Jogatanas

Não fosse a polémica que o jogo acarta, nem eu me tinha lembrado que foi ontem o lançamento mundial do Grand Theft Auto (GTA) IV. Pelo menos a SIC falou no jogo e no efeito pernicioso que o jogo pode acarretar para os jovens, podendo proporcionar comportamentos violentos. Quanto mais polémica se gera, mais publicidade se está a dar ao objecto criticado e as vendas agradecem. Se é certo que a saga GTA reúne uma série de comportamentos pouco dignos de se ter em sociedade - roubar carros e demais veículos motorizados, matar, recorrer a serviços de prostituição ou associação a grupos criminosos - estabelecer uma relação causa-efeito entre o mundo dos jogos e comportamentos sociais significa eliminar variáveis do foro social e individual, mas isso ficará certamente para os especialistas.

Se é certo que tudo isto dos jogos é feito com uma maior dose de realismo em comparação com o que se passa no passado, parece evidente. A coisa mais parecida que me ocorre com o GTA, por exemplo, no Spectrum será o Target Renegade, onde um boneco completamente disforme tentava sobreviver num cenário de selva urbana. A violência não vem, portanto, de agora. Se voltarmos até um pouco antes dos videojogos, podemos sempre ver o elemento violência. Os "Soldados da Fortuna" não eram propriamente uns meninos de coro e, voltando ainda mais atrás, até o "Bonanza" - ícone da geração dos nossos pais - que hoje parece algo de inocente e datado tinha muito tiroteio à mistura.

Desde os tempos do Spectrum até à PS2 que hoje possuo, joguei umas boas dezenas de jogos diferentes, pelo que fui construindo uma espécie de currículo nesta matéria, muito embora os últimos anos tenham sido, felizmente, menos profícuos nesta matéria. Vizinhos que acabavam presos em minha casa a morrer à fome no Sims, civilizações maias e incas dizimadas no Colonization, Ligas dos Campeões conquistadas ao serviço do Maia no Championship Manager, inimigos mortos com motoserras no Doom 2, provocar a morte de centenas de pessoas entregues a leões e elefantes no Zoo Tycoon ou verdadeiros atentados contra terceiros e autoridades policiais no próprio GTA são pequenos episódios de que me recordo e, passe a sua estranheza, são coisas que nunca me passou pela cabeça fazer na vida real, como seria normal. A utilidade que eu hoje vejo para a maioria dos jogos é precisamente enquanto catalizadores, por exemplo: se o clube não ganha jogos, então só resta enchê-lo de craques e pô-lo a vencer Ligas dos Campeões. Confesso que já caí algumas vezes no erro de achar que jogadores de futebol têm semelhante valor nos videojogos e em carne e osso - um erro relativamente comum no público de futebol, basta ler os comentários a muitas notícias no site do Record - ou olhar para determinado sítio e imaginar a sua transposição no Sim City ou no Sims, mas nada disso é algo que eu possa considerar preocupante.

Em suma, toda esta discussão em torno de videojogos - e do GTA em particular - terá, apesar de tudo, o seu interesse. Como seres humanos que somos, sujeitos a estímulos externos, é difícil achar que não há algum impacto por parte de videojogos, tal como há da televisão ou da música. Daí a culpar os videojogos pelos comportamentos perigosos a que a Sociedade vai assistindo, parece-me exagero. E não me venham dizer que jogos é coisa para putos: se o Pacheco Pereira joga as recentes sagas do Civilization e as edições comemorativas do Command and Conquer, significa que o mundo não está perdido.

Pancada na esquadra

Todos nós vamos criando, ainda que inconscientemente, uma lista de locais onde é seguro ou não passar. Na lista de locais seguros, seria certamente ridículo não constar uma esquadra de uma força de segurança. O episódio da invasão e agressões a um cidadão na esquadra da PSP de Moscavide - talvez aquela por onde passei mais vezes à porta - por parte de uma dúzia de pessoas prova que até um dos últimos redutos de segurança se revela, afinal de contas, perfeitamente violável. Ainda assim tiro o chapéu a este triste incidente, já que tudo isto acabou por ter um efeito pedagógico, servindo para mostrar a caricatura em que se tornou o policiamento na Grande Lisboa.

Junto a minha voz à do Presidente...



...para apelar a uma maior participação democrática dos jovens. Há 17 anos, era este o método de apelar à participação dos jovens, através do recenseamento eleitoral. A sua qualidade ajuda a perceber todo um trauma de uma geração com a vida política portuguesa. Este vídeo foi retirado à colecção do Velhos Anúncios, um blogue com o qual o LdM tem excelentes relações, não fossem ambos feito pelo mesmo cromo, perdão autor.

Googladas

simpatia para sinusite
Filipa Vacondeus O Bitoque
restaurante chines boa sorte encarnacao
cromos de sucol
que idade tem o eng sousa veloso
badajoz tratamentos joelhos
"vinho de má qualidade"
anulaçao de contrato do hi5
polvora para dinamite
Canção do Pioneiro

Nos copos com o Costa

Há duas noites atrás, sonhei que saía do trabalho ao fim da tarde e ia beber copos de vinho tinto com o António Costa numas tascas em Campolide. Isto de saber que o presidente de Câmara da minha cidade passou a ter uns óculos iguais aos meus teria que causar algum impacto na minha pessoa.

Oxigénio a mais

Conhecendo a obra de Jean-Michel Jarre há uns 15 anos, embora sem ser um dos meus artistas de topo, seria de todo normal que fosse a correr assistir a um concerto seu, caso viesse a ocorrer em Portugal. Seguindo a lógica, fui ao concerto de há pouco no Coliseu. Pela minha lógica, seria expectável ouvir alguns dos hits que fui conhecendo ao longo dos anos, um pouco por influência dos meus primos franceses e também por um certo impacto que algumas das canções tiveram, recordo-me, por exemplo, do "Rendez-Vous 4" , que ficou associada à explosão de uma nave espacial. Quando a tournée vinha sob a égide dos 30 anos do álbum "Oxygène", deveria ter tido a perspicácia de concluir que o concerto não fugiria muito daí. E foi o que aconteceu, o que acabou por defraudar um pouco as minhas expectativas. Reconhecendo que é um disco marcante na carreira de Jarre, não posso circunscrever a sua extensa carreira a apenas esse álbum, pelo que gostaria de ter ouvido outras canções marcantes. Em suma, foi um bom concerto, mas para quem é fã. Quem, como eu, tem um conhecimento mais genérico da sua obra, presumo que terá ficado com a sensação que não foi aquele concerto que aguardou ao longo de tantos anos.

Alvos de estereótipos de todo o Mundo, uni-vos!

Na mesma Dica da Semana em que somos emocionalmente cilindrados com a promoção de um whisky a quatro euros, vem uma entrevista com a Leonor Poeiras, com especial referência ao facto de ter sido mãe há alguns meses atrás. A discussão das promoções do LIDL suscita sempre animadas discussões com alguns colegas de trabalho e o facto de a apresentadora da TVI constar na capa do mensageiro oficial dessas promoções também motivou da minha parte uma pequena observação sobre a figura de capa e que compartilho convosco.

Sem querer teorizar sobre as suas competências enquanto apresentadora, há algo nesta senhora que me desagrada. Mas é assim um desconforto assim do tipo sociológico, ainda que ela não tenha muitas responsabilidades neste estado de espírito. Confusos? Rebobino apenas um pouco o meu raciocínio: tal como todos nós criamos uma certa imagem ou arquétipo para determinadas profissões ou sectores de actividade - o vendedor de carros com verbo fácil, o empregado de balcão meio metediço e com a mania que é esperto, o trolha com uma "palavra amiga" com a transeunte que passa em frente à obra - também criamos uma determinada imagem de pessoas que estudam este ou aquele curso superior. Nem sempre corresponde à verdade, mas esse pequeno preconceito acaba sempre por alimentar a associação entre um curso e um determinado tipo de pessoas. Por essa lógica, não é difícil associar a Engenharia Informática a uns geeks mal vestidos, as Ciências do Desporto a rapaziada sempre de fato de treino, a Antropologia a uns tipos com mau aspecto e militantes do Bloco de Esquerda ou o Direito a estudantes de Direito. Então e quem frequenta cursos de Comunicação ou jornalismo, que imagem é que vem à cabeça? A de pessoas simpáticas, sorridentes, com boa imagem, desenrascadas, faladoras, ou, tecnicamente falando, "comunicativas". E a Leonor Poeiras não parecer ter um pouco tudo isso? É um facto, por isso digo que ela incorpora um pouco todo esse estereótipo associado a quem estuda ou estudou nesta área. E acredito piamente que não serei o único a contestar toda esta mitificação em torno dos estudantes de Comunicação: este estereótipo terá, em determinadas alturas, caído um pouco mal a muitas pessoas que fizeram este percurso académico, mesmo sofrendo de "males" como a timidez, o mau aspecto, a barba por por fazer, dentes amarelos, a antipatia, o mau-humor ou t-shirts dos Iron Maiden. Daí o pequeno prurido que causa à minha pessoa, embora eu assuma que a própria Leonor não tem muitas culpas no cartório.

