Mais Sarah Palin

«a governadora do Alaska tem um estilo muito “tarado-conservador”. With all due respect, parece saída de um filme pornográfico. Tem ar de professora amiga da comunidade, que vira safada assim que tira o lápis do cabelo»

Via Lóbi, genial como sempre.

Tuning alimentar

A grande tendência do mundo alimentar actual é o que se pode chamar de tuning alimentar. Tal como na personalização automóvel, em que um carro deixa de ser um simples carro para também ser uma discoteca classe C ambulante, um enorme feixe de neons ou valentes emissores de poluição sonora que fazem as velhas motoretas parecerem brincadeiras de crianças, também o sector alimentar foi tomado de assalto por novas premissas que questionam a real finalidade de determinados produtos. Exemplos desta espécie de pós-modernismo não faltam: as águas com sabores (que, por terem sabores, deveriam deixar de ter a designação técnica de água), bolachas com chá verde na sua composição ou o leite que deixou de ser simples para passar a ser enriquecido com alguma coisa.

Um exemplo que merece ser alvo de alguma análise é o do leite enriquecido, neste caso com Ómega 3. Eu gosto muito de Ómega 3, o que equivale a dizer que gosto bastante de salmão, espadarte, atum ou cavala, e também gosto muito de leite. E o que tem uma coisa a ver com a outra? Porque o Ómega 3, presente no tal leite enriquecido, vem directamente dos peixes de que falei, como atesta a composição do Leite Plus Ómega 3 da UCAL. Já me lembrei de muita mistura idiota em culinária, mas a minha imaginação não seria capaz de alcançar algo como peixe e leite numa simbiose perfeita, como se o Ovomaltine ou Suchard Express fosse devidamente substituído por uma posta de salmão ou um bife de espadarte, tudo misturado e pronto a servir. O leite indicado para os ossos e dentes, devido ao cálcio, passa a aqui a possuir uma fórmula eficaz para melhorar o nosso sistema cardio-vascular. E também no campo das mixórdias, perdão, dos alimentos com benefícios para a saúde o céu é o limite e o sonho é criar uma marca de leite, uma gama de cereais de pequeno-almoço ou uns snacks que consigam ser de tal maneira bons para o organismo, de maneira a que simultaneamente baixe o colesterol, previna a calvície, reduzia a miopia ou acabe com a ressaca.

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Quilómetros e música com fartura

Há uma semana, apanhei meio por acaso na televisão o Quilómetro Zero. Ontem, lá consegui ver um programa por inteiro e creio que a coisa já vai nos 10 programas. Para quem não conhece, trata-se de um programa que passa semanalmente na RTP2 aos sábados e destina-se a dar a conhecer projectos musicais menos conhecidos do grande público que se vão fazendo um pouco por todo o país.

Mesmo para alguém que já não está muito por dentro do universo das novas bandas e dos projectos menos conhecidos, o programa vale a pena. Em primeiro lugar, porque não me ocorre que alguma vez se tenha feito em Portugal um programa dedicado em exclusivo ao tema. Em segundo lugar, porque a coisa parece-me francamente bem feita: imaginando uma viagem por alguns pontos do país, JP Simões entrevista os músicos e dá-lhes o necessário tempo de antena para que falem na primeira pessoa nos seus projectos, fugindo um pouco aos clichês que parecem povoar um certo jornalismo musical. Sempre com a Internet como pano de fundo, já que o MySpace parece funcionar quase sempre como o mais eficaz veículo para que estas músicas saiam do anonimato. E, do muito pouco que vi até agora, chamaram-me particularmente a atenção os Cacique '97 (afrobeat), o Projecto Fuga por onde já passaram duas dezenas de músicos, e o chill out do projecto Oxalá, composto por dois músicos pelos seus 50 ou 60 anos com estúdio no Sudoeste Alentejano.

O programa passa na RTP2 às 19h30 e tem blogue.

Ena, tantos...

40 mil visitas

O Sarkozy que se cuide...


