Há coisas de que talvez nem valha a pena falar

Passaram quase duas semanas do acidente no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no qual morreram quase 200 pessoas. Para além de questões técnicas que ajudaram a tal desfecho - como o excesso de combustível no avião -, o facto de o aeroporto estar no meio da cidade e rodeado de prédios por todo o lado fez com que gente que não estava dentro do avião também sofresse o mesmo trágico destino que os ocupantes.

Agora, a questão impõe-se: é impressão minha ou, desde este acidente, nunca mais nenhuma personalidade veio a público falar na localização do futuro aeroporto de Lisboa, nomeadamente aqueles que defendem a opção Portela + 1?

O lóbi dos blogues

No blogue Junqueira On-Line - ainda há uns dias colocado no menu de links da direita -, não obstante a colocação do LdM na categoria de Blogues de referência, também é aconselhado aos visitantes a passagem por estas bandas. O que motivou um acréscimo de visitantes durante o dia de ontem.

Agradecendo o gesto do respectivo autor, também eu recomendo a visita ao Junqueira on-line, sobretudo a quem viva no concelho de Vila do Conde ou na freguesia da Junqueira. Um pouco de dedicação à terra onde se cresceu é sempre de assinalar, ainda para mais num blogue que é actualizado mais do que uma vez ao dia.

Desenhos parvos para toda a gente ver

O único inconveniente de pôr roupa interior a pendurar num estendal é permitir aos vizinhos ficarem a saber que alguns dos boxeurs são decorados com bonecos de tal maneira extraordinários como fantasmas, ursos panda ou sapos.

Googladas de Verão

verbo reiterar
cromo construcao de predios
Leonel Nunes soccer
problemas sociais nos anos 80 em moscavide, não é lei!
lei de murphy para aniversários
Porta Garrafa - Roseta
hi5 luciana abreu costa real

O aborto, o Jardim e o Cavaco

As notícias sobre o assunto têm tido algum relevo: a nova lei do aborto entrou em vigor há uns dias atrás e as unidades de saúde têm começado a acolher as mulheres que praticam tal acto médico. Isto foi consensual no Continente e nos Açores. Na Madeira não foi: Alberto João Jardim, no alto da sua berraria separatista, começou por dizer que a Madeira não aplicaria a lei porque a região votou contra a nova lei em referendo, e dias depois veio justificar a posição dizendo que a região não dispunha de verbas para aplicar a lei.

Sobre a aplicação da lei não haveria lugar para grandes dúvidas, já que, apesar de a região ser autónoma e de ter um sistema regional de saúde, há uma lei que se aplica a todo o território português. Sobre a verba a dispender, e que motiva esta birra vinda do Governo da Região, surgiu hoje o golpe de misericórdia por intermédio de uma notícia do jornal Público: a aplicação da lei custa 230 mil euros por ano à região, o que representa 0,07% do respectivo orçamento para a Saúde e um quarto do apoio concedido pelo Governo regional ao Rally Vinho da Madeira. Para além disso, mesmo a questão de haver um número elevado de médicos objectores na região já havia sido contornada pelo Ministro da Saúde, que disse que poderiam ser enviados alguns clínicos do Continente para a região para que a lei fosse cumprida.

Não obstante esta estranha recusa, veio por arrasto um conflito com o Governo, com algumas trocas de mimos, o que obviou beneficiou o insulto rasteiro de Alberto João Jardim, que inclusivamente aconselhou o Primeiro-Ministro "a tratar-se".

Nisto, a figura do leme deste país e o pai de todos nós - leia-se o Presidente da República - , é confrontado pelos jornalistas sobre o tema. Em primeiro lugar, diz o óbvio: a lei deve aplicar-se na região, tal como em todo o país. Em segundo lugar, sobre a posição patética do Governo Regional da Madeira, diz apenas que é favorável a um diálogo institucional entre as duas partes, como se esse estranho diálogo não tivesse vindo para a praça pública da pior maneira. Quando está em causa uma lei da República, o primeiro a vir a público chamar a atenção sobre o incumprimento descarado dessa lei deveria ser o seu máximo representante, sem cair em clichês e lugares-comuns sobre o funcionamento da Democracia. É talvez o próprio Cavaco Silva não se devesse esquecer da panóplia de episódios protagonizados por Jardim afrontando todo e qualquer poder político de forma até um pouco mal-educada para quem é uma das figuras mais altas da hierarquia da Nação, nunca esquecendo o dia em que se referiu a Cavaco como "Sr. Silva".

