Saídas de Anderson e Nani

O país futebolístico teve ontem um sobressalto com o anúncio da saída dos dois prodígios do Sporting e Porto - Nani e Anderson - que rumarão na próxima época ao Manchester United, com transferências avaliadas em 25 milhões de euros por cada um.

Há adeptos que criticam as decisões dos respectivos clubes, deixando sair os jogadores demasiado cedo, não tirando o devido usufruto de atletas ainda com margem de progressão e de uma venda mais avultada no futuro. Opinião errada, creio eu. Em nenhum dos casos se fala em jogadores que sejam "a" figura das respectivas equipas e quem mais se evidenciou durante a última época, isto se compararmos com João Moutinho e Ricardo Quaresma, por exemplo. Para além disso, é certo e sabido que o nosso campeonato, apesar do sucesso obtido nos últimