20 anos da TSF


Em tão idiossincrático dia do calendário, assinalam-se os 20 anos de actividade da TSF. Numa era em que existem canais por cabo, Internet, dezenas de rádios com os mais diversos formados e publicações para todos os gostos, parece difícil perceber o real impacto que esta rádio teve. Tendo sido a primeira rádio de notícias em Portugal, numa altura em que muitos projectos surgiram no éter com o rótulo de "rádios piratas" - um movimento que também albergou outras rádios de nome, como a rádio Cidade, que emitia a partir da Amadora, e que hoje é a conhecida Cidade FM - criou um estilo e mudou a forma como os acontecimentos eram noticiados em Portugal, com uma proximidade bem maior entre o acontecimento e o tempo em que eram dados, o que não seria de todo possível com os formatos radiofónicos da época. Este carácter de inovação teve mesmo o condão de provocar mudanças na forma como os restantes órgãos de comunicação actuavam no terreno.

Como acontece com qualquer projecto dedicado essencialmente à notícia, também para uma rádio são precisos grandes acontecimentos que alimentem o interesse por parte do público. Tal como a SIC Notícias teve o seu empurrão, no início de actividade, com o 11 de Setembro, a TSF beneficiou do incêndio do Chiado e, mais tarde, da Guerra do Golfo. Anos mais tarde, ficou célebre a transmissão praticamente em contínuo da situação em Timor, mesmo com custos financeiros, já que foi prescindida a publicidade durante uma série de dias. Tal como qualquer projecto jornalístico, também uma rádio de notícias precisa de grandes momentos, que constituem os marcos mais importantes da sua história. Seja na busca de notícias no fim da rua ou no fim do mundo, é inquestionável que esta rádio constitui um marco na história do jornalismo e da própria vida pública nacional.

Pipocas aos pontapés

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Uma pipoqueira caseira comprada por meia-dúzia de euros, uns saquinhos de milho que dão para uma dezena de baldes de pipocas por 2 euros, acrescente-se uma pitada de sal ou açúcar, manteiga e óleo e está feita a festa. Decididamente, o mundo dos aperitivos nunca mais será o mesmo.

Subida do preço do pão

Se é certo que o preço do pão andou estável nos últimos anos, não deixa de ser verdade que os aumentos recentes e aqueles que estão anunciados não correspondem exactamente a um simples ajuste. O aumento do preço dos cereais tem sido a razão apontada, já que há um aumento da respectiva procura para a produção de biocombustíveis, que, apesar de constituírem uma excelente forma de rentabilização de óleos alimentares usados, acabam por ter um efeito pernicioso ao nível ambiental e do preço de algumas matérias-primas. Como têm que existir sempre chico-espertos para tudo, os responsáveis da indústria da panificação, argumentam com estes mesmos aumentos, mesmo sem estabelecer uma relação causa-efeito entre aumentos dos cereais e a consequente subida do preço do pão. Face a este inflacionar do preço de um bem essencial, não é excessivo dizer que as autoridades deveriam ser lestas a investigar e a condenar quem engorda os lucros à custa desta situação.

"Vou-te excluir do meu Orkut": o pioneirismo

Qualquer cidadão preocupado com as grandes questões do mundo moderno deveria prestar atenção à canção "Vou-te excluir do meu Orkut", que tem duas versões, uma de cada lado do Atlântico: a original, da autoria de Ewerton Assunção



e uma outra, interpretada pelo jovem cantor português Élvio Santiago, que praticamente copiou a canção original - embora seja uma versão mais interessante - , trazendo por arrasto toda uma prosa que dificilmente seria feita por algum português, nomeadamente ao nível do uso de expressões "Vou te deletar" ou "Me exclui".