O adeus do capitão


Simão Sabrosa estreou-se na equipa principal do Sporting há coisa de 11 anos e logo com um golo, num jogo, salvo erro, ao Salgueiros. Falou-se logo dele como sucessor natural de Figo, ambos médios-direitos, com uma técnica acima da média e formados em Alvalade. Poucos anos depois, a jovem promessa foi para o Barcelona, uma experiência que acabaria por não ser particularmente bem sucedida, tendo regressado a Portugal em 2001, mas para o rival da Segunda Circular. Tal transferência provocou um ódio insanável nas hostes sportinguistas e um especial regozijo para os lados da Luz, não só pela qualidade do jogador, mas também pelo estatuto de "troféu de caça", dado o seu passado de verde e branco.

Aliás, o defeso de 2001, já com Manuel Vilarinho à frente do Benfica, funcionou como uma pequena luz ao fundo do túnel, dadas as escabrosas épocas anteriores, não só pelos resultados como pelos jogadores que por lá passaram. Reforços como Simão Sabrosa, Mantorras e Zahovic criavam certamente melhores expectativas do que nomes como Michael Thomas, Steve Harkness ou Leónidas. Numa altura em que já não paravam no clube os tais jogadores que ainda foram aguentando o barco por umas épocas (como João Pinto, Poborsky e Nuno Gomes), Simão Sabrosa tornou-se a referência da equipa, o jogador que estranhamente era mais eficaz nas diagonais vindas da esquerda do que em jogar encostado ao flanco direita e que levava a equipa para a frente, quando não a levava sozinho às costas. E tantos foram os jogos que resolveu quase sozinho, com uma finta diabólica, um passe mortífero ou com um livre onde a bola entrou pelo buraco da agulha...

Hoje, fui apanhado de surpresa com a notícia de que estava de saída para o Atlético de Madrid. Uma transferência de que já se falava há algumas semanas, mas que parecia uma daquelas novelas criadas pela imprensa desportiva para vender jornais num período em que não há mais notícias para dar sem ser as hipotéticas transferências e as notícias dos treinos. Não jogará num clube que tenha as mesmas pretensões em Espanha do que aquele que representou em Portugal. Sou um pouco suspeito para falar no "Atleti" por ser o clube do lado de lá da fronteira com que mais simpatizo, mas entendo que não é um retrocesso em termos de carreira, já que poderá ter uma contribuição decisiva para o processo de reerguer o clube das cinzas e torná-lo novamente num grande clube espanhol, nunca esquecendo que é um campeonato com uma dimensão e uma projecção bem superiores ao nosso.

Assim sendo, apesar do óbvio dano desportivo que a transferência acarreta, é incontornável que os valores apresentados eram irrecusáveis para o clube e para o jogador e é também forçoso reconhecer que, havendo perspectivas de venda deste jogador por parte do Benfica, não haveria melhor período do que este para a realizar. Avaliando pelo contributo que deu para a revitalização de uma equipa e o papel fundamental em muitos momentos importantes, como a Taça de 2004 e o campeonato de 2005, certamente que o tempo que passou de águia ao peito deve ser recordado da melhor maneira pelo mundo benfiquista.

O pato-bravismo nacional à solta em Armação de Pêra


Tinha prometido falar dos dois locais onde estive de férias. Falei na semana passada da Ericeira, falo hoje de Armação de Pêra.

