Com alguns dias de atraso

As duas canções que mais me chamaram a atenção na última Eurovisão. Com resultados sofríveis, em ambos os casos. As canções que ficaram no topo não me disseram muito.



Charlotte Perrelli "Hero". A canção que representou a Grécia teria certamente lugar em qualquer playlist de rádios que na senda de uma RFM. Pena é ser cantada por alguém pouco conhecido por estas bandas, mas está lá a duração certa, o bom refrão, a imagem, a musicalidade. Não almejou mais do que um 18º lugar.




Pirates of the Seas "Wolves of the sea". Desconhecia grandes feitos marítimos e outras patifarias de relevo inscritas na história da Letónia, mas foi este o mote para um 12º lugar, à frente precisamente de Portugal.

Para lá das opções

J. namorava há uma série de anos com uma rapariga. Apesar de a relação nunca ter sido legalmente constituída, percorreram os passos normalmente seguido por um casal, comprando a meias uma casa, um carro, apetrechando a casa com tudo aquilo que era necessário e até com o que não era. Tudo prosseguia o seu rumo mais ou menos natural ao longo dos anos. Mas, há pouco tempo, J. chega a casa e lá dentro não tem nada. Ao fim de tantos anos de vida em comum, num ápice a namorada abandonou o lar e levou-lhe o carro, todo o recheio da casa, dinheiro comum, electrodomésticos e deixa-lhe até as derradeiras prestações da casa por pagar.

J. não é um José ou Joaquim. J. é uma mulher. Falo, portanto, de um casal de lésbicas. Todos nós já ouvimos estórias, sobretudo contadas por taxistas lisboetas, de homens a quem as mulheres levaram o que lhes levou décadas a amealhar. Esta estória que relatei, vistas bem as coisas, não é muito diferente das que vamos ouvindo por aí, o que prova que a condição humana passa bem por cima das opções que cada pessoa vai tomando. Considerações filosóficas à parte, o caso foi entregue às autoridades, mas J. vai tentando reconstruir o que consegue nesta altura. Ao ponto de eu próprio ter sido questionado, não pela própria mas por intermediários, sobre se estaria interessado em desfazer-me actualmente do meu sofá para ajudar a reerguer o espaço vazio da casa de J. E este pedido, para quem conhece o meu sofá azul da Moviflor, dá bem uma ideia do caos que se criou.

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O último adeus

Neste fim-de-semana despedi-me do meu avô materno. Habituado que estou à vida citadina e ciente de todos os perigos que daí advêm, é quase irónico falar de alguém que morreu de uma forma tão simples como de velhice, traço característico das gentes do campo que respiram ar puro e de quem tem uma relação quase orgânica com a terra. Foi a sua transmissão desse mesmo saber acumulado que me permitiu aprender boa parte do que sei - certamente muito pouco - do mundo rural. Trabalhou até as forças permitirem, mesmo quando o bom-senso aconselharia o contrário e, nos últimos anos, foi perdendo as capacidades que faziam dele um "homem rijo", à semelhança dos seus pares. Morreu poucos dias depois de completar 90 anos, prova de que lhe estava traçada uma vida com conta certa e números redondos, logo ele sempre tão disponível para fazer contas de cabeça. Que descanse em paz.

Suscitar simpatia

No dia de ontem, fui trabalhar, apesar de ser feriado. Ao chegar ao edifício onde fica sediada a empresa onde trabalho, sou imediatamente recebido pelo vigilante de serviço com um "Bom dia, caro amigo Gonçalo!". Creio que terá sido a primeira vez que se dirigiu a mim nestes termos. Não sei se é bom sinal saber que a minha pessoa suscita simpatia por parte de pessoas que seguramente vão ter um feriado ainda mais deprimente do que eu.

Subsídios para uma análise subjectiva da Eurovisão II

Ainda assim, aqui ficam as canções que mais me ficaram na memória nos últimos três anos:



Helena Paparizou "No. 1". Duas aldrabices: a canção representante da Grécia é em inglês e especialistas (os tipos turcos que comentam o vídeo no Youtube) dizem que a música tem mais de turco do que de grego. A confirmar-se, seria qualquer coisa como nós, de repente, usarmos umas sevilhanas para a nossa canção. Esta canção ajudou a um estado de graça da nação grega parecido com o português durante os anos de 98 e 99, pois no espaço de um ano venceram o Euro 2004, acolheram os Jogos Olímpicos e venceram a Eurovisão 2005.