Programa para o 25 de Abril

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A dureza dos grandes desígnios

Tenho um amigo que, há meia dúzia de anos atrás, decidiu abraçar um desígnio. Não foi um desígnio comum, como ir para a universidade ou fazer a volta ao mundo, mas algo que, parecendo relativamente prosaico, adquiria dimensões quase épicas: experimentar todas as marcas de whisky que conseguisse. Não sei precisar o momento exacto em que tomou a decisão, mas ouvi da sua boca que tinha esse nobre objectivo.

Apesar de este percurso estar sempre um pouco ferido de batota - já que nunca bebeu whisky puro, mas antes com coca-cola, e eu quase que fico zonzo só de tentar contabilizar o número de vezes que o o ouvi falar no "Whisky Cola" - o certo é que eu (assim como todas as pessoas que faziam parte do seu círculo de amigo e conhecidos) o vi beber as mais diversas marcas desta bebida, seja em restaurantes, bares, discotecas ou até mesmo em casa, quando a sua casa albergava algumas noites de diversão. Se é certo que o vi beber Johny Walker, Ballantine's, Famous Grouse ou Jack Daniel's, os momentos mais cómicos desta saga registaram-se quando lá se descobria que a sua travessia ia amiúde parar aos exemplares mais baratos desta bebida. Foi aí que fiquei a conhecer o lado bem menos glamouroso do whisky, com garrafas a custarem menos de 5 euros e algumas sem direito a algo tão básico como uma boquilha, tendo-me sido proporcionado o contacto com marcas como Scottish Royal, Piper's Pride, The Dundee ou Vat 69.

Como todas as decisões pouco sensatas que às vezes se tomam, também este projecto teve o seu fim ao fim de dois ou três anos. Não obstante o carácter heróico deste percurso, algumas etapas não foram cumpridas, nomeadamente ao nível das marcas brancas, como o Scottish Grocer de venda exclusiva nas lojas Dia por seis ou sete euros. Face à grande envergadura deste projecto de vida, e tendo em conta os anos que durou, o balanço que faço acaba por ser positivo.

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Vem esta prosa a propósito da promoção de hoje no LIDL, devidamente promovida na Dica da Semana desta semana, passe a redundância: Queen Margot Scotch Whisky 3 anos. A referência à secular tradição das famílias reais britânicas confere um óbvio certificado de qualidade ao produto, cujo preço passa dos já bons 5,19€ para uns inacreditáveis 3,99€. 1,20€ de diferença que serão certamente um bom contributo para a taxa moderadora que quem o beber terá inevitavelmente de pagar nalguma urgência hospitalar ou no centro de saúde e aqui omito propositadamente os preços praticados por quem usa algum seguro - vão lá dizer aos senhores da Médis e hospital privado associado dizer que andaram a beber isto e ainda ficam sem apólice e com direito a enxovalho público. Certo é que esta promoção peca apenas por tardia: tivesse ela ocorrido há uns 5 ou 6 anos e eu já tinha destino certo para um exemplar deste whisky, qual novo cromo numa extensa caderneta que o meu amigo foi criando ao longo dos anos.

Do desejo

Apesar de estar na Internet há quatro anos, só ontem calhou cruzar-me com este blogue, que, na prática, consiste unicamente num post, que o autor utiliza para enviar uma carta aberta à Isabel Figueira. A prosa é boa e o seu tema daria certamente azo a alguns excessos de linguagem, mas o autor não leva muito longe os seus intentos: «Escapo aos preâmbulos e avanço com o pedido: Desejo abraçá-la. Um simples abraço, uma união de dois amigos que matam saudades enquanto recordam o toque da pele do outro. Um oferecer de contornos físicos por questões de amizade. Uma oferta e recolha de alentos (...) O abraço que lhe proponho é de exploração cordial, de puro empirismo táctil descambado em amizade. Não sou tarado, sou monogâmico convicto, professo a fidelidade. É de trajes resplandecentes no seu alvor que lhe proponho o meu pretendido amplexo. Não sou tarado, sou asseado, saudável.». A ler.

Ribau







Estive a ver um pouco do debate na RTP sobre o actual estado do PSD e os inevitáveis bitaites e dilemas ideológicos no partido. Discussão pouco útil, parece-me, já que, para mim, o grande problema - diria mesmo o grande drama - é que a demissão de Menezes acarretará a saída de Ribau Esteves, aquele que tem sido o número dois do partido, ocupando o cargo de Secretário-Geral.