Devo frisar que poucas foram as vezes que passei férias no Algarve, diria que não mais do que meia dúzia. Um pouco por falta de hábito, mas também por aquele preconceito que diz que aquela região do país foi absolutamente escavacada em nome dos interesses imobiliários e turísticos de uns quantos patos-bravos. Ao chegar a Armação de Pêra, chego à conclusão que não será tanto preconceito meu, mas antes a constatação de um facto: um local com uma praia bastante razoável e com uma boa localização foi completamente desbastado para dar lugar a construção desenfreada, sem o mínimo de ponderação e planeamento urbanístico. À cabeça, nove prédios de 14 andares praticamente em frente da praia, que desvirtua qualquer tipo de relação entre a praia e o resto da vila, já que cria um obstáculo inultrapassável. A título de exemplo, refiro que estive numa casa a uns 200 metros da praia e que, à conta desses monos, apenas uma mísera nesga de mar me era dado a ver. O símbolo máximo de uma certa rebaldaria que se instalou neste país - por muito que me custe admitir -, nos anos a seguir ao 25 de Abril.

Para quem vem de Lisboa e está habituado a construção aos pontapés, sem grande harmonia e espaços verdes, ali sente-se em casa. Tire-se a praia e as pessoas que circulam pela vila de chinelo de meter no dedo e toalha aos ombros, e até parece que nunca saímos do Cacém ou da Póvoa de Santa Iria. A moral da história é que aqui o crime compensa: há quase uma indústria criada à volta desta construção inusitada, com agências de venda ou aluguer de apartamentos e construtores a ganharem à grande e não me espantaria que alguns responsáveis políticos do concelho tivessem interesse que assim fosse para proveito próprio.

A praia é, embora pequena, aprazível, não obstante uns rochedos estarem à beira de ruir, tinha de se borrar a pintura com a concessão de parte da praia, o que dá pouco espaço para outros desgraçados. Como não podia deixar de ser, há construção completamente desproporcionada em cima da praia, como hotéis e um tipicamente local restaurante de comida indiana. Os serviços não são excelentes mas vão servindo para as encomendas, a zona de diversão nocturna resume-se a uma ou duas dúzias de bares e discotecas. Poucos locais mas com animação de valor, proporcionada por personagens que parecem ter vindo da minha imaginação, como um cabo-verdiano de 60 anos trabalhador do circo que por lá parava e que contou as estórias da Colonial ou um irlandês electricista capaz das mais extraordinárias proezas alcóolicas, como beber 10 litros de cerveja numa noite. Pareceu-me um local de férias mais frequentado por famílias do que propriamente para gente à procura de diversão, pelo menos no período que lá estive.

Ainda assim, foi um local que me proporcionou uma semana de férias bastante simpática, recheada de episódios divertidos e quase sempre regados doses generosas de cerveja.

A tecnologia caseira a funcionar na sua versão 1.0



Um destes dias, programei o gravador de DVD para um determinado programa na RTP Memória, mas, por distracção minha ou erros na grelha de programação no site da TV Cabo, acabei por gravar o programa Clubíssimo, apresentado pelo recentemente falecido Henrique Viana. Ao vasculhar o que por lá parava, por entre umas interpretações de Delfins e Heróis do Mar, encontrei uma interpretação do "125 Azul" dos Trovante. O programa data de 1989.

Sendo que ainda estou numa fase incipiente de utilização da tecnologia envolvida na montagem de vídeos, tanto ao nível do gravador de DVD como acima de tudo do software para edição de vídeos, são visíveis lacunas como alguma falta de qualidade na imagem e a falta de sintonia entre imagem e som. Uma maior aprendizagem destas ferramentas certamente irá proporcionar melhores resultados.

E, já que estou com a mão na massa, nada como uma fífia de um jornalista da SIC Notícias, que, ao falar do Benfica, troca "encarnados" por "encornados". Vídeo também oriundo das produções caseiras.


Sobre o Delta Tejo

Tinha escrito há uns dias atrás que ia com expectativas reduzidas para o festival Delta Tejo. Isto porque conhecia pouca coisa e, dentro do que conhecia, após o cancelamento do concerto de Bebel Gilberto apenas os Orishas eram grupo que eu realmente quisesse ver ao vivo. Sendo assim, ia preparado para ouvir umas coisas que eu conhecia vagamente e outras que nem isso.