Os Wig Wam participaram em 2005 com a canção "In my dreams", tendo ficado em 9º lugar. O grupo de glam rock norueguês não nasceu com a Eurovisão, tendo uma carreira antes e depois disso. Quase que arriscava serem uns wannabe dos Europe, com a desvantagem de terem um aspecto um pouco ridículo apesar de não estarem nos anos 80.





Tina Karol representou a Ucrânia em 2006 com "Show me your love", tendo ficado em 7º lugar. Esta nossa Shakira ucraniana conseguiu algo que muitos nunca conseguiram em toda a história do Festival: arrecadar os 12 pontos do público português, podendo agradecer ao contingente vindo da Ucrânia residente em terras lusas. Tanto quanto uma investigação de 10 minutos conseguiu apurar, tornou-se uma cantora pop de sucesso no seu país e um símbolo da beleza da mulher de Leste.





Devo ao festival da Eurovisão 2006 ter-me dado a conhecer os Lordi que, a par com os supracitados Wig Wam, são uma banda que passei a ouvir depois de os ouvir no festival. O "Hard Rock Hallelujah" dizimou a concorrência e pode ter sido o sinal de que o público jovem até está mais atento à Eurovisão do que se julgava e talvez a prova de que o festival valoriza uma certa autenticidade (estes também já eram conhecidos antes do festival, embora menos) em detrimento de truques festivaleiros.





Verka Serduchka representou a Ucrânia em 2007, com "Dancing Lasha Tumbai", canção que ficou em segundo lugar, atrás de uma canção cantada por uma sósia do Harry Potter vinda da Sérvia, sendo uma a antítese da outra. Esta canção ucraniana é de tal maneira espalhafatosa, que não é errado pensar que só não ganhou o certame por algum pudor do público do Velho Continente.

Subsídios para uma análise subjectiva da Eurovisão I

Em relação ao festival da Eurovisão já passei por diversas fases. Quando o país parava para ver o festival, era eu miúdo e também achava que Portugal poderia ganhar. A juntar a este estado de espírito geral ajudava o facto de não haver muito por onde escolher na televisão portuguesa: ou se via a Eurovisão ou a RTP2. Passado alguns anos, deixei de ter grande interesse no tema, e não terei perdido muito: o nome da Nação não andou muito bem visto durante os anos 90, salvo honrosas excepções. A partir de finais dos anos 90, passei a achar especial piada à fase das votações, e, caso estivesse por casa e não andasse na má vida, dava-me especial gozo ver a fase das votações, sempre sob o comentário de Eládio Clímaco.

Nos últimos dois ou três anos, finalmente comecei a prestar alguma atenção ao festival - apesar de a minha paciência apenas me permitir conhecer algumas canções inviabilizando assistir a todo o festival. Não por achar que Portugal consiga algum honroso lugar ou por achar que é uma prova interessante ao nível da disputa de canções dos mais diversos países europeus. Em bom rigor, continuo a achar os moldes do certame pouco rigorosos: no passado, a atribuição de pontos por júris era quase vergonhosa - há relatos de verdadeiras negociações de pontos às mesas de restaurantes entre países amigos, nomeadamente os países nórdicos, que sistematicamente distribuem pontuações generosas entre si - e hoje a coisa não parece muito diferente, mesmo com votação popular. Com o voto por SMS, é bastante fácil uma concertação de votos. O mérito de cada canção acaba por ficar um pouco em plano secundário em detrimento de interesses quase geoestratégicos: continuam a dar-se pontos aos países vizinhos, seja nos países nórdicos ou nos países de Leste, e o país que mais emigrantes tiver espalhado pela Europa tem boas hipóteses de amealhar pontos ou ainda ninguém se interrogou sobre as boas votações atribuídas pelo público português às canções da Ucrânia e da Roménia? Ainda assim, concedo que é um sistema menos injusto: no sistema antigo talvez os Lordi não tivessem arrasado em 2006.

