E porque não Pepe?


Recordo-me da polémica envolvendo a convocatória de Deco, há uns anos atrás. Lembro-me também que a polémica foi ultrapassada algum tempo depois, com o excelente Euro 2004 que protagonizou. O argumento para a contestação era, afinal de contas, válido, já que um jogador sem qualquer ligação prévia a Portugal iria representar as cores lusas, um pouco como segunda escolha, já que o jogador havia referido, no passado, que tinha o desejo de ser convocado por Scolari, mas enquanto este era seleccionador... do Brasil.

A polémica foi reaberta por estes dias, com a chamada de Pepe à selecção nacional, que hoje se concretizou. Scolari certamente aproveitará a benesse e continuará a chamar o jogador daqui para a frente, mas não é líquido que o jogador venha a ser titular em condições normais, já que os mecanismos no centro da defesa estão adquiridos há muito.

Esta chamada levanta novamente a questão sobre quem pode outorgar o direito de vestir as cores lusas ou, para ser mais abrangente, quem pode dizer efectivamente que é português. E, sobre este tema, já muito se falou e poucas conclusões foram retiradas. Será que apenas pode ser considerado português quem é filho de portugueses e nasceu e viveu sempre em terras lusas? Estamos portanto a esquecer os filhos de emigrantes que entretanto regressaram, filhos de imigrantes e que sempre viveram cá, portugueses em que apenas um dos progenitores é português ou simplesmente pessoas que, a determinada altura da vida, vieram para Portugal e passaram a gostar mais do nosso país do que do país de origem. Há quem diga que o nosso país é aquele que efectivamente aquele onde nos sentimos bem e que não tem de ser forçosamente onde nascemos. Se muitos portugueses que vivem no estrangeiro forem questionados sobre isso, talvez respondam que se sentem mais próximos do país que os acolheu do que aquele onde nasceram. Eu, pelo menos, conheço alguns casos assim.

Tanto quanto ouvi Pepe falar no assunto, julgo que há já alguns anos que tem o desejo de vestir as cores nacionais, porque Portugal lhe deu sempre mais oportunidades do que as que teve no Brasil, e ninguém duvide que a sua ida para o Real Madrid lhe abriria as portas da "canarinha". Se o jogador tem efectivamente o desejo de ser internacional por Portugal, e tendo as condições legais para o fazer, porque não dar-lhe essa possibilidade? Afinal de contas, o homem é tão português como o Bosingwa, filho de congoleses e nascido nesse país, ou o Nélson, que é cabo-verdiano e que poderia ter jogado pela selecção do seu país e que escolheu representar as nossas cores. E o que dizer de Manuel da Costa, filho de emigrantes portugueses na Holanda e que mal sabe falar português, e Amaury Bischoff, nascido em França e filho de mãe portuguesa. Num mundo onde há uma constante migração de pessoas um pouco por todo o mundo, nem sempre é fácil discernir de forma inequívoca sobre a nacionalidade de dada pessoa, quando a descendência, o local de nascimento e a vontade da pessoa não se conjugam para um mesmo país.

Paradoxalmente, por estes dias o país rejubilou com a vitória de Nélson Évora no triplo salto. O atleta também não é português, já que é filho de imigrantes de Cabo Verde e inclusivamente nasceu naquele país. Tão português como o Pepe, portanto. Francis Obikwelu também representou as cores lusas, apesar de ter nascido na Nigéria, desejando retribuir o apoio que lhe foi dado pelo país onde começou a trabalhar na construção civil. Ao mesmo tempo, a selecção nacional de basquetebol depara-se com um dilema entre a convocação de um de dois jogadores naturalizados portugueses, pois os regulamentos só permitem a inscrição de um atleta nessas condições. Para evitar este tipo de problemas e discussões, talvez o ideal fosse a discussão desta questão ao nível de todo o desporto português sobre quem deve ou não deve envergar as cores lusas. Até lá, quem tem condições legais, valor e vontade de o fazer, beneficiará dessa possibilidade. E esse é o caso de Pepe, que, quer queiramos quer não, pode não ser melhor que os dois centrais titulares, mas é certamente melhor que as opções Ricardo Costa, Bruno Alves ou Ricardo Rocha.

10 anos de Hattrick

Não é muito difícil encontrar, entre os apreciadores de futebol maioritariamente do sexo masculino e habituados a lidar com a Internet, pessoas que joguem ou já tenham jogado no Hattrick. O jogo que transporta para a rede o espírito dos jogos de gestão de equipas de futebol e que possibilita a interacção entre pessoas de todo o mundo. Hoje é jogado por cerca de 930 mil pessoas em todo o mundo e só em Portugal há mais de 80 mil equipas inscritas. Aquilo que começou por ser uma pequena experiência de um grupo de amigos transformou-se quase num case study, face à dimensão que hoje atingiu, com merchandising, cafés dedicados ao jogo e até apostas reais na Internet de jogos que lá se desenrolam. O Hattrick faz hoje 10 anos e está obviamente de parabéns.

ZxSpectrum.net

Tenho visto pela Internet muitos sites para jogar on-line onde há pequenas secções de jogos Spectrum, bem como muitos emuladores, mas julgo ter encontrado o site onde essa possibilidade é mais fiável. Através do link www.zxspectrum.net , é possível jogar on-line a umas boas duas ou três centenas de jogos, arrumados por anos, o que até permite constatar que houve uma evolução ao longo do tempo.