Do primeiro dia, gostei especialmente do concerto d'Os Mutantes, grupo brasileiro de rock sinfónico que se reuniu ao fim de muitos anos depois de querelas antigas, e tenho de dar o braço a torcer em relação a André Sardet: descontando as musiquinhas boas para passar na RFM, é um bom escritor de canções e veio bem acompanhado de músicos. Digo o mesmo de Daniela Mercury que, não tendo uma sonoridade que seja a que mais me agrada dentro da música brasileira, deu um espectáculo bastante enérgico e lá deu para perceber por que motivo arrasta tamanha legião de fãs para os seus concertos. A senhora, no alto dos seus 42 anos, consegue ter mais genica que muitas das suas fãs adolescentes. Ouvi uma belíssima descrição sobre a senhora: "uma estouvada". Nem mais.

Do segundo dia, enalteço aqueles que foram os meus preferidos do festival: Luís Represas e João Gil e o brasileiro Carlinhos Brown. Os primeiros, em registo acústico, apresentaram um bom conjunto de músicas dos Trovante, o que para mim foi uma belíssima surpresa, já que eu pensava que essas músicas eram coisa que eu nunca chegaria a ouvir ao vivo. Carlinhos Brown era um dos tais que eu conhecia de nome e nem sequer me tinha ocorrido que tinha alguns temas conhecidos e que fez parte dos Tribalistas, de quem tocou duas músicas. Bons músicos, muita animação, duas belíssimas bailarinas (especialmente a menina loira, cuja beleza demonstra que Deus não anda a dormir), parte final absolutamente electrizante. Para terminar a noite, Los de Abajo banda mexicana com som ali para os campos do Ska.

No terceiro dia, fim de festival com os Orishas. Boa mistura de hip-hop com música latina, sem defraudar expectativas, merecendo a honra de encerrar o certame. Do pouco que vi de Marcos Sacramento, também me pareceu coisa boa.

Uma última palavra para a organização: da pouca experiência que tenho deste tipo de eventos, não me pareceu um festival inferior aos outros em matéria de organização e de condições. As críticas que se podem imputar a este festival são extensíveis aos outros, como os preços excessivos do pouco que lá se podia comer ou beber. O local escolhido para o festival, no Pólo Universitário da Ajuda, oferece boas condições quando se pretende uma lotação de 5 ou 10 mil pessoas, como foi o caso.

E lá fiz as contas e concluí que já não punha os pés num festival de Verão há coisa de cinco anos, quando assisti a grandes performances de Chemical Brothers, Muse, Peter Murphy ou Air no Sudoeste. O tempo passa depressa.

Googladas

lei de murphy nas empresas
foto do maior grelo
exemplos de objectivos nos serviços administrativos
Fotos de Acidentes com marretas
fortuna avaliada joe berardo
desenhos sexx
em que dia se realiza o próximo concerto de Beyoncé Knowles em Portugal?
atraso musical da culinaria japonesa ontem.

O espectáculo à parte

Dei há pouco uma vista de olhos pela emissão da Volta a França em bicicleta. Cheguei à conclusão que estas emissões podem quase ser classificadas como programas televisivos para quem gosta e quem não gosta de ciclismo: quem gosta da modalidade pode estar atento às incidências da corrida, com as fugas, os corredores ou as equipas com nomes engraçados (mas não tão bons como os da volta a Portugal), quem não liga a ciclismo pode certamente entreter-se com o espectáculo protagonizado por quem assiste à prova. Falo de coisas tão insuspeitas como tipos vestidos de ciclista ou em fio dental, noivas ou seguidores do Elvis.

Este fim-de-semana andarei por aqui...