No meio de tudo isto, o ponto que me suscita o interesse é a autêntica aldrabice que é feito ao espírito inicial do festival, o que chega a torná-lo cómico. Recorde-se que este certame surgiu, para pôr em confronto as canções dos mais diversos países, mas trazendo consigo uma certa identificação dos temas com os seus países. Se é certo que sempre houve alguma trafulhice - vulgo, a vitória da Suiça com Celine Dion - nos últimos anos, temos assistido a uma verdadeira mixórdia musical: ele é canções de países o Báltico cantadas em Inglês, monstros e sósias do Harry Potter a ganhar festivais da Eurovisão, ritmos latinos em países de Leste, apropriações de raízes musicais de países vizinhos ou gente vinda de carros alegóricos de paradas gay. Para este ano, há uma participação de Espanha de um tipo estranhíssimo que se mascarou de Elvis Presley e não sei muito mais do que isso. Nesta edição, há boas expectativas para a canção portuguesa e uma sondagem da BBC até deu conta de que a canção está entre as 10 mais apreciadas, mas os tais factores geoestratégicos poderão fazer com que apenas a França e o Luxemburgo possam achar a canção boa.

O factor antiguidade






Um jovem decidiu fazer uma canção em hip-hop dedicada ao Paulo Bento e ao plantel sportinguista. Há alguns meses, atrás o Valete fez uma música a criticar o técnico do Sporting. Tanto uma como outra foram notícia. O tema futebol é sempre notícia quando há novas abordagens. Não queria ser desmancha-prazeres ou faccioso, mas o facto é que, para os lados da luz, há já alguns anos que se fazem músicas dedicadas ao clube da águia. Não falo do Alfredo Piçarra ou, mais tarde, do José Reza, mas antes de correntes musicais mais contemporâneas. Já que se fala em hip-hop e quejandos, urge recordar a canção feita por Hélder, Rei do Kuduro (sim, eu sei que os dois géneros não são bem a mesma coisa...) ao plantel do Benfica em 2001, do qual apenas sobra Mantorras. O mesmo Mantorras é tema de uma canção que exaltava os feitos de cidadãos angolanos em terras lusas, neste caso o jogador e Hoji Fortuna, que então participava no Bar da TV.

Também tu, Bruços?



Embora a Natação seja um desporto completo, não é talvez o mais sedutor, o que deriva do facto de ser necessário repetir exaustivamente as suas técnicas. Ao fim de sete ou oito meses de treino, posso dizer que sei nadar as duas técnicas mais simples - crawl e costas - embora em distâncias ainda reduzidas. Após ter apreendido, com razoável competência, as técnicas mais básicas da modalidade, havia necessidade de me chegar para o abismo e dar o passo em frente.

Esse passo em frente é precisamente a técnica de bruços. Nos outros dois, os movimentos são relativamente perceptíveis - em costas, os pés fingem que dão toques numa bola e os braços são uma espécie de pá de moinho, em crawl, os pés devem bater forte e os braços funcionam como pá acima da água e em baixo devem curvar-se - em bruços, o praticante é obrigado a um movimentos que tanto têm de anti-natural como de patético: os braços devem fazer o gesto de quem lava um vidro com cada braço e as pernas têm de fazer um movimento bastante semelhante ao de um batráquio com uma elasticidade superior à minha. Tais dificuldades também me surgiram no início das minhas aulas - tendo estas sido suplantadas, não à custa de qualquer talento para a prática desportiva, mas de uma assiduidade bastante considerável - ainda assim acredito que daqui a umas semanas poderei ter um domínio mínimo nesta técnica, que é a mais bizarra e a que retira alguma virilidade à modalidade, devido a toda uma série de pormenores a que obriga, em detrimento da força. A Natação situa-se a meio da tabela neste capítulo: embora abaixo dos níveis de virilidade de um lançamento ao martelo ou do corta-mato, está bem acima do cardiofitness ou do hipismo. Não fossem os bruços, a modalidade ficaria bem melhor neste ranking.