De figura pouco mediática, Ribau Esteves saltou para a ribalta, tendo ombreando nos disparates, perdão no protagonismo, com Luís Filipe Menezes. Mas o que faz de Ribau Esteves uma figura tão popular? A pergunta é legítima, a resposta não será das mais difíceis. Começa pelo próprio nome, facilmente reconhecível de tão raro que é, e continua pela sua própria fisionomia, que comporta uma certa carga de comicidade. O carácter pitoresco continua no facto de ter aceite um cargo de relevo no partido sabendo que o líder é Luís Filipe Menezes, o que prova que há ali um carácter quase suicida do ponto de vista político e que lhe pode custar vôos mais altos no PSD nos próximos tempos. Por fim, as diversas boutades com que nos foi brindando nos últimos meses, como os dois vídeos que constam em cima ou a metáfora do eleitorado e da "gaja boa", provando que há uma apetência pelos soundbites mas pouca razoabilidade na sua utilização.

Como pequeno bónus, acresce a sua proveniência, o concelho de Ílhavo, do qual é presidente, e que andou pelas bocas do mundo pelo crime perpetrado por Tójó, vocalista dos Agonizing Terror, pouco se tendo falado no município desde então. O município também alberga um bom armazém de bacalhau, cujo cheiro se nota a centenas de metros de distância, local onde é possível comprar bons exemplares do "fiel amigo", mas isso é um dado absolutamente irrelevante da minha parte, muito embora seja uma boa dica a quem por lá passar. Resta a esperança de que a metáfora da "Travessia no Deserto", tão propalada na Política mas que poucos realmente cumprem no PSD(a de Santana Lopes terá durado um ano...), não seja um projecto próximo de Ribau!

Googladas - especial grelo

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Não há almoços grátis, mas há almoços baratos

Há uns três ou quatro anos que vou com alguma frequência buscar as minhas refeições a um restaurante que serve comida para fora. O preço das refeições é relativamente acessível e manteve-se praticamente inalterado durante os últimos anos, o que, tendo em conta os sucessivos aumentos a que vamos assistindo em quase todos os produtos, é sempre um factor a ter em conta. No entanto, por vezes assalta-me a dúvida sobre qual a forma como se consegue manter os preços acessíveis durante tanto tempo, tendo em conta as inevitáveis despesas de funcionamento do espaço, o salário dos funcionários, a subida galopante do preços dos alimentos e a necessidade de salvaguardar uma margem de lucro. No entanto, uma vez por outra, lá vão aparecendo algumas respostas às minhas dúvidas, como um volumoso saco de feijão de 10 kg marca ok! ser transportado para dentro da cozinha há uns dias atrás, o que, parecendo que não, dá uma boa ideia sobre as despesas que ali se fazem com alimentos.

Crise no PSD


Não é preciso ser o Carlos Magno para perceber as razões da crise no PSD. O facto de estar ser essencialmente um partido de poder faz com que se instale a instabilidade dentro dos militantes e das suas figuras de proa quando se percebe que o partido corre o risco de perder as próximas legislativas e prolongar o estatuto de partido de Oposição. O facto de o partido, nos últimos 13 anos, ter sido Governo (para mais em coligação com o CDS) e a forma como deixou de o ser em 2004 provoca um agudizar do descontentamento. Os últimos anos têm sido, portanto, conturbados e basta recordar as acusações sistemáticas de fraude em torno das eleições directas no partido, com pagamento massivo de quotas e militantes de proveniência duvidosa. Cite-se também que, nos últimos quatro anos, foram quatro os líderes e que esse número deverá aumentar com os putativos candidatos às eleições de 24 de Maio.

Nesse quadro, Luís Filipe Menezes não foi definitivamente a solução para uma certa acalmia interna e para a união do partido. Queixando-se das críticas constantes de que foi alvo enquanto líder, esquece-se que a sua descrição dos factos não é muito diferente da oposição que fez a Marques Mendes. A liderança de seis meses teve mais o condão de agitar as hostes, com diversos episódios: a mudança no símbolo do partido, a proposta de desmantelamento de serviços públicos em seis meses, o colocar-se ao lado dos sindicatos na contestação ao Governo, o protagonismo inesperado que deu a Santana Lopes enquanto líder parlamentar, a proposta de alterar o quadro de comentadores políticos na televisão, o ter assumido que o partido ainda não estava preparado para ser Governo, o ter-se rodeado de figuras que fazem parte de um certo anedotário como Rui Gomes da Silva e Ribau Esteves e, talvez o mais importante, o facto de nunca ter conseguido reunir o apoio das figuras históricas do partido. Mas, em abono da verdade, - e partindo do princípio de que Menezes não se recandidatará - diga-se que foi uma das lideranças mais aziagas de que há memória, não no PSD, mas na política nacional, já que nem a uma eleição chegou a concorrer.
Seguem-se eleições para a liderança. Quem ganhar a disputa terá uma dura tarefa, que é um calendário eleitoral extremamente apertado para o próximo ano, com três eleições no espaço de seis ou sete meses, uma delas para eleger Governo. Em primeiro lugar, terá que restabelecer a confiança dos portugueses no partido e tentar capitalizar algum descontentamento em torno do Governo, que continua em alta, apesar da contestação social. No entanto, essa tarefa não será fácil, já que um partido que nem se consegue resolver nas questões internas não tem, neste momento, muita autoridade para dizer que resolve os problemas do país.

