Uma nova avaria no meu PC tem-me obrigado novamente a participações intermitentes aqui no LdM, enquanto não chega o seu substituto, que foi encomendado há alguns dias. Paz à alma do P4 a 2.8 Ghz, que muitas horas de diversão e cultura me proporcionou ao longo de quase quatro anos. Ficarão umas boas memórias do passado, sob a forma de uma panóplia de periféricos (monitor, teclado, rato, telefone Voip e por aí adiante) que, afinal de contas, não avariaram e, enquanto durarem, evitam que o meu bolso esvazie ainda mais na compra de material informático.
Não queria deixar passar estes dias sem uma breve referência aos blogues que mais visitei durante o último ano e cujo trabalho mais apreciei. Em primeiro lugar, o Arrastão, de Daniel Oliveira, ainda que nem sempre concorde com o que lá é escrito, gosto do estilo. Estilo esse que oscila entre o panfletário, o informativo e o irónico, sendo feito um bom trabalho de actualização dos posts, nunca esquecendo que é dos blogues que mais vejo "levar pancada" na blogosfera - como seria de prever, vinda dos blogues de Direita - o que obriga a um trabalho muito esforçado. Também no campo da Esquerda, realço o trabalho do Spectrum, este um blogue colectivo, escrito por pessoas cujo nickname remete sempre para tão gloriosa máquina informática, sendo que as diferentes sensibilidades acabam por resultar, por vezes, em posições díspares. Vindo do campo ideológico oposto, o Lóbi também merece destaque, um blogue sempre com uma ironia e um sentido crítico fantásticos, muitas vezes a entrar num certo snobismo.
Num campo fora da política, tiro também o chapéu ao Voz do Deserto, onde se aborda (e às vezes se misturam) o universo da música Punk com as referências à Religião. Ainda que, por vezes, sejam escritas coisas cuja compreensão me escapa (sobretudo no campo teológico, que manifestamente não domino), reconheço a qualidade da prosa. Igual qualidade de escrita, embora num registo diferente, encontrei no A Causa foi Modificada, que continua a ser uma das referências da blogosfera. Referência final também para o Portal Pimba, cujos conhecimentos da nossa música popular mais genuína por parte do seu autor me proporcionaram, durante este ano, grandes momentos de paródia em frente ao monitor.
A promessa
A mais improvável prenda que recebi este Natal foi uma garrafa de Moët et Chandon, oferecida pela Vodafone, sendo que a razão para tão generosa oferta se deve ao facto de ter sido um dos primeiros 10 mil clientes do Duplex ADSL. O seu destino já está traçado: irei abri-la no dia em que abandonar o meu actual emprego para ingressar num outro melhor. Sendo sabido que o champanhe não deve estar mais do que dois ou três anos guardado à espera de ser aberto, esta promessa não deixa de funcionar como um bom mecanismo de auto-pressão.
Música de Natal só conheço uma
Hoje é Natal e estou a trabalhar, algo que estarei a fazer durante boa parte do resto do dia, mesmo quando muita gente estiver de volta do bacalhau cozido, acompanhado de batatas e couves. A jornada de trabalho de hoje, com tão pouca actividade, serve-me para matar saudades de tempos saudosos na nossa Administração Pública. Junte-se a isto uma autêntica orgia de açúcar, com uma deglutição absolutamente alarve dos mais diversos chocolates carinhosamente oferecidos pelos colegas, e está feito o retrato de um dia sui generis.
Por estes dias, ouvem-se muitas músicas alusivas a este quadro, sejam elas interpretadas por estrelas pop, coros, tenores, cantores jazz ou outros profissionais da música. Mas devo dizer que poucas chegam aos calcanhares do "Fairytale of New York", dos Pogues - num tempo em que Shane McGowan tinha um aspecto impecável, comparativamente ao que sucede hoje - e com a participação de Kirsty McColl, entretanto desaparecida. Uma música que vale bem uma carreira.
Googladas de hoje (e acreditem que não consegui encontrar mais nada sem ser isto)
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Propaganda
Tenho para mim que as constantes notícias sobre a criminalidade provocada por lutas de gangues rivais no Porto funcionam como um bom veículo de propaganda para arregimentar tropas para este tipo de criminalidade. Se até antigos funcionários da PSP já passaram para o outro lado da barricada, motivados pela promessa de grandes recompensas no submundo do crime, imagine-se o que notícias sobre extorsão, prostitutas do Brasil ou de Leste, armamento, grandes carros, porrada em discotecas ou assassínios a soldo provocam na cabeça de rapaziada oriunda de meios sociais menos favoráveis nas grandes cidades, onde normalmente decorre o processo de recrutamento.
Não é preciso ser um grande sociólogo para perceber o efeito contraproducente deste tipo de notícias e, convenhamos, que a vida destes tipos é descrita de uma forma bem mais glamourosa do que a dos inspectores da PJ. Se a isto acrescentarmos a inequívoca star quality de figuras como o Bruno Pidá - basta atentar nos seus constantes "P'ó car...!" enquanto entrava algemado para as viaturas da Judiciária - e o compararmos com inspectores que prescindem de um domingo em família para ir prender rapaziada em operações com nomes de guerra como "Noite branca", que parece ter vindo de uma festa temática numa discoteca da moda.