Nem com o Diamantino

Um estudo dá conta de que 80% dos portugueses já choraram a ver jogos de futebol. Mal vi a notícia, pus-me a pensar se alguma vez o teria feito. Pensei no Euro 2004, no drama dos penáltis contra a Inglaterra ou no carácter trágico da final contra a Grécia, e só me ocorreu nervosismo, no primeiro caso, e muita frustração no segundo. Voltando atrás, o desespero por perder as meias-finais contra a França em 2000, graças a um penálti que custava acreditar que fosse verdade. Em jogos do Benfica, vi desgraças e vi grandes momentos, mas sem provocar propriamente o choro, quer de alegria quer de tristeza, seja nos títulos de campeão nacional, nas derrotas em finais europeias ou nas goleadas infligidas ou sofridas perante os rivais. Custa até a crer que o dia em o que o meu corpo mais ressentiu num jogo de futebol tenha sido num emocionante Benfica - Marítimo, em 2004/05, que acabou com 4-3, tendo o golpe final sido dado por Mantorras nos últimos minutos, que até me provocou uma alteração no batimento cardíaco e uma passageira falta de ar.



Após um inevitável flashback, eis que lá consegui recordar o dia em que chorei a ver um jogo de futebol. Foi em 1986, quando a Selecção Nacional precisava de ganhar a Marrocos para seguir em frente no Mundial do México. Apesar de necessitar de uma vitória, saiu copiosamente derrotada por 3-1, tendo sido a primeira vez que uma selecção europeia foi derrotada por uma congénere africana em campeonatos do mundo. O assalto a que a baliza portuguesa era sistematicamente sujeita pelos jogadores marroquinos provocou em mim o choro, enquanto adepto de futebol, apesar dos meus sete anos. E nem o golo de honra de Diamantino desanuviou esse estado de alma.

Googladas - Lei de Murphy

Lei N°17 de Murfy
Lei de Murphy não acredito
tudo é relativo leis de murphi
mitos lei de murphy
PORQUE AS PESSOAS DIZEM LEI DE MURPHY
leis de murphy top 100
lei de murphy óbvio
jogo da lei de murphy
Papa Murphy's
LEIS DE MURPHY DA MEMORIA

A credibilidade do remetente




Que não faltam por aí endereços de e-mail um tanto ou quanto parvos, não é novidade para ninguém, bastando para isso verificar quantos há no último forward que recebemos a alertar para os gatos bonsai ou para ajudar um doente de leucemia internado num hospital sem unidade de oncologia. Se há casos em que basta pôr o próprio nome antes da arroba para criar estranheza ou riso, há casos de pessoas que teimam em chamar a atenção com o endereço escolhido. Já me interroguei se essa opção se mantém em situações mais formais, como enviar um currículo. A mesma interrogação é suscitada neste excerto de um vídeo dos Incorrigíveis (versão integral aqui), com o alerta sobre a provável quebra de credibilidade do remetente. Não é mau ser-se original, mas convém ter noção dos limites.

Novo e-mail



Durante muito tempo, esteve na barra superior o e-mail deste blogue. Entretanto, numa qualquer mudança de esquema, essa referência desapareceu. De qualquer modo, alterei o endereço. A partir de agora, quaisquer contactos personalizados, pedidos de receitas de rolo de carne, insultos ou quaisquer outros assuntos relevantes devem ser remetidos para: aleidemurphy (arroba) aeiou (ponto) pt.

O vestuário pós-moderno

Comprei ontem duas t-shirts no Cão Azul, subindo para oito o número de exemplares desta loja no extenso lote deste objecto de vestuário que se acumula nos meus armários. Nessas oito t-shirts, prevalecem os logotipos modificados - provavelmente, a minha preferência no que a desenhos diz respeito - e, embora abdicando de t-shirts com quaisquer alusões ou trocadilhos brejeiros, admito a existência de um outro exemplar com o dom de pôr em causa alguma respeitabilidade da minha pessoa. Na loja e no trabalho, fui elogiado pela conjugação de cores de um dos exemplares que ontem comprei - afinal de contas pude escolher a cor da t-shirt, o desenho e até a respectiva cor. Pode dar-se mesmo o caso de ninguém ter um exemplar exactamente igual ao que escolhi. E isto para um tipo de classe média urbana, nascido a seguir ao 25 de Abril, é o mais perto que consigo chegar da velho ofício dos alfaiates.

