facetas de comum cidadão, mas também as de consumidor ou de tipo com a mania que tenta fazer desporto. Sei que o Cartão do Cidadão dará um contributo na redução deste peso na carteira dos portugueses, mas há momentos em que dou por mim a pensar numa espécie de canivete-suiço da identificação e a imaginar o meu cartão do Modelo a dar-me também luz verde para as instalações da piscina municipal que frequento e a servir de identificação fiscal ou o meu passe social possibilitar levantar dinheiro em caixas ATM, dar descontos no comércio local da minha freguesia ou a permitir o acesso a hospitais privados. E será sonhar demasiado alto ao imaginar o cartão de associado do Montepio conferir igualmente o direito a ser sócio do clube Minipreço ou do INATEL e servir também para picar o ponto quando chego ao trabalho?
Neste particular, não tenho saudades do tempo em que a minha carteira Dunas era um depósito quase vazio de cartões, no qual apenas constavam o BI, o cartão jovem ou o cartão da escola e, mais tarde, da universidade. Ainda assim, faz-me confusão olhar para uma carteira absolutamente a abarrotar de cartões que simbolizam as minhas facetas de comum cidadão, mas também as de consumidor ou de tipo com a mania que tenta fazer desporto. Sei que o Cartão do Cidadão dará um contributo na redução deste peso na carteira dos portugueses, mas há momentos em que dou por mim a pensar numa espécie de canivete-suiço da identificação e a imaginar o meu cartão do Modelo a dar-me também luz verde para as instalações da piscina municipal que frequento e a servir de identificação fiscal ou o meu passe social possibilitar levantar dinheiro em caixas ATM, dar descontos no comércio local da minha freguesia ou a permitir o acesso a hospitais privados. E será sonhar demasiado alto ao imaginar o cartão de associado do Montepio conferir igualmente o direito a ser sócio do clube Minipreço ou do INATEL e servir também para picar o ponto quando chego ao trabalho?
Googladas - grelo
o maior grelo que uma mulher tem
grelo beautiful
velhas de grelo grande
yuotube bocas de grelos grandes
grelo escuro grande
grelo de ouro
o que é grelinho fotos
mulher com grelo gigante
grelo ventilada
asiatica do grelo grande
grelo beautiful
velhas de grelo grande
yuotube bocas de grelos grandes
grelo escuro grande
grelo de ouro
o que é grelinho fotos
mulher com grelo gigante
grelo ventilada
asiatica do grelo grande
Chamem a polícia!
Há uns dias, assisti a um pequeno acidente de viação, no qual fui constituído como testemunha. Como sucede nestas situações, a polícia teve de ir ao local para tomar conta da ocorrência. Ao assistir a toda a actuação da polícia nesta situação - seja os próprios polícias, todo um jargão técnico utilizado como «no trânsito não há acidentes, há infracções», a forma como simultaneamente tentam exercer a autoridade mas dando a entender que nada têm a ver com o assunto - fiquei rapidamente a compreender por que razão as forças da autoridade são uma fonte tão boa de ideias para os nossos comediantes.
A Web 2.0
Há umas semanas, quando li neste blogue o relato na primeira pessoa sobre as sessões de formação do Magalhães em Cantanhede, apercebi-me logo que estava ali material do bom para causar polémica. Afinal de contas, membros de uma classe profissional que reclama mais autoridade vão para sessões de formação protagonizar teatros de interesse duvidoso e andar na paródia. Foi uma questão de semanas até que os meios de comunicação pegassem no assunto e as imagens suscitassem a estranheza. Com recurso a um post e a um vídeo, um anónimo professor salta para os escaparates como o porta-voz daquele espectáculo. Tudo isto é a prova que a Web 2.0 tem mais força social do que às vezes parece.
O capítulo seguinte
A notícia constou aqui por uns breves minutos na passada segunda-feira, mas, por uma questão de prudência - leia-se, ainda nada tinha sido formalmente assinado - foi imediatamente retirada. Tenho andado aqui a mandar postas sobre o Eurodance e o Bairro Alto, mas a fugir ao capítulo seguinte da história relativa à entrevista de emprego da passada sexta-feira, com uma pré-entrevista antes disso.
O facto é que os meus receios não se confirmaram e acabei por ser aceite no emprego em causa. Ontem assinei contrato com o novo empregador e rescindi o contrato que me liga à empresa onde trabalhei nos últimos três anos e qualquer coisa. Dentro de dez dias, mudo de poiso. Agradeço também as felicitações que recebi nos últimos dias e afianço que será cumprida a promessa, feita há uns 10 meses atrás, de abrir a garrafa de Moët et Chandon oferecida pela Vodafone quando mudasse de emprego.