Ele há todo um desajustamento

Na aula de hidroginástica que fica paredes meias com a minha aula de natação, o rádio ecoava hoje a canção "As baleias" de Roberto Carlos. Sou um fã confesso da música, mas há ali qualquer coisa que não bate certo entre a canção e a actividade física: o ritmo é mais propenso a uma apneia capaz de provocar uma paragem respiratória e o seu título pode ser entendido com uma forma de escarnecer e até ofender alguns dos frequentadores das aulas com excesso de peso.

A fórmula para uma canção de sucesso



Canção com a duração certa (pouco mais de três minutos), um refrão que entra depressa no ouvido e facilmente trauteável, uma batida que tanto agrada ao apreciador de música comercial como permite à canção ser tocada sem complexos em pistas de dança, nunca esquecendo que é uma boa matéria-prima para diversas remisturas. A canção "Amazing" de Seal é das melhores canções pop que ouvi nos últimos tempos.

O prédio do Presidente

Só recentemente dei conta da apresentação multimédia na página da Presidência da República, intitulada "Os Dias do Presidente", em que é retratado um dia na vida de Cavaco Silva, desde o momento em que sai de casa até ao regresso. A apresentação é simpática e sóbria, feita em discurso directo, sendo que, no essencial, não foge muito à ideia que qualquer cidadão tem do dia do Presidente da República, seja o trabalho mais burocrático, as reuniões com os seus assessores ou com representantes deste ou daquele sector, sem esquecer as presenças a que o cargo obriga, como sucedeu na homenagem a Simone de Oliveira.

À parte de tudo isto, um dado chamou-me a atenção. Não falo do chá a meio da tarde com a Primeira-Dama ou da conversa sobre o estado de saúde de um dos netos, que teve de faltar à escola. Falo antes do local onde a apresentação começa e acaba, precisamente na casa do Cavaco Silva cidadão e não Presidente. Cheguei à conclusão que há algo que me aproxima deste homem: o facto de ambos vivermos num prédio sem elevador e com aquelas pedrinhas que adornam as paredes dos prédios construídos nas décadas de 60 e 70 e que me faz pensar que o nosso contexto predial (peço desculpa por não arranjar termo melhor) é extremamente parecido, para não falar da marquise, que não aparece no vídeo mas que eu sei que existe, que ambos albergamos. Há um ponto em que a casa dele ganha, que é o facto de ter uma planta à entrada, algo de que não me posso orgulhar. Em contrapartida, a minha porta é mais bonita e moderna do que aquele sensaborão pedaço de madeira. E é também por estes paralelos e semelhanças entre os cidadãos e os representantes que se faz a famosa ética republicana.

O jardim de Alberto João

Ao vedar o acesso ao Parlamento Regional da Madeira ao Presidente da República, por ter medo do comportamento de alguns deputados «malucos» (a expressão é do próprio), Alberto João Jardim não foge ao seu registo habitual, que lhe rende votos e popularidade na região mas que fora dela soa um stand-up comedy série B. Não permitindo que a mais alta figura da Nação possa realizar uma sessão solene naquela que, bem ou mal, é a casa da Democracia na região e onde estão presentes deputados eleitos pela população, João Jardim reforça o estatuto de pequeno tiranete, rei e senhor do seu pequeno quintal onde ele próprio cria as regras, mesmo que à revelia do modo de funcionamento do país à qual a região pertence. O Bloco de Esquerda regional estará ausente, como forma de protesto, do jantar com todas as forças políticas da reigão.

1. Neste momento, Daniel Oliveira enfrenta um processo em tribunal, por ter chamado de palhaço a Alberto João Jardim numa coluna de opinião. Não seria altura de os insultos proferidos por João Jardim começarem a ter o mesmo tratamento?