Isto de andar de noite no festival e depois ir para casa não será do mais radical e a programação não encaixa muito no meu gosto musical. Ainda assim, sempre poderei ouvir uns sons que não estou muito habituado a ouvir e quem sabe se não tenho umas surpresas agradáveis e descubro grandes grupos que me tinham passado ao lado. E se o Delta Tejo fôr tão bom como o café dessa marca, então é que a coisa pode mesmo valer a pena.

Ao cuidado dos fãs de Batman

E já que estou com a mão na massa, informo os fãs da saga Batman que este sábado, também no Canal Hollywood, passam todos os filmes da série. A maratona começa às 14 horas e termina com a transmissão de um filme às 21 horas. Mais informações aqui.

A lei de Bronson


Quem se apropria indevidamente de leis universais para dar um nome ao seu próprio blogue não se pode dar a grandes indignações, mas cá vai: fiquei a saber que há um filme intitulado A Lei de Murphy, que é um filme de acção protagonizado pelo grande Charles Bronson e presumo que tenha tiros, mortes e perseguições policiais com fartura, mas com o bónus de ter um grande actor do género como protagonista.

O filme passa amanhã no canal Hollywood (ver sinopse) às 17 horas. À cautela, já programei o gravador de DVD para poder ver tal obra-prima. Obviamente, que falarei no assunto, já que nem todos os bloggers se podem dar ao luxo de poderem dizer que o seu blogue também deu nome a um filme, ainda que há 20 anos atrás.

Uma no cravo e outra na ferradura



Mike Oldfield é um dos grandes músicos que conheço, não só pelas largas dezenas de instrumentos que toca como pelas músicas que deu a conhecer ao mundo e só não digo que é o meu preferido por não conhecer integralmente a sua obra (convenhamos que isso é uma tarefa difícil) como também pela admiração, que por vezes entra no campo da irracionalidade, que nutro por outros artistas, caso dos Oasis. Num campo oposto, também gosto de ABBA, embora não ao ponto de comprar os seus discos, reconhecendo neles a intemporalidade que só as grandes canções conseguem ter, embora num campo musical diferente.

Assim sendo, pegue-se em dois grandes nomes da música - repito, em diferentes campos - e dá em qualquer coisa como isto: a música "Arrival", uma das melhores dos ABBA mas que não chegou aos píncaros talvez por ser um instrumental, tocada por Mike Oldfield. O vídeo é proveniente de uma velha gravação em VHS e julgo que nunca terá entrado no repertório do músico britânico.

Já agora, para quem não conhece a versão original dos ABBA (o vídeo é um slideshow caseiro):

A citação

Nova referência de algum relevo ao LdM. Desta vez não se trata da apropriação de êxitos da música austríaca pelo cançonetismo nacional ou da transcrição de uns bitaites sobre um programa do Governo para pôr os portugueses a estudar. O professor Luís Carmelo, na coluna de opinião da versão on-line do jornal Expresso, fala da blogoesfera e das eleições autárquicas em Lisboa, remetendo para aquilo que escrevi sobre o assunto (ver link).

Não tivesse eu ido há pouco ao Technorati ver o ponto de situação das ligações para o blogue e amanhã teria algum sobressalto com o natural aumento de visitas. No entanto, não deixo de referir o lado irónico desta citação e essencialmente do timing em que ela ocorre, com um carácter um tanto ou quanto murphyológico. Isto porque quem segue o link é remetido para linhas onde se propõe combater as pinturas murais nas ruas através da aplicação de pistolas de alta pressão nos seus autores ou para a classificação da Praça da Figueira como uma red light district em versão rasca, para além de que não abordei a campanha eleitoral propriamente dita (certamente o momento mais interessante pré-eleições) porque estive de férias e sem acesso à Internet. Nunca esquecendo que essa mesma citação num jornal de referência acontece num dia em que faço uma análise exaustiva ... a um parque de campismo. É nos momentos de menos proeminência que surgem as citações. Afinal de contas, este blogue, de vez em quando, tem de justificar o nome que ostenta.