Rui Pereira, Ministro da Administração Interna, filmado à socapa a fazer comentários sobre Carla Bruni

A classe média ganha à burguesia

Na luta fratricida de audiências entre SIC e TVI, no que ao público juvenil diz respeito, parece-me que o canal de Queluz continua a ganhar ao de Carnaxide. Pese embora a presença do factor repetição ao longo dos vários anos, nos Morangos com Açúcar há uma maior aproximação ao quotidiano da generalidade dos portugueses, com uma escola pública, personagens mais corriqueiros e o desfiar dos clichês e lugares-comuns que garantem as audiências neste género de programas.

Se os Morangos com Açúcar criam um universo mais adequado à classe média nacional, por seu turno, o Rebelde aposta na diferenciação e cria uma história passada no universo burguês dos pais endinheirados que têm dinheiro para mandar os filhos para colégios internos copiando o modelo inglês. Por isso, todos aqueles cromos com os bolsos cheios de dinheiro e que, no futuro, serão supostamente empresários, advogados ou médicos não serão propriamente as figuras com que os putos mais se irão identificar. O elemento realismo parece andar ausente dos guiões dos argumentistas da série. Mais exemplos de como a coisa bate pouco certo? Raquel Strada, na foto. Aparece nesta série como aluna, na melhor das hipóteses no 12º ano. Até aqui tudo bem. No entanto, a jovem Raquel completa este ano 26 anos. Das duas uma: quem a escolheu está demasiado confiante no seu ar juvenil ou então está a perpetuar-se o mito do eterno cábula e repetente que, com idade para ter um curso superior, ainda passeia os livros pela escola secundária.

O baú das canções: "Vais partir"



A canção "Vais partir" de Clemente é um dos marcos da carreira deste cantor. Não obstante o seu ritmo alucinante e o refrão bastante orelhudo, a sua letra é toda ela uma ode às figuras de estilo em que a Língua de Camões é tão rica - a personificação no verso «Quando as ondas nos vinham beijar», animismo em «cama salgada de amar» ou a metáfora em «foste o meu castelo, o meu palácio de brincar» - o que faz esta canção fugir de alguns clichês associados às canções de amor na música ligeira portuguesa. Clemente assume-se nesta música quase como um anti-herói da canção nacional, fugindo aos lugares-comuns e, mesmo perante o elemento saudade, foge do lamento da sensação de fim do mundo iminente, preferindo alimentar uma prosa rica.

O videoclip é filmado em Sidney. Também este merece elogios, apesar de ser visivelmente um série B, pois o dinheiro nem chegou para contratar uma senhora para contracenar com o artista. Para além de ser filmado num cenário pouco comum para este género musical - quantos videoclips nacionais foram filmados na Austrália? - a sequência inicial de imagens enquadra-se bem no instrumental demolidor dos primeiros 15 segundos da canção canção. Se repararem bem, há poucos planos totalmente parados ao longo da canção, pelo que há uma boa interpretação das regras da música televisionada. O único senão é o próprio protagonista, que se lamenta da fuga da sua amada enquanto se apresenta num guarda-roupa pouco coincidente com uma suposta condição de galã. É certo que há pendant entre t-shirt e ténis, mas nada disto é muito convincente.

Pérolas que me chegam ao ouvido (9)

«Não sabes quem sou?! Ó meu car..., mais logo não te avio o whisky! Ouviste, meu boca de c...a?!»

Ouvido numa paragem de autocarro, enquanto uma transeunte ligava para alguém conhecido. Não sei se o pior é a ameaça de não aviar o whisky ou a consideração, sob a forma de hipérbole, pouco abonatória em relação à boca do interlocutor, associando-a ao órgão sexual feminino. Entre isto e o insulto «boca de moelas», talvez a segunda hipótese seja um pouco mais simpática.

Cafeína

Antes da blogosfera como hoje a conhecemos, antes dos serviços de alojamento que permitiram que cada um de nós se desse a conhecer ao mundo mesmo sem saber mexer no html ou antes da chamada vaga de blogues de 2003, que permitiu o surgimento da maioria dos autores lusos hoje conhecidos, já existiam por cá pequenos fenómenos que constituíram uma espécie de ano 0 do mundo dos blogues: sites nascidos na transição do milénio cujos moldes se assemelhavam aos blogues, mas sem ter essa designção, e que figuram na memória de quem vasculhava atentamente a Internet.

