Um dos sinais dos tempos que correm é a perda de algumas características tradicionalmente atribuídos ao género masculino e feminino, onde "uns" entram em campos que, no passado, estavam atribuídos exclusivamente "aos outros". Não será difícil encontrar exemplos dessa propalada confusão, que até corresponde mais a uma apropriação masculina de rituais associados às mulheres, de que a metrossexualidade, tão em voga actualmente, é um dos expoentes mais óbvios.
No entanto, quando se trata do mundo do trabalho e das profissões, essa tal mistura de sexos parece ser bem mais lenta. Lembro-me, por exemplo, da construção civil - onde só vi, até hoje, uma mulher a trabalhar, embora com uma feminilidade um pouco anulada pela vivência um pouco rude daquele meio - das pescas, dos mecânicos e dos barbeiros. E é neste último caso que gostaria de pegar. Há dois ou três anos que costumo frequentar o mesmo barbeiro, depois de ter ido durante muitos anos a um cabeleireiro onde se lia a Maria e a TV 7 Dias e que estava para a cuscuvilhice da vida alheia como a Reuters está para a informação noticiosa. Mas, pegando no caso do barbeiro, sempre vi ali um ambiente "à macho" - e perdoe-se-me a expressão um tanto ou quanto sexista - com pilhas de exemplares do Correio da Manhã, a unha do dedo mindinho do barbeiro com o dobro da dimensão face às restantes, a discussão acesa sobre futebol, os relatos sobre a vida deste ou daquele fulano quase sempre envolvendo amantes ou prostitutas ou a evocação da participação na Guerra Colonial. Havia, no entanto, um pormenor que parecia faltar: embora o calendário de uma senhora desnudada seja um ícone essencialmente associado às oficinas, seria um objecto que faria ali todo o sentido mas cujas paredes não albergavam.
Pela primeira vez no ano de 2008, ali me desloquei para cortar o cabelo e eis que o novo ano tinha trazido a peça que, entre os espelhos, as nossas senhoras de Fátima, as pilhas de correios da manhã, tanta falta fazia: um calendário de 2008 fazendo publicidade a uma qualquer oficina ou empresa de mudanças, com pequenas tiras agrupando dois meses seguradas por uma fotografia de uma senhora apenas com a zona púbica tapada e com um cenário pouco primoroso, resultado de um típica sessão fotográfica de fracos recursos. E eis que cheguei à conclusão de que a virilidade de tal espaço não oferece dúvidas e que as suas imagens de marca podem tardar, mas não falham.
"Off-shores"
Por entre as notícias da remodelação governamental - que podem resultar em mudanças pouco visíveis, pelo menos na Saúde, já que a nova ministra já disse que as medidas previstas nesta área são para continuar - há um dado noticioso que parece relevante e que se prende com algumas novidades sobre as polémicas em torno das investigações ao BCP.
Sobre este caso, já o Governador do Banco de Portugal e o Presidente da CMVM se pronunciaram, em sede de comissão parlamentar. Teixeira dos Santos disse ontem que as alegadas transferências de verbas do BCP para compra de acções próprias através de "off-shores" dificilmente são escrutinadas aos olhos das autoridades de supervisão. Antes, só Carlos Tavares havia falado no recurso a essas operações.
Não é difícil perceber por que motivo acontecem estes movimentos através de "off-shores", que são verdadeiros portos de abrigo para as mais elaboradas operações financeiras pouco claras, mas o que espanta é não existirem autoridades que consigam pôr cobro à aldrabice que parece ser permitida aos mais poderosos. O mesmo país onde uma transferência de verbas entre pai e filho era, até há pouco tempo, sujeita a imposto e onde, aos olhos do fisco, qualquer contribuinte é sempre culpado até provar a sua inocência é aquele onde as grandes instituições financeiras recorrem impunemente à aldrabice para contornar as autoridades de supervisão. Por estes dias, o novo Bastonário dos Advogados lá foi dizendo que o Estado é cada vez mais forte com os mais fracos e muito fraco com os mais fortes. E é difícil não lhe dar razão.