"Dá cá mais 65!"
Podem chamar-me de pouco solidário, mas o apoio concedido até agora ao arrendamento dos jovens sempre foi uma das prestações sociais que mais dúvidas me suscitou. Em primeiro lugar, sempre foi bastante fácil contornar a relação rendimento do titular - valor da renda - direito ao subsídio, pelo facto de uma pessoa, a título individual, poder arrendar um qualquer t2 e dividi-lo com outra pessoa, mas recebendo o apoio como se houvesse um único salário a pagar essa mesma renda. Em segundo lugar, porque esse mesmo sistema pactuava com as elevadas rendas que se praticam em muitos locais deste país, com a cidade de Lisboa à cabeça, já que o apoio era atribuído até para casas onde se pediam rendas cujo valor entrava no campo da especulação. Assim sendo, os proprietários estariam à vontade para cobrar elevadas rendas de casa aos jovens, porque o Estado daria cobertura a uma parte desse "roubo". Em terceiro lugar, porque o apoio efectivo do Estado ao arrendamento discriminava a outra forma de ter casa própria através da aquisição, cujo apoio estatal terminou quando se deu o fim do crédito bonificado decidido pelo governo de Durão Barroso.
As novas regras a este arrendamento, através do programa Porta 65 que hoje foi alvo de acções de protesto em diversos pontos do país, podem não criar uma política eficiente para o arrendamento, mas dão um pequeno contributo para regras mais justas no acesso a estes apoios. Para já, porque são impostas limitações em termos do tipo de casa que cada um pode alugar - como um casal sem filhos não poder alugar um T3, por exemplo - , embora o ponto que mais discórdia tenha provocado tenha a ver com o tecto máximo da renda sujeita a apoio. Conceda-se que esse valor é baixo. De facto é baixo, mas para os valores que são praticados, que não são forçosamente coincidentes com o real valor que deveria ser pedido pela casa em causa. E o facto de ser estabelecido este tecto poderá motivar, a prazo, uma redução do preço das habitações, já que os proprietários talvez venham a concluir que, para terem mais possibilidades de arrendar as habitações, terão mesmo de baixar um pouco os valores que pedem aos inquilinos. Caso esta situação não se venha a verificar, acredito que o modo de estar português arranjará forma de "virar o bico ao prego" e eu já adivinho um deles: acordos entre proprietários e inquilinos para declarar oficialmente um valor que permita aos inquilinos ter direito ao subsídio, com os inquilinos a darem mensalmente um pequeno valor "por fora" para pagar o resto da renda.
A forma de permitir aos jovens uma maior independência em matéria de acesso à casa, seguindo regras justas, não tem uma fórmula mágica, mas existirão certamente formas que darão um contributo razoável. Apresento duas propostas: o regresso do crédito bonificado quando um jovem deseja comprar casa própria ou o estender de programas como o EPUL Jovem ao arrendamento, fomentando também a recuperação de casas antigas, através de rendas mais acessíveis não sujeitas a especulação.
As novas regras a este arrendamento, através do programa Porta 65 que hoje foi alvo de acções de protesto em diversos pontos do país, podem não criar uma política eficiente para o arrendamento, mas dão um pequeno contributo para regras mais justas no acesso a estes apoios. Para já, porque são impostas limitações em termos do tipo de casa que cada um pode alugar - como um casal sem filhos não poder alugar um T3, por exemplo - , embora o ponto que mais discórdia tenha provocado tenha a ver com o tecto máximo da renda sujeita a apoio. Conceda-se que esse valor é baixo. De facto é baixo, mas para os valores que são praticados, que não são forçosamente coincidentes com o real valor que deveria ser pedido pela casa em causa. E o facto de ser estabelecido este tecto poderá motivar, a prazo, uma redução do preço das habitações, já que os proprietários talvez venham a concluir que, para terem mais possibilidades de arrendar as habitações, terão mesmo de baixar um pouco os valores que pedem aos inquilinos. Caso esta situação não se venha a verificar, acredito que o modo de estar português arranjará forma de "virar o bico ao prego" e eu já adivinho um deles: acordos entre proprietários e inquilinos para declarar oficialmente um valor que permita aos inquilinos ter direito ao subsídio, com os inquilinos a darem mensalmente um pequeno valor "por fora" para pagar o resto da renda.
A forma de permitir aos jovens uma maior independência em matéria de acesso à casa, seguindo regras justas, não tem uma fórmula mágica, mas existirão certamente formas que darão um contributo razoável. Apresento duas propostas: o regresso do crédito bonificado quando um jovem deseja comprar casa própria ou o estender de programas como o EPUL Jovem ao arrendamento, fomentando também a recuperação de casas antigas, através de rendas mais acessíveis não sujeitas a especulação.
O fim do vinho manhoso
Talvez muitas pessoas não tenham conhecimento deste facto, mas Portugal é talvez o único país a nível mundial onde existe produção de vinho em todo o seu território. É óbvio que isto acontece, para além das condições naturais que possuímos, por sermos um país de dimensões reduzidas, mas não deixa de dar um certo alento ao nosso sentimento de identidade nacional saber que, desde o Minho ao Algarve, passando pelas ilhas, é possível encontrar produção de vinha.