À primeira vista, parece uma qualquer canção romântica brasileira, encaixando perfeitamente no sub-género das músicas de "dor de corno". Mas pode levar o mesmo selo que levam as canções dos mestres do brega brasileiro como Nelson Ned ou Reginaldo Rossi? Pode e não pode. Por um lado, há efectivamente o desespero de quem viu a pessoa amada escapar-se-lhe por entre os dedos, com a agravante de ter visto a namorada com o respectivo ex-namorado. No entanto, esta parece-me ser a primeira canção (e corrijam-me se estiver enganado) em que o desgosto não tem como referências espaciais os clichês habituais - nas quais o cantor diz que nunca mais a quer ver em casa, no trabalho, no bar ou em qualquer outro local -, já que o desgosto assenta numa base tecnológica. Atente-se no refrão:

Eu vou-te deletar-te e excluir do meu orkut (*)
Eu vou-te bloquear no msn
Não me mandes mais scraps nem e-mails, powerpoints
Me exclui também e adiciona ele

(*) o Orkut é uma espécie de Hi5, mas mais popular no Brasil

Num período em que parecemos viver de forma cada vez mais virtual, substituindo algumas vivências reais por outras passadas através das novas tecnologias, ninguém garante que o autor desta canção não será o pioneiro de uma escola de criação de canções com base nas nossas experiências em frente ao computador. Qualquer coisa como o desespero pela impossibilidade de concluir um download, canções à laia dos Manowar sobre feitos gloriosos no World of Warcraft ou um hino à amizade tendo como base os nossos amigos no Hi5, nem que seja o perfil inventado do Saddam Hussein ou uma chinesa que nunca vimos na vida.

Googladas

bitoque raul
a história do avião de papel
como fazer uma mala para levar para praia
menino da guerra rei de cabinda
lei que beneficiou o preconceito
escavacoes na siberia
noodle escola secundária da portela
fotos de acidentes com morte em obras
comparações com ladrões de bicicletas
programa de fatima lopes entrevista a sergio conhecido por china

Se não há acordo ortográfico, ao menos existe acordo futebolístico



Confesso que me tinha escapado o episódio do último jogo entre Manchester United e Arsenal, em que Nani, após uma grande exibição, decide "brindar" os restantes jogadores e o público presente no estádio com umas brincadeiras, com o óbvio objectivo de provocar e enxovalhar o adversário, que já perdia por quatro golos. É visível no vídeo que um dos jogadores dos "gunners" que, farto das brincadeiras do jovem português, entra impetuosamente de "carrinho" e fica a centímetros de o atingir com gravidade.

Se é certo que o princípio do "fair-play" se aplica normalmente a quem perde no contexto de uma competição, o mesmo princípio deveria ser usado a quem está em posição vantajosa. O que a nossa jovem estrela fez só o poderá beneficiar na cabeça dos adeptos mais fanáticos e revela uma certa falta de humildade, ironicamente vinda de quem, em quatro ou cinco anos, passou do Real Massamá para um dos maiores clubes do mundo.



Este pequeno episódio fez-me recordar um que se passou há alguns anos no campeonato brasileiro, protagonizado pelo futebolista do Corinthians Edilson, que passou pelo Benfica na época 1994/95, e que conseguiu pôr um campo a ferro e fogo à custa de uma habilidade que (compreensivelmente) não caiu bem na equipa adversária, gerando uma situação de pancadaria em pleno relvado, envolvendo, entre outros, Paulo Nunes - curiosamente, uma outra glória benfiquista dos anos 90. Deve ser à custa do historial deste tipo de episódios que se diz que Portugal é o Brasil da Europa, no que ao futebol diz respeito.

Uns dias de paragem

A contaminação do PC de casa por um maléfico e mal-intencionado vírus provocou a paragem deste blogue durante quase uma semana. Assim sendo, a partir de hoje, as actividades regressam à normalidade desejável.