Um desses casos é o Cafeína, uma espécie de e-zine criada a partir do Porto, que até chegou a ter suporte em papel, onde diversos membros davam os seus contributos sobre sugestões culturais, futebol ou os lamentos relativos ao estaleiro em que a cidade do Porto estava antes e até durante a Capital Europeia da Cultura. No entanto, puxando um pouco a brasa à minha sardinha, alguns dos seus mais interessantes momentos constavam nos cartunes do Cafeinado:








O Cafeína vigorou entre 2000 e 2005. Há umas semanas atrás descobri que no Verão deste ano regressou às lides, embora sem o mesma cadência de actualizações de outrora. No entanto, o arquivo continua lá.

Googladas

oposto de fome
prostitutas-lisboa
joe berardo trafulha
preto skinhead programa vai tudo a baixo youtube
qual o tipo de musica do cantor reginaldo rossi
manuel pinho o pior ministro
breves depoimentos de apoio
ENGOLIDAS PROFUNDA VIDEOS AMATEURS GRATIS
teoria pistola de alta pressão
Actividades de Ana Zanatti

Como encontrar dinheiro na tromba do elefante

Apesar de ser um serviço disponível há uma boa meia-dúzia de anos em Portugal, só esta semana usei pela primeira vez as compras on-line, aproveitando uma promoção do Jumbo que isentava o pagamento das despesas de transporte. Sobre o serviço em si nada a criticar: funcionários pontuais e eficientes, quase tudo o que pedi me foi entregue e fui previamente informado sobre as trocas para produtos que eu pedi e não havia em stock.

Se o serviço não me oferece críticas, há algo que me deixa com a pulga atrás da orelha: o pagamento que é cobrado ao cliente para entrega em casa, o qual não paguei devido à tal promoção, mas que é entre 6€ e 8€. Se é certo que o sistema de entregas ao domicílio comporta algumas despesas que estão ausentes do comércio tradicional - leia-se, os combustíveis, os veículos para entrega, os funcionários que levam as compras a casa, a criação e manutenção do respectivo sistema informático ou o call-center de apoio - não é menos verdade que esta modalidade isenta as cadeias de distribuição alguns custos existentes quando existe um hipermercado enquanto espaço físico: os funcionários das caixas e das reposições, bem como as despesas com limpeza, água, luz e segurança dos hipermercados. Resta fazer as contas e saber qual das duas logísticas oferece mais custos. Acredito, portanto, que uma funcionalidade que permite uma inequívoca comodidade aos clientes é uma razão para a cobrança de uma taxa adicional que talvez não se justifique tanto quanto isso.

Entretanto, há quem aproveite as benesses para as ridicularizar

Gratuito financiado com “dinheiro roubado aos bancos”

Um tablóide de 20 páginas e uma tiragem de 200 mil exemplares chamado “Crisi” foi distribuído a 17 de Setembro nas ruas de Barcelona, informando que aquela seria a sua única aparição e que a edição fora financiada por “dinheiro roubado aos bancos”.

O(s) editor(es) da publicação explica(m) no artigo principal que a verba necessária para esta iniciativa foi obtida junto de 39 entidades bancárias através de 68 operações de crédito, ascendendo a 492 mil euros (mais de 500 mil se contarmos com os juros), cedidos sem quaisquer avais ou garantias num contexto de contratação de crédito e que, garante(m), “não serão pagos”.

“Esta é uma demonstração de como a banca promove o endividamento das famílias por cima de qualquer controlo ou de qualquer medida de prevenção de riscos e de sentido comum”, lê-se no “Crisi”, disponível também online, em http://polaris.moviments.net:8000/es/crisi .