Os fumos do Sócrates

Não deixa de ser um triste episódio o facto de José Sócrates ter andado a fumar no avião da comitiva oficial à Venezuela: não só por fumar num dos piores locais para o fazer, como também por tal ser proibido, nunca esquecendo que ele tem mais obrigações morais de dar o exemplo do que qualquer um de nós. O próprio só conseguiu retratar-se, ao fazer o papel de desentendido - disse que não sabia que tal era proibido - e a prometer à Nação que iria deixar de fumar. Se fico satisfeito quando familiares, amigos e conhecidos meus tomam tal decisão, não deixo de sentir tal sentimento com esta notícia, apesar de apenas me ter cruzado com o próprio meia-dúzia de vezes na rua.

Com tudo, isto, ficamos todos a saber um pouco mais do feitio do Primeiro-Ministro, mas num país com tantos problemas, discutir os vícios de quem manda parece-me algo que foge um pouco ao essencial.

Bloco de Esquerda e PSD pediram a autuação de José Sócrates. Se a lei o prevê, acho muitíssimo bem, ainda para mais tratando-se do Primeiro-Ministro, que deveria ainda levar uns calduços por fumar onde não devia e ainda armar-se em sonso. No caso do PSD, quem dá a cara pela indignação é José Eduardo Martins, ex-Secretário de Estado do Ambiente de Durão Barroso. Nem de propósito: ainda há umas semanas, vi o próprio Zé Eduardo a falar ao telemóvel enquanto conduzia, numa das mais movimentadas vias da cidade de Lisboa e ninguém me garante que não estaria a fazê-lo enquanto desempenhava trabalho político. Isto já de si mostra o nível deste tipo de discussões, com pessoas a assumirem-se paladinos de virtudes. Discussão sobre questões a sério é o que deseja. No fundo, só acho que políticos que lançam o debate para estes termos estão muito bem uns para os outros.

40 anos do Submarino Amarelo



Assinalam-se este ano os 40 anos do lançamento do filme "Yellow Submarine". Como não sou dotado de grandes conhecimentos técnicos sobre cinema - bem como de uma panóplia de assuntos, a não ser que o assunto seja fazer uma boa massa de atum - para poder dar um parecer rigoroso sobre o filme, dou apenas a minha opinião pessoal. Sobre este filme, tenho, não uma, mas duas opiniões distintas, que dependem do facto de eu ter ou não consumido álcool previamente. Ou seja, se vir o filme em condições normais, acho-o um filme com arrojo e um argumento interessante, que ainda hoje consegue assumir um carácter pioneiro, com se bem que deva ser visto à luz daquela época, de que são exemplos a estética pop-art e a referência ao LSD. Caso veja o filme após uns valentes copos de vinho - e já o fiz duas vezes - acho o filme algo de absolutamente deslumbrante, com a minha imaginação a ser sistematicamente ultrapassada por um universo de onde brotam cores e mais cores transformando qualquer ecrã num palco de orgia visual, recorrendo a um psicadelismo que me permite compensar a ausência de consumo de quaisquer drogas psicadélicas na juventude e que tem em mim um efeito parecido com as emissões mais arrojadas do Baby TV ou Baby First nos bebés. E, sem querer armar-me em sociólogo, acho que haverá muita gente por este mundo fora que se identificará com esta minha segunda opinião.

"Hey Marine!": o vídeo mais parvo que já vi no Youtube

Dicionário da Erva do Diabo

Uma polémica foi suscitada porque a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação terá achado que uma secção da página do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) tinha o efeito inverso do que seria desejável, podendo ser um incentivo ao próprio consumo. O site Tu Alinhas? pertence ao IDT e destina-se particularmente a jovens e à prevenção do consumo nesta faixa da população, até aqui tudo bem, mas o grande problema terá surgido com um dicionário de calão, que visa dar a conhecer todo um conjunto de termos ligados ao universo das drogas.

Se é certo que muitos dos termos são relativamente conhecidos da população, há coisas que merecem uma atenção especial neste dicionário do calão ligado às drogas, porque a aprendizagem é um processo contínuo e é positiva a assunção da nossa própria ignorância:

Água - ?Vem aí a água...? ? vem aí a polícia. Quem foi o linguista que atribui este significado à expressão água? Um líquido que serve para beber, para nos lavarmos e para regar jardins que raio de associação terá à polícia do ponto de vista de alguém que anda na droga? 

Bacalhau - ?Dar um bacalhau? ? injectar heroína . Esta expressão eu conheço, mas noutro contexto. Para mim, dar um bacalhau não é mais do que o vulgar "passou bem?", o aperto de mão sincero e fraterno, sem qualquer intuito de injectar heroína para as minhas veias ou às de terceiros. O tão português bacalhau teria certamente direito a ser associado a actividades humanas mais nobres.