Subsídios para um estudo de Predrag Jokanovic

Recordamos ainda a temporada de 94/95. O saudoso União da Madeira - constituido por 4 brasileiros, 3 jugoslavos, 3 portugueses e 17 brasileiros naturalizados (mais coisa, menos coisa) - recebia o Futebol Clube do Porto no Estádio dos Barreiros. A dado momento, o jugoslavo e centro-campista Pedrag Jokanovic, portador de um porte físico impressionante (1,87m e 84k) e melhor marcador do União nessa época com 7 golos (!), recupera uma bola a meio-campo e parte para a defensiva azul-branca. O que Pedrag não reparou foi que atrás de si vinha Russell Latapy (lembram-se??), internacional das ilhas de Trinidad e Tobago que viveu na sombra (injustamente) do seu compatriota do Manchester United Dwight Yorke. Mas voltanto ao jogo... Jokanovic inicia o ataque do seu União quando é vítima de uma "tesoura" por trás do referido Latapy. Todos os adjectivos que, eventualmente, poderiam ser utilizados para descrever a dureza absolutamente assassina do referido "tackle" revelar-se-iam bastante insuficientes. O que se passou a seguir foi Pedrag Jokanovic rebolando no chão com o pé algo desalinhado da perna (tipo Rui Àguas em Kiev lembram-se?) e um cartão amarelo para o Tobagenho. Uma semana mais tarde ao folhear o "Record" vejo uma peça jornalística com o título "Latapy nem me veio visitar" e com uma foto do jugoslavo (ainda algo abalado) numa cama de hospital depois de ser operado e com a perna engessada. Jokanovic ficou, salvo o erro, seis meses sem poder jogar. Mas a história não acaba aqui... qual Conde de Montecristo, Jokanovic dedicou o tempo em que esteve impedido de espalhar o seu futebol pelos relvados nacionais a preparar a vingança daquele que lhe "lixou" a vida. Uns quantos meses mais tarde (na época seguinte se não me engano) reencontram-se União da Madeira e FCP. Jokanovic iniciou o jogo no banco pelo União, Latapy foi titular pelo FCP. Num glorioso momento de sanidade, o treinador do União resolve colocar o jugoslavo em campo. Acho que esteve cerca de 2 ou 3 minutos em jogo. O jugoslavo, ainda fresquinho por ter acabado de entrar procura o tobagenho e executa um carrinho de lado a pés juntos ao joelho de Latapy. O cartão vermelho foi imediatamente mostrado. Jokanovic levanta-se e sem olhar para o àrbitro dirige-se para os balneários com uma expressão de dever cumprido na cara.

Via o genial Caderneta da Bola, blogue que andou parado por uns anos, tendo feito há pouco tempo uma breve reaparição.

E não era mais fácil proibir?

Os episódios relativos a raças de cães perigosas são relativamente comuns e a comunicação social dá conta de alguns, como é o caso de uma criança de 20 meses, que hoje foi atacada por um rottweiller. Aparentemente, a justificação terá sido a irritação que o choro terá provocado no cão. Sobre estas raças e o seu enquadramento legal, poderíamos ter duas visões. A primeira apelaria a uma responsabilização dos donos dos ditos cães, que teriam de ser responsáveis por aquilo que os seus animais fizessem, o que os obrigaria a criarem uma relação de obediência. Outra postura seria bem mais radical e passaria, simplesmente, por proibir a qualquer cidadão a posse de um cão considerado perigoso.

Correndo o risco de ser demasiado radical e ressalvando que não é uma medida muito fácil de tomar - até porque há muita bicharada "arraçada" -, acho que o ideal seria simplesmente proibir os cidadãos terem cães perigosos. Isto pelo perigo social que estes representam. Uma legislação que remeta responsabilidades para os donos dos cães é bem intencionada, mas ingénua. Achar que qualquer pessoa está habilitada para treinar convenientemente os seus cães ao ponto de lhes controlar na totalidade os seus instintos mais básicos parte da premissa de que não há "donos maus" e de que um cão é um ser sem autonomia. Seria, aliás, tão sensato como achar que qualquer cidadão sabe estar pacificamente na estrada e partilhar a via com os restantes automobilistas sem problemas. Quem vê, como aconteceu hoje comigo, uma pessoa de cadeira de rodas quase no meio da estrada porque o passeio estava ocupado por carros ou um eco-ponto cheio de fruta terá os seus motivos para um certo cepticismo. Para além disso, existindo uma lei que funcione como um "meio-termo", tal não invalidaria que existissem, simplesmente, animais não registados, passíveis de serem usados para fins um mal intencionados e que, passe o exagero, podem ser até comparados a uma qualquer arma. E todos nós sabemos para o que estas servem quando vão parar às mãos erradas.

Dir-me-ão que é uma proposta atentatória da liberdade de cada um a ter um animal. Será. Mas quem gosta de cães certamente encontrará um fiel amigo noutras raças e, entre o direito de um cidadão a ter um animal e a necessidade de a comunidade estar a salvo de animais agressivos, opto pela segunda hipótese. E, olhando para a óptica dos direitos dos animais, também teria mais lógica: quem nunca ouviu falar de cães atacados por estas raças de que vos falei, ao bom estilo da lei da selva?