Via Sítio do Sindicato dos Jornalistas

Back to School

Esta semana, regressei às aulas de Natação. Não como iniciante, a quem é necessário ensinar a respiração ou todos os movimentos, mas como membro integrante de aulas de aperfeiçoamento, esse nível híbrido onde cabem os que sabem o essencial e aqueles para quem nadar piscinas seguidas nada tem de heróico, mas sim de normal.

A melhora analogia para a transição de um nível para outro pode, como não podia deixar de ser, passar pelo futebol: imaginem um jogador bom de uma equipa da Segunda Liga que, na temporada seguinte, se vê a treinar com o plantel de um dos três grandes. Ou seja, de praticante que desempenhava de forma mais ou menos competente as tarefas básicas da Natação, passei a ser o mais tosco de uma turma onde há pessoas mais rápidas a nadar do que eu a correr para o autocarro. Na primeira aula - aquela em que a professora tenta aferir o nível de casa aula- fui de tal maneira exposto a um desgaste físico que tive uma cãibra (da qual ainda não recuperei totalmente, ao fim de três dias) como cereja em cima do bolo, logo eu que só tenho dessas coisas de anos a anos.

Ao fim da primeira aula e de tamanho enxovalho competitivo, lá tive um elogio que ajudou a remendar o corpo e a alma: para alguém com apenas uma temporada de treinos de Natação, o meu nível já era bastante bom. A segunda aula foi um pouco mais calma, felizmente.

Só escapou o naperon

bebidas fim de ano 2002

Há uns tempos encontrei esta fotografia algures num arquivo antigo. Reporta-se ao meu reveillon 2002/03 e foi uma das primeiras fotografias que tirei com máquina digital, razão pela qual andou meio perdida ao longo destes anos.

Esta foto merece uma pequena explicação. Em primeiro lugar, o espaço. Esta fotografia foi tirada numa vivenda ali para os lados da Ericeira que, se não fosse usada como destino de férias, poderia facilmente ser utilizada como um museu da velha escola lusitana da decoração doméstica, devidamente artilhada com galos de Barcelos, torres de Belém, quadros com uma qualquer paisagem a dizer "Portugal" e alguns naperons, como atesta a fotografia. Ainda assim, a casa era boa, espaçosa, tinha camas para dar e vender e os donos eram simpáticos, ao ponto de nos darem toda a liberdade do mundo para fazer barulho, apesar de viverem no andar de cima. Como prova da gratidão e da hospitalidade, voltámos lá e demos dinheiro a ganhar aos donos por mais três vezes e, nem de propósito, uma dessas vezes, foi precisamente há cinco anos para um aniversário de uma amiga que até faz anos hoje.

A foto em cima contém todo um arsenal de bebidas destinados a cinco dias de festejos, para uma dúzia de pessoas, embora apenas cerca de metade lhes ferrasse o dente como seria sua obrigação. De realçar também que este retrato reflecte todo um espírito comum, mas também as idiossincrasias associadas ao contributo que alguns deram a esta respeitável garrafeira.

Da esquerda para a direita: uma garrafa de vinho do Porto provavelmente um Tawny; extracto de absinto para um tipo corajoso sem medo de repercussões no fígado; aquilo que me parece ser uma garrafa de vinho tinto; uma garrafa de espumante; três garrafas de Whisky das marcas Vat 69, Grants e The Dandy trazidas por alguém que as bebia misturadas com coca-cola, facto que já motivou um post aqui no blogue; algo que me parece ser uma bebida amaricada; um martini Dry que eu comprei por metade do preço a uma loja que estava a liquidar o seu stock; Blue Curacao também a preço de saldo; batida de côco; uma aguardente de medronho que eu levei para aliviar refeições mais pesadas, mas que teve uma aceitação sofrível; uma garrafa de Espumante Messias; uma Bols Advocat também comprada por tuta e meia ao infeliz que encerrava o seu negócio; um líquido escuro numa garrafa que diz "Milbar", mas eu não invejo o destino de quem se terá lembrado de beber tal coisa; latas de cerveja Sagres, num total de 48.