Betinho - Aquele que não se droga. Conservador e desinteressante. Custa-me dar credibilidade a esta definição. Tecnicamente, um betinho é tido como um tipo de boas famílias, com roupa de marca e bens materiais para ostentar, cujo habitat é normalmente associado a zonas onde se vive melhor - é probabilisticamente mais fácil encontrar um betinho nos concelhos de Oeiras ou Cascais do que no Cacém ou Santo António dos Cavaleiros. Ora bem, qualquer pessoa sabe que é precisamente daí que vem uma boa fatia dos consumidores de drogas na população juvenil, bem como das maiores facturas com bebidas em discotecas, um dado a que o factor poder económico está associado. Que sejam conservadores ainda aceito, desinteressantes também haverá alguns, mas associar esta tribo juvenil à abstinência de droga parece-me pouco correcto.

Broa - Polícia. Sempre ouvi dizer que broa é sinónimo de efeito de álcool ou drogas. Polícia e forças de autoridade talvez não entrem bem nestas contas.

Centenário - Variedade de ácidos, comemorativos do centenário da independência dos EUA. Então quer dizer que os grandes festejos em torno do centenário do Benfica, em 2004, tiveram a ver com ácidos, ainda por cima em grande variedade? Eu, na altura, bem que desconfiei...

Careta - Aquele que não se droga e, por isto é considerado conversador, desprezível e desinteressante. / Cocó - Betinho. Aquele que não se droga. Conservador e desinteressante. Remetendo para a anterior definição de betinho e para estes dois termos, supostamente sinónimos, haveria aqui muita associação a fazer. Será que os betinhos são, por inerência, caretas e cócós? Há aqui alguma espécie de associação fisiológica implícita, relativamente a algum problema de obstipação por parte de gente da linha de Cascais, susceptível de os obrigar a fazer caretas em determinados momentos? Será que uma necessidade tão básica do ser humano pode ser associada a determinadas opções de vida - o consumo ou não de drogas e álcool - bem como a um alinhamento ideológico - o facto de o IDT ser liderado por um militante do PCP influenciou esta associação a uma ideologia de Direita? -, podendo tudo isto estar consubstanciado neste panóplia de sinónimos?

Papar grupos - Ser enganado . Sempre associei esta expressão a ter de aturar pessoas para quem não estaríamos muito dispostos a dar conversa ou a conviver. Qual das duas explicações está correcta?

Ataque - Prostituição /Prostituir-se - Atacar. A primeira definição está correcta - vulgo, as senhoras que "atacam" em determinadas zonas da cidade -, mas a segunda parece-me uma associação semiológica forçada, que as pessoas que estudaram Lógica mais a fundo poderão explicar melhor do que eu - o ataque é uma figura de estilo que remete para determinada actividade profissional, mas usar essa mesma actividade profissional para designar uma metáfora faz pouco sentido. Se eu disser, por exemplo, que os mercados financeiros passam por uma "bolha", é perceptível que me refiro a uma especulação na bolsa, mas se disser que tenho uma especulação no pé direito, passarei certamente por parvo. Usando estas mesmas expressões prostituir-se e atacar, seria o mesmo que dizer que fulano tal foi alvo de prostituição de 10 cães selvagens. 

Representar - Oferecer droga. Vender por favor. Dar e consumir juntos. Tudo isto parece poesia, um gesto profundamente altruísta, mas a própria definição pode remeter para uma pequena aldrabice da parte do sujeito que "representa", com segundas intenções. Ou isso ou o perpetuar do mito de que os actores são um bando de drogados.

Googladas

ajuda para uma chave do euromilhoes com as letras do nome

cantores afectados pelos mitos urbanos

leis da bebedeira

imagens da Leo e o Rico dos Morangos com açucar

aventura em alto mar lopes

Instrumentos que os professores usavam antigamente, no tempo de Salazar, para bater nos alunos

com a nova lei posso ir de férias a portugal como meu rottweiler

videos com ciganos

trabalhos de fiabilidade com fotos ?

redware paga bem?