Da Ericeira, com glamour

A Ericeira é uma vila pela qual tenho uma especial simpatia. Não pela praia, pelo tempo, pela viagem que me proporciona ou por qualquer local em particular. O porquê dessa simpatia também me faz alguma confusão, mas assumo-a sem grandes problemas. O que é certo é que, desde há coisa de 10 anos até há três anos atrás, ia invariavelmente lá parar durante o Verão, fosse por um fim-de-semana ou por meia dúzia de dias, sendo que na maioria dos meus períodos de pausa universitária voltava lá duas e três vezes. Posso afiançar que muitos dos momentos mais divertidos e etilizados da minha existência foram passados naquela terra do concelho de Mafra e alguns dos utilizadores deste blogue não me deixam certamente mentir, tantas foram as tropelias ali ocorridas e que certamente dariam para todo um blogue.

Como nunca fui um tipo propriamente abonado e porque prescindia de grandes luxos - e ainda hoje isso acontece, embora menos - a minha escolha para alojamento recaía sempre no parque de campismo local, com a curiosa designação de parque de Mil Regos. Um parque que era, entre a meia dúzia dos que até hoje conheci, talvez o mais fraco de todos. Tinha o básico para quem deseja acampar, talvez até um pouco mais do que isso, mas não deixava muita gente com a boca doce. Na escala do insuspeito Roteiro Campista, estava precisamente no meio da classificação.

Como referi, estive três anos sem poder deslocar-me até ao parque que, paradoxalmente, era o mais fraco daqueles que conheci mas aquele onde estive mais vezes. Voltei lá há duas semanas atrás e parecia tudo diferente. Em primeiro lugar, adoptou a designação Ericeira Camping (ver site), o que dará certamente mais glamour. Para além disso, a maioria do espaço de campismo foi alvo de uma grande mudança: onde apenas existia espaço para tendas e roulotes para os clientes habituais, foram construídos bungalows de madeira que parecem ter sido retiradas de uma casa dos Alpes suiços, com diferentes categorias consoante o desejo de luxo e a carteira de cada um. Para os que preferem algo mais simples, também há os chamados tee pees, com apenas duas camas e uma mesa de cabeceira, destinados essencialmente aos surfistas, embora não tivesse lá visto nenhum. Contrapondo aos chuveiros que faziam o utente duvidar da respectiva higiene, há novos equipamentos deste género que dão bem para as necessidades. Onde antes existia uma sala de convívio que parecia copiada de um local similar de uma escola secundária, foi criado um local para acesso à Internet, um salão de jogos, um restaurante com outras condições e passou a usar-se um mobiliário mais colorido, sem esquecer a notável máquina que serve um copo cheio de noodles dos mais diversos tipos a troco de dois euros.

Com a mudança nas instalações, houve também um acréscimo bem significativo no preço. Para quem não se importa de pagar um pouco mais por novas comodidades, talvez valha a pena o sacrifício. Sobre o antigo parque de Mil Regos, posso bem dizer que, apesar das mudanças que ocorreram, ocupará sempre um lugar privilegiado nas minhas memórias. Ainda assim, a minha estadia na Ericeira, não obstante as melhorias no local onde estive alojado, não foram muito diferentes daquelas que durante muitos anos lá passei.

Googladas

boneco que fala
como meter as letras maiores no hi5
A utopia - thomas moraes
Cassetes do Festival da Eurovisao
Letra da música A coisa de Quim Barreiros
cereais pingo doce
covilhã rua do saco fogareiro

Resultados de eleições em Lisboa

O resultado das eleições em Lisboa prova, em primeiro lugar, que se mantém e até se agudiza o descrédito das pessoas nos partidos e na vida política. Não obstante serem eleições intercalares e o período do ano em que se realizam, a abstenção superior a 60% e o total de 28% das duas candidaturas independentes deveriam ser razões para uma reflexão da classe política portuguesa.