O espírito simultaneamente heróico e irresponsável associado a esta panóplia de bebidas fez, como seria de prever, os seus estragos. Consegui, portanto, tirar algumas fotografias que se revelaram odes à condição humana quando lhe falta o discernimento que o álcool provoca. Mantendo-me fiel aos meus sensatos princípios de não colocar fotografias minhas e de pessoas próximas aqui no blogue, obviamente que não o faço. Embora tal não deixasse de ser divertido.

Para lá dos tubérculos

A função de contagem de Keywords, fornecido pelo Extreme Tracking instalado há coisa de um ano, não engana quanto aos temas que interessam aos internautas que vêm cá parar por acaso. No meio de tantas pesquisas com interesse duvidoso, este é o top 10, que engloba à volta de 22% do total de palavras procuradas:

pesquisas_top10

Um inocente post dedicado à canção "Porque não tem talo o nabo" de Leonel Nunes teve o condão de adicionar a palavra "grelo" ao lote de vocábulos passíveis de encontrar aqui no blogue. A partir daí, começaram a surgir toda uma série de pesquisas ao termo, tendo eu ajudado a alimentar o monstro disponibilizando toda uma panóplia de Googladas sobre o tema.

Não sou propriamente um estudioso do fenómeno das pesquisas que vêm cá parar (embora, em bom rigor, devesse sê-lo), mas não me é difícil concluir que o principal motivo para tais pesquisas se deva a um certo vernáculo de cariz sexual associado à palavra em causa. Quero, no entanto, sossegar quem possa pensar que este blogue é uma espécie de porto de abrigo para pesquisadores de pornografia via Google. Isto porque também têm cá chegado pesquisas relacionadas com o refrão da supracitada canção de Leonel Nunes e mesmo com dúvidas meramente culinárias.

Partindo do princípio que será difícil alterar o cenário das três temáticas que ocupam o top 3 de pesquisas a este blogue - leia-se, abortos, a Lei de Murphy e o citado grelo - dou mais uma ajuda ao alimentar do monstro que ocupa o primeiro lugar das keywords que cá chegam:

Melissa Grelo, nascida em Toronto, é repórter no canal de notícias A-Channel. Nos tempos livres, gosta de andar a cavalo. Para os mais aventureiros, refreio os ânimos: casou-se há 10 dias.

Sawgi

Um verdadeiro canivete-suiço musical, que permite aceder 500 milhões de ficheiros de música espalhados pela net, não só aqueles dedicados à música como também aos de vídeo. Não sei se o Sawgi está há muito tempo a funcionar, mas é uma grande falha não ter dado por ele mais cedo.

Bolha

Reconheço alguns méritos ao sistema económico norte-americano, nomeadamente por deixar florescer boas ideias se bem trabalhadas - basta pensar em fenómenos como a Kellog's, a Boyardee, a Mars ou a Levi Strauss ou, falando em exemplos mais recentes, a Microsoft ou o Google - , mas esse mesmo modelo económico, onde parece faltar alguma regulação e onde parece existir uma confiança demasiado cega nas virtudes do mercado, acaba por motivar grandes hecatombes. Basta recordar o crash de Wall Street ou as recentes bolhas das Dot.com e do mercado imobiliário, com mais um episódio irónico da falência do quarto maior banco.

Uma crise do imobiliário como a conhecemos na América seria difícil de acontecer na Europa. Precisamente porque há critérios bem mais apertados para a concessão de crédito em comparação aos Estados Unidos, onde há quem se disponha a conceder empréstimos para compra de habitação a sem-abrigo. Não fosse a ligação a nível planetário entre todo este complexo sistema financeiro e por cá não haveria muito a temer. O que não deixa de ser irónico é que a desgraçada classe média de um país periférico como o nosso acabará por pagar juros mais altos nas casas, só porque uns maduros na América se lembram de emprestar dinheiro sem grande critério, precisamente o contrário que sucede por cá.

A vergonha

anúncio emprego

Andava a ver anúncios de emprego e deparei-me com este. Olhem-me para aquilo a que se propõe e digam-se se não é a prova da falta de pudor e de uma certa decadência na sociedade portuguesa.

