A saída de cena de Silva Lopes

Se é verdade que as notícias mais marcantes a propósito do mundo da banca remetem quase sempre para situações pouco claras - negócios em offshores, empréstimos perdoados ao filho do presidente, empresas-fantasma, transições de líderes de uns bancos para outros em moldes de mercado futebolístico, ordenados chorudos ou indemnizações milionários - é um facto que há bancos que vão escapando praticamente incólumes ao que se vai conhecendo do sector.

Um desses bancos é o outrora Montepio Geral, que recentemente adoptou apenas a designação de Montepio. O facto de ser um banco destinado a suportar tuma actividade mutualista - que já existia antes de chegar o próprio banco - deixa-o a salvo de fusões ou aquisições de bancos mais pequenos, de jogadas pouco claras de accionistas, de subidas e descidas de cotação na Bolsa ou de lutas fraticidas pelo poder. Pegando na imagem publicitária do dono do banco, o carácter um tanto ou quanto democrático dá uma imagem de credibilidade junto dos clientes e associados e até no público em geral.

Durante a presidência de Silva Lopes, o banco conseguiu grandes resultados, alargando a sua base de associados e melhorando resultados, o que também é benéfico para as suas centenas de milhares de associados. A sua larga experiência - no Banco de Portugal e no Ministério das Finanças, por exemplo - faz dele um homem respeitado e uma voz que vale a pena ser ouvida, fugindo por vezes aos lugares-comuns que ouvimos do pensamento económico mainstream. Sai de cena no final do próximo mês, aos 76 anos, ao fim de uma respeitável carreira.

1 comentários:

David Lopes disse...

Silva Lopes está para o Montepio, como o Brian Deane está para o Benfica.