O facto é que os meus receios não se confirmaram e acabei por ser aceite no emprego em causa. Ontem assinei contrato com o novo empregador e rescindi o contrato que me liga à empresa onde trabalhei nos últimos três anos e qualquer coisa. Dentro de dez dias, mudo de poiso. Agradeço também as felicitações que recebi nos últimos dias e afianço que será cumprida a promessa, feita há uns 10 meses atrás, de abrir a garrafa de Moët et Chandon oferecida pela Vodafone quando mudasse de emprego.
Electricidade ou falha de tensão?
Se o Eurodance é, já de si, uma memória um pouco comprometedora - nomeadamente com a reacção "Como é que um gajo podia/pode gostar disto?!" - olhar para o que foi o Eurodance nos anos 90 suscita ainda maior embaraço. Este vídeo pertence à colectânea Electricidade, programa da Rádio Cidade e tive a sorte de o encontrar nesse verdadeiro serviço público chamado RTP Memória, num Top + lá por 96 ou coisa parecida e fiquei absolutamente impressionado com a forma como este vídeo consegue representar uns certos anos 90, pirosos e suburbanos. Está lá tudo: o supracitado Eurodance, o look desportivo e descontraído mas com indumentária vinda directamente da última colecção de um qualquer Matos Sports ou Tozé Desporto da Brandoa ou Feijó, a prática da aeróbica (generalizou-se em meados dos anos 90 em qualquer ginásio, fosse ele da junta de freguesia ou da classe média alta) ou a rádio Cidade do tempo em que era um feudo dos locutores brasileiros para os lados da Amadora. Daqui a muitos anos e vos perguntarem algo sobre os anos 90, mostrem apenas este vídeo. Não está lá tudo, mas ajuda a explicar.
Bairro Alto
No grupo de todos os locais disponíveis para sair à noite em Lisboa, escolho o Bairro Alto e a Bica. Sítios que parecem iguais, mas apenas para quem não conhece o tipo de estabelecimentos e de público de uma e outra zona. Restrinjo-me ao primeiro. O Bairro Alto (BA para os amigos) é um sítio de que me habituei a gostar, pela multiplicidade de pessoas e tribos que por lá passam, pela diversidade de bares, pelos preços baixos, pelos acessos ou pelo próprio carácter informal. No entanto, sou obrigado a concluir que há há coisas que ajudam a degradar a minha própria opinião sobre o local: as paredes completamente vandalizadas, os traficantes de "droga" (vão lá fumar louro e aspirinas que muita desta malta vende e depois conversamos!) ou os jovens com problemas de integração social que se dedicam à confusão e aos assaltos.
Hoje, foi apresentado um plano com vista à intervenção naquele local. Sucintamente, no plano constam um reforço do policiamento, mais iluminação, o julgamento sumário de quem fôr apanhado a vandalizar paredes e a obrigação de os próprios serem obrigados a limpar as paredes que sujam e novas regras para os horários de bares. Apesar de as alterações nos horários poderem causar algum desagrado - apenas será possível que os bares estejam abertos até às quatro da manhã às sextas, sábados e vésperas de feriado - tudo o resto gerará facilmente algum consenso entre moradores, proprietários e frequentadores do espaço. Melhorar a convivência é sempre bom e o Bairro Alto poderá marcar alguns pontos.
Hoje, foi apresentado um plano com vista à intervenção naquele local. Sucintamente, no plano constam um reforço do policiamento, mais iluminação, o julgamento sumário de quem fôr apanhado a vandalizar paredes e a obrigação de os próprios serem obrigados a limpar as paredes que sujam e novas regras para os horários de bares. Apesar de as alterações nos horários poderem causar algum desagrado - apenas será possível que os bares estejam abertos até às quatro da manhã às sextas, sábados e vésperas de feriado - tudo o resto gerará facilmente algum consenso entre moradores, proprietários e frequentadores do espaço. Melhorar a convivência é sempre bom e o Bairro Alto poderá marcar alguns pontos.