É certo que, no meio de tanta produção, nem toda há-de ter o mesmo nível. Se pusermos 30 miúdos de seis anos numa mesma turma é óbvio que nem todos terão o mesmo nível de aptidões em todas as tarefas. A Natureza é mesmo assim e não há nada a fazer. Efectivamente, existem muitos exemplos da grande capacidade da indústria vitivinícola nas mais diversas vertentes, seja o vinho do Porto, o vinho da Madeira, o Mateus Rosé ou os "cabeças de cartaz" das mais diversas produções em todo o país. Todos esses casos funcionam também como embaixadores no exterior e custa imaginar como um Mateus Rosé é um concorrente de grande peso em alguns mercados internacionais, mais até do que cá em Portugal.
No que diz respeito ao grande consumo dos vinhos ditos de mesa - leia-se, para serem consumidos para acompanhar uma refeição - uma fatia substancial do negócio situa-se naqueles cujos preços se situam entre os três e os cinco euros. por parte de uma franja de consumidores que, não sendo especialista na matéria ou particularmente exigente, mas gosta de acompanhar devidamente o seu repasto. Esta minha conclusão, confesso que é um pouco empírica e sem base estatística, mas todas as pessoas que conheço e que gostam, uns mais outros menos, de vinho estarão neste grupo.
Acresce um outro mundo associado à produção de vinhos, bem menos glamouroso mas mais autêntico. Trata-se dos chamados vinhos mais manhosos, barrascas, farçolas, enfim, o que lhes quiserem chamar. Neste grupo, estão todos aqueles produtos dos quais não se conhece o nome, por terem designações a entrar no risível, por saberem efectivamente mal ao palato ou porque nem sempre fica bem a uma pessoa dizer socialmente que os bebe.
Devo dizer que, depois de ter bebido algumas vezes vinho numa tasca onde os copos não eram lavados e, quando sobrava algum no copo, era novamente remetido para a pipa, posso dizer que praticamente deixei de ter medo dos vinhos. Por isso mesmo, sei o que é beber esse vinho manhoso, ao ponto de, ao entrar num qualquer restaurante, ter quase sempre o institnto natural de pedir o "vinho da casa", autêntico mergulho num mundo desconhecido, onde nada se sabe da origem do vinho, nem como é guardado, nem como me foi parar à jarra. Seja lá como fôr, devo dizer que só me sabe mal dos primeiros goles, pois no meio de tantas batatas fritas, espetadas, entremeadas ou outras coisas que ainda fazem pior à saúde, acaba sempre por se revelar uma escolha acertada.
Com a reforma do vinho hoje anunciada a nível Europeu, foi anunciado o fim da 10 a 12 mil hectares de vinho em Portugal (ver notícia). O pretexto é o de acabar com vinho de má qualidade - vê-se que foram os chamados "Eurocratas" a decidir isto, já que, como acabei de explicar, é muito difícil haver vinho de má qualidade, numa forma descarada de Darwinismo vitivinícola, onde só os mais fortes sobrevivem. Com isto, perde-se um pouco direito de todos nós a bebermos vinho que nos provoca imediatamente uma expressão de terror da primeira vez que o bebemos. E um pouco da nossa mais pura identidade nacional também será arrancada do seu sítio, como os tais milhares de hectares de vinha.
É certo que, no meio de tanta produção, nem toda há-de ter o mesmo nível. Se pusermos 30 miúdos de seis anos numa mesma turma é óbvio que nem todos terão o mesmo nível de aptidões em todas as tarefas. A Natureza é mesmo assim e não há nada a fazer. Efectivamente, existem muitos exemplos da grande capacidade da indústria vitivinícola nas mais diversas vertentes, seja o vinho do Porto, o vinho da Madeira, o Mateus Rosé ou os "cabeças de cartaz" das mais diversas produções em todo o país. Todos esses casos funcionam também como embaixadores no exterior e custa imaginar como um Mateus Rosé é um concorrente de grande peso em alguns mercados internacionais, mais até do que cá em Portugal.
No que diz respeito ao grande consumo dos vinhos ditos de mesa - leia-se, para serem consumidos para acompanhar uma refeição - uma fatia substancial do negócio situa-se naqueles cujos preços se situam entre os três e os cinco euros. por parte de uma franja de consumidores que, não sendo especialista na matéria ou particularmente exigente, mas gosta de acompanhar devidamente o seu repasto. Esta minha conclusão, confesso que é um pouco empírica e sem base estatística, mas todas as pessoas que conheço e que gostam, uns mais outros menos, de vinho estarão neste grupo.
Acresce um outro mundo associado à produção de vinhos, bem menos glamouroso mas mais autêntico. Trata-se dos chamados vinhos mais manhosos, barrascas, farçolas, enfim, o que lhes quiserem chamar. Neste grupo, estão todos aqueles produtos dos quais não se conhece o nome, por terem designações a entrar no risível, por saberem efectivamente mal ao palato ou porque nem sempre fica bem a uma pessoa dizer socialmente que os bebe.
Devo dizer que, depois de ter bebido algumas vezes vinho numa tasca onde os copos não eram lavados e, quando sobrava algum no copo, era novamente remetido para a pipa, posso dizer que praticamente deixei de ter medo dos vinhos. Por isso mesmo, sei o que é beber esse vinho manhoso, ao ponto de, ao entrar num qualquer restaurante, ter quase sempre o institnto natural de pedir o "vinho da casa", autêntico mergulho num mundo desconhecido, onde nada se sabe da origem do vinho, nem como é guardado, nem como me foi parar à jarra. Seja lá como fôr, devo dizer que só me sabe mal dos primeiros goles, pois no meio de tantas batatas fritas, espetadas, entremeadas ou outras coisas que ainda fazem pior à saúde, acaba sempre por se revelar uma escolha acertada.
Com a reforma do vinho hoje anunciada a nível Europeu, foi anunciado o fim da 10 a 12 mil hectares de vinho em Portugal (ver notícia). O pretexto é o de acabar com vinho de má qualidade - vê-se que foram os chamados "Eurocratas" a decidir isto, já que, como acabei de explicar, é muito difícil haver vinho de má qualidade, numa forma descarada de Darwinismo vitivinícola, onde só os mais fortes sobrevivem. Com isto, perde-se um pouco direito de todos nós a bebermos vinho que nos provoca imediatamente uma expressão de terror da primeira vez que o bebemos. E um pouco da nossa mais pura identidade nacional também será arrancada do seu sítio, como os tais milhares de hectares de vinha.
"Estou sim, 'tá-m'a ouvir?"
Nesta manhã, encarnei um pouco o estilo de vida mais associado aos reformados e decidi intervir num daqueles programas feitos a partir da opinião de quem os vê ou ouve. O programa em causa foi o "Opinião Pública" da SIC Notícias, cujo tema era o aumento do salário mínimo para o próximo ano. Nos dois ou três minutos de tempo de antena que me foram concedidos, tentei explicar de forma concisa a minha opinião sobre o assunto, que até já escrevi aqui no LdM no passado: este valor é baixo de forma a assegurar o funcionamento de sectores onde estamos condenados a prazo (como os têxteis), que o mesmo país onde se aplicam estes ordenados baixíssimos também alberga alguns exemplos de excelência da nossa capacidade empresarial, sem esquecer alguns empresários mais afoitos que pagam este salário mínimo a muitos licenciados, pelo facto de terem muita mão-de-obra disponível cá fora, sem outra solução senão aceitar esses baixos salários.
A última vez que a minha voz terá sido ouvida num qualquer meio de comunicação social foi há mais de três anos, quando fui interceptado por um repórter da TSF, enquanto festejava a passagem de Portugal à final do Euro 2004 na Avenida da Liberdade. Nessa noite, as minhas cordas vocais estavam num estado muito semelhante ao daquele tipo do anúncio da Vodafone, que ficou rouco de tanto falar, pelo que presumo que o resultado final tenha sido bastante divertido. Quanto a hoje, consegui fazer a gravação no DVD, mas não irei postar o vídeo, não só por estar ainda sem computador, bem como por me fazer alguma confusão ouvir a minha própria voz, apesar de já ter ouvido alguns (insuspeitos) elogios ao meu timbre vocal.
Depois de ter comprovado a facilidade que constitui para cada cidadão intervir num programa deste tipo - e até fico surpreendido como não sucedem com mais frequência situações como a daquele senhor mais atrevidote que interpelou a Marta Atalaia em directo - cheguei hoje à conclusão de que qualquer pessoa com algum tempo e um conhecimento razoável dos temas da actualidade quase pode almejar tornar-se um respeitado opinion maker, dentro do universo de ouvintes e telespectadores, com a particularidade de ser oriundo desse mesmo universo.
A última vez que a minha voz terá sido ouvida num qualquer meio de comunicação social foi há mais de três anos, quando fui interceptado por um repórter da TSF, enquanto festejava a passagem de Portugal à final do Euro 2004 na Avenida da Liberdade. Nessa noite, as minhas cordas vocais estavam num estado muito semelhante ao daquele tipo do anúncio da Vodafone, que ficou rouco de tanto falar, pelo que presumo que o resultado final tenha sido bastante divertido. Quanto a hoje, consegui fazer a gravação no DVD, mas não irei postar o vídeo, não só por estar ainda sem computador, bem como por me fazer alguma confusão ouvir a minha própria voz, apesar de já ter ouvido alguns (insuspeitos) elogios ao meu timbre vocal.
Depois de ter comprovado a facilidade que constitui para cada cidadão intervir num programa deste tipo - e até fico surpreendido como não sucedem com mais frequência situações como a daquele senhor mais atrevidote que interpelou a Marta Atalaia em directo - cheguei hoje à conclusão de que qualquer pessoa com algum tempo e um conhecimento razoável dos temas da actualidade quase pode almejar tornar-se um respeitado opinion maker, dentro do universo de ouvintes e telespectadores, com a particularidade de ser oriundo desse mesmo universo.
Googladas
Nacionalidade de uma pessoa que vive em Camarões
musica, nabo sexta não
murf coelho animado
alterações psiquicas kraftwerk
bucetinha da leide
cançao o vinho tinto
queres uma cerveja, preta
sem o apoio da familia e uma das causas que levam ao aborto
paredes chama-se rota dos moveis porque?
HISTORIAS INTERESANTES PARA CONTAR PARA AMIGOS
musica, nabo sexta não
murf coelho animado
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A nova avaria da "máquina"
Tendo em conta uma avaria do meu computador há coisa de um mês, entra no campo do cómico vir aqui dizer que o mesmíssimo computador está novamente de baixa. Mas esse é um facto incontornável. Ou a coisa se resolve com remédios caseiros ou terei de comprar um novo. Independentemente da resolução da situação, é um facto que este blogue estará sem actualizações nos próximos dias.
O tempo de antena de Joe Berardo
Se disser que Joe Berardo goza, nos meios de comunicação social, de um tempo de antena bastante alargado não estou a dar grande novidade. Fazendo uma retrospectiva dos últimos dois anos, quando decidiu conceder a si mesmo um palco mediático, esse tempo de antena deveu-se a quatro grandes razões: a sua posição de accionista na Portugal Telecom, o mesmo estatuto de accionista no BCP, a alegada OPA sobre o Benfica e o negócio com o Estado português para a criação de um museu com a sua colecção.
Se há situações em que é legítimo que Berardo seja alvo das atenções mediáticas - caso do negócio relativo à sua colecção de arte, face à sua dimensão - há momentos em que essa mesma atenção é um pouco desproporcionada. É o caso das suas constantes declarações relativas à gestão do BCP, sejam as suas críticas a Jardim Gonçalves ou a intenção de apresentar uma lista à presidência do banco. Com efeito, Berardo é um importante accionista do BCP e é normal que esteja a acautelar os seus interesses, que apenas lhe dizem directamente respeito. O que já é estranho é que sejam os meios de comunicação social a fazer eco das suas reivindicações.
Se há situações em que é legítimo que Berardo seja alvo das atenções mediáticas - caso do negócio relativo à sua colecção de arte, face à sua dimensão - há momentos em que essa mesma atenção é um pouco desproporcionada. É o caso das suas constantes declarações relativas à gestão do BCP, sejam as suas críticas a Jardim Gonçalves ou a intenção de apresentar uma lista à presidência do banco. Com efeito, Berardo é um importante accionista do BCP e é normal que esteja a acautelar os seus interesses, que apenas lhe dizem directamente respeito. O que já é estranho é que sejam os meios de comunicação social a fazer eco das suas reivindicações.
Vaz Guedes para presidente!
Em tempos, Diogo Vaz Guedes terá ponderado uma candidatura à presidência do Sporting, fazendo fé nas notícias vindas a público há alguns meses atrás. Lembrei-me hoje destas notícias, ao saber que este empresário abandonou a liderança da construtora Somague, passando a dedicar-se às empresas do sector das energias renováveis.Seria bom que reconsiderasse este desejo antigo. Tendo em conta as recentes figuras que têm estado à frente do Sporting - leia-se empresários bem sucedidos, mas sem especial propensão para os meios melindrosos do futebol - Diogo Vaz Guedes não destoa do perfil desejado. Enquanto benfiquista, considero que seria uma grande conquista que este senhor decidisse algum dia presidir o clube de Alvalade. Explico porquê: há três ou quatro anos atrás, Vaz Guedes foi uma das figuras que deu a cara pelo Compromisso Portugal, o movimento que pugnava pela necessidade de manter os centros de decisão no nosso país. Dias depois, deixou-se de retóricas e decidiu vender a Somague a ... uma grande empresa espanhola, precisamente a Sacyr Vallehermoso. Ora bem, extrapolando uma situação deste tipo para o universo leonino, já imagino o seu discurso como novo presidente, com promessas como "Comigo, o Sporting será campeão nacional de futebol!". Com uma promessa destas feita por Vaz Guedes, não é muito difícil imaginar que ela significaria uns quantos anos de calvário para as hostes sportinguistas.
Correio do Leitor: o Tratado de Lisboa
A propósito do Tratado de Lisboa, o Nélson Silva teceu alguns argumentos que contestam a realização de um referendo ao documento, baseando-se na pouca importância que este terá para os cidadãos europeus, pelo facto de dizer respeito essencialmente a aspectos funcionais da União Europeia.
Em relação ao Tratado, assumo a minha falta de conhecimento face àquilo que ele preconiza, como escrevi no post anterior. Admito também que, entre todas as mudanças que ocorreram em matéria de União Europeia, este tema nem sequer seria o mais relevante para ir a referendo. Teria sido, eventualmente, bem mais importante levar a consulta popular a adesão à Moeda Única, pelo que isso implicou em relação ao fim da soberania do país face à sua política monetária, embora reconheça que isso seria impossível em meados dos anos 90, pelo facto de a Constituição não prever a figura do referendo. De qualquer maneira, penso existirem três grandes razões para que essa consulta se faça, pelo menos em Portugal:
1 - embora o Tratado se refira a aspectos essencialmente funcionais e burocráticos, há pequenas nuances que implicam o poder que cada país tem dentro da União Europeia e dou o exemplo do fim do direito de veto. Ou seja, se faz sentido retirar o derradeiro poder a um país de vetar uma decisão que lhe possa ser pouco benéfica em detrimento da vontade geral dos restantes países. Sem querer opinar sobre o que é mais relevante nesta dicotomia - leia-se, a vontade cada país por oposição aos desígnios comuns da própria União Europeia - julgo que seria importante uma confrontação do eleitorado com este tipo de matérias.
2 - por nunca ter sido feito um referendo sobre questões europeias em Portugal, esta seria uma boa forma de saber de que forma os próprios eleitores olham para a União Europeia. Penso que esta é uma matéria em que os cidadãos nunca se pronunciaram verdadeiramente, já que existe um consenso entre os dois grandes partidos nesta matéria e porque as eleições para o Parlamento Europeu se baseiam um pouco numa "grande sondagem" para as eleições legislativas e menos numa visão que cada cidadão tem para a Europa.
3 - por último, recordo que esta foi uma promessa do Primeiro-Ministro na sua tomada de posse. E, caso esta consulta não se faça, este anúncio acaba no rol de promessas que cai em saco roto e que ajuda a reforçar a ideia de que os políticos são um bando de aldrabões.
Em suma, apesar de esta ser uma matéria mais ligada ao funcionamento da União Europeia do que a grandes opções com reflexo na vida dos europeus, julgo que é importante realçar que tem havido uma progressiva transferência do centro de decisões de Lisboa as instituições europeias. Por isso, cada vez mais as decisões da União Europeia dizem respeito a todos os europeus. E, ainda que essa não seja uma questão absolutamente vital, é por isso que acho conveniente a realização do referendo ao Tratado de Lisboa.
Em relação ao Tratado, assumo a minha falta de conhecimento face àquilo que ele preconiza, como escrevi no post anterior. Admito também que, entre todas as mudanças que ocorreram em matéria de União Europeia, este tema nem sequer seria o mais relevante para ir a referendo. Teria sido, eventualmente, bem mais importante levar a consulta popular a adesão à Moeda Única, pelo que isso implicou em relação ao fim da soberania do país face à sua política monetária, embora reconheça que isso seria impossível em meados dos anos 90, pelo facto de a Constituição não prever a figura do referendo. De qualquer maneira, penso existirem três grandes razões para que essa consulta se faça, pelo menos em Portugal:
1 - embora o Tratado se refira a aspectos essencialmente funcionais e burocráticos, há pequenas nuances que implicam o poder que cada país tem dentro da União Europeia e dou o exemplo do fim do direito de veto. Ou seja, se faz sentido retirar o derradeiro poder a um país de vetar uma decisão que lhe possa ser pouco benéfica em detrimento da vontade geral dos restantes países. Sem querer opinar sobre o que é mais relevante nesta dicotomia - leia-se, a vontade cada país por oposição aos desígnios comuns da própria União Europeia - julgo que seria importante uma confrontação do eleitorado com este tipo de matérias.
2 - por nunca ter sido feito um referendo sobre questões europeias em Portugal, esta seria uma boa forma de saber de que forma os próprios eleitores olham para a União Europeia. Penso que esta é uma matéria em que os cidadãos nunca se pronunciaram verdadeiramente, já que existe um consenso entre os dois grandes partidos nesta matéria e porque as eleições para o Parlamento Europeu se baseiam um pouco numa "grande sondagem" para as eleições legislativas e menos numa visão que cada cidadão tem para a Europa.
3 - por último, recordo que esta foi uma promessa do Primeiro-Ministro na sua tomada de posse. E, caso esta consulta não se faça, este anúncio acaba no rol de promessas que cai em saco roto e que ajuda a reforçar a ideia de que os políticos são um bando de aldrabões.
Em suma, apesar de esta ser uma matéria mais ligada ao funcionamento da União Europeia do que a grandes opções com reflexo na vida dos europeus, julgo que é importante realçar que tem havido uma progressiva transferência do centro de decisões de Lisboa as instituições europeias. Por isso, cada vez mais as decisões da União Europeia dizem respeito a todos os europeus. E, ainda que essa não seja uma questão absolutamente vital, é por isso que acho conveniente a realização do referendo ao Tratado de Lisboa.
Referendo ao Tratado de Lisboa
(clique para assinar a petição, pedindo a realização de um referendo ao Tratado de Lisboa)
Por cá, nunca houve uma real oportunidade de discutir a Europa. O consenso existente entre PS e PSD em matérias europeias deu um bom contributo para que fossem tomadas muito decisões - algumas delas afectando a própria soberania do país, como o Euro - no Parlamento e sem que os cidadãos fossem efectivamente ouvidos. Talvez por isso, a realização de um referendo ao Tratado seria uma boa oportunidade para que essa discussão acontecesse. Afinal de contas, a Europa é algo que diz respeito aos cidadãos e não apenas a quem os governa.
Googladas
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Pequenas sortes
Um tipo mete os cinco euros da praxe na máquina do Draw Poker. Começa por se enganar e fazer a aposta máxima, que perde. Vai jogando e quase sempre perdendo, chegando a ter apenas um crédito. Nisto, consegue um pequeno balão de oxigénio, que é ganhar dois ou três créditos já no limite. Uma série de jogadas bem sucedidas, acompanhadas de uma boa dose de prudência, permitem chegar aos 70 e tal créditos. Um talão de 14,40€ chega para compensar os tostões perdidos no raio daquele jogo nas últimas duas deslocações ao casino. Passado uma hora, uma alma caridosa, pertencente ao staff do Casino, oferece um talão jogável de cinco euros, que, após 20 jogadas azaradas e duas ou três bem sucedidas, se converte em 6,20€. Um tipo sai do casino com a carteira mais pesada do que quando entrou. Pelo meio, um concerto acústico de Nouvelle Vague, oferecido pela casa. Não se pode ter azar todos os dias.
Homónimos

António Borges: o economista, com uma boa reputação além-fronteiras. Mais uma das personalidades a quem foi atribuído do epíteto de D. Sebastião, se um dia abandonar o mundo dos negócios e se dedicar à política.

António Borges: jogador que espalhou classe nos relvados nacionais, nos anos 80, tendo passado pelo Chaves e Sporting de Braga. Actual treinador do Desportivo de Chaves, clube que hoje mata saudades dos seus tempos de primodivisionário e recebe o Porto para a Taça.
O drama extra-família
O Presidente da Portugal Telecom anunciou hoje o despedimento de mais 600 trabalhadores. Como, infelizmente, todos os anos calha a fava a umas centenas de funcionários, o anúncio nada parece ter de anormal. O que me pareceu interessante foi o próprio Henrique Granadeiro dizer que lhe custava muito fazer este anúncio. Não sei se estava a falar a sério ou no show off, mas o que é certo é que é ele que tem de dar a cara pela decisão.
Se ficcionarmos um pouco a partir de uma hipotética grande angústia de quem manda uns tantos desgraçados para o olho da rua, também poderíamos extrapolar para todos quantos vão beneficiar com estes despedimentos, precisamente os accionistas, que irão auferir um pouco mais, à custa do que se poupar em ordenados. E se eles próprios também sofressem muito com isso, já estaria a imaginar uma noite como a de hoje, com umas dezenas ou centenas de Zés Berardos, vestidos de fato e gravata e sem cuspir enquanto tentam falar português, chorando e bebendo angustiadamente uns copos de whisky velho num qualquer bar da Avenida Duque de Loulé, com o BMW estacionado em segunda fila à porta, enquanto falam no drama humano de tantas famílias à alternadeira de serviço.
Se ficcionarmos um pouco a partir de uma hipotética grande angústia de quem manda uns tantos desgraçados para o olho da rua, também poderíamos extrapolar para todos quantos vão beneficiar com estes despedimentos, precisamente os accionistas, que irão auferir um pouco mais, à custa do que se poupar em ordenados. E se eles próprios também sofressem muito com isso, já estaria a imaginar uma noite como a de hoje, com umas dezenas ou centenas de Zés Berardos, vestidos de fato e gravata e sem cuspir enquanto tentam falar português, chorando e bebendo angustiadamente uns copos de whisky velho num qualquer bar da Avenida Duque de Loulé, com o BMW estacionado em segunda fila à porta, enquanto falam no drama humano de tantas famílias à alternadeira de serviço.
Cinco cêntimos por cada saco de plástico - 2
No dia em que decidi elogiar a intenção de ser cobrada uma taxas aos sacos de plástico, eis que a Lei de Murphy - a lei em si, não este blogue - se manifesta de forma implacável: quando elogio uma medida do Governo, afinal alguém dá o dito por não dito e essa mesma medida não avança. De acordo com declarações oficiais, esta hipótese foi ponderada, mas não chegou a avançar e fica a dúvida sobre qual a razão para vir para as capas dos jornais.
Pelo que me informei, temo bem que a medida não terá avançado por pressão do sector da distribuição. As medidas para combater o dano provocado pelos tais sacos de plástico passarão pela sensibilização ou pela possibilidade de serem dadas alternativas, que nunca serão tão boas como a cómoda possibilidade de termos de borla os sacos de plástico que quisermos. Ficamos, portanto, a meio caminho. Há uns anos, também tínhamos um Governo especialmente vulnerável a pressões e que ficava quase sempre pelo tão português meio termo. Estas notícias serviram para matar saudades do estilo de governar protagonizado por António Guterres.
Pelo que me informei, temo bem que a medida não terá avançado por pressão do sector da distribuição. As medidas para combater o dano provocado pelos tais sacos de plástico passarão pela sensibilização ou pela possibilidade de serem dadas alternativas, que nunca serão tão boas como a cómoda possibilidade de termos de borla os sacos de plástico que quisermos. Ficamos, portanto, a meio caminho. Há uns anos, também tínhamos um Governo especialmente vulnerável a pressões e que ficava quase sempre pelo tão português meio termo. Estas notícias serviram para matar saudades do estilo de governar protagonizado por António Guterres.
Cinco cêntimos por cada saco de plástico
O Governo quer avançar com a cobrança de cinco cêntimos por cada saco de plástico nos hipermercados (ler notícia). Apesar de, à primeira análise, parecer ser mais uma daquelas medidas que visam "ir-nos ao bolso" (e, se calhar, até é), parece-me uma medida importante para reduzir o impacto do consumo excessivo de sacos de plástico em Portugal. Consumo esse que tem repercussões óbvias ao nível ambiental - fomenta o consumo de petróleo e aumenta a produção de lixo, já que é lá que vão parar os sacos que se amontoam em casa, para além de estes não serem biodegradáveis - e que é provocado pelo facto de os consumidores terem acesso gratuito aos ditos sacos, o que não motiva o gesto de trazer os ditos sacos de casa.
Por fazer as compras maioritariamente em cadeias onde os sacos são pagos, reparo que uma parte razoável dos consumidores - e eu incluo-me nesse grupo - opta por trazê-los de casa, evitando o gasto desnecessário de recursos financeiros e ambientais. Essa cobrança é, aliás, uma medida expedita das chamadas hard discount, que deixam de reflectir o preço dos sacos no valor dos produtos, de modo a apresentar preços mais baixos. Noutros países, essa cobrança passou à prática sob forma de lei, por exemplo, na Irlanda registou-se uma redução de 90% neste consumo. Numa altura em que tanto se discute a importância de salvaguardar o meio ambiente e de gastar melhor os recursos, nada como importar estes bons exemplos.
Por fazer as compras maioritariamente em cadeias onde os sacos são pagos, reparo que uma parte razoável dos consumidores - e eu incluo-me nesse grupo - opta por trazê-los de casa, evitando o gasto desnecessário de recursos financeiros e ambientais. Essa cobrança é, aliás, uma medida expedita das chamadas hard discount, que deixam de reflectir o preço dos sacos no valor dos produtos, de modo a apresentar preços mais baixos. Noutros países, essa cobrança passou à prática sob forma de lei, por exemplo, na Irlanda registou-se uma redução de 90% neste consumo. Numa altura em que tanto se discute a importância de salvaguardar o meio ambiente e de gastar melhor os recursos, nada como importar estes bons exemplos.
Viv'ós gatos!
Quando sou questionado sobre se gosto mais de cães ou de gatos, a minha falta de interesse em relação ao chamado mundo animal acaba por não me permitir ter qualquer tipo de preferência. No entanto, acho que, após tantos anos de indefinição, cheguei a uma conclusão sobre qual destas espécies mais gosto. Essa espécie é, efectivamente, a dos gatos. O motivo é simples: os felinos, bem como os seus donos, pouco ou nada me chateiam quando vou na rua, ao contrário dos cães e quem os passeia.
De Benfica para Norrköping
Apesar do âmbito geográfico da obra de António Lobo Antunes ser, normalmente, um pouco circunscrito - leia-se, Benfica, Príncipe Real, zonas antigas de Lisboa ou os eternos subúrbios lisboetas - não me é muito difícil perceber por que razão a sua escrita pode suscitar o interesse do público do Norte da Europa. Com efeito, o universo presente nas suas obras é tudo menos risonho, com todos os defeitos e desgraças inerentes ao ser humano a virem ao de cima. Tidos como mais melancólicos do que os latinos, talvez os nórdicos tenham mais facilidade em encaixar neste universo.
Daí, talvez não seja de espantar o interesse de Thomas Alqvist - figura desconhecida para mim até há coisa de 20 minutos - na obra de António Lobo Antunes. Iniciando com a colonização portuguesa em África e a mais recente guerra colonial, mete logo a bucha para falar na participação do escritor naquele conflito. Dando, logo de seguida, a descrição da obra e do diagnóstico que é feito nos seus livros. Por detrás do especialista, que exerce funções na biblioteca de Norrköping, um dia cinzento, com a parafernália de um porto por detrás. Sem dúvida, um cenário interessante para falar de Lobo Antunes.
Googladas
e porque a couve tem talo o bacalhau tem rabo
putas e vinho verde
Genealogia guedes de carvalho
ganha-se perde-se vida
saidas á noite e alcool na adolescencia
frequencia de canais de sexo na antena parabolica
viagem finalistas ideias dinheiro
vitor espadinha verde vinho
sabrina spectrum
tem agrião em capsula
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De 1640 para cá

Tivesse o reinado dos Filipes continuado do início do Séc.XVII em diante, talvez nós fôssemos mais ricos do que somos hoje, mas carregaríamos o fardo de ser uma região incompatibilizada com o poder central de Madrid, de ter a paella como prato nacional ou de falar uma língua que mais parece um chorrilho de insultos. A Restauração da Independência, que hoje se assinala, parece uma data remota no tempo e até assume um carácter um pouco anacrónico, face à invasão de que fomos alvo por parte dos símbolos da Economia espanhola - Zara, Iberdrola, BBVA, Santander, Seat, Repsol, El Corte Inglès, Chamartin Imobiliária - e também por uma certa corrente lusa de opinião, favorável à dissolução das fronteiras e à união dos dois países. Mas, sobre isso, a opinião mais correcta que ouvi veio da boca do Senhor D. Duarte Pio, que considera lamentável um compatriota dizer que quer ser espanhol, quando morreu tanto português em guerras e batalhas para que a nossa independência fosse possível. E, se me dão licença, agora vou beber uma Super Bock, um produto um pouco melhor do que a urina de hipopótamo servida nas garrafas com rótulos onde constam inscrições como "Estrella Damn" ou "San Miguel".