Sobre este caso, já o Governador do Banco de Portugal e o Presidente da CMVM se pronunciaram, em sede de comissão parlamentar. Teixeira dos Santos disse ontem que as alegadas transferências de verbas do BCP para compra de acções próprias através de "off-shores" dificilmente são escrutinadas aos olhos das autoridades de supervisão. Antes, só Carlos Tavares havia falado no recurso a essas operações.
Não é difícil perceber por que motivo acontecem estes movimentos através de "off-shores", que são verdadeiros portos de abrigo para as mais elaboradas operações financeiras pouco claras, mas o que espanta é não existirem autoridades que consigam pôr cobro à aldrabice que parece ser permitida aos mais poderosos. O mesmo país onde uma transferência de verbas entre pai e filho era, até há pouco tempo, sujeita a imposto e onde, aos olhos do fisco, qualquer contribuinte é sempre culpado até provar a sua inocência é aquele onde as grandes instituições financeiras recorrem impunemente à aldrabice para contornar as autoridades de supervisão. Por estes dias, o novo Bastonário dos Advogados lá foi dizendo que o Estado é cada vez mais forte com os mais fracos e muito fraco com os mais fortes. E é difícil não lhe dar razão.
50 anos da LEGO
Já vai com um dia de atraso, mas, tal como aquele amigo de quem só nos lembramos do aniversário imediatamente no dia a seguir, fica sempre bem assinalar os 50 anos da LEGO. Este pode ser considerado um dos grandes ícones da indústria dos brinquedos do Séc.XX e que, como qualquer grande objecto, teve o mérito de atravessar as mais diversas gerações, não sendo absurdo dizer que terá feito mais pela inteligência das crianças do que muita bonecada de hoje em dia.
E a Venezuela aqui tão perto...
Quem tem ido aos supermercados nos últimos dias, certamente que se apercebeu da redução da oferta de leite nas prateleiras que lhe são dedicadas. Sobre este assunto, já ouvi duas versões: a tese técnica de que este período do ano costuma ser mais propício à descida de produção do leite e a tese mais chico-espertista e conspirativa de que o médio e grande comércio está a guardar o leite para o vender em Fevereiro, mês em que está prevista uma subida média de 10 cêntimos de leite por leite. Seja como fôr, já há locais onde só é possível vender um litro de leite por cliente e se esta situação se arrastar por muito tempo , qualquer dia estamos como na Venezuela, onde a falta de leite e outros bens essenciais está a proporcionar o crescimento do respectivo mercado negro. Por via das dúvidas, acho que o melhor é ir fazer-me amigo do tipo de bigode da mercearia ali da rua de baixo...
Googladas
jogos de fazer mala
programa people arts aumento penis
negócio pintura infantil se é lucrativo ou não
BES emprego russo
menino da guerra rei de cabinda
fui a uma entrevista de emprego bes
simpático pão
grelha de programação rtp 1989
Porque é que quando cai neve na Alemanha está tanto calor na Argentina
infantários privados luanda
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Só não o podem acusar de falta de coragem...
Se há coisa de que não podem acusar o chamado "Emplastro" é de falta de coragem. Como atesta este vídeo ainda a escaldar de quente, em que ele próprio não se coíbe de fazer jus à sua proeminente fama de estrela televisiva, mesmo no seio da massa adepta leonina. Nem que isso implicasse levar umas "arrochadas" de uns adeptos sportinguistas mais afoitos. Tivéssemos todos nós a coragem deste ícone da sociedade portuguesa e este país seria certamente diferente.
32 anos da ditadura de Suharto
No dia em que morre Suharto, é inevitável a recordação dos seus 32 anos anos enquanto ditador da Indonésia e, puxando um pouco a brasa à sardinha nacional, à forma como aquele regime tratou Timor-Leste, começando na ocupação com o apoio dos Estados Unidos da América, continuando na repressão ao longo de décadas e terminando com a possibilidade de realizar um referendo apenas quando abandonou o poder, em 1998. Face a estas recordações, a forma mais simpática de recordar Suharto é dizer que deu um bom contributo para diminuir a esperança na espécie humana.
O baú das canções: "Propaganda"
Tendo eu apenas dois anos quando esta canção foi lançada, entraria no campo do improvável eu ter alguma memória dela. Efectivamente, só fiquei conhecer o tema quando saiu uma compilação, há quatro ou cinco anos atrás, de músicas portuguesas do início da década de 80. Os Street Kids, enquanto grupo, apareceram em 1980 e terminaram em 1983, e tiveram como grande sucesso este "Propaganda", um tema sobre publicidade e preços altos, ou seja, com uma problemática bastante actual. A gravação data de 1981, numa actuação num programa do Júlio Isidro.