2. Pelo meio, lá vão surgindo algumas propostas destinadas a expôr ainda mais ao ridículo o líder madeirense, como a proposta do PND para construir uma estátua de 50 metros em honra de Alberto João Jardim

3. E quando se ouve um deputado na Assembleia da República proferir este tipo de disparates sobre João Jardim (neste caso, n'"Os grandes Portugueses"), nomeadamente a sua paixão pelo país, parece que tudo isto fica legitimado.

Um e-mail que recebi

Julgo que nunca coloquei aqui no LdM e-mails a pedir ajuda para isto ou aquilo. A principal razão prende-se com alguma falta de fiabilidade que a grande maioria me oferece. Não me parece este o caso e vai assim:

Vivo nos arredores de Lisboa e sou pai de uma menina, agora com 7 anos, que é portadora da doença de TARGARDT (degeneração da mácula), o que faz com que perca a visão central ), doença essa que é actualmente incurável, mesmo no estrangeiro. Como não é fácil obter informações a nível nacional, resta-me a Internet para adquirir um conhecimento mais profundo que me ajude a lidar com esta doença, pois mesmo em Lisboa a única ajuda que me foi facultada foi de uma associação (mais concretamente a Associação de Retinopatias de Portugal), associação essa que também padece do problema de falta de apoio, pois é uma entidade privada. O grande objectivo deste mail é tentar arranjar maneira de contactar pessoalmente, familiares ou amigos dessas pessoas que sofram da mesma ou semelhante doença, para fazer um rastreio, com um único pensamento: - Difundir e trocar informações acerca desta doença. POR FAVOR divulguem este mail pelos vossos contactos e/ou se tiverem conhecimento pessoal de um caso semelhante, agradecia que me contactassem:

Rui Gonçalves
rgoncalves@creditoagricola.pt

Googladas

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Que filme é que dá hoje à tarde na televisão?




A evocação da memória, com a "Primeira Matiné", arauto do visionamento de filmes ao domingo à tarde na RTP1, mesmo se esses filmes não tivessem a categoria de "filme de domingo à tarde".

Um país cada vez mais verde

Hoje, falou-se de recibos verdes no Parlamento. O Governo foi interpelado sobre a prática reiterada da contratação com recurso a recibos verdes na sua própria casa, ou seja, na Administração Pública. Sobre isso, os esclarecimentos dados foram poucos e o ministro Vieira da Silva chutou para canto, dizendo apenas que esta prática estava a ser combatida no seu ministério - não se referindo, portanto, aos restantes 14 - e que existiam situações em que esta prestação de serviços se justificava. O facto de ter sido o ministro considerado mais à Esquerda no actual Governo a alijar-se de responsabilidades ajuda a explicar o ponto a que se chegou nesta matéria.

Quando se criaram os recibos verdes, a intenção parecia pertinente: encaixar legal e fiscalmente o que se chamava de "biscate" ou "pequenos trabalhos por fora", apesar de muitas dessas actividades continuarem a fugir a esse controlo tributário. Entretanto, o seu âmbito foi-se alargando e revelou-se uma verdadeira galinha dos ovos de ouro: sob a capa de uma prestação de serviços, muitas empresas e organismos públicos recorrem aos recibos verdes como uma normal forma de "contratação", colocando nos funcionários o ónus de todas as despesas de IRS, Segurança Social e seguro de trabalho, para além da pressão psicológica de poderem perder o trabalho de um dia para o outro. Há alguns dias, ouvi o presidente da CIP falar neste assunto, com um discurso um pouco corporativista desculpando os empresários e atribuindo culpas à nossa legislação laboral, como forma de justificar esta "chico-espertice". Ou eu sou um pouco burro ou acho que deveriam ser as próprias confederações as primeiras a denunciar esta situação, que acaba por desvirtuar a normal concorrência entre empresas e até a competitividade do sector: se o empresário A empregar dez funcionários dentro da legalidade e o empresário B tiver outros tantos funcionários a recibos verdes com salários abaixo do permitido - configurando uma prática de "dumping" salarial - é óbvio que ele será mais mais competitivo, mesmo infringindo a lei. É caso para dizer que o crime compensa.

Criaram-se leis para proteger quem acaba nestas condições, como a que estabelece legislação para quem trabalha a recibos verdes há três meses numa empresa, embora tenha horários a cumprir. O que, sendo um direito importante, não deixa de constituir a assunção de que esta é uma prática corrente. Estranho também que, apesar das muitas campanhas que são promovidas para dar a conhecer aos cidadãos os seus direitos, nunca se tenha feito uma acção deste tipo para que as dezenas de milhares de pessoas que estão nesta situação saibam que podem recorrer às entidades competentes, nomeadamente a Autoridade para as Condições de Trabalho. Eu próprio já tive de me deslocar às instalações deste serviço e creio que não é tempo perdido.

