A jornalada

Quem anda por Lisboa às horas de ponta, sobretudo no centro de Lisboa (eu felizmente, há já alguns anos que deixei de combinar estes dois elementos, ou seja, ou ando no centro de Lisboa fora da hora de ponta ou, aquando da hora de ponta, estou arredado do centro da capital) já não consegue viver sem toda o aparato da entrega dos jornais gratuitos. A chegada deste fenómeno acarretou toda uma logística destinada a fazer chegar os jornais ao maior número de pessoas possível no mais curto espaço de tempo, não importando se esses jornais acabarão no caixote do lixo ou, pior, no passeio mais próximo.

Hoje aceitei, em menos de meia hora, três exemplares do mesmo jornal entregues pela mesma pessoa, que se me dirigiu por duas vezes, o que implica que fui cúmplice de uma pequena "finta" à regra de um jornal por transeunte. A pessoa em causa estava numa das vias mais percorridas de Lisboa e, como tantos outros, punha em causa a sua segurança ao andar no meio dos carros, muitas vezes já em movimento, para cumprir o seu dever. Quem trabalha sabe a importância de quando terceiros nos facilitam, ou quanto muito não complicam, o trabalho que fazemos. E, coerente a esta minha tese, obviamente que não complico o trabalho de quem tem a dura tarefa de distribuir jornais ou folhetos de restaurantes indianos ou italianos, de centros de explicações, de dietas milagrosas, de magos e astrólogos africanos. E, já que falo nisso, a ver se não me esqueço de esvaziar a minha mala Eastpak da jornalada que hoje me entregaram...

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