Numa altura em que o impacto de determinado hit era inversamente proporcional ao tempo de duração de carreiras, os membros deste grupo, após o seu curto fim, foram-se dispersando por outras bandas, como os Rádio Macau, os GNR ou Mler Ife Dada.
Ele há umas ideias que gostaria de ser eu a tê-las
Como a evocação das mais diversas memórias de um autor, de onde se cria a interessante categoria de posts Já fui feliz aqui, no blogue A barbearia do senhor Luís.
A detenção do "Angelino"
Apesar de já ter acontecido há mais de dois meses, vale sempre a pena ver o vídeo relativo à detenção de um cidadão argelino no Porto, por suspeitas de terrorismo. Não que o tema em si tenha algo de cómico, mas vale quase como um exercício sociológico ver as reacções das duas entrevistadas, que conheciam o cidadão em causa, relatando a porrada que este levou de um "drógádo" ou o poster do "angelino". Sei que o vídeo, gravado no programa Eixo do Mal, já vai um pouco tarde, mas os problemas técnicos de que já falei inviabilizaram a sua publicação mais cedo.
Se até Berardo faz boa figura...
Ao olhar para o pânico que se instalou nas últimas sessões, quase que estamos perto de uma terceira guerra mundial, que o petróleo acaba na próxima semana ou que cada capital europeia sofreu um atentado no último mês. Apesar de notícias que dão conta de um razoável crescimento económico na Europa, assistiram-se a quedas semelhantes às que se assistiram após os atentados do 11 de Setembro. Em causa está uma maior turbulência da Economia americana - lá está, um receio, já que esta economia continua a crescer e o cenário de recessão é uma hipótese e não algo que já se verifique. E é nestas alturas que se conclui que os mercados bolsistas, mais do que um espelho do que é a economia real, acabam mais por ser um espaço onde se reflectem as expectativas que cada um tem deste ou daquele título ou sector ou, como agora aconteceu, do futuro da Economia. Basta voltar atrás até ao ano da última recessão - 2003 - que, com a economia a bater no fundo, conseguiu ser um dos melhores anos na Bolsa, graças ao sentimento de que o pior já estava a passar.
Alguns especialistas têm tentado pôr a água na fervura, dizendo que se assiste a um pânico infundado e até Joe Berardo, com aquele ar de quem até se vai sair bem com estas quedas sucessivas, disse algo que, de tão óbvio, parece que é esquecido nestas alturas: quem tem dinheiro investido na Bolsa (e obviamente que há muitas famílias de classe média com as poupanças ali "enterradas") só ganha e só perde no momento em que decidir vende os títulos que tem. Se até Joe Berardo consegue dizer algo acertado sobre a actual situação nos mercados, veja-se bem a maluqueira que parece pairar naquelas hostes.
Alguns especialistas têm tentado pôr a água na fervura, dizendo que se assiste a um pânico infundado e até Joe Berardo, com aquele ar de quem até se vai sair bem com estas quedas sucessivas, disse algo que, de tão óbvio, parece que é esquecido nestas alturas: quem tem dinheiro investido na Bolsa (e obviamente que há muitas famílias de classe média com as poupanças ali "enterradas") só ganha e só perde no momento em que decidir vende os títulos que tem. Se até Joe Berardo consegue dizer algo acertado sobre a actual situação nos mercados, veja-se bem a maluqueira que parece pairar naquelas hostes.
Googladas
alguem conhece a original factor automoveis
quem não conhece o abba?
A relação entre Penafiel e do Marques de Pombal
como seria o mundo sei lei
roteiro turistico da cidade armação de pera em portugal
perfume caseiro que nome dar para registar?
fotos de acidentes de jovens querer estável alcoolizado
salário carpinteiro em gondomar
a vida é um barco à vela -pps musicado
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Não há aperitivos grátis
Esta manhã - e quem diz manhã de domingo, diz uma da tarde - recebo um SMS de indignação de um dos amigos com quem estive ontem à noite a beber um copo, dizendo que estava com dores de cabeça graças devido aos aperitivos que tínhamos estado a comer nesse mesmo bar.