Googladas
pps musicados sobre ciganos
agonizing terror portugal crime
aonde fica o leste
palavrao em turco
Fundação comendador rock
sala de aula - parabolas - 5º ano
musicas conteporaneas da antiguidade
tomas muros (a autopia)
cerveja preta eh alcoolica?
posteres de cachorros da raça jack russell
agonizing terror portugal crime
aonde fica o leste
palavrao em turco
Fundação comendador rock
sala de aula - parabolas - 5º ano
musicas conteporaneas da antiguidade
tomas muros (a autopia)
cerveja preta eh alcoolica?
posteres de cachorros da raça jack russell
Isto é coisa para dar jeito numa situação de aperto
Tenho usado poucas gravatas, ultimamente. Aliás, tal como tenho feito a minha vida toda. Ontem, tive de usar uma para uma entrevista de emprego (já lá vamos) e fi-lo recorrendo à obra sobre a história de tal peça de vestuário com dicas preciosas sobre como fazer os nós. No entanto, no último casamento onde fui limitei-me ao fato e à camisa porque estava calor nesse dia e também porque estava com a neura e desisti à terceira tentativa. Atente-se na desistência de fazer um nó de gravata mesmo olhando para um profusamente ilustrado manual. Também tenho recebido algumas queixas de outras pessoas sobre esta matéria e envolvendo também casamentos: alguém que andava a telefonar para outras pessoas antes de sair de casa porque não sabia como fazer o nó ou quem tivesse pedido ao pai para deixar o nó preparado. Como sei que este é um problema comum para quem anda no dia-a-dia de forma informal, ficam as imagens de cima: três modelos de nós de gravata, começando no nó de três movimentos, passando pelo de quatro e terminando no de cinco. Não sou consultor de moda, mas acredito que no meio estará a virtude e o meu conselho é precisamente esse: não é excessivamente simples mas também não obriga a um conhecimento aprofundado de leis da Física.
E já que meti aqui a entrevista de emprego ao barulho, agradeço as mensagens de apoio que me chegaram (não via blogue) para que a coisa corresse bem. Efectivamente, a coisa não correu bem como eu esperava - não tenho problemas de maior em falar Inglês nem em ir a entrevistas, mas combinar as duas coisas numa só já se afigura mais complicado - e inclino-me um pouco mais para que a coisa fique por aqui, mas o facto de já ter sido a derradeira fase de selecção e também a forma como o processo está a decorrer ainda me permite alimentar alguma esperança num desfecho positivo.
Multitap
Discordo em parte da tese que defende que as consolas vieram substituir os velhos jogos de tabuleiro ou de mesa. Em primeiro lugar, porque continuam a vender-se jogos de tabuleiro como quem vende chupa-chupas, basta atentar no grande acontecimento que foi a edição mundial do monopólio ou em fenómenos como o Risco ou o Magic The Gathering. Em segundo lugar, porque basta estar atento a algo tão simples como a disposição dos intervenientes num jogo de tabuleiro e num jogo de consola: no primeiro estão virados uns para os outros e no segundo estão virados todos para uma televisão. Podemos, isso sim, dizer que as consolas concorrem com a televisão e que serões outrora passados com amigos a ver programas de televisão sem grande nível são hoje passados em alegres disputas virtuais.
Ontem, experimentei um multitap para a minha Playstation 2, comprado a preço de saldo. Em vez de duas pessoas, passam a poder jogar quatro ao mesmo tempo. Há poucos jogos com essa funcionalidade, mas ontem dediquei-me com dois amigos ao jogo dos Jogos Olímpicos. Três tipos a praticar simultaneamente modalidades que, em bom rigor, nem sequer faz grande sentido serem jogadas numa consola - tiro aos pratos, salto com vara ou 110 metros barreiras - tem muito que se lhe diga. Neste caso específico, os jogos a três ou a quatro não vêm substituir algo que que já existisse antes, pelo que não estão a roubar o lugar a nada. Quanto muito, a uma noite de filmes de terror série B e psicotrópicos importados do Paquistão.
Ontem, experimentei um multitap para a minha Playstation 2, comprado a preço de saldo. Em vez de duas pessoas, passam a poder jogar quatro ao mesmo tempo. Há poucos jogos com essa funcionalidade, mas ontem dediquei-me com dois amigos ao jogo dos Jogos Olímpicos. Três tipos a praticar simultaneamente modalidades que, em bom rigor, nem sequer faz grande sentido serem jogadas numa consola - tiro aos pratos, salto com vara ou 110 metros barreiras - tem muito que se lhe diga. Neste caso específico, os jogos a três ou a quatro não vêm substituir algo que que já existisse antes, pelo que não estão a roubar o lugar a nada. Quanto muito, a uma noite de filmes de terror série B e psicotrópicos importados do Paquistão.
MEC na TSF
Gosto bastante do Miguel Esteves Cardoso. Não posso dizer que cresci a ler o que ele escrevia nos jornais, mas comecei a gostar quando li "A causa das coisas", uma colectânea das crónicas que foi escrevendo no Independente numa visão ao mesmo tempo carinhosa e paternalista de um Portugal que, feitas bem as contas, ainda existe. Ainda assim, num país onde há um Medina Carreira e um Vasco Pulido Valente a cada esquina, é dos poucos que ainda nos deixa viver relativamente em paz com as nossas idiossincrasias enquanto povo.