Se bem que esta é uma prática cada vez mais transversal em termos idades e formações, parece ser mais comum na minha geração. Eu, como não sou excepção, também já trabalhei a recibos verdes: uma em que trabalhava à hora para uma função específica numa empresa e outra em que tinha um normal horário de trabalho e obrigações, no início da minha carreira profissional. Felizmente para mim e infelizmente para os outros, os casos mais gritantes conheci-os na terceira pessoa, desde a pequena empresa a grandes vultos da actividade económica em Portugal, passando pelo Estado, onde cheguei a conhecer casos de pessoas cujos ordenados demoravam um ano a chegar. Também em entrevistas, provei o sabor desta artimanha, nomeadamente numa "coisa" chamada Redware, onde fui questionado sobre a minha disponibilidade para trabalhar por 450 euros mensais a recibos verdes, com horário bem acima das 8 horas diárias podendo entrar pelo fim-de-semana dentro, nos arquivos do banco Santander.

Dou de barato que o paradigma do emprego para a vida terá tendência para acabar. Eu próprio sou defensor de uma mudança de ares de tempos a tempos, nomeadamente a minha, que tarda em acontecer. Também não me choca, por exemplo, que o próprio Estado possa usar sistemas de contratação semelhantes ao que sucede no privado, efectivando os funcionários mais competentes, mas creio que toda esta discussão vai além de um mero discurso ideológico sobre as leis para contratar ou despedir funcionários.

Em boa parte devido a grupos surgidos na Internet, como o FERVE e os Precários Inflexíveis, nos últimos meses foi-se levantando um pouco o véu sobre este verdadeiro flagelo com um impacto social e económico bastante assinalável: concorrência desvirtuada entre as empresas que cumprem e as que não cumprem a lei, o acentuar das assimetrias sociais, a desilusão face à classe política por uma faixa da população que ficará receptiva a um discurso demagógico e populista de um qualquer "Salvador da Pátria", o aumento da emigração qualificada acrescida do esbanjamento de recursos públicos de um país numa geração em que tanto se investiu e da qual, paradoxalmente, o país acaba por receber tão pouco.

Festa é festa e ninguém dorme!




Já diz o velho ditado "Festa é festa e ninguém dorme!". Como atesta este vídeo do reveillon 96-97, passado algures numa discoteca lisboeta, contando com algumas figuras conhecidas da nossa praça que, na altura, estariam ligadas à TVI: a Bárbara Guimarães a fugir das câmaras, a Julia Sargeant demasiado "efusiva" e, qual cereja em cima do bolo, o Virgílio Castelo e um amigo completamente bêbedos. Este vídeo foi recuperado de um CD da extinta Cybernet, que encotnrei há dias por acaso. Quem é amigo, quem é?

Ministro da Informação do Iraque deixou escola

Sei que pode parecer estranho escrever isto hoje, mas acho que Luís Filipe Vieira teve um papel importante numa determinada fase do Benfica. Volto um pouco atrás e recordo os últimos, vá lá, 15 anos do Benfica. Seguindo uma ordem cronológica, o primeiro nome que me vem à memória é o de Jorge de Brito, figura importante da Finança nacional com uma grande equipa, mas onde começavam a surgir os problemas de tesouraria, com o caso envolvendo um "empréstimo" vindo da RTP para a contratação de Futre ou o "Verão Quente" de 1993, no qual Paulo Sousa e Pacheco rumaram ao Sporting. No meio de tanta confusão, veio Manuel Damásio, que deu luz verde a Artur Jorge para desmantelar uma equipa campeã e que iniciou uma política de contratações que faziam do Benfica uma espécie de repartição das Finanças, tal o volume de entradas e saídas ao longo da temporada. Em finais dos anos 90, veio Vale e Azevedo, cuja situação actual perante a Justiça fala por si.

Olhando para toda esta gente, é legítimo fazer a comparação e considerar Luís Filipe Vieira melhor do que a pandilha que mandou no Benfica durante tantos anos. Alguns erros persistiram com Vilarinho e Vieira, mas em menor número. Vieram jogadores de qualidade duvidosa, mas também vieram Simão Sabrosa, Tiago, Petit, Quim, Luisão ou Nuno Gomes. Veio Toni, mas também Camacho e Trappatoni. O estádio nem sempre enche, mas o Benfica tornou-se o clube com mais sócios do Mundo.