O paraíso fica a Leste

Na longínqua temporada de 1996/97, alguns benfiquistas desviavam amiúde alguma atenção e até algum afecto desportivo para o Barcelona, equipa onde pontificavam uma série de craques mas que acabou ingloriamente em segundo lugar. Hoje em dia, face a uma maior massificação no acesso ao futebol estrangeiro, há cada vez mais portugueses que seguem com atenção clubes com que simpatizam lá fora, mas naquela temporada a coisa ganhou contornos algo inesperados. Para esta situação, terão contribuído três factores: o facto de a TVI transmitir semanalmente dois jogos da liga espanhola, a fraca prestação do Benfica naquela temporada - acabando a 27 pontos do campeão Porto - e o facto de ali pontificarem três jogadores portugueses. Lembro-me de ouvir pessoas dizer que faria mais sentido puxar pelo Barcelona do que pelo Benfica, pelo simples facto de no clube catalão alinharem muitas vezes mais portugueses no 11 inicial do que no Benfica, cujo contingente português chegou a ter como único representante João Pinto.

Vem isto a propósito da vitória do Cluj no campeonato da Roménia. Um clube que se tornou grande devido ao investimento feito por um milionário, possibilitando subidas sucessivas de divisão a partir da quarta divisão. O que leva a crer que, assim que o investimento acabar, títulos como o deste ano não se repetirão. Mas urge salientar a vitória no campeonato romeno onde jogam actualmente oito portugueses e outros dois fizeram lá metade da época. Cada vez mais portugueses rumam lá fora, em busca de melhores condições mesmo que em campeonatos menos cotados do que o português, com contornos cada vez mais semelhantes ao êxodo de futebolistas brasileiro rumo aos quatro cantos do mundo e uma prova dessa "brasileirização" será a naturalização de Tony, do mesmo Cluj, para representar a selecção da Roménia. Basta, então, olhar para a secção Portugueses do Record e descobrir que o perfume do futebol português se espalha um pouco por todo o lado, desde a esperança Tozé Marreco a Cristiano Ronaldo, passando pelas estrelas do futebol cipriota. Enquanto por cá clubes que há meia dúzia de anos foram campeões não têm dinheiro para pagar salários e dívidas de 180 mil euros.

Poligamia

Dado não ter médico de família, cada vez que me desloco ao meu centro de saúde sou atendido por uma médica diferente. Quem, como eu, está sujeito ao atendimento de reforço perde na relação médico-paciente, mas tem a vantagem de poder praticar livremente a poligamia clínica.

Criminosos? Quem? Nós!?

Que Angola é governada por gente que dificilmente convidaríamos para beber um chá em nossa casa não é novidade. Que há crescimento económico desigual também não. Que há muita empresa portuguesa a fazer negócios com o Governo daquele país e com empresas protegidas do regime também parece nada ter de novo. Mas a memória de um passado colonial não muito distante ajuda o nosso poder político e económico a encarar o regime de José Eduardo com um misto de paternalismo e de aproveitamento das falhas do próprio regime.

Não deixa de ter um carácter irónico que uma conferência destinada a discutir o Desenvolvimento Sustentável tenha sido palco de acusações de Bob Geldof às desigualdades que se vivem em Angola, palco de uma economia emergente mas onde as desigualdades parecem agravar-se. A embaixada de Angola repudiou as acusações, o BES (olha, olha!) - responsável pela organização do evento - demarcou-se das acusações e já alguém se terá apercebido que pôs a pata na poça ao convidar Geldof sem esperar verdades pouco cómodas. Que se contribua para uma separação de águas: ou se discute a sério os direitos humanos e o desenvolvimento ou se pactua com ditaduras, não se pode, citando a sabedoria popular, estar ao mesmo tempo de bem com Deus e com o Diabo.

A dúvida quase antropológica

Neste post, escrito há três meses atrás, falo do barbeiro onde habitualmente me desloco. Ambiente rude com algo de pitoresco, pilhas de Correios da Manhã amontoadas, alguma iconografia da Nossa Senhora de Fátima, posters de mulheres semi-desnudadas (uma tradição com largas décadas em Portugal, bem antes das aplicações photoshop nas FHM e Maxmen), relatos recambolescos sobre prostituição e chico-espertos que passam a perna a um desgraçado qualquer, discussões sobre bola, touradas e políticos que só sabem meter ao bolso, unha do dedo mindinho com uma dimensão superior às outras, bigodes e uma caixinha onde só entra dinheiro mas de onde não sai recibo.