Nem sempre é mau a casa ir abaixo

Quem está mais familiarizado com os canais do cabo, certamente que conhece um programa que passa no People and Arts chamado Extreme Makeover, cujo objectivo passa pela total reconstrução de uma casa, inclusivamente mandando abaixo a existente, sendo que o saldo final acaba relativamente perto de casas associadas a um qualquer ricaço de terras americanas.

Dos programas que vi, são sempre escolhidas famílias grandes, nunca menos de 5 ou 6 pessoas. Há também uma componente dramática associada à escolha dos concorrentes, já que as famílias têm sempre uma mãe viúva ou solteira, uma criança com problemas de saúde ou há problemas financeiros mais ou menos graves. Está encontrado o primeiro elemento de sucesso, que é a existência de uma certa desgraça humana, que fará relevar o que seguirá.

A família segue de férias durante uma semana, tempo de que a equipa do programa dispõe para fazer a reconstrução total da casa. E quando falo em equipa de construção, não falo em 30 ou 40 pessoas, já que ouvi falar em equipas que chegam ao milhar de pessoas. Construção feita num ápice, ao bom velho estilo das moradias construídas no pós-25 de Abril. A juntar à enorme equipa de construção, juntam-se equipas de decoradores capazes de fazer qualquer barraca um local de sonho. Nada é deixado ao caso, desde os equipamentos domésticos aos jardins, passando por jacuzzis, plasmas e piscinas e há muitas vezes brindes extra-casa, como carros, motas ou bolsas de estudo para os filhos poderem estudar.

Passa a semana e o regresso da família à nova casa faz-se com uma genial encenação, com centenas de pessoas a acordar a sua chegada que é feita numa limusine. Mal se deparam com a nova casa, os membros da família desatam numa gritaria e numa choradeira que duram até ao fim do programa, ao depararem-se com o novo palácio que lhes foi oferecido pelo programa e com o extraordinário espaço em que irão viver no futuro. A reacção em grupo é interessante, mas cada membro da família tem direito a uma atenção especial: o miúdo que gosta de dinossauros vê a sua cama transformar-se num destes répteis em tamanho gigante, o adolescente que gosta de hip-hop e graffitis vê uma das paredes do seu quarto transformada num muro do Bronx, os pais oriundos do México têm um espaço dedicado unicamente às suas raízes.

Neste programa, tudo é feito com um profissionalismo notável e um show-off de encher o olho. Há o elemento essencial da família com dificuldades que vê os seus maiores desejos serem concretizados, graças ao trabalho incessante de uma gigantesca equipa, há todo um enredo associado à construção e a apresentação da casa é o final feliz, quase sempre associado às grandes produções vindas dos Estados Unidos. Até o apresentador, um tipo com ar de biltre, parece quase transformar-se num príncipe encantado no meio de todo aquela atmosfera. É a televisão a funcionar como máquina difusora de sonhos. É um reality show à americana, mas bem feito.

Recordar a selecção nacional de futebol há 15 anos



Estava há uns dias a fazer zapping quando me deparo com um Domingo Desportivo de 1992, apresentado por Ribeiro Cristóvão, relatando o início de campeonato principal, onde ainda participavam equipas como o Salgueiros, o Farense e o Tirsense. Na semana seguinte, havia lugar a um Portugal - Áustria, ainda consegui fazer disparar o Rec do gravador de DVD e gravar a notícia em que Gabriel Alves fazia o balanço das duas selecções até então.

Tenho andado a vasculhar na net por bons programas de edição de imagem, já que tenho estado a usar o Movie Maker do Windows. Até agora, testei alguns, mas sem sucesso. Tentei uma versão recente do Pinnacle Studio, mas não consegui instalar por falta de requisitos técnicos. Alguém me sugere um programa minimamente razoável em freeware?

Correio do leitor: vinho usado para abortos

Uma pequena amostra de googladas que aqui postei, tal como faço todas as segundas-feiras, levantou alguma celeuma. Refiro-me à pesquisa vinho usado para aborto, que suscitou reacções de estupefacção e de escárnio. O David, atento leitor do LdM, deixou uma questão interessante:

E já agora, gostava que me dessem a opinião:

Deviam estar a procurar:

Vinho específico para ser efectuado um aborto ou vinho já utilizado de alguma forma para o aborto?

Ora bem, apesar de entender que as pesquisas que vêm cá parar não são uma razão para grandes discussões - caso o fossem, já me teria aqui debruçado por temas como a zona púbica da Luciana Abreu, cromos de construção de prédios ou empilhadores animados -, vou tentar dar a minha opinião sobre esta pesquisa específica.

A primeira hipótese seria a de o vinho ser um elemento utilizado na prática do aborto. Não sou um entendido no assunto, mas já ouvi falar da maneira como a coisa se processa e de um outro instrumento utilizado especificamente para o acto, não sendo feito exactamente da mesma forma em instalações de saúde ou em casa de uma enfermeira menos escrupulosa. Seja como fôr, julgo que o vinho não é um dos elementos usados na prática. Já ouvi falar em curar feridas com aguardente, mas em usar vinho nos abortos parece-me algo um pouco fora do contexto.

A segunda hipótese consiste no acto de provocar um aborto através do consumo de álcool. Parece uma hipótese um pouco mais consistente, já que o consumo de álcool é um dos factores de risco associados a uma gravidez. Se existem pessoas que provocam o aborto através do consumo excessivo de álcool e se há uma relação de causa-efeito entre as duas coisas, aí já não sei responder com exactidão, mas talvez não seja algo totalmente descabido.