É pois. E está tudo bem sublinhado. Andar a telefonar para clientes de portais eróticos não honra ninguém, mas parece ser trabalho honesto. O facto de se preferir alguém de nacionalidade brasileira para o cargo parece trazer água no bico, mas passa. A vergonha é andar a oferecer-se um emprego destes a recibos verdes. Será que a rapaziada que manda neste país não tem nada a dizer sobre estes casos?!

Googladas - Murphy

para que as leis de murphy foram criadas ?yahoo
como e porque surgiu leis de murf?
o pato murphy
lei de murphy para crianças
leis de purphy blogspot
jogos de Murphy's Love leis
LEI DE MURPHY HUMOR
a 1ª lei de Murphy
video do lei de murphy- o jogo
Ciclo de murphy a lei de murphy

O musical





Na história dos musicais, fomo-nos habituando a associar as canções que os compunham aos próprios filmes, casos da "Música no Coração" ou do "Mary Poppins". Mesmo por cá, em pleno período de cinema a preto e branco, facilmente se liga o "Olh'ó balão" ou o "Fado Estudante" ao filme "A Canção de Lisboa".

Isto a propósito de "Mamma Mia!". Exactamente como sucede noutros filmes, também em relação a este tenho lido elogios e críticas. Não sei se entrará para a galeria de ouro deste género cinematográfico, mas cumpre bem o seu papel de filme de entretenimento para o grande público, a que não será alheio o facto de ser a adaptação para cinema de um musical que fez furor nas salas de espectáculo. Há, no entanto, um dado relevante sobre este filme que o distingue dos exemplos que citei no parágrafo anterior, que é o de aqui não serem criadas músicas a partir do musical, tratando-se exactamente do contrário, ou seja, construir um enredo encaixando 20 canções da carreira dos ABBA. Não conheço suficientemente o fenómeno para saber se há muitos exemplos deste processo inverso de criação de argumentos, mas dá-me a ideia de que, se houver vontade e imaginação, está aberto o caminho para que muitos nomes marcantes da música tenham direito ao filme baseado nas suas obras.

Apanhar uvas

Com a chegada do mês de Setembro, dá-se a época das Vindimas. De todas as actividades agrícolas, é uma das que gera maiores expectativas, não só dos produtores de vinho como de um certa população citadina, com alguma ligação ao mundo rural - por exemplo, através de um amigo mais abastado que largou a cidade e passou a dedicar-se ao campo, onde também tem umas vinhas - que tenta estabelecer uma certa ligação à terra nos dias em que se inicia a produção de vinho. E, convenhamos, as Vindimas têm certamente mais glamour do que ir à terra buscar cebolas ou batatas.

Como qualquer membro dessa população citadina que, de uma forma ou de outra, acaba por ter uma certa ligação ao mundo rural, já participei em tempos nas Vindimas. Não quero desiludir quem eventualmente o vá fazer este ano pela primeira vez, mas tenho de o dizer: trata-se de andar uns dias a apanhar uvas.

Paragem

Eu, bem como este blogue, não trabalhamos na próxima semana. Como tal, serão alguns dias sem actualizações. Até daqui a uma semana!

Pequenos apontamentos da informação na RTP - (5 de 5)




Uma das recordações mais prementes da RTP são as chamadas locutoras de continuidade, que perderam a sua importância quando chegaram as televisões privadas, que davam a conhecer os programas que iriam dar durante o dia ou lá mais para a noitinha. Este pequeno vídeo inclui uma apresentação da programação do dia a seguir, tanto na RTP1 como na RTP2. E lá estão os velhos clássicos da programação da televisão pública: 70x7, a Primeira Matinée, Domingo Desportivo ou o Artes e Letras. Nunca esquecendo noticiários bem mais curtos do que aquelas coisas que hoje nos apresentam e duram hora meia. A locutora de continuidade ainda hoje faz parte da RTP e chama-se Cristina Esteves, embora esteja em programas de informação.