A entrevista dada ontem no programa "Pessoal e transmissível" na TSF começa com a abordagem à gastronomia nacional, face ao recente lançamento da sua obra "Em Portugal Não se Come Mal", mas prossegue com a visão sui generis que tem do país, o percurso jornalístico e literário, o elogio aos blogues portugueses e a confissão de que actualmente tem pretensões de chegar a sábio. 35 minutos que vale a pena ouvir.
Googladas
simpatias caseiras para saber se esta gravida
o fenomeno do hi5 para pessoas de meia idade casadas
ver relatos quente gay gratis
receitas para acabar com cheiro nas axilas
reginaldo rosse é o rei de qual tipo de música
correio da tarte
letras de musicas famosas para serem cantadas para a Pátria
tem um jogo chamado COMAX ou não ?
como falar de carma planetário para pré-adolescentes
onda choc - feira popular
o fenomeno do hi5 para pessoas de meia idade casadas
ver relatos quente gay gratis
receitas para acabar com cheiro nas axilas
reginaldo rosse é o rei de qual tipo de música
correio da tarte
letras de musicas famosas para serem cantadas para a Pátria
tem um jogo chamado COMAX ou não ?
como falar de carma planetário para pré-adolescentes
onda choc - feira popular
O som de fundo
Numa esplanada a ler "O sétimo selo", o meu ruído de fundo não são os pássaros a chilrear, os carros a passar ou o vento a soprar. O som que me vai entrando ouvidos dentro é o de uma conversa de duas jovens, bastante animadas a planear diversas surpresas para o casamento de uma amiga comum dentro de semanas. E entre as páginas e a conversa lá me vai assaltando a dúvida sobre o que é mais assustador: se o anúncio de um cenário apocalíptico de escassez de petróleo que o livro parece antecipar ou as dúvidas sobre o momento ideal para passar um slideshow com um best of das fotografias da noiva.
O direito à coerência
Têm suscitado polémica as declarações do Papa Bento XVI sobre o preservativo. Sempre que um Papa fala do dito cujo (ou lhe metem um no nariz) lá voltam as teses da praxe a contestar várias posições da Igreja Católica: que é a favor da SIDA, dos filhos não desejados, que é contra o aborto, que não respeita a individualidade de cada um e por aí adiante.
Como qualquer pessoa, há coisas nas posições públicas da Igreja Católica com que concordo e outras com que discordo. Aliás, devo dizer que a Doutrina Social da Igreja tem uma flexibilidade tal que pode ser aproveitada tanto à Esquerda como à Direita. Por cá, tenho visto o Francisco Louçã recordar as posições do Papa (o actual e o anterior) contra a guerra no Iraque e contestar o que diz, nem vamos mais longe, sobre o aborto. Mas também já vi o Paulo Portas apoiar a posição da Igreja quanto ao mesmo aborto e fazer orelhas moucas aos alertas vindos do Sumo Pontífice aquando da invasão ao país de Saddam. E é esta maleabilidade que faz das posições públicas da Igreja uma espécie de máquina de bebidas em que se metem as moedas e se escolhem as posições que mais convêm.
Posto isto, reconheço à Igreja Católica um direito e um dever. O direito de ter as posições que entender sobre qualquer assunto, desde que não comprometa a sua matriz. E o dever de ser coerente entre o seu pensamento e a concretização desse mesmo pensamento na sociedade. E sobre o uso do preservativo, ninguém pode ser acusado de falta de coerência: a Igreja é defensora do acto sexual no contexto de um casal e, se quisermos ser mais rigorosos, visando a procriação. Uma eventual defesa do uso do preservativo representaria abrir mão deste princípio. Tal como a defesa da vida desde a sua concepção não pode ser compatível com a defesa do aborto ou a defesa vida humana não poder contemplar qualquer abertura face à pena de morte ou à eutanásia.
Não estou com isto a querer dizer que defendo a posição da Igreja Católica. Aliás, não tenho grande legitimidade para o fazer. Mas acho que é tempo de a sociedade deixar de pedir ziguezagues e inflexões na sua doutrina só porque há uma mudança dos tempos. Quem quiser seguir as recomendações da Igreja segue, quem não quiser não o faz. As coisas são tão simples quanto isso. E, a mim, que não tenho qualquer responsabilidade em vir aqui defender qualquer posição desta ou daquela religião, devo dizer que me há uma certa desonestidade intelectual da parte das pessoas que acusam a Igreja de querer fomentar a propagação da SIDA e outras doenças, face à oposição quanto ao uso do preservativo, deixando automaticamente de parte a responsabilidade inerente a cada pessoa pelos seus actos.