Se houve intenção do cibernauta em causa de querer saber se o vinho pode ser usado no acto médico do aborto ou se o seu consumo provoca o aborto, a lógica diz que a segunda hipótese pode ser a mais correcta. Mas diz-me a experiência de recolha quase diária de googladas que estas pesquisas são coisa que não deve ser levada muito a sério.

Googladas

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fotos super grelo
fotosde acidendes de elevador
numeros de modem atras nas costas
"I kiss" boa portugues
vinho usado para aborto
bonecas que falão
hi5 joão malheiro

O baú das canções: "Love on the rocks"



"Love on the rocks" é uma canção escrita e interpretada por Neil Diamond e ainda hoje é uma das suas canções mais conhecidas e até faz parte das playlists das rádios dedicadas à rapaziada que gosta de recordar as canções da sua juventude. Ao que julgo saber, a canção surgiu pela primeira vez no filme The Jazz Singer de 1980, de que o vídeo faz parte.

Encontrei uma cover da canção feita pelos Korn. O vídeo não está completo, mas terá o seu interesse para quem gosta da banda.



O que tem realmente piada é a tradução da letra da música, feita por um desses serviços de tradução fornecidos por alguns sites, bastante práticos mas de qualidade duvidosa.

Categoria O baú das canções

Sempre que falo em determinado assunto aqui no LdM relacionado com coisas que já levam uns anos e que já fazem parte do campo da memória, esse mesmo post fica com a etiqueta A Lei da Memória. No entanto, ao vasculhar muito do que existe na Internet em matéria de vídeos de música antigos, muitos deles provenientes de gravações caseiras, percebi que há um manancial bem interessante de antigas músicas para colocar aqui os respectivos vídeos.

Assim sendo, decidi criar a categoria, ou a chamada etiqueta, para canções já com alguns anos e que, nalguns casos, terão caído num certo esquecimento. Com a categoria O baú das canções, o objectivo é ir buscar algumas músicas já com uns anos, nacionais ou estrangeiras e independentemente de géneros.

A Lei de Murphy aplica-se sempre

Esta tarde, enquanto esperava pelo autocarro, surgiu-me um daqueles sujeitos a quem o álcool se entranhou de tal maneira no organismo ao ponto de o próprio corpo emitir um cheiro etilizado perceptível a um metro de distância, mesmo que não tenham sequer consumido nenhuma bebida alcoólica nas últimas horas. Mas este, pela conversa e pelo andar trôpego, devia estar mesmo bêbedo. Naquela atitude típica de meter conversa com toda a gente que vê, calhou-me ser a vítima da conversa de ocasião sobre o tempo ou o tempo que falta para o próximo autocarro.

Nisto, acende um cigarro e diz "A ver se acendo um cigarro, para ver se o autocarro chega". Dito e feito, já que 30 segundos depois chega o autocarro pelo qual ambos esperávamos. Concretizou-se a previsão baseada na lei de Murphy. Um homem pode ser bêbado e não dizer coisa com coisa, mas as leis de Murphy são de tal maneira universais que funcionam independentemente de haver consumo de álcool.

Nota: o cigarro que o senhor fumava não se perdeu, já que foi devidamente acondicionado na orelha direita durante o resto da viagem para ser posteriormente fumado na sua plenitude.

Simpatias extra-Benfica

Com o início de outras provas futebolísticas que não a nossa liga Bwin, venho aqui lançar um post sobre os meus desejos para essas mesmas competições. De uma forma menos acalorada do que se passa com o Benfica e o campeonato nacional, mas que ainda assim merecem ser assinalados.


Comecemos por Portugal e pela Segunda Divisão, mais precisamente a Série D. Depois de uma época em que esteve na Liga de Honra, no convívio de nomes importantes do nosso futebol como o Vitória de Guimarães, o Leixões ou o Rio Ave, o Olivais e Moscavide regressa à competição onde tem passado a maior parte do seu historial recente. A má segunda volta na temporada passada a isso conduziu e resta desejar que esta época consiga trazer bons resultados e, porque não, a disputa pelos lugares que podem levar à Segunda Liga.

Passamos agora por Espanha. Quanto ao campeonato do país vizinho, os portugueses quase sempre têm alguma simpatia por um dos dois gigantes: Barcelona e Real Madrid. Clubes cuja rivalidade deriva não só do factor desportivo, mas também por razões históricas e sociológicas que acabam por ser transportadas para dentro das quatro linhas. Como essa rivalidade me diz pouco, sou simpatizante do Atlético de Madrid, clube onde Paulo Futre passou os melhores anos da carreira numa altura em que era um dos poucos jogadores portugueses com projecção internacional. O clube que facilmente passa do céu ao inferno - como atesta a "dobradinha" em 1996, com Vieri, Pantic e Camiñero e a descida à segunda divisão apenas quatro épocas depois - parece querer voltar aos tempos áureos, com uma equipa que pode perfeitamente lutar por um dos lugares cimeiros da tabela, com jogadores como Forlán, Reyes, Aguero, Simão Sabrosa, Maxi Rodriguez e Maniche.