Esta associação entre aperitivos e dores de cabeça parece disparatada, mas não é. Volto um pouco atrás para explicar esta ligação: das últimas vezes que tenho saído à noite, tenho ido maioritariamente a um bar situado nas chamadas Avenidas Novas e cujas vantagens visíveis são a localização - o estacionamento é bastante simples em comparação com as grandes zonas de diversão nocturna - o maior conforto do espaço em si e ausência de malta adepta de zaragatas.
Há, no entanto, desvantagens neste local, a começar no preço, o que acaba sempre por moldar um pouco a clientela, maioritariamente dos 35 para cima e com um nível sócio-económico que aparenta ser de uma classe média um pouco mais desafogada. Ainda que os preços sejam mais elevados e da clientela um pouco mais selecta, seria expectável que o espaço fosse uma coisa de qualidade. Apesar da decoração que remete para as casas da burguesia inglesa no Séc.XIX, onde predomina um vermelho brilhante, é nessa mesma decoração que a porca começa a torcer o rabo. Um fulano senta-se num sofá relativamente confortável e vê umas estranhas manchas esbranquiçadas que sobressaem no vermelho dos sofás, passa a mão por esses mesmos sofás e, de repente, apanha com um pequeno tufo de cotão ao qual vêm agarrados pequenos pêlos púbicos. Os meus comparsas suspeitam de que aquele local possa ser, fora do expediente, palco das mais burlescas orgias e devassidões sexuais e, com indícios destes, qualquer dia passo a partilhar desta opinião.
Outra idiossincrasia do espaço prende-se com o serviço. Nem falo do menu ainda em escudos ou dos rolos de cozinha para limpar as mãos no WC, mas antes daquilo que serviu de mote à observação que me chegou por SMS esta manhã: a qualidade dos aperitivos servidos. Todos nós sabemos que os aperitivos não são flor que se cheire para a saúde, mas as ofertas com que somos brindados indiciam que alguém nos quer conduzir a uma morte lenta: batatas fritas com um pequeno trago a ranço, amendoins bem salgadinhos, favas fritas, azeitonas descaroçadas que podem ter sido manejadas por toda a vizinhança ou pipocas que transbordam sal por todos os buracos e com óleo vegetal em tais quantidades que chega a colar-se aos dedos. Tudo isto com consequências na saúde de todos os que não conseguem resistir a estes mimos que têm apenas o vil objectivo de obrigar a beber mais e mais cerveja. Reconheço no autor do SMS o direito à indignação, mas é óbvio que este gosto por uma certa decadência mascarada de luxo paga-se um pouco caro: não só na carteira, mas também na saúde.
Esta associação entre aperitivos e dores de cabeça parece disparatada, mas não é. Volto um pouco atrás para explicar esta ligação: das últimas vezes que tenho saído à noite, tenho ido maioritariamente a um bar situado nas chamadas Avenidas Novas e cujas vantagens visíveis são a localização - o estacionamento é bastante simples em comparação com as grandes zonas de diversão nocturna - o maior conforto do espaço em si e ausência de malta adepta de zaragatas.
Há, no entanto, desvantagens neste local, a começar no preço, o que acaba sempre por moldar um pouco a clientela, maioritariamente dos 35 para cima e com um nível sócio-económico que aparenta ser de uma classe média um pouco mais desafogada. Ainda que os preços sejam mais elevados e da clientela um pouco mais selecta, seria expectável que o espaço fosse uma coisa de qualidade. Apesar da decoração que remete para as casas da burguesia inglesa no Séc.XIX, onde predomina um vermelho brilhante, é nessa mesma decoração que a porca começa a torcer o rabo. Um fulano senta-se num sofá relativamente confortável e vê umas estranhas manchas esbranquiçadas que sobressaem no vermelho dos sofás, passa a mão por esses mesmos sofás e, de repente, apanha com um pequeno tufo de cotão ao qual vêm agarrados pequenos pêlos púbicos. Os meus comparsas suspeitam de que aquele local possa ser, fora do expediente, palco das mais burlescas orgias e devassidões sexuais e, com indícios destes, qualquer dia passo a partilhar desta opinião.