Como qualquer pessoa, há coisas nas posições públicas da Igreja Católica com que concordo e outras com que discordo. Aliás, devo dizer que a Doutrina Social da Igreja tem uma flexibilidade tal que pode ser aproveitada tanto à Esquerda como à Direita. Por cá, tenho visto o Francisco Louçã recordar as posições do Papa (o actual e o anterior) contra a guerra no Iraque e contestar o que diz, nem vamos mais longe, sobre o aborto. Mas também já vi o Paulo Portas apoiar a posição da Igreja quanto ao mesmo aborto e fazer orelhas moucas aos alertas vindos do Sumo Pontífice aquando da invasão ao país de Saddam. E é esta maleabilidade que faz das posições públicas da Igreja uma espécie de máquina de bebidas em que se metem as moedas e se escolhem as posições que mais convêm.
Posto isto, reconheço à Igreja Católica um direito e um dever. O direito de ter as posições que entender sobre qualquer assunto, desde que não comprometa a sua matriz. E o dever de ser coerente entre o seu pensamento e a concretização desse mesmo pensamento na sociedade. E sobre o uso do preservativo, ninguém pode ser acusado de falta de coerência: a Igreja é defensora do acto sexual no contexto de um casal e, se quisermos ser mais rigorosos, visando a procriação. Uma eventual defesa do uso do preservativo representaria abrir mão deste princípio. Tal como a defesa da vida desde a sua concepção não pode ser compatível com a defesa do aborto ou a defesa vida humana não poder contemplar qualquer abertura face à pena de morte ou à eutanásia.
Não estou com isto a querer dizer que defendo a posição da Igreja Católica. Aliás, não tenho grande legitimidade para o fazer. Mas acho que é tempo de a sociedade deixar de pedir ziguezagues e inflexões na sua doutrina só porque há uma mudança dos tempos. Quem quiser seguir as recomendações da Igreja segue, quem não quiser não o faz. As coisas são tão simples quanto isso. E, a mim, que não tenho qualquer responsabilidade em vir aqui defender qualquer posição desta ou daquela religião, devo dizer que me há uma certa desonestidade intelectual da parte das pessoas que acusam a Igreja de querer fomentar a propagação da SIDA e outras doenças, face à oposição quanto ao uso do preservativo, deixando automaticamente de parte a responsabilidade inerente a cada pessoa pelos seus actos.
E eu que pensava que era do jogo da mala
Ontem, mal atendi o meu telemóvel com um inevitável "'tá lá?!" a resposta que ouço vem em inglês. Facto estranho, dado até ser um número de telefone da cidade de Lisboa. De imediato, o esclarecimento: o telefonema vinha da parte uma multinacional do sector das tecnologias à qual me candidatei há coisa de um mês. Até aqui nada de mais, a novidade foi a conversa ter sido utilizada imediatamente como parte de um eventual processo de selecção, e eu mal dava por mim já estava a explicar as minhas duas últimas décadas de vida, a minha relação com o mundo da informática, os meus conhecimentos não só em Inglês mas também em Francês - o que serviu para descermos metafórica e linguisticamente o Canal da Mancha - bem como as instituições onde estudei e o que tem sido o meu percurso profissional. Tudo em cinco minutos.
Independentemente de vir a ser novamente contactado, devo dizer que nada disto me parece errado, bem pelo contrário. Um telefonema com carácter surpresa, com a componente semi-entrevista de emprego inerente, parece-me um factor de selecção bem mais interessante do que entrevistas de trabalho para as quais pode haver uma preparação prévia e onde uma meia mal colocada ou uma unha mal cortada pode ser decisiva. Isto é capaz de se ensinar nos manuais modernos de Recursos Humanos. Mais um ponto a favor do investimento estrangeiro em Portugal.
Independentemente de vir a ser novamente contactado, devo dizer que nada disto me parece errado, bem pelo contrário. Um telefonema com carácter surpresa, com a componente semi-entrevista de emprego inerente, parece-me um factor de selecção bem mais interessante do que entrevistas de trabalho para as quais pode haver uma preparação prévia e onde uma meia mal colocada ou uma unha mal cortada pode ser decisiva. Isto é capaz de se ensinar nos manuais modernos de Recursos Humanos. Mais um ponto a favor do investimento estrangeiro em Portugal.
O Pavilhão da Itália
Por indesculpável esquecimento, só hoje assinalo a data que passou despercebida em solo luso: há 10 anos (e três dias) encerrava a Expo 98. Quem se recordar do certame, não esquecerá que as primeiras semanas foram mornas e que as assistências registaram bons níveis em Agosto e Setembro, com as duas últimas semanas completamente ao rubro com os visitantes de última hora e muitos que não terão sequer aproveitado os dias que tinham no bilhete.
A Expo 98 contribuiu para um certo estado de euforia nacional que se apoderou da Nação no final da década de 90, com várias causas: a começar na própria exposição mundial, a vitória na organização do Euro 2004, o Nobel de José Saramago, um crescimento económico acima dos 3%, o desemprego baixo, os combustíveis a preços que hoje parecem risíveis, as privatizações que deram um contributo para o crescimento do mercado bolsista nacional e transmitiram à classe média a sensação de que poderiam melhorar substancialmente o seu nível de vida à conta dos mercados financeiros. O mais próximo que o país viveu disso foi aquando da realização do europeu de futebol em 2004 e da onda de euforia que se gerou.
O último dia foi o culminar desse grande sentimento de euforia e também do tipicamente portuguesa tendência de visitar os pavilhões à última da hora, de aproveitar os dias que restavam no bilhete. Constituía também o testemunhar o encerramento de um dos grandes certames internacionais realizados em Portugal. Rezam as estatísticas de que na noite de 30 de Setembro estiveram 400 mil pessoas, com todo o caos inerente: impossibilidade de aceder a barracas de comidas e bebidas, telemóveis sem rede, multidões a cada esquina, filas intermináveis para as saídas e para os transportes. E eu lembro-me bem do que fiz nessa noite: passei o evento a beber ginginha e amêndoa amarga que prudentemente levei para o recinto e, tolhido pelo cansaço e pela bebida, acabei por me conformar e acabar a dormir umas duas horas à porta do Pavilhão de Itália. O dormir em pleno recinto foi a solução adoptada por muita gente e recordo-me de até ter visto lá sacos-cama. Com todo o profissionalismo inerente ao facto de frequentar uma instituição privada de ensino, segui para as aulas às oito da manhã como se nada se tivesse passado, não sem antes testemunhar verdadeiras batalhas campais para entrar no metro na estação do Oriente.
O resto da história é o que se sabe: de grande promessa do urbanismo e da qualidade de vida na zona Oriental de Lisboa, aquela zona acabou por não sofrer grandes alterações na zona junto ao rio, mas acabou por se gerar quase um subúrbio de luxo à sua volta. Pese embora o pólo de atracção que constitui numa zona em que cinco anos antes se acumulavam barracas e entulho, não deixa de se sentir um certo amargo de boca pelo que foi prometido e pelo que realmente tudo aquilo se tornou.
A Expo 98 contribuiu para um certo estado de euforia nacional que se apoderou da Nação no final da década de 90, com várias causas: a começar na própria exposição mundial, a vitória na organização do Euro 2004, o Nobel de José Saramago, um crescimento económico acima dos 3%, o desemprego baixo, os combustíveis a preços que hoje parecem risíveis, as privatizações que deram um contributo para o crescimento do mercado bolsista nacional e transmitiram à classe média a sensação de que poderiam melhorar substancialmente o seu nível de vida à conta dos mercados financeiros. O mais próximo que o país viveu disso foi aquando da realização do europeu de futebol em 2004 e da onda de euforia que se gerou.
O último dia foi o culminar desse grande sentimento de euforia e também do tipicamente portuguesa tendência de visitar os pavilhões à última da hora, de aproveitar os dias que restavam no bilhete. Constituía também o testemunhar o encerramento de um dos grandes certames internacionais realizados em Portugal. Rezam as estatísticas de que na noite de 30 de Setembro estiveram 400 mil pessoas, com todo o caos inerente: impossibilidade de aceder a barracas de comidas e bebidas, telemóveis sem rede, multidões a cada esquina, filas intermináveis para as saídas e para os transportes. E eu lembro-me bem do que fiz nessa noite: passei o evento a beber ginginha e amêndoa amarga que prudentemente levei para o recinto e, tolhido pelo cansaço e pela bebida, acabei por me conformar e acabar a dormir umas duas horas à porta do Pavilhão de Itália. O dormir em pleno recinto foi a solução adoptada por muita gente e recordo-me de até ter visto lá sacos-cama. Com todo o profissionalismo inerente ao facto de frequentar uma instituição privada de ensino, segui para as aulas às oito da manhã como se nada se tivesse passado, não sem antes testemunhar verdadeiras batalhas campais para entrar no metro na estação do Oriente.