Salta-se a França e agora Itália, país onde há três grandes e depois uma segunda linha que é um pouco difusa e muitas vezes se confunde com os clubes de topo. Foi o que sucedeu à Roma, que conseguiu um segundo lugar na última época, embora tal seja mais difícil na temporada que agora se inicia. No caso da Roma, a simpatia não é tão vincada como nos dois casos acima expostos e não tem uma explicação muito plausível, e que talvez se baseie no facto de não ser um dos três tubarões do futebol italiano (o que dá um certo gozo quando ganham alguma coisa), pelo equipamento catita, pelo facto de ser um clube mais popular em comparação com a mais burguesa Lazio de Roma ou pelo currículo adquirido na gestão dos respectivos destinos nos videojogos.

Outra cara

Vim há pouco ao blogue fazer a habitual vistoria quando me deparo com uma coisa sem pés nem cabeça, com conteúdo a ocupar toda a página, a barra lateral metida para baixo e letra em Times New Roman. Como não encontrei explicação lógica para o sucedido e também por não ter conhecimentos técnicos suficientes para resolver o problema, decidi alterar o template. Parece-me que os problemas técnicos de hoje não se repetirão.

Gato Fedorento Vintage: Bad Boy MC Crazy Motherfucker



A rábula protagonizada pelo Ricardo Araújo Pereira, em pleno espectáculo d'O Homem que mordeu o cão, sobre a vida do Bad Boy MC Crazy Motherfucker merece ser recordada. Em primeiro lugar, pela qualidade do momento. Em segundo lugar, porque remete para o período em que começavam a ser dados os primeiros passos do que viria a ser o Gato Fedorento. Este vídeo data, salvo erro, de 2003 e não deixa de ser impressionante como, em quatro anos, se passa de aparições avulsas em espectáculos alheios para um talk show ao domingo à noite na estação pública televisão. Os quatro anos foram sempre a subir: aparições no Perfeito Anormal na SIC Radical, transmissão de pequenos vídeos ao longo da emissão desse canal (ainda com Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela), três séries de sketches com duas delas a serem lançadas em DVD já com os quatro elementos do grupo, uma série de sketches e um talk show na RTP1. Sem esquecer anúncios que entraram na conversa do dia-a-dia, precisamente do Montepio e da Portugal Telecom.

Desde as rábulas dos Gatunos e Chupistas, da Maria Adelaide ou do Professor Magalhães da Fonseca que sou fã e via ali grandes qualidades, mas longe de mim pensar na altura que a coisa tomasse tais proporções no futuro.

Contraproducente

Na passada sexta-feira, um grupo de 50 pessoas invadiu uma plantação de milho transgénico em Silves, na qual destruiu pouco mais de um hectare. As pessoas pertencem a uma associação ecologista denominada Verde Eufémia e desejavam, com a sua acção, chamar a atenção para os perigos da cultura dos transgénicos e mostrar o seu desagrado recorrendo à destruição da produção. Esta intervenção pode ser enquadrada dentro da categoria de "Acção Directa", bem mais comum noutros países, onde grupos de defesa do ambiente ou dos direitos dos animais passam das palavras aos actos. Uma acção deste género é, por exemplo, a invasão de laboratórios onde tentam libertar os animais sujeitos a experiências médicas.

Posso estar enganado, mas julgo que este episódio foi aquele que, até hoje, deu mais tempo de antena aos transgénicos. Ou seja, um acto de invasão de propriedade conseguiu ser mais visível nos meios de comunicação social do que a divulgação de pareceres científicos sobre esta realidade. Isto prova que, não obstante esta ser uma prática comum em muitos países, em Portugal ainda há uma certa penumbra de conhecimento sobre estas questões.

Sobre este tema, a única posição que consigo ter é a de que deve haver uma informação ao consumidor que lhe permita saber se este está a consumir um alimento geneticamente modificado. Sobre os seus benefícios e malefícios, confesso não ter conhecimentos cientificamente sustentados que me permitam ter uma opinião formada. Tal como eu, a generalidade da população portuguesa. Também por isso, acho que foi um pouco desproporcionada esta invasão. Em primeiro lugar, porque permite uma associação entre a contestação aos transgénicos e a invasão ilegal de propriedades onde estes se cultivam, retirando margem de manobra para opiniões anti-transgénicos que sejam mais ponderadas e sustentadas cientificamente e colocando especialistas e invasores de propriedades no mesmo saco. Em segundo lugar, porque quem sai beneficiado com toda esta polémica acaba por ser o agricultor, que até pode cultivar produtos altamente prejudiciais para a saúde e para o ambiente, mas que aparece como uma vítima nas mãos de perigosos vândalos. Mais uma vez se falou nos transgénicos, mas sem falar no essencial. E acho que a causa dos transgénicos ganhou aqui mais um impulso.

Para baixo todos os Santos ajudam


Soube-se hoje que Fernando Santos vai abandonar o comando técnico do Benfica, devendo ser substituído por José António Camacho. Parece que Fernando Santos parece fadado a não ser especialmente bem sucedido nos clubes grandes. Apesar do bom trabalho que havia feito no Estoril e no Estrela da Amadora, o maior feito digno de realce foi o campeonato ganho pelo Porto em 1999, numa altura em que aquele clube era uma espécie de rolo compressor nos relvados nacionais e onde o factor Jardel jogava a seu favor. Na único época em que esteve no Sporting, ficou na memória a eliminação na Taça UEFA contra o Gençlerbirligi, o fim da participação na Taça de Portugal com uma derrota caseira contra o Setúbal, então na Segunda Liga, bem como os pontos perdidos na recta final do campeonato que deram o segundo lugar ao Benfica e a consequente perda de participação na pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

A boa passagem pelo campeonato da Grécia, nomeadamente no AEK de Atenas, abriram-lhe as portas do Benfica. Há que reconhecer que o Benfica teve, até à última jornada, a possibilidade aritmética de lutar pelo título, tendo o início de campeonato sido prejudicial para o que seguiria. Seguiu-se um período de acalmia, com a estabilização do modelo táctico que permitiu bons resultados, a invencibilidade na Luz e até uma vitória em Alvalade. Pouco tempo depois, a eliminação na Taça de Portugal aos pés do Varzim. No mês decisivo, o empate caseiro com o Porto diminuía as hipóteses de ganhar o título e a eliminação com o Espanhol na UEFA ditou o fim da participação nas competições europeias. Verdade seja dita que já vimos épocas piores, mas o que é um facto é que ao Benfica terá faltado, acima de tudo, o factor mental, o reagir às adversidades e encarar os grandes jogos e um "puxão de orelhas" em determinados momentos. Para além disso, os valores individuais por vezes ajudaram a disfarçar algumas falhas de modelo de jogo e alguns jogos foram decididos em lances de inspiração de Simão ou Miccoli.

Teve direito a preparar mais uma pré-época. É um facto que as coisas não lhe correram de feição, com a saída de jogadores fundamentais. É também certo que ocorreram situações que lhe escaparam do controlo, por terem sido decisões da Direcção, o que permite passar parte das culpas para quem dirige o clube. Mas nestas coisas, o futebol é sempre ingrato e, quando a corda parte é sempre pelo lado mais fraco.

Segue-se, muito provavelmente, Camacho, que é talvez o treinador que conseguiu deixar de forma mais vincada no Benfica desde que Eriksson saiu. Na época e meia que esteve no Benfica, soube tirar o melhor partido dos jogadores que tinha e ainda ajudou a "fabricar" fenómenos como Miguel a defesa-direito (com a descoberta, neste caso, a ser feita por Chalana). De tal maneira, que o Benfica foi campeão na época seguinte, com Trappatoni a seguir um esquema táctico muito parecido e com os mesmos jogadores. O azar foi ter tido José Mourinho como adversário, caso contrário talvez o jejum de títulos de 11 anos tivesse sido quebrado mais cedo. Poderá revelar-se um flop, tal como aconteceu com o regresso de Toni em 2000, mas terá mais margem de manobra pelo seu passado à frente da equipa e alguns dos seus velhos conhecidos ainda lá jogam, como Petit, Nuno Gomes e Luisão. Poderá eventualmente ter influência nos próximos reforços da equipa, quem sabe se a contar já com uma mudança de sistema para o velho 4-2-3-1, com Cardozo a poder ser assistido em condições, o que não acontece no actual losango. Acima de tudo, o que dele se espera é um treinador interventivo e refilão com os jogadores durante os jogos, ao invés da resignação de Fernando Santos.

Googladas

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Nos "Simpsons" quem é a personagem a quem não foi preciso dar a voz? E Porquê?

Nova época futebolística

Começa hoje a edição 2007/08 do nosso campeonato. Com ela, as aspirações do costume, que só variam consoante os participantes, indo desde a simples manutenção até à conquista do título. É também altura de fazer prognósticos e cada adepto ou simpatizante faz uma conjectura mais ou menos ambiciosa consoante o seu grau de clubismo.

Assim sendo, também eu faço a minha. Fiz uma há coisa de um ano e, no que diz respeito ao Benfica, a coisa até bateu certo, pois achava que não era o candidato mais forte ao título, o que acabou por ser verdade. Para esta época, acho o mesmo. As saídas de jogadores não são um pormenor e refiro-me ao facto de não contarmos com Simão, Micolli e Karagounis no plantel. A esta hora, a maior franja da chamada nação benfiquista ainda barafusta com estas saídas. Eu só lhes dou um terço de razão, por achar que só existiriam condições para que ficasse o Karagounis. Quanto aos outros dois, penso que seria incomportável e até um pouco imoral pagar 250 mil euros mensais a um jogador (caso de Micolli) e competir em matéria salarial com a proposta que o Atlético de Madrid apresentou a Simão Sabrosa, sem falar nos números elevados que a transferência envolvia. Quanto a Karagounis, ficou por explicar de forma cabal qual a razão de ter saído do clube... a custo zero.

Feito o saldo das entradas e saídas, o Benfica fica com um plantel um pouco mais equilibrado, apesar de ainda faltarem três ou quatro jogadores. Se é certo que já não temos os elementos que podiam resolver uma partida numa jogada de génio, não é menos verdade que já lá não param os Betos e os Marcos Ferreiras que quase faziam parte de um certo anedotário benfiquista. A maioria dos jogadores que entraram podem contribuir para o aumento da qualidade do plantel, mas aqueles em quem se depositam mais esperanças são jogadores jovens e sem experiência no futebol europeu, pelo que essa obrigatoriedade de um período de adaptação vai um pouco contra a necessidade de resultados no curto prazo. Do que vi, só o Oscar Cardozo me parece ser jogador para entrar de caras no 11 inicial: técnica acima da média, um belíssimo pé esquerdo, bom jogo de cabeça e um remate forte e colocado, características que serão mais visíveis com o passar do tempo.

Dos restantes candidatos ao título, considero que o Porto é aquele que apresenta maiores credenciais, já que apresenta mais soluções para as diversas posições do campo e contará com Ricardo Quaresma a fazer mais uma grande época, surgindo apenas a dúvida sobre a forma como a defesa colmatará a ausência de Pepe. O Sporting deverá lançar mais um jovem de qualidade da Academia (Adrien?), e continuará a assistir ao crescimento dos jovens da cantera que por lá andam e têm o melhor treinador dos três grandes, mas tenho dúvidas sobre a real qualidade de reforços como Derlei.

Da segunda linha, será certa a disputa entre Belenenses e Sporting de Braga pela conquista do quarto lugar, havendo dúvidas sobre a equipa que se irá perfilhar na luta por mais um lugar europeu, podendo essa luta ser protagonizada por Paços de Ferreira, Nacional ou Marítimo.

A morte à beira da praia


Um fulano vem aqui ao blogue, pela primeira vez, falar a sério de ciclismo, sem ser a ironizar com os nomes das equipas participantes na Volta a Portugal em bicicleta, para dizer que quer uma vitória do Cândido Barbosa na prova tanto quanto quer um triunfo do Benfica na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Faltando uma prova com uma subida infernal e um contra-relógio, o homem vai à frente e acaba por ser ultrapassado na classificação por um espanhol e depois, na etapa seguinte, por outro. Se isto não é a Lei de Murphy, então não sei o que é.

Vi pouco do contra-relógio de hoje, que acabou por ditar o vencedor. Mas vi pouco depois o Barbosa a elogiar o apoio do público e a queixar-se de mais uma vez não ganhar a prova. Pelo terceiro ano consecutivo, ficou no pódio. Pela segunda vez, ficou em segundo e a menos de um minuto do vencedor. Morrer na praia é sempre uma sensação complicada, ainda para mais quando o próprio tem consciência que a sua carreira de ciclista não durará muitos mais anos e mais duro ainda será ter a noção de que se perdeu para um espanhol com um apelido parecido com tonto e que representa uma equipa que consiste apenas em duas siglas. O segundo lugar de Cândido Barbosa quase que pode ser visto como uma metáfora do desporto nacional, a quem muitas vezes parece sempre faltar qualquer coisa para chegar ao topo apesar das grandes expectativas, como faltou a Cândido Barbosa nos últimos dois dias. E se quiseremos encontrar paralelos, exemplos não faltam: foram as constantes quebras do Fernando Mamede nas grandes competições, as derrotas em finais europeias do Benfica nos penáltis ou com um contra-ataque do Rijkaard, a derrota caseira no Euro 2004 contra os mestres da táctica do ferrolho, a final da UEFA perdida pelo Sporting contra uma equipa russa com jogadores de nomes impronunciáveis e um brasileiro com o apelido "Love". Estes sucessivos anos em que "cheirou" a vitória na Volta e não chegou lá quase que podem criar o "síndroma Barbosa", ou seja, o eterno favorito a quem falta sempre qualquer coisa para ganhar nos momentos decisivos. Só resta desejar boa sorte e, quem sabe, para o ano é que é.

Há boa publicidade. Também há bom spam.

Como qualquer pessoa com e-mail, farto-me de receber spam, com as mais extraordinárias promessas. Uma versão moderna dos antigos vendedores de banha da cobra. Fosse verdade o que prometem e qualquer homem seria um autêntico campeão em matéria de desempenho sexual.

No entanto, recebi há uns dias um dos melhores exemplos desta publicidade manhosa, cujo conteúdo era simplesmente uma ligação para um site e este slogan:

No need in umbrella against sun - your penis will make enough shadow.

Cândido Barbosa


Há já uns anos que anda aí pelas voltas a Portugal e nos últimos anos tem andado perto da vitória. Há dois anos, ficou em segundo lugar a menos de um minuto do vencedor. O ano passado, ficou no terceiro posto, a pouco menos de dois minutos do primeiro classificado. Na edição deste ano, já ganhou quatro etapas, tendo conseguido boas classificações nas restantes. Pode parecer um tipo a quem falta um pouco de humildade, mas verdade seja dita que é hoje o ciclista nacional com maior capital de simpatia da parte do público português ou, pelo menos, dos maduros que fazem questão de fazer parte do espectáculo e ir para a beira da estrada.

Hoje é o derradeiro desafio, com a mítica etapa do Alto da Torre, que deverá ser decisiva para apurar o vencedor da Volta deste ano. Sei que não é do Benfica, nem da Rota dos Móveis ou de uma daquelas equipas com nomes catitas que tanto gosto, mas - que diabo! - , o homem já anda há alguns anos nisto e bem que merecia ganhar o raio da Volta, até porque parece ser o único português capaz de se bater com os espanhóis que se assemelham a uma praga no topo da tabela classificativa. E recordo que, nos últimos 11 anos, apenas três portugueses ganharam a maior prova de ciclismo do calendário nacional. Para além de torcer por uma vitória folgada do Benfica sobre o Copenhaga, hoje também torço pelo Cândido Barbosa.

Googladas

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Gandulagem lisboeta

Na última madrugada, regressei a casa num dos autocarros nocturnos da Carris que partem do Cais do Sodré, coisa que já não fazia há uma boa meia dúzia de meses. Em apenas 15 minutos de viagem, a conjugação de episódios que até se podem associar a um transporte público de madrugada, como a troca de insultos entre o condutor e uns tipos que estavam numa paragem, malta a entrar sem bilhete, um cavalheiro a andar aos ziguezagues dentro do autocarro ou o sexagenário a dar conta da peregrinação semanal que ele e os seus amigos realizam até ao Cais do Sodré em busca de serviços prestados pelas senhoras que por ali andam à noite. Sem dúvida que uma viagem na rede da madrugada da Carris é uma boa maneira de reciclar alguns conhecimentos no que à gandulagem lisboeta diz respeito.

Grandes equipas da Volta - de 1996 a 2006

Maia/CIN / Brescialat-Liquigas / Gresco Tavira / Cantina Tollo / Porta da Ravessa-Milaneza / Lampre-Daikin / Maia MSS / PRM Tintas VIP Antarte / Barbot Torrié / Carvalhelhos-Boavista / Cantanhede-Marquês De Marialva / Pepolim & Irmãos-Ovarense / LA-Pecol-Bombarral / Matesica-Aboboda / Porta Da Ravessa - Zurich / Porta da Ravessa-Bom Petisco / Colchon Relax-Fuenlabrada / Relax-Bodysol / Barbot-Gaia / Beppi-Ovarense / Madeinox-A.R. Canelas / Riberalves-Goldnutrition / Paredes Rota dos Móvies -Beira Tâmega / Asc-Chenco Jeans / Duja - Tavira / Imoholding-Loulé / LA Alumínios - Liberty Seguros.

Grandes equipas da Volta - de 1986 a 1995

Entre 1986 e 1990

Sporting-Laranjina C / Lousa-Trinaranjus-Akai / Louletano-Construções Fol / Sicasal-Torreense / Ajacto-Morphy-Richards / Sangalhos-Recer / Olhanense-VM-Sucol-Stand Custódio / Ruquita-Feirense / Salgueiros-Malhas Comax / Esmaltina-Tavira / Garcia Joalheiro / Sangalhos-Recer / Loulé-Caixa Agrícola / Ginásio de Tavira-Stand Custódio / Bom Petisco-Tavira / Vigor-Lousa / Orima-Vantanhede / Lotus-Zahor / Ruquita-Philips-Feirense / Salgueiros-Landimar / Grundfos-Sangalhos / Aqualine-Olhanense-Sucol / Avibom-Valouro-Lousa / Artiach-Royal / Alguerra-Componauto-Aralmolde.

Entre 1991 e 1995

Tensai-Sta. Marta de Portuzelo / Paços de Ferreira-Quintanilha / Pony-Malta-Avianca / Sicasal-Acral / Recer-Boavista / Calbrita-Lousa / Bom Petisco-Tavira-Iba / Lotus-Festina / Orima-Cantanhede / Tensai-Mundial Confiança / Ryalcao-Postobon / Philips-Etiel-Feirense / W52-Quintanilha-Felgueiras / Jolly Componibili-Club 88 / Imporbor-Feirense / Zequim-Carnide / Rotator-Fimafra-JC Leasing / Manzana-Postobon / Maia-Jumbo / Kelme-Águas Cruzeiro / Janotas & Simões.

Grandes equipas da Volta

Tal como havia prometido há uns dias, decidi fazer um post dedicado às equipas participantes na Volta a Portugal em Bicicleta com os nomes que mais me chamaram a atenção. Tive de recorrer a páginas dedicadas ao tema, já que não me recordava da maioria. Decidi escolher as melhores dos últimos 20 anos, essencialmente portuguesas mas não descurando algumas das equipas estrangeiras que por cá passaram. Reconheço, no entanto, que as estrangeiras não conseguiram ter nomes com tanto glamour como as lusas.

O pepino de 60 cm



A Natureza tem destas coisas: um pepino com 60 cm foi avistado numa pequena horta. A localização da horta não é um pormenor, já que a dita encontra-se no Entroncamento, a terra portuguesa que contabiliza mais fenómenos estranhos. O dono do dito pepino bem que pode avançar com justificações politicamente correctas, com a rega, o adubo ou o estrume dos cavalos de Santarém. Até seria verdade, se fosse em Cantanhede, Tábua, Bombarral ou qualquer outro local deste país. Mas tratando-se do Entroncamento, as desculpas são um pouco desnecessárias.

A calma que só o mês de Agosto proporciona

Em Agosto, parece que o país pára. É como se o ano tivesse só 11 meses e não se soubesse o que fazer com aquele que sobra. O país pára, mas parece que essa paragem é só um ganho de eficiência para o país: não há casos políticos (a não ser as visitas do Luís Filipe Menezes à Cova da Moura ou às instalações da polícia) ou da vida económica do país (até o sistema informático do BCP deu uma ajuda ao clima de paz geral, que talvez viesse a ser quebrado se fosse tomada alguma decisão para meia dúzia de chico-espertos que gravitam à volta da dita instituição bancária) , a pessoa consegue andar nos transportes públicos sem ser confrontada com o cheiro proveniente da axila de um passageiro mais descuidado, pode ir-se ao Colombo sem levar encontrões e com alguma comodidade e o tempo nem está tão quente como é costume. Quem tem coragem de não ir de férias no mês preferido do resto dos portugueses tem direito a um pequeno bónus, que é um mês normal de trabalho em perfeita tranquilidade. E até parece que o país funciona melhor assim.