Tal como se esperava, António Costa ganhou as eleições de forma relativamente folgada, mas não "cilindrou" a concorrência, o que também se suspeitava há algum tempo. Não chegou aos 30%, o que leva a pensar que terá perdido algum tradicional eleitorado do PS para Helena Roseta. Na minha opinião, a maior surpresa destas eleições terá sido Carmona Rodrigues. Apesar das suspeitas em relação a negócios imobiliários pouco claros e a remunerações em empresas municipais, conseguiu sair incólume das polémicas que afectaram a sua gestão autárquica e conseguiu o segundo lugar, apesar de não ter uma máquina partidária e de não ser uma figura propriamente carismática. Beneficiou também do facto de o passado recente da autarquia ter sido um pouco menosprezado como tema de campanha pela maior parte dos adversários.

De salientar o fraco resultado do PSD, que terá perdido algum eleitorado tradicional para Carmona Rodrigues e pode ter sido o mais prejudicado pela abstenção. Helena Roseta conseguiu uns honrosos 10%, à frente das candidaturas da CDU e Bloco de Esquerda, que perderam votos face a 2005, o que demonstra que os votos de Helena Roseta podem ter vindo de habituais votantes dos três partidos de Esquerda. O CDS teve o "mérito" de não conseguir sequer eleger um vereador, apesar de o cabeça de lista ser um destacado dirigente do partido.

Quanto ao pós-eleições em Lisboa, gostaria que se dessem passos importantes para serem dadas respostas aos problemas que são conhecidos na capital: maior transparência na gestão de algumas empresas municipais, o reforço da oferta de transportes públicos, a diminuição de circulação de automóveis em algumas zonas, a reabilitação de zonas históricas ou o combate à especulação imobiliária.

Regresso de férias


Apesar de não ter noticiado aqui no blogue esse facto, estive de férias nas últimas duas semanas. Férias que passaram pela Ericeira e Armação de Pêra e que tanto deram para descansar como para o pagode, com episódios fantásticos como conhecer um electricista irlandês que bebia 10 litros de cerveja por noite ou um carpinteiro cabo-verdiano de um circo que combateu na Colonial e que dançava mornas sozinho numa discoteca em que passava a chamada "martelada" da grossa. Falarei com mais pormenor dos locais onde estive nos próximos dias. Entretanto, se me dão licença, vou só ali abaixo votar no Zé!

Googladas

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sonhos com lados

Eleições em Lisboa: o meu candidato


Apesar de ter já mandado umas postas sobre o tema das eleições em Lisboa e de ter falado sobre este ou aquele candidato, ainda não tinha dito qual é a minha preferência em matéria de candidatos. Pois bem, esse candidato é José Sá Fernandes, que concorre a título independente pelo Bloco de Esquerda. Votei nele há dois anos e nas próximas eleições repetirei a dose.

Apesar de não achar propriamente feliz uma campanha baseada no slogan "O Zé faz falta" e de achar que havia mais por onde pegar em matéria de razões para nele votar, concordo com o que é dito. Efectivamente, numa altura em que há uma desconfiança nos partidos e nos interesses que andam à sua volta, não deixa de ser positivo que haja o contributo de alguém que não venha do meio partidário, que não necessite da política para viver e que nada tenha a ver com negócios melindrosos que giram à volta da câmara de Lisboa, como as empresas municipais com indícios de gestão pouco rigorosa (ver o caso das investigações à EPUL), os interesses imobiliários que podem não ser os mais vantajosos para a Câmara (caso da Braga Parques, que motivou a queda do executivo camarário) ou as remessas de assessores que entram na Câmara, vindos dos partidos.

Criou-se a imagem do embargador-mor das obras na cidade, apenas porque exerceu o direito que assiste a qualquer cidadão de levantar dúvidas sobre o projecto do Túnel do Marquês de Pombal. A decisão do tribunal obrigou a uma paragem nas obras e a mudanças no projecto. A opinião pública criticou esta atitude, dizendo que o embargo aumentou os custos a obra e prolongou a sua construção. Crítica injusta e que talvez devesse ser feito a quem se preparava para fazer uma obra que poderia apresentar problemas de segurança e não a quem o denunciou. Para além da denúncia de algumas trafulhices na Câmara da capital, também apresenta propostas concretas em matéria da vida da cidade, de modo a tentar acabar com o definhamento de uma cidade que está a tornar-se num monótono local que serve para trabalhar e pouco mais.