Outra idiossincrasia do espaço prende-se com o serviço. Nem falo do menu ainda em escudos ou dos rolos de cozinha para limpar as mãos no WC, mas antes daquilo que serviu de mote à observação que me chegou por SMS esta manhã: a qualidade dos aperitivos servidos. Todos nós sabemos que os aperitivos não são flor que se cheire para a saúde, mas as ofertas com que somos brindados indiciam que alguém nos quer conduzir a uma morte lenta: batatas fritas com um pequeno trago a ranço, amendoins bem salgadinhos, favas fritas, azeitonas descaroçadas que podem ter sido manejadas por toda a vizinhança ou pipocas que transbordam sal por todos os buracos e com óleo vegetal em tais quantidades que chega a colar-se aos dedos. Tudo isto com consequências na saúde de todos os que não conseguem resistir a estes mimos que têm apenas o vil objectivo de obrigar a beber mais e mais cerveja. Reconheço no autor do SMS o direito à indignação, mas é óbvio que este gosto por uma certa decadência mascarada de luxo paga-se um pouco caro: não só na carteira, mas também na saúde.
O regresso à normalidade
A produção neste blogue tem sido pouco constante nos últimos dois ou três meses. Esse facto deveu-se aos problemas que foram surgindo no meu PC de casa, cujo corolário foi o fim da sua actividade em meados de Dezembro. A compra de um novo computador foi um processo também complicado, por ter estado mais de três semanas à espera que a "máquina" estivesse pronta.
Mas desde ontem já estou na posse de um novo computador, o que me possibilita a produção a partir do sítio onde mais gosto de escrever, a olhar para o já um pouco desfasado monitor de 17" e com música a ecoar das minhas velhas colunas - já que só mudei mesmo o computador, o resto do material continua exactamente o mesmo -, esperando que a normalidade e a produção regular de posts volte ao que era dantes.
Mas desde ontem já estou na posse de um novo computador, o que me possibilita a produção a partir do sítio onde mais gosto de escrever, a olhar para o já um pouco desfasado monitor de 17" e com música a ecoar das minhas velhas colunas - já que só mudei mesmo o computador, o resto do material continua exactamente o mesmo -, esperando que a normalidade e a produção regular de posts volte ao que era dantes.
A nossa vida social nunca mais será a mesma
Das duas primeiras semanas de aplicação da lei do tabaco, só posso dizer coisas boas: a pessoa vai ao café ver o Benfica e consegue ver o relvado verde e não a um verde acizentado porque já não se pode fumar lá, vai a um bar irlandês e não é brindada com uma nuvem de fumo parecida com aquela que se vê da janela do avião a muitas milhas de altitude, vai a um restaurante e não come uma sobremesa com sabor a nicotina, e, mesmo onde se pode fumar, a extracção de fumos funciona de forma mais eficiente do que no passado. Acrescente-se a tudo isto o cumprimento quase generalizado a que tenho assistido por parte da população e está criado um ambiente bem mais simpático para todos. O único senão, do que tenho visto, a todo este cenário é a sala de fumadores no Corte Inglès, que tinha um ambiente que quase se assemelhava a uma sala de chuto, pelo menos do que a nuvem de fumo me permitiu ver.
Googladas
epul jovem lisboa menina e moça
lei de murphy ligada a oportunidades
Arquivo morto episodio do gay
vestuário cigano carnaval
phone-ix charros
cristiano ronaldo chateado com luciana abreu
Cravo dos jardins para abortar
miudos manhosos
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O D. Sebastião sob a forma de aeroporto
De entre as reacções ao anúncio da localização do novo aeroporto de Lisboa, as mais curiosas que ouvi foram dos habitantes do local onde este equipamento será construído - uma tal freguesia chamada Canha, uma palavra que eu apenas conhecia para designar em espanhol a nossa imperial - , que viam neste anúncio uma forma de dar a volta ao destino daquela região.