Cândido Barbosa no Benfica



Um acontecimento relevante no universo benfiquista, no dia de hoje, não será tanto a magra vitória e a exibição sofrível ante o Nuremberga - antepenúltimo classificado da Bundesliga, com uma relevância na Europa do futebol inversamente proporcional à capacidade dos seus adeptos em provocaram desacatos no estádio e um pouco pela cidade, às 4 da tarde já eu via alguns a cambalear de bêbedos pelas ruas - mas antes a apresentação da equipa de ciclismo para a época que agora se inicia, com a Volta ao Algarve em Bicicleta. Isto porque a equipa conta com dois reforços de peso: o espanhol Ruben Plaza e o português Cândido Barbosa, que se juntam a José Azevedo para um trio de luxo, ainda que a idade já comece a pesar. Já havia escrito aqui, em Agosto, que Cândido Barbosa começava a funcionar como uma metáfora do eterno candidato a ganhar alguma coisa e que anda sempre por perto da vitória, sem nunca conseguir o primeiro lugar. Restava a consolação de ter sido, nos últimos anos, o melhor português da prova, o que lhe permitia granjear a simpatia do público da modalidade. Quem sabe se, abandonando uma equipa com nome de seguradora para ingressar no Benfica, a coisa lhe correrá melhor e a toda a equipa. É que, se há desportos com uma relação forte a parte de um certo imaginário benfiquista - emigrantes de férias em Portugal no Verão, piqueniques à beira da estrada, bigodes e tirantes - um desses desportos é indubitavelmente o ciclismo.

Murphy e os Óscares

Apesar de gostar de Cinema, confesso não ter paciência para a cerimónia dos Óscares - embora sem subvalorizar a atitude estóica de quem passa uma noite em branco para acompanhar o seu desenrolar para televisão - e para as inevitáveis previsões e análises a propósito dos troféus que as películas ganharam ou deixar de ganhar, bem como a evocação do discurso de cada actor, a prestação do apresentador, o vestido que determinada actriz envergou durante a cerimónia ou todo um conjunto de peanuts do mundo da Sétima Arte. Este ano, a cerimónia esteve em risco de não se realizar, devido à greve dos argumentistas, mas, para mal dos meus pecados, a paralisação irá terminar a tempo de viabilizar a realização dos Óscares. A Lei de Murphy no seu melhor.

As invenções da Informática

Descobri um artigo que apresenta as 100 maiores invenções associadas ao mundo da informática, desde o seu início. Está lá um pouco de tudo: os mais diversos sistemas operativos, componentes de todos os tipos, os jogos mais emblemáticos ou o software que conferiu as mais diversificadas funcionalidades aos PC. Como em todas as listas deste tipo, vale a pena ver as 10 que são consideradas mais importantes. Estão lá o Windows XP, os primeiros modems, a placa Voodoo ou o processador Pentium II. Mas não deixa de ser estranho que os jogos mais emblemáticos sejam o Quake e o Doom, face a um certo carácter de pioneirismo - então e o Wolfenstein? - e que a invenção mais importante associada à informática seja a porta USB. Esta escolha não será um pouco exagerada?

Pérolas que me chegam ao ouvido (8)

«[O Werder Bremen] é uma equipa com índices físico-atléticos diferenciados»

Manuel Machado, treinador do Sporting de Braga, tentando explicar que os jogadores do Werder Bremen são uns calmeirões do caraças.

Eu cá nem sou grande adepto da Ibéria, mas...

Não é preciso ser um grande génio para perceber que os dois grandes projectos das últimas décadas em Portugal - leia-se a Expo 98 e o Euro 2004 - acabaram por não dar os resultados que inicialmente seriam desejáveis. Apesar de ter sido um evento bem realizado, a exposição universal não atraiu os tais 15 milhões de visitantes que constituíam o objectivo inicial e o intuito de revitalizar a zona oriental de Lisboa ficou a meio-caminho: a zona ribeirinha é um sítio aprazível para se passear à tarde e há ali bons equipamentos (Pavilhão Atlântico, Pavilhão do Conhecimento, Casino), mas o subúrbio com ar um pouco mais chique que se criou à sua volta não deixa de criar um certo amargo de boca. Quanto ao Euro 2004, foi um acontecimento que atraiu muitos estrangeiros ao nosso país durante as tais três semanas do evento, mas sem os impactos globais no Turismo que se desejariam - por exemplo, os museus andaram às moscas durante esse período - , para além de que apenas quatro dos novos oito estádios (os dois de Lisboa, em Braga e no Porto) registam hoje assistências que justifiquem a sua construção.

Posto isto, seria razoável a ideia, ventilada por Gilberto Madaíl, de se organizar um Mundial de futebol a meias com a Espanha? Apesar de gostar tanto da ideia da Ibéria, e, por inerência, da cooperação acima do que seria desejável entre os dois países, como do cheiro de favas guisadas, devo dizer que a ideia não é totalmente descabida. Em primeiro lugar, há a assunção, por parte de ambos os países, de que nenhum tem vontade de se lançar sozinho num projecto desta envergadura, o que parece indiciar algum bom-senso. Espanha organizou um mundial em 1982, mas com uma dimensão muito mais reduzida comparativamente à estrutura da competição actualmente. Em segundo lugar, e isto é o mais importante, ao pesar o investimento que teria de se fazer em comparação com o que o país poderia receber, penso que as contas são bem mais simpáticas de se fazer comparativamente aos dois grandes eventos que citei. Isto porque as grandes infraestruturas não seriam necessárias: dentro de 10 anos, Portugal terá um grande aeroporto, uma linha de alta velocidade e, mais importante que tudo, tem um universo de 10 estádios, dos quais se poderiam escolher entre seis e oito, que poderiam albergar jogos de uma grande competição. Para além disso, os custos de inerentes à realização de um evento desta envergadura - como a promoção internacional - seriam a dividir por dois países. Pessoalmente, não sou um grande adepto dos grandes eventos internacionais para um país como o nosso, mas, neste caso particular, tal prova passaria essencialmente por aproveitar investimentos feitos noutras ocasiões, pelo que o risco de flop seria bem mais reduzido.

Googladas

onda choc drogas
chamuças pingo doce
restaurante chinÊs karaoke lisboa MarquÊs de Pombal
mudar o IVA na registadora
zerozero haxixe
que significa barrasca
legislação sobre detergentes nos infantários
feitiçaria zona de odivelas
comprar titulo comendador
vou passar ferias a cabo verde que roupa deve levar?

Uma opinião BEStial!

Na última semana, ficou a saber-se que o Governo permitiu a construção, por parte do Grupo Espírito Santo, de um complexo turístico de grande porte na Herdade da Comporta, apesar de se situar numa zona de Reserva Ecológica Nacional. Basicamente, o factor ambiental foi contornado em detrimento de interesses económicos de um grande grupo. Sem querer vir aqui lançar suspeitas chico-espertistas, um negócio destes suscita, no mínimo, algumas dúvidas. Hoje, na rubrica dos Altos e Baixos do Jornal Expresso, o incontornável Ricardo Salgado surge como uma das figuras da semana, porque conseguiu fazer o Governo ceder aos seus interesses ao ponto de passar por cima de critérios ambientais. Com tanta gente em destaque ao longo da semana, foram logo escolher um tipo que "encostou" o Governo à custa dos seus interesses. Curiosamente, o mesmo jornal Expresso tem dedicado, nas últimas semanas, as suas mais relevantes páginas de publicidade à responsabilidade social do... Banco Espírito Santo.

Ah, Rambo!



Quando se fala deste ou daquele filme, o factor tempo é muito importante e em diferentes dimensões. Uma boa forma de analisar de determinado filme é precisamente o seu carácter intemporal, ou seja, quando consegue resistir décadas a fio e captar o interesse de novas gerações, ainda que com certos anacronismos tecnológicos. Basta pensar nos filmes a preto e branco de que gostamos, mesmo sabendo que estão a anos-luz das tecnologias com que nos deparamos. No entanto, esse carácter de maior ou menor intemporalidade não invalida que nos possamos dissociar do tempo em que apareceram, pelo que, quando confrontados com cada década, não nos seja difícil associar muitos filmes emblemáticos desse mesmo período. Tal como fazemos coma música. Há casos de uma invejável longevidade, como sucede com a saga James Bond, mas isso acaba por ser uma excepção, fruto da uma sistemática adaptação.

Vem isto a propósito do regresso da saga Rambo, cujo quarto filme chega hoje a Portugal. Se a memória não me falha, cheguei a ver os três filmes quando era miúdo e era difícil não ficar impressionado com a bravura daquela personagem com um certo carácter de anti-herói. No entanto, é impossível não dissociar a figura do Rambo aos anos 80, pelo que este regresso assume um carácter um pouco anacrónico, um pouco como sucedeu com o Rocky. Alguém imagina um veterano de guerra, com idade para ser avô, a lutar contra o mundo? Por isso, os grandes estúdios, ao promoverem um regresso de figuras do cinema com algumas décadas de história acabam por trair a memória, com filmes que pouco trarão de novo. É certo que falamos de cinema essencialmente de entertenimento, mas mesmo esse não tem direito à sua memória?

Pequeno comunicado da Administração

Nos blogues que há por aí, cada um faz a gestão das caixas de comentários que entender: uns não disponibilizam comentários, outros sujeitam-nos a moderação e outros têm uma caixa de comentários livre. Optei pela última opção, por acreditar na boa-fé de quem passa por aqui e , em 95% dos casos, não tive problemas com isso. De vez, os tais 5% que restam, qual vírus, lá se vão manifestando, como sucedeu hoje. Este fenómeno é pouco preocupante quando são uns anónimos que decidem despejar algum tipo de frustração, mas quando alguém que conheço pessoalmente decide vir expressar publicamente algum desejo sexual mais recalcado, a coisa torna-se um pouco mais chata. Peço apenas que o autor dos impropérios, da próxima vez que me encontrar, me esclareça qual o motivo pelo qual veio cá gozar com o meu trabalho.

Este pequeno comunicado não se aplica, obviamente, à esmagadora maioria dos visitantes que usa a caixa de comentários.

Eleições nos EUA

Mesmo para quem não vive nos Estados Unidos, a corrida eleitoral que decorre assume bastante relevância. Afinal de contas, falamos do país com maior peso na cena internacional e cuja política externa - e até, por vezes, interna - tem uma influência considerável face ao que se passa no resto do mundo. Apesar de todo este aparato se registar em cada quatro anos, esta corrida assume contornos pouco vistos até agora. Em primeiro lugar, porque se trata de saber quem substituirá George W. Bush, presidente que praticamente começou o mandato com o atentado do 11 de Setembro, momento que alavancou uma política externa com resultados pouco felizes, havendo gente dentro e fora daquele país a considerá-lo como um dos piores presidentes da História recente. Em segundo lugar, estas são as eleições mais mediáticas de que há memória. Não falo apenas do que está em jogo, mas também da possibilidade que cada cidadão tem em aceder à informação sobre este acto eleitoral, quase como se este fosse no seu país ou no seu concelho, sobretudo devido às facilidades concedidas pela Internet na sua versão 2.0, particularmente os blogues e Youtube, que ainda dava os primeiros passos aquando das eleições em 2004.

No país onde tudo parecer ser feito em nome do espectáculo, também estas eleições não fogem à regra, com as escolhas dos candidatos de cada partido a serem feitas quase a conta-gotas ao longo de semanas e onde o voto neste ou naquele candidato é visto quase à lupa. Acresce a isto um voto que é analisado quase como se de um produto de supermercado se tratasse, em que cada candidato tem de tentar entrar nos mais diversos "nichos de mercado": os negros, os hispânicos, a população rural, a população urbana, as mulheres ou os jovens. E é com esse puzzle de nichos de mercado que se consegue uma estranha comparação de resultados. Por exemplo: Mitt Romney obtém 90% de votos no Utah, mas apenas 14% no Arkansas, Estado onde ganhou Huckabee com 60% que, por sua vez, apenas teve 4% de votos no Massachussets.

Do que tenho acompanhado destas eleições, parece que o futuro presidente será um destes três nomes: John McCain, Hillary Clinton e Barack Obama. O primeiro é um antigo veterano de Guerra, que passou pelo Vietname e é tido como o menos ortodoxo dos candidatos Republicanos, que, por exemplo, não agrada à facção mais próxima de Bush. Será ele o provável candidato do lado Republicano. No lado Democrata, Hillary Clinton é tida como uma mulher que está a tentar construir uma imagem de credibilidade, que consiga aproveita o melhor de Bill Clinton e tentando criar uma certa aura de independência. Está, portanto, a tentar criar uma imagem diferente daquela que os norte-americanos tinham dela. O outro candidato democrata é Barack Obama, que é tido como um utópico e um visionário, mas que tem reunido um capital de esperança significativo, nomeadamente no eleitorado jovem. Face ao que tenho visto desta campanha, Obama é aquele que me parece o melhor candidato, mas falarei melhor sobre o assunto noutro post.

Na barra do lado direito

passa a constar um pequeno excerto do filme "Murphy's Law", no qual o agente Jack Murphy, interpretado pelo mítico Charles Bronson, discute com um mauzão sobre o real significado da Lei de Murphy.

Pérolas que me chegam ao ouvido (7)

«Boa tarde, sabe dizer-me onde é que fica a estátua do falo?»

Questionado por um transeunte, perto do Parque Eduardo VII.

Outro campeonato


Sem querer armar-me em especialista em gestão de carreiras, acho que todo este circo armado à volta dos implantes da Luciana Abreu e da sua aparição nas páginas da FHM acaba por ser mais prejudicial do que benéfico para a sua carreira. E digo-o, não por uma, mas por duas razões.

Em primeiro lugar, porque, dias antes da publicação da revista, criou-se o semi-mito urbano de que ela iria aparecer nua, para mostrar a todo o Portugal o resultado da sua recente intervenção estética. Não conheço todas as palavras que compõem a língua portuguesa, mas acho que conheço o significado da palavra "nua" e acho que não é bem o que se aplica às ditas fotografias, pelo que houve um show-off desmesurado.

Em segundo lugar, porque este implante mamário e as fotografias comportam uma mudança no paradigma associado à figura de Luciana Abreu. Todos nós, enquanto espectadores do gigantesco mundo do entretenimento, acabamos muitas vezes por associar certas "estrelas" a uma série de valores com que nos identificamos, elevando essa associação a uma escala quase relacional, como acontece com os ídolos que tínhamos na adolescência e até depois dela. E os valores em causa podem nem sempre ser os mesmos - podemos gostar muito da Mariza, da Diana Chaves e da Maria Rueff, mas certamente que isso não acontece pelas mesmas razões - mas há uma valorização desta ou daquela figura por alguma razão. E é óbvio que Luciana Abreu ocupava quase um nicho de mercado, o da miúda com ar infeliz que gostava de cantar e tinha uma infinita paciência para os mais novos, incorporando quase sempre os bons valores que gostamos de ver nos outros - razão pela qual encaixava como uma luva nos programas infantis, mas recolhendo facilmente simpatia noutros escalões etários -, o que funcionava como a antítese do que associamos aos famosos que preenchem as capas das revistas do tema. É certo que essa imagem se criou essencialmente a partir da aparição na "Floribella", mas isso é sinal de que encaixou bem no papel. A partir do momento eu que Luciana Abreu, que até estava na calha para apresentar um programa infantil, decide aparecer nas capas de uma revista masculina e gerar este alarido todo, tentando competir no mesmo campeonato que uma Ana Malhoa ou as assistentes do Preço Certo, essa imagem que lhe estava associada acaba, inevitavelmente, por levar um abalo.

Esta música diz-vos alguma coisa? #2

A desmistificação em torno da canção Verde Vinho", num post de há seis meses atrás, fez correr alguma tinta neste blogue. O património das canções nacionais é algo que deve ser salvaguardado, mas não é um valor sagrado. Assim sendo, vale a pena uma nova incursão por alguns fenómenos menos simpáticos que lhes estão associados.




A canção do vídeo de cima chama-se "Desirée" e é cantada por Paulo Alexandre, o mesmo "autor" da canção "Verde Vinho". Aqui o tema é a paixão, mais precisamente a de um homem na casa dos 50 anos que se apaixona por uma jovem que teria idade para ser sua filha e que andará pelos 20 e poucos anos. E aqui o sentimento de quem escreve a canção oscila entre o arrebatamento pela jovem Desirée e uma espécie de generation gap, já que há o deslumbramento pelas suas qualidades e também uma certa estranheza por alguns comportamentos, a que o factor idade pode ser facilmente associada, não sem uma certa dose de paternalismo, nomeadamente quando diz «Desirée, oh Desirée, enquanto tens o sprint da tua geração», como quem diz: «Vá, rapariga, diverte-te enquanto tens força e saúde para isso». Também há o olhar a roçar um certo perfil psicológico da jovem quando lhe atira com um «Vives de anseios, são devaneios os teus juízos, escondes receios atrás de risos».