O resto da história é o que se sabe: de grande promessa do urbanismo e da qualidade de vida na zona Oriental de Lisboa, aquela zona acabou por não sofrer grandes alterações na zona junto ao rio, mas acabou por se gerar quase um subúrbio de luxo à sua volta. Pese embora o pólo de atracção que constitui numa zona em que cinco anos antes se acumulavam barracas e entulho, não deixa de se sentir um certo amargo de boca pelo que foi prometido e pelo que realmente tudo aquilo se tornou.
O entusiasmo
Imagem via SerBenfiquista.comEra difícil uma semana melhor do que esta para o Benfica. A quebra de um pequeno jejum de vitórias frente ao Sporting, o matar do "borrego" frente a equipas italianas que durava há mais de duas décadas, duas casas praticamente cheias, uma equipa que começa a dar sinais de organização na forma como aborda o jogo, um plantel que vai rodando e também transmitindo a sensação de que o treinador conta com a grande maioria dos seus jogadores. Acrescente-se a isto o simbolismo da primeira transmissão no canal do clube, bem como os primeiros sinais benfiquistas de ameaça ao império Sport TV / Olivedesportos e está dado o mote para a galvanização das hostes benfiquistas. Parece estar gerada uma onda de entusiasmo à volta da equipa e é sabido que isso no futebol conta muito.
Momento da verdadinha
O país foi assaltado pela polémica envolvendo o Momento da Verdade, algo que já havia ocorrido com formatos semelhantes, como o Big Brother, o Bar da TV ou o Perdoa-me. Desde que a SIC começou a meter no ar as mais diversas xaropadas televisivas, partindo da vida tal como ela é, o seu problema tornou-se rapidamente visível. Ao contrário do interesse suscitado pelo sexo ou pela violência na televisão, o que este formato televisivo tem simultaneamente de interessante e de perverso é a possibilidade de todos nós nos vermos um pouco ao espelho. Programas protagonizados por pessoas banais, que poderiam ser nossos colegas, amigos ou vizinhos, que invertem os papéis e passam de espectadores para o lugar de protagonistas. E, puxando bem pela memória, quase todos nós conhecemos alguém que pediu perdão a alguém no Perdoa-me, que contou estórias da sua vida na Fátima Lopes (não confundir com o Fátima, este a que me refiro passava todos os dias ao princípios da tarde em finais dos anos 90), que enviou uma declaração de amor no "All you need is Love" ou que se sujeitou a ser filmado 24 horas por dia. Tal como conhecemos alguém nessas condições, há a assunção de que nós próprios poderíamos estar naquele lugar.
E é esse olhar ao espelho e reconhecer nos outros as nossas próprias forças, fraquezas, virtudes ou defeitos que acaba por arrastar audiências para este formato televisivo. Ao contrário do que é proposto, por exemplo, em programas que são transmitidos em alguns canais do cabo em que é mostrada uma realidade mais detalhada - os bombeiros, as prostitutas, os mecânicos ou os tatuadores - aqui o ser humano é apresentado numa esfera privada e até íntima, algo que todos nós temos.
Daí o choque provocado pelo Momento da Verdade, o programa em que a intimidade dos concorrentes é assaltada a troco de um interessante prémio monetário. Tanto as escolha dos concorrentes como o guião da prova não é inocente e há uma óbvia intenção de sentar em frente à Teresa Guilherme pessoas que tenham telhados de vidro e assumam perante as câmaras as suas próprias falhas. E o interesse do espectador parte também da admiração que nutre pelo concorrente, aquele que que assume em voz alta aquilo que o espectador não conta à família ou aos amigos. E convenhamos que o mundo está cheio de pais que não perdoam que o filho lhes tenha espatifado o carro, de homens que querem aventuras com a sogra ou a cunhada, de chefes de família que recorrem a prostitutas ou de gente que acha as senhoras da limpeza seres humanos de segunda. Se tudo aquilo choca, é também porque há ali algo de familiar. Tal como nos restantes reality shows, o que se passa no Momento da Verdade é a nossa natureza, para o bem e para o mal.
E é esse olhar ao espelho e reconhecer nos outros as nossas próprias forças, fraquezas, virtudes ou defeitos que acaba por arrastar audiências para este formato televisivo. Ao contrário do que é proposto, por exemplo, em programas que são transmitidos em alguns canais do cabo em que é mostrada uma realidade mais detalhada - os bombeiros, as prostitutas, os mecânicos ou os tatuadores - aqui o ser humano é apresentado numa esfera privada e até íntima, algo que todos nós temos.