Digo que achei esta reacção curiosa, pois é relativamente recorrente encontrar pessoas que enaltecem a necessidade de certo tipo de equipamentos, mas desde que estes estejam longe de casa. Exemplos de construções mal-amadas não faltam: ETAR's, incineradoras, aterros, viadutos, prisões, casas mortuárias ou CAT's. Ao olhar para freguesias com uma vida tranquila, dispersas por diversos concelhos, será certo que a vida tranquila das suas populações será irremediavelmente abalada, seja pelas obras ou pelo posterior movimento incessante de aterragem e descolagem de aviões. Acrescendo a isto o fim da paisagem natural da região.
O que leva então estas pessoas a desejar tanto uma revolução destas à porta das suas casas? A viverem num cenário desolador de zonas que, embora relativamente perto de Lisboa, não estão na rota dos grandes investimentos económicos ou da prestação de grandes serviços públicos, um novo aeroporto acaba por ser uma luz que simboliza a melhoria de vida ao fundo de um túnel. A eterna esperança do pobre, para quem umas migalhas de um apetecível bolo acabam sempre por ser tanto. Um D. Sebastião sob a forma de aeroporto internacional.
Digo que achei esta reacção curiosa, pois é relativamente recorrente encontrar pessoas que enaltecem a necessidade de certo tipo de equipamentos, mas desde que estes estejam longe de casa. Exemplos de construções mal-amadas não faltam: ETAR's, incineradoras, aterros, viadutos, prisões, casas mortuárias ou CAT's. Ao olhar para freguesias com uma vida tranquila, dispersas por diversos concelhos, será certo que a vida tranquila das suas populações será irremediavelmente abalada, seja pelas obras ou pelo posterior movimento incessante de aterragem e descolagem de aviões. Acrescendo a isto o fim da paisagem natural da região.
O que leva então estas pessoas a desejar tanto uma revolução destas à porta das suas casas? A viverem num cenário desolador de zonas que, embora relativamente perto de Lisboa, não estão na rota dos grandes investimentos económicos ou da prestação de grandes serviços públicos, um novo aeroporto acaba por ser uma luz que simboliza a melhoria de vida ao fundo de um túnel. A eterna esperança do pobre, para quem umas migalhas de um apetecível bolo acabam sempre por ser tanto. Um D. Sebastião sob a forma de aeroporto internacional.
Serviço público: há vida para além do Youtube
Se é certo que, muitas vezes, Youtube e páginas de alojamento de vídeos parecerem exactamente a mesma coisa, é um facto que a Internet oferece uma panóplia de serviços semelhantes e, ao que consta, até com um funcionamento mais eficiente.
Assim sendo, e porque há vida e vídeos para além do Youtube, encontrei alguns links úteis para ajudar a alargar um pouco o conhecimento deste fenómeno:
MetaTube: Para pesquisar pelo mesmo assunto em 100 diferentes serviços de alojamento de vídeos, de forma alternada.
SearchVideo.org: Possibilita fazer pesquisa pelo mesmo assunto em diferentes sites, mas com todos os resultados a surgirem em simultâneo.
Fale a pena conferir também uma lista das páginas que fornecem este serviço , outra lista aqui e também um ranking de páginas de vídeos, embora tenha sido feito em 2006, e um outro ranking, feito em Novembro de 2007. Coincidência ou não, o Youtube não vence em nenhum deles.
Assim sendo, e porque há vida e vídeos para além do Youtube, encontrei alguns links úteis para ajudar a alargar um pouco o conhecimento deste fenómeno:
MetaTube: Para pesquisar pelo mesmo assunto em 100 diferentes serviços de alojamento de vídeos, de forma alternada.
SearchVideo.org: Possibilita fazer pesquisa pelo mesmo assunto em diferentes sites, mas com todos os resultados a surgirem em simultâneo.
Fale a pena conferir também uma lista das páginas que fornecem este serviço , outra lista aqui e também um ranking de páginas de vídeos, embora tenha sido feito em 2006, e um outro ranking, feito em Novembro de 2007. Coincidência ou não, o Youtube não vence em nenhum deles.
O mundo a partir de uma caixa de supermercado
Todos nós já ouvimos falar de blogues que relatam, em discurso directo, os mais diversos quotidianos profissionais. Assim de cabeça, recordo-me de já ter visto trabalhos na Internet baseados da actividade de taxista, de vendedor de jornais, de dono de um café e até de uma prostituta. Falo dos que conheço e admito que não devem faltar por aí os mais diversos blogues de relatos profissionais, e acredito que, em muitos deles, o relato nem sempre seja feito da forma mais positiva, nomeadamente nos casos em que a pessoa não vive satisfeita com o seu emprego.