Pequenos apontamentos da informação na RTP - (4 de 5)


O que poderia ser dito sobre o Jornalinho poderia aplicar-se igualmente ao Caderno Diário, embora aqui os destinatários da informação fossem um público um pouco mais velho e o conteúdo da informação estivesse mais próximo do que se poderia ver num qualquer Telejornal. O que distinguia especialmente o Caderno Diário era um certo intuito pedagógico que se vê, por exemplo, em alguns comentários do Marcelo Rebelo de Sousa: antes de se falar sobre um dado assunto (como sucede com a notícia de abertura sobre a crise nos Balcãs, estávamos então em 1991) dava-se uma ligeira explicação para ajudar o espectador a situar-se.

O Caderno Diário durou vários anos no primeiro canal da RTP. Foi por aqui que começou a carreira de Pedro Mourinho em frente às câmaras.

Pequenos apontamentos da informação na RTP - (3 de 5)


Tanto quanto me lembro, desde que há blocos noticiosos na RTP1 ao final da tarde ou início da noite, esse bloco noticioso chamou-se Telejornal. O facto de o programa ter sempre tido o mesmo nome e obedecer ao mesmo formato obriga a comparações óbvias, neste caso entre o que se faz hoje e esse pequeno excerto da abertura de um noticiário com a notícia do terramoto em São Francisco em 1989. O cenário estaria certamente em voga na altura, mas hoje parece retirado de uma produtora série B com estúdio numa cave na Brandoa, o modelo de dois pivôs - um deles a Dina Aguiar - vigorava em pleno, embora estes me pareçam gente mais série de que a rapaziada que hoje apresenta os noticiários na TVI. Ou seja, há 20 anos havia menos espectáculo nos noticiários, mas maior selecção relativamente a quem apresenta as notícias.

Pequenos apontamentos da informação na RTP - (2 de 5)





O 24 Horas, de que é aqui apresentada a introdução e não o noticiário propriamente dito, era o terceiro noticiário da RTP1 e passava sempre pela uma da manhã, tendo deixado de ser transmitido algures pelo ano de 2003 no canal público, um facto a que a chegada da RTPN não será alheia. Este noticiário reunia as notícias que, por qualquer razão, não puderam ser dadas no clássico telejornal das 20 horas, acabando por cobrir um espaço de tempo de 5 ou 6 horas sem noticiários e lançando alguns temas relativos ao dia seguinte. Hoje, pode não parecer um atributo por aí além, mas recordo que os canais com notícias de hora a hora são um fenómeno que os anos 90 em Portugal não conheceram.

Parece que o início dos anos 90 já trazia problemas que não são estranhos nos dias de hoje, à excepção do problema de Timor-Leste, ainda sob a égide dos indonésios. Nesta pequena introdução, feita a meio de um filme do Lotação Esgotada, lá são debitados os problemas que passados, tantos anos, ainda estão na ordem do dia: a falta de polícias nas ruas ou o problema da colocação dos professores. E este noticiário também data do início de Setembro, mas em 91. Ele há coincidências...

E, claro está, também merece destaque o look anos 90 da Clara Pinto Correia.

Um tipo ser assaltado na rua ainda vá, as gasolineiras é que não!...

Sem querer descurar os novos fenómenos de criminalidade, os delitos que talvez tenham maior impacto no cidadão comum são os que já vêm para trás: o roubo por esticão, os bandos de jovens com problemas de integração social que se dedicam aos assaltos, os violadores, a violência doméstica, os larápios do pequeno comércio ou os assaltos a residências. São estes os crimes com que vamos aprendendo a viver e que tentamos, dentro do possível, evitar.

Com a mediatização da criminalidade violenta, foi-se criando a ideia de que o real perigo neste país são os roubos, não ao vulgar e desprotegido cidadão, mas aos grandes interesses, como os bancos ou as gasolineiras. Certamente que há um maior efeito espectáculo e de hollywoodização quando o crime envolve tipos com meias na cabeça e caçadeiras de canos cerrados, em comparação com umas facas apontadas ao pescoço do desgraçado que teve o azar de passar no sítio errado à hora errada. Para além disso, nos fenómenos dos gangues e dos arrastões já se gastou a tinta suficiente.