Daí o choque provocado pelo Momento da Verdade, o programa em que a intimidade dos concorrentes é assaltada a troco de um interessante prémio monetário. Tanto as escolha dos concorrentes como o guião da prova não é inocente e há uma óbvia intenção de sentar em frente à Teresa Guilherme pessoas que tenham telhados de vidro e assumam perante as câmaras as suas próprias falhas. E o interesse do espectador parte também da admiração que nutre pelo concorrente, aquele que que assume em voz alta aquilo que o espectador não conta à família ou aos amigos. E convenhamos que o mundo está cheio de pais que não perdoam que o filho lhes tenha espatifado o carro, de homens que querem aventuras com a sogra ou a cunhada, de chefes de família que recorrem a prostitutas ou de gente que acha as senhoras da limpeza seres humanos de segunda. Se tudo aquilo choca, é também porque há ali algo de familiar. Tal como nos restantes reality shows, o que se passa no Momento da Verdade é a nossa natureza, para o bem e para o mal.
A barra musical #1 - Êxitos do Eurodance nos anos 90
Hoje no trabalho, quando dei por mim estava a tratear o "It's my life". De imediato, a mim e aos meus interlocutores assaltou a inevitável dúvida: quem foi o responsável por trazer esta música ao mundo? E eis que ouço um nome que não ouvia seguramente há uma dúzia de anos : Dr. Alban. A memória de um nome destes, figura de proa das playlists da Rádio Cidade (devidamente apetrechada por locutores brasileiros de quem nunca vi o rosto) ali nos anos de 92 ou 93, fez-me imediatamente procurar por este e outros nomes que figuravam nos tops do início da década de 90. E uns quantos nomes e canções iam surgindo como quem vai desfiando um novelo de lã: Ice MC, DJ Bobo, Snap, Culture Beat, 2 Unlimited, tudo artistas dispersos por essa Europa fora. Músicas que passavam incessantemente nas rádios e nas discotecas e acabariam destinadas a um certo esquecimento, nada que não se passe agora - alguém ouviu falar nos O-zone desde o Verão de 2004?
O mais estranho é que a generalidade destes artistas do Eurodance continuaram pacificamente as suas carreiras, apesar de nunca mais terem alcançado o hype que estes sucessos permitiram, como atesta a ligeira descrição que o Wikipedia faz sobre o tema. E na barra musical à direita, lá estão alguns dos sucessos que povoaram os anos 90 deste género musical.
O mais estranho é que a generalidade destes artistas do Eurodance continuaram pacificamente as suas carreiras, apesar de nunca mais terem alcançado o hype que estes sucessos permitiram, como atesta a ligeira descrição que o Wikipedia faz sobre o tema. E na barra musical à direita, lá estão alguns dos sucessos que povoaram os anos 90 deste género musical.
As mudanças neste blogue
- A drástica redução da utilização de etiquetas. Quando surgiram aqui no Blogger, fiquei um pouco céptico face à necessidade de encaixar cada post nesta ou naquela categoria, mas lá acabei por me habituar. No entanto, esta catalogação acabou num extenso lote de etiquetas que acabam por nada acrescentar ao LdM e até gerar alguma confusão. Nos meus restantes blogues, utilizo sempre as etiquetas, que acabam por servir quase com índice enciclopédico, dado serem espaços temáticos. Não é o caso do LdM, que não parte de nenhuma temática em especial. As etiquetas ficam confinadas a apenas alguns temas, como as googladas ou o baú das canções. Se a maioria dos meus blogues preferidos funcionam sem qualquer recurso a etiquetas, também eu sou capaz de o fazer.
- A retirada da secção "A Ler" na barra direita. Quando quiser aconselhar textos de outros blogues que valham a pena ler, junto uma série deles num único post.
- A saída da Banda Sonora, widget meio escondido na barra direita. Será substituída pela barra musical, um conjunto de músicas que vou mudando de tempos a tempos e que serão aqui colocadas por alguma razão.
- A mudança de template. O blogue não ficou mais bonito nem mais feio, há aqui apenas a necessidade de mudar de aspecto de tempos a tempos, assim como quem vai ao barbeiro em cada dois ou três meses.
E é isto.
- A retirada da secção "A Ler" na barra direita. Quando quiser aconselhar textos de outros blogues que valham a pena ler, junto uma série deles num único post.
- A saída da Banda Sonora, widget meio escondido na barra direita. Será substituída pela barra musical, um conjunto de músicas que vou mudando de tempos a tempos e que serão aqui colocadas por alguma razão.
- A mudança de template. O blogue não ficou mais bonito nem mais feio, há aqui apenas a necessidade de mudar de aspecto de tempos a tempos, assim como quem vai ao barbeiro em cada dois ou três meses.
E é isto.