Hoje, fiquei a conhecer um caso interessante de Anna Sam (ver notícia), que ficou conhecida graças ao blogue que desenvolveu a relatar a sua experiência enquanto caixa de supermercado na periferia da cidade de Rennes. O blogue, originalmente intitulado "Tribulations d'une cassière" - em português, qualquer coisa como a vida atribulada de uma caixa de supermercado - expressa a desilusão de alguém que, mesmo com formação superior, se vê obrigada a trabalhar nesta profissão e que serve de mote para a denúncia dos problemas dos seus 170 mil colegas de trabalho em França, bem como por um relato sociológico dos frequentadores de supermercados - ou seja, de praticamente toda a população - vinda de quem lida com eles durante todo o período laboral.
A autora abandonou entretanto o emprego onde esteve durante oito anos e que serviu de mote para o blogue, o que não a impedirá de continuar a escrever, no sentido de relatar algumas situações dignas de realçe. Fica, no entanto, uma conclusão: até o tema aparentemente mais banal pode servir de mote para um blogue que, se fôr bem escrito, pode tornar-se um sucesso e projectar o seu autor para um reconhecimento exterior ao mundo virtual.
Hoje, fiquei a conhecer um caso interessante de Anna Sam (ver notícia), que ficou conhecida graças ao blogue que desenvolveu a relatar a sua experiência enquanto caixa de supermercado na periferia da cidade de Rennes. O blogue, originalmente intitulado "Tribulations d'une cassière" - em português, qualquer coisa como a vida atribulada de uma caixa de supermercado - expressa a desilusão de alguém que, mesmo com formação superior, se vê obrigada a trabalhar nesta profissão e que serve de mote para a denúncia dos problemas dos seus 170 mil colegas de trabalho em França, bem como por um relato sociológico dos frequentadores de supermercados - ou seja, de praticamente toda a população - vinda de quem lida com eles durante todo o período laboral.
A autora abandonou entretanto o emprego onde esteve durante oito anos e que serviu de mote para o blogue, o que não a impedirá de continuar a escrever, no sentido de relatar algumas situações dignas de realçe. Fica, no entanto, uma conclusão: até o tema aparentemente mais banal pode servir de mote para um blogue que, se fôr bem escrito, pode tornar-se um sucesso e projectar o seu autor para um reconhecimento exterior ao mundo virtual.
Segunda fase da Rede 7
A iniciativa "Rede 7" da Carris, com o primeiro passo a ser dado há pouco mais de um ano, vinha rotulada como uma forma de melhorar a circulação na cidade de Lisboa e a segunda fase deste projecto, que hoje se inicia, também tem o mesmo rótulo. Não sou especialista em transportes, mas ando neles diariamente, e parece-me difícil conceber como, em muitas zonas de Lisboa, se melhora a circulação com a redução do número de carreiras ou com a diminuição do trajecto de outras dezenas.
Ponderados os ganhos e perdas dos utentes com as mudanças, fico com a ideia de que as mudanças raramente avançam por uma questão de melhoria de serviço, mas antes por uma racionalização de meios da empresa, sem a noção de que quem usa transportes públicos fá-lo por não ter qualquer outra alternativa. É o caso de zonas históricas da cidade, já de si um pouco deslocadas nesta matéria. Ainda assim, é sempre importante conferir as mudanças aqui.
Ponderados os ganhos e perdas dos utentes com as mudanças, fico com a ideia de que as mudanças raramente avançam por uma questão de melhoria de serviço, mas antes por uma racionalização de meios da empresa, sem a noção de que quem usa transportes públicos fá-lo por não ter qualquer outra alternativa. É o caso de zonas históricas da cidade, já de si um pouco deslocadas nesta matéria. Ainda assim, é sempre importante conferir as mudanças aqui.