Tudo isto para chegar à notícia, hoje veiculada, que foi criado o programa Abastecimento Seguro, com o qual o Governo deseja reforçar a segurança de mais 1000 gasolineiras com a colocação de elementos da GNR e da PSP. Para contestar a medida, os representantes das forças de segurança apresentaram argumentos à La Palisse: para serem lá colocados, têm de ser retirados de outros locais. Para que sejam acautelados os interesses das gasolineiras - que lá vão tranquilamente impondo a sua cartelização de preços ao comum cidadão, o que configura uma forma politicamente correcta de roubo - os cidadãos, mesmo aqueles que andam diariamente de transportes públicos, vêm-se privados da segurança de proximidade e estão cada vez mais entregues à desresponsabilização do Estado com a sua segurança. Quando o mais lógico (digo eu, que não sou o Hernâni Carvalho) seria as próprias gasolineiras investirem parte dos seus chorudos lucros em formas de ter a sua própria segurança, como sucede em qualquer negócio privado com alguma dimensão, como os centros comerciais, os bancos ou superfícies comerciais mais amplas. A mediatização excessiva das coisas dá nestes disparates.

Pequenos apontamentos da informação na RTP - (1 de 5)

Muito embora por estes dias não existam propriamente datas relevantes e efemérides a associar à RTP, achei por bem colocar aqui alguns apontamentos de memória da Informação do canal público de televisão. Quanto mais não seja porque ainda tenho muitos vídeos no meu PC à espera de serem postos ao serviço da comunidade. Há mais quatro ou cinco vídeos na fila, que serão aqui postos nos próximos dias.


O Jornalinho é um bom exemplo de que é possível dar bons programas às crianças com conteúdo didáctico associado, desde que a coisa seja feita com boas intenções e de forma simples. Apresentado pelo moscavidense António Santos, que entretanto abandonou o canal público de televisão em 95 para fazer assessoria ao então novo Primeiro-Ministro António Guterres, e coadjuvado por velhas glórias da televisão nacional (Manuela Sousa Rama e Carlos Ribeiro, se bem que o jovem de óculos tem um timbre de voz que não me é totalmente estranho) e pelo Elias e Horácio, este programa tinha aquilo que se pretende de um espaço informativo destinado aos petizes: adequação das notícias ao universo de interesses das crianças, textos rápidos e concisos e uma ligeira intenção formativa, embora sem cair num certo paternalismo que por vezes povoa os programas para crianças.

40 mil

Todos os anos, entre a ressaca do mês de Agosto e o início de cada ano lectivo, somos confrontados com os números de professores que não conseguem colocação para o ano seguinte. Para o ano que se avizinha são cerca de 40 mil os que ficaram de fora.

Por muito que se tente contornar a questão e tentar promover a ideia, que até foi veiculada pelos sindicatos, de que muitos docentes poderiam ser colocados em estabelecimentos de ensino com a criação de turmas mais pequenas ou no apoio extra-curricular a alunos com mais dificuldades, não deixa de ser um facto que, ao longo dos anos, foram criadas vagas no Ensino Superior com a promessa de um ingresso na carreira docente e que depois não se concretizaram. Se é certo que, na teoria, há muitos cursos que prometem a docência no meio de uma panóplia de outras opções - como sucedia com a licenciatura de Línguas e Literaturas Modernas ou com a Matemática - é um facto que essas outras opções acabam muitas vezes por ser anunciadas quase sob a forma de publicidade enganosa, o que acaba por deixar como opção a tentativa de ingresso no ensino privado ou no negócio das explicações, o que apenas acaba por acontecer apenas com uma minoria. Seja como fôr, este ano foram 40 mil. Apesar de ser um fenómeno conhecido - todos nós temos alguém na família ou no grupo de amigos uma pessoa que tentou a sorte no ramo do ensino - são números que impressionam e são o exemplo do que correu mal na forma como se tem promovido o Ensino Superior em Portugal, com o desperdiçar de recursos do país e o desfazer dos sonhos de muitas dezenas de milhares de pessoas.

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