Eleições em Lisboa: as comissões de apoio e o fenómeno António Costa

Quando há eleições, recai sobre as figuras públicas um outro tipo de interesse: saber quem é que fulano X ou Y apoia. Não sei precisar quando nasceu o fenómeno da divulgação das figuras mais ou menos públicas que estão na lista de apoiantes deste ou daquele partido ou candidato. Nos tempos de antena, é possível ver breves depoimentos de actores, músicas, escritores a explicar por que motivo o seu candidato é melhor do que os outros, mas esse não é um fenómeno totalmente perceptível, porque pouca gente os vê. Não sei se há relação entre o número de apoiantes ou membros da comissão de honra e os votos, mas ajuda a dar visibilidade às candidaturas. E também o fenómeno dos mandatários, gente normalmente não ligada a partidos e que se presta a ser uma face mais visível da campanha.

Nas eleições para a Câmara de Lisboa, como não podia deixar de ser, qualquer candidato que se preze tem uma comissão de honra ou divulga o nome dos seus apoiantes. Dá-se o facto de a maioria da gente conhecida neste país residir em Lisboa ou, mesmo que tal não aconteça, pode perfeitamente dar a conhecer o seu apoio.

Carmona Rodrigues
consegue o apoio de muita gente do espectáculo, como António Sala, Simone de Oliveira e Vítor Espadinha. Pelas obras no Parque Mayer não será de certeza.

Helena Roseta parece recuperar, se a memória não me falha, bastantes apoiantes da candidatura de Manuel Alegre, reforçando a ideia de que há algumas semelhanças entre ambas as candidaturas. Chamo a atenção para o facto de esta ser a candidatura que mais gente tem ligada ao futebol, com especial referência para glórias do desporto-rei nacional nos anos 80, como Chalana, Carlos Manuel e Veloso.

Fernando Negrão tem uma lista de apoiantes esforçada, mas parece-me que está a fazer batota. Isto porque o intuito destas listas de apoiantes é precisamente o de mostrar o apoio vinda da chamada sociedade civil. Só que constam na lista alguns 10 presidentes de juntas freguesia lisboetas eleitos pelo PSD, umas duas dezenas de antigos ministros, secretários de Estado ou deputados do PSD. Sobram uns arquitectos e três ou quatro actores.

Ruben de Carvalho
é o único que mostra as fotografias dos apoiantes em modelo tipo passe, embora sem especificar de onde vêm os apoiantes. Ainda assim, constam lá alguns músicos, actores old school e , ao que me parece, bastantes sindicalistas.

José Sá Fernandes candidata-se pelo partido que normalmente apresenta muita malta conhecida nas listas de apoiantes. Apesar de também fazer alguma batota, introduzindo militantes do Bloco de Esquerda, consegue ir buscar gente que nada tem a ver com a esquerda, como Miguel Esteves Cardoso e Gonçalo Ribeiro Telles.

Deixei o caso mais impressionante para o fim. É certo que António Costa se candidata por um dos dois maiores partidos portugueses, é certo que tem um interessante currículo político e que tem uma imagem de competência. Tudo coisas que jogam a seu favor. Mas não deixa de ser notável que um único candidato consiga recolher talvez tantos apoiantes como todas as outras candidaturas juntas. A última actualização conta mais de 600 personalidades, onde se contam em bom número actores, escritores, investigadores, actores, músicos, artistas plásticos, médicos, arquitectos ou gestores. Enfim, gente que nunca mais acaba. Até eu, que só interpelo gente conhecida quanto estou com os copos em bombas de gasolina às cinco da manhã e em karaokes chineses, conheço pessoalmente meia dúzia de pessoas da lista de apoiantes do António Costa. Se a vitória nas eleições dependesse do número de notáveis na lista de apoiantes, certamente que Costa daria uma tareia eleitoral nos restantes candidatos.