O fim da lenda
Esta manhã, no Colombo, vi algumas dezenas de elementos das diversas equipas que estão em competição no Lisboa-Dakar. Dir-me-ão que essa é uma situação banal de quem está de passagem por Lisboa, mas para mim esta constatação reveste-se de um duro golpe no romantismo que eu associaria a quem anda nesta vida. Esperaria desta gente andar a alimentar-se semanas seguidas de enlatados, a passar dias seguidos sem tomar banho, a beber cerveja de lata, a matar bichos da savana africana e cozinhá-los numa lareira para dividir por toda a organização, a fumar uns nagrilés com especialidades locais ou a vestir-se com roupa feita de pele de um leopardo morto com flechas. Tudo menos passear-se por um tão artificial e burguês centro comercial.
Pérolas que me chegam ao ouvido (6)
"As saudades que eu tenho do tempo do Salazar! Nessa altura eu só me preocupava era em andar a f... as gajas e 'tava-me a cagar p'rá política!"
A evocação de um certo marialvismo juvenil, misturada com o contexto político de uma época. Uma imagem não muito distante dos "bons tempos" passados por muito português na Guerra Colonial, hoje na casa dos 60 anos. O artista que disse isto diz ter sido apenas enganado pelos politicos uma vez na vida, precisamente o número de vezes em que foi votar.
A evocação de um certo marialvismo juvenil, misturada com o contexto político de uma época. Uma imagem não muito distante dos "bons tempos" passados por muito português na Guerra Colonial, hoje na casa dos 60 anos. O artista que disse isto diz ter sido apenas enganado pelos politicos uma vez na vida, precisamente o número de vezes em que foi votar.
Nova lei do tabaco

Se a nova lei do tabaco não tiver o destino que muitas outras leis que não passam do papel, parece-me que as mudanças que vigoram desde o dia de ontem são positivas. Ao contrário do que é apregoado pelos fumadores conhecidos da nossa praça, esta nova lei não se reveste de um carácter fundamentalista e persecutório face aos fumadores. Visa antes dar mais direito aos restantes cidadãos.
Em primeiro lugar, há que reconhecer algo muito simples: colocar num nível de igualdade os direitos dos fumadores e o dos não-fumadores é um pouco assimétrico. Isto porque o exercício da liberdade de um grupo face ao outro não comporta os mesmos riscos. Eu, como não-fumador, não estou a prejudicar a liberdade dos outros - quer fumem, quer não - com a minha opção, mas estarei a ser prejudicado quando estou em espaços onde se encontrem pessoas a fumar. Até ao dia 31 de Dezembro, todos os não-fumadores não tinham a liberdade de escolher locais onde estivessem a salvo do fumo de terceiros, ou seja, a liberdade só era concedida a alguns. O direito de escolha de cada um de nós, enquanto consumidor, é salvaguardado de forma mais justa: quem quiser fumar escolherá locais onde legalmente se pode fazê-lo e quem não quiser não vai. Tão simples quanto isto.
Um burburinho tem lançado a suspeita de uma cruzada pró-saúde, com a entrada em vigor desta nova lei, que vai contra a forma como cada um de nós pode usar o seu corpo. Ninguém será ingénuo ao ponto de pensar que a protecção da saúde dos não-fumadores e a parcial inibição ao consumo do tabaco será a fórmula mágica para todos sermos mais saudáveis e felizes. Assim seria, se não fôssemos confrontados com toda uma série de ameaças à nossa saúde, sejam elas voluntárias - seja o estilo de vida sedentário ou o consumo de doces, álcool, fritos ou produtos alimentares produzidos artificialmente, como as salsichas e os patês - ou involuntárias - os ares condicionados ou a falta de qualidade de ar nas grandes cidades. Infelizmente, o mundo onde vivemos acarreta uma série de perigos com os quais acabamos sempre por nos confrontar.
Não choca a tese de que cada um de nós deve ser preparado para o facto de existirem consequências para a saúde, provenientes de toda uma série de decisões pouco sensatas. Quantos de nós não acordámos no passado dia 1 de Janeiro com dores de cabeças e perturbações do foro intestinal? Lá está, tivéssemos pensado nisso antes de beber desmesuradamente um espumante manhoso na noite anterior. Mas já se sabe que isso faz parte da vida. Quem fuma também terá de acartar, mais cedo ou mais tarde, com as consequências do vício que escolheu. Mas, ao menos que essas consequências não passem para o lado de quem escolheu não fumar e é para minimizar esses mesmos danos a terceiros que a lei se destina. E oxalá que seja cumprida.