Posto isto, digo que Vieira teve um papel relevante no Benfica em determinado momento. Agora, parece que o cargo lhe pesa. Assumiu o cargo que era de José Veiga, mas é uma figura quase inexistente junto da equipa. Contratou craques, mas a equipa já vai com o terceiro treinador da época. Perante erros de gestão do clube, prefere lançar críticas ao sistema, aos árbitros e a outras figuras ocultas que, supostamente, não deixam o Benfica ganhar. Assim foi no jogo de ontem. Vi apenas o resumo, mas pareceu-me que a equipa jogou bem e faltou apenas o golo. Com tudo isto, Vieira ameaça com queixas à PJ e lá vem ele com as acusações do costume. A juntar-se à falta de êxitos desportivos, a figura máxima do clube esforça-se por ridicularizar a instituição que representa. Por isso, talvez fosse melhor abandonar o clube. É que alguém que teve um contributo fundamental para ajudar a reerguer o Benfica corre o risco de, no futuro, suscitar memórias parecidas às do boneco do Octávio Machado no "Contra-Informação", lançando farpas contra tudo e todos, mesmo que não se saiba exactamente para quem.

Googladas

Porque está havendo eleições nos EUA?
como fazer sopa verde
fotografia de bebedeira das fadistas
legislação de pão de forma
portal da dinamite caseira
nossa senhora desnudada
"vai tudo abaixo" "como se diz em bom português"
musicas para ouvir japonesa
parabolica(significado)

Coisas do Marketing: Sousa Veloso no anúncio da Compal



Se é certo que ainda só passou um terço do ano de 2008, parece-me que em matéria de anúncios televisivos o vencedor para a melhor ideia está encontrado. É notável a forma como se recupera um dos ícones televisivos nacionais - e dificilmente haverá alguém com mais de 25 anos que não se lembre do Eng. Sousa Veloso - conjugando a sabedoria da agricultura tradicional com um produto moderno, neste caso, os sumos Compal.

Fim do dilema


Comprei, por um destes dias, um novo leitor de mp3 - precisamente um Creative Zen Stone Plus 2GB - , aproveitando uma promoção da Staples. O facto de ter perdido uma peça no meu anterior leitor, o que inviabilizava a sua utilização, precipitou a decisão, mas a possibilidade de passar para um leitor com capacidade para 512 Mb para um outro com o quádruplo do espaço era garantia de um maior leque de músicas e também o fim de alguns dilemas quando ligava o aparelho à entrada USB do computador. Deparar-me com estranhos dilemas da índole de um "Fonzie ou Amália Rodrigues?", eventualmente um "Arcade Fire ou Leonel Nunes?" ou, vá lá, "Orishas ou Mylene Farmer?", deixam, a partir de agora, de fazer grande sentido.

A mania do outsourcing

A recente bronca envolvendo o LIDL, em que admitiu que contratou detectives para espiar os seus funcionários na Alemanha, parece-me uma péssima opção de gestão. Recorrer ao outsourcing para andar a espiar os seus trabalhadores é um gasto desnecessário de recursos, já que não se recorre à prata da casa. Isto porque é sabido que, em qualquer local de trabalho, há sempre alguém que conhece e faz circular os rumores envolvendo os "podres" da vida profissional e pessoal dos outros.

A notícia do dia passou em rodapé

Prazo para anulação de um contrato é de um ano

Entra esta terça-feira em vigor o novo diploma das práticas comerciais desleais que vêem sancionar o comportamento de profissionais que adoptam práticas agressivas na sua actividade comercial, «há muito reivindicado pela DECO», segundo o comunicado.


Aquilo cujo termo técnico se designa como práticas comerciais desleais designa-se, em bom português, como aldrabice. O rol destas práticas pouco leais é bastante extenso e todos nós temos a nossa colecção de episódios em que recebemos cartas a dar-nos prémios, de telefonemas com perguntas de resposta fácil como mote para nos deslocarmos a uns suspeitos escritórios em Sacavém ou na Amadora, das ofertas de serviços de vigilância para a casa, dos despreocupados inquéritos com o intuito de ficarem com o nosso contacto ou, back to basics, a oferta camuflada de time-sharing que fez furor nos anos 80. Mesmo eu, que sou relativamente céptico nestes casos, já tive os meus tropeções nestas práticas, nomeadamente caindo na patifaria dos inquiridores de rua do Midas Prestige, deslocando-me às suas instalações embora sem ceder aos argumentos das brasileiras que juravam a pés juntos que aquele cartão dava acesso a descontos neste mundo e no outro. Caso esta lei seja aplicada, a hipótese de sermos confrontados por esta chico-espertice diminui bastante, diminuindo também, porque não dizê-lo, parte da desconfiança perante alguns estranhos.