Googladas

mulheres do grelo grande
carlos barrocas rtp email
ONDE POSSO ENCONTRAR JOSÉ CID ESTE FIM DE SEMANA JULHO 2007
cenas parvas de celebridades
musica dos morangos com acucar que fala de cola malibu
como enganar a IA do football manager 2007
sabrosa adeus
quem é o autor da canção Recordar é viver

As equipas da Volta este ano

Nos próximos dias, há Volta a Portugal em bicicleta. Mais do que a modalidade propriamente dita, o que me fascina mais em todo este fenómeno do ciclismo é o nome dos participantes, com a genial simbiose de marcas e equipas que pouco teriam a ver se não decidissem aventurar-se nestes meandros. E sempre com o elemento surpresa, já que as designações mudam com bastante frequência. Quantas marcas já vimos, por exemplo, associados ao Boavista?

Para a edição de 2007, há 18 participantes:

1. Lampre – Fondital
2. Saunier Duval - Prodir
3. Barloworld
4. Ceramica Panaria
5. Ceramica Flaminia
6. Karpin-Galicia
7. Fuerteventura – Canarias
8. Relax – GAM
9. Team Slipstream
10. Benfica
11. Barbot – Halcon
12. LA – MSS
13. Riberalves – Boavista
14. Liberty Seguros
15. Duja – Tavira
16. Madeinox – BRIC – Loulé
17. Vitória – ASC
18. Fercase - Rota dos Móveis

Em relação a esta edição, constato que a minha equipa favorita (a seguir ao Benfica) Paredes Rota dos Móveis - Beira Tâmaega tem outro nome, precisamente Fercase - Rota dos Móveis. Como outros nomes a registar, destaco a equipa das siglas LA - MSS, o três em um Madeinox - BRIC - Loulé e o Karpin-Galicia. Pelo que me informei desta última equipa, esta foi criada pelas próprias autoridades galegas de desporto no último ano, mas desconheço o motivo da utilização do termo "Karpin". Quem gosta de futebol e tem boa memória, talvez se lembre do russo Karpin, que até jogou num clube galego, o Celta de Vigo. Duvido que haja alguma associação, mas seria certamente interessante que alguma vez existissem equipas que juntassem regiões e jogadores que passaram por clubes dessas regiões e eu já imagino nomes como Alex Bunbury - Madeira, Hassan Nader - Algarve ou Rashid Yekini - Vale do Sado.

Descobri há uns dias um sítio onde se pode encontrar um razoável historial das voltas a Portugal em bicicleta. Por falta de tempo, ainda não fiz um inventário dos melhores nomes, mas nos próximos dias irei dedicar um post ao assunto.

Do lado de lá do Atlântico

Já há algum tempo que não ocorriam mudanças na playlist do lado direito. A alteração que fiz hoje possibilita ouvir músicas do Brasil, com artistas como Carlinhos Brown, Skank e Marcelo D2.

Barrasca (III)



Há dois ou três meses atrás, escrevi aqui que tinha sido inquirido a propósito de marcas de gel de banho à saída de uma estação de metro. Anteontem, a dose repetiu-se. Novamente, perguntas sobre uso de gel de banho, opinião sobre as mais diversas marcas, entre as quais a famigerada Axe, marca de créditos firmados no meio da barrasquice aplicada ao cuidado corporal. Arrisco até dizer que é a palavra de onde deriva etimologicamente axila: local do corpo de onde é emitido o cheiro Axe, ou seja, o cheiro barrasca.

No entanto, ficou novamente por dizer "A Axe é uma marca barrasca". Por duas razões: em primeiro lugar, porque não me foi questionado "Qual destas marcas considera barrasca?", em segundo lugar, porque dizer tal termo é um pouco impróprio quando falamos com desconhecidos. Efectivamente, chego à conclusão que apesar do gáudio que proporciona ouvir esta palavra, esta deve ser bem doseada e não usada por dá-cá-aquela-palha.

A lei de Bronson #2


Há uns dias atrás falei aqui de um filme chamado "A Lei de Murphy", coisa que eu não imaginava que existisse. Estive há pouco a ver o filme, depois de o ter gravado no DVD (tenho que me deixar destas fanfarronices tecnológicas...). Se bem que tenha o Charles Bronson na capa com uma pistola, não é exactamente o filme do polícia que corre a pancada e a tiros tudo quanto seja traficante de droga, assassino, ladrão, chulo ou político corrupto. O que desencadeia a acção é uma cabala movida por alguém que mandou, em tempos, prender, passando a existir uma luta pessoal deste polícia para descobrir toda a tramóia, já que é acusado de cometer uma série de crimes dos quais não foi autor. Há também todo um drama na vida de Jack Murphy, como a recente separação da mulher e a dependência do álcool. Acresce a isto o cepticismo dos seus colegas de polícia, maioritariamente corruptos, em redor da sua inocência. Face ao mundo contra si, ele é a sua própria lei e representa o lado bom da lei ao lado , por inerência, o filme chama-se "A Lei de Murphy".



Tive a sorte de encontrar um bom momento do filme no Youtube, em que ele discute com um dos mauzões da fita sobre o que é a Lei de Murphy, nos últimos 30 segundos do vídeo. Jack Murphy diz que ele é a lei, mas, na prática, o mauzão é o que diz o que vem nos livros. Está em inglês, mas julgo que é perceptível.

Agora quero ver quantos bloggers se podem dar ao luxo de dizer que já viram um filme com um nome igual ao do blogue em que escrevem...