Havia certamente muito por pegar na letra desta canção, cuja melodia ajuda a que entre no ouvido. Todos conhecemos canções de amor, mas não há muitas em que subjaz uma diferença de idade de 25 ou 30 anos, pelo que estaríamos certamente perante uma abordagem um pouco diferente do tema. Acontece que, ao longo da sua letra, há ali elementos que parecem indiciar que esta pode trazer "água no bico". A começar no seu título, "Desirée". Já ouvi músicas com títulos de nomes de mulheres, como o "Joana" ou "Anita", do Marco Paulo. Com tanto nome português, porquê a escolha de um nome francófono um pouco amaricado? Basta avançar um pouco na audição, para nos depararmos com excertos suspeitos como «um scotch on rocks, lá vais feliz na dança, coquete, headjet, discotéque, criança». Aqui um tipo suspeita que há alguma coisa que não bate certo: "scotch on rocks" é um termo demasiado técnico para se referir a uma bebida no contexto de uma canção e a sucessão de termos estrangeiros - coquete, que ainda passa, mas headjet e discotéque parece algo forçado numa canção nacional.

O ouvinte mais atento - como aquele que vos escreve - percebe que há qualquer coisa que não flui bem, a fazer lembrar os exercícios de tradução que se faziam nas míticas aulas de Técnicas de Tradução, do secundário. Usando um termo estrangeiro, o tal fenómeno do "Lost in Translation". A explicação, afinal, é bastante simples e não remete necessariamente para a incapacidade do letrista em escrever boas canções, mas antes para o facto de a canção ser uma cópia descarada do tema homónimo de Gilbert Bécaud.



Tu ressembles à la musique que tu danses
Tu es violence, cadence et décadence
Robot, rebelle, madone des décibels
Deux grands yeux métal
Comme un ciel sans étoile
Deux scotch, un rock, on parle, on rit, on danse
Super gadget de discothèque qui danse, danse

{Chœurs:}
Désirée
{Refrain avec chœurs:}
Désirée, oh, Désirée
Dans le cœur t'as le spleen de ta génération
Désirée, oh, Désirée
T'as le corps en blue-jeans et les rêves en jupon
Et les rêves en jupon
Désirée
Tu portes bien ton nom

Désirée

Ton appartement, une petite kitchenette et un balcon
Poster de Jane Fonda sur le mur
Des poupées sur le lit
Je n'ai rien demandé
Tu m'apportes un whisky
Tu pars, tu r'viens
Baignoire de bain romantique
On fait l'amour trop tôt, pas bien, mécanique

{Chœurs:}
Désirée
{au Refrain}

Désirée

Tu as l'angoisse de tout, de toi, de l'av'nir
Tu caches ta peur derrière ton rire
Oui tu es belle comme le désir
Désirée
Comme je t'aim'rais
Si tu savais pleurer

{au Refrain}

Désirée...

Para quem domine um pouco o francês, será fácil perceber que aqui se regista uma cópia absolutamente descarada da canção original, de uma forma ainda mais óbvia do que as canções dos Mini Stars ou dos Onda Choc, que ouvíamos quando éramos petizes. E, recorrendo a estes expedientes, qualquer um, nos anos 70 ou 80, poderia fazer canções românticas...

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"MESA DE JANTAR ROMANTICO"

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O fim dos D'Zrt pela Lei de Murphy

A Lei de Murphy aplica-se como uma luva ao último concerto dos D'Zrt: é precisamente no dia em que têm tantos convidados num sítio como o Pavilhão Atlântico que a carreira deles acaba.

O fim dos D'Zrt pela convivência social

A presença de tantos nomes da música portuguesa no último concerto dos D'Zrt é muito parecida com aquelas festas de despedida de um qualquer colega de trabalho considerado detestável pela generalidade das pessoas: agora que se vão embora é que passamos todos a gostar deles.

Um blogue com roupa nova

E eis que decidi, finalmente, deixar de usar o template em html para passar a usar aquilo que já toda a gente usa: o muitíssimo mais prático sistema de widgets. O branco e o azul são também uma combinação de cores nunca aqui usada. A actualização de blogues ainda vai a meio, mas estará completa por estes dias.