Decidi ontem experimentar um outro, o que, em primeiro lugar atesta duas coisas: que foi um acto de uma extrema rebeldia, já que foi o quarto estabelecimento desta índole onde fui em toda a minha vida (prova de uma relevante fidelidade às barbearias e cabeleireiros) e que o meu crescimento capilar já conheceu dias melhores, pois mais de três meses de interregno entre cortes de cabelo não é um motivo de orgulho. Grosso modo, alguns dos traços idiossincráticos permanecem: há Correios da Manhã, há uma iconografia religiosa semelhante e a contabilidade funciona nos mesmos moldes. No entanto, notei diferenças: um espaço maior, um preço um pouco mais elevado profissionais menos pitorescos, ausência de posters do sexo feminino e, o mais relevante, a total ausência de estórias com prostitutas, tipos a contas com a Justiça ou a Guerra Colonial. Saí, portanto, com menos cabelo mas com a alma dividida sobre o que farei dentro de três meses: deverei repetir a dose de ontem, num registo mais calmo e mais profissional, ou deverei voltar ao estabelecimento onde me habituei a ir, habilitando-me a ouvir mais relatos como o do empresário que, aos fins de semana, levava a amante na sua carrinha de caixa aberta, debaixo de umas mantas, para a vizinhança não desconfiar?

Googladas

cheguei ha pouco
leis de paragens de autocarros
Hoje, como muitas vezes deparei-me com perguntas sobre os votos em politicos corruptos e...?
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UM BITOQUE PARA OS POBRES VAI TUDO ABAIXO
lei ferias SAIDA SEXTA
caracteristicas de uma paragem de autocarros
software prejudicial, malefico, mal intencionado
sinusite em caes

Elixir bocal

Para um consumidor de Eludril, um bochecho de Elgydium tem um evidente sabor a refresco.

O baú das canções: "O filho do recluso"




A canção "O filho do recluso", da autoria de Júlio Miguel e Leninha, é extraordinária, por incorporar uma série de sentimentos que pareceriam incompatíveis de caber numa mesma música: mágoa, justiça e esperança. Apesar da visível mágoa do filho por ver o pai a sofrer atrás das grades, há um sentimento de justiça que extravasa essa mesma relação, pois entende que há uma dívida que o pai tem de pagar à sociedade. Não sei a idade da criança em causa, mas há aqui uma maturidade fora do comum. Apesar deste sentimento de tristeza, há uma mensagem de esperança, quando diz que irá sofrer com o pai até ao momento em que este conheça a liberdade. Esta canção não incorpora uma prestação vocal muito coerente, mas compensa alguma falta de técnica com muito sentimento, que traz consigo uma luz de esperança que a todos nós deve servir de exemplo.

Nas margens do politicamente correcto

Um dos argumentos que sempre ouvi da boca dos vegetarianos a defender a sua opção era o de que os cereais gastos para alimentar um animal (uma vaca, suponhamos) teriam um uso bastante mais racional se fossem usados directamente para alimentar directamente seres humanos. Ou seja, os humanos alimentados directamente por cereais seriam sempre mais do que aqueles que comeriam a carne de um determinado número de animais alimentados por igual quantidade de cereais. Num campo diametralmente oposto, sempre ouvimos diversas críticas à cultura dos transgénicos, mas um dos argumentos usados a seu favor era o de as mutações genéticas permitiriam o seu cultivo em terrenos que, noutras circunstâncias, não estariam predispostos para certos cultivos.

Os argumentos fogem ao que é a nossa concepção normal de cultivo e alimentação. No entanto, ao sermos confrontados com o caos inflacionista que se instalou nos alimentos - motivado pelo seu consumo para biocombustíveis, o aumento de consumo na China ou na Índia, as catástrofes naturais em maior número ou a simples especulação - e os seus reflexos práticos, como nas imagens de cidadãos nas Filipinas a recorrer a caixotes do lixo em busca de restos, não podemos deixar de pensar que tanto os defensores do vegetarianismo como os dos transgénicos, em campos opostos, não deixam de ter argumentos válidos, à luz do que sucede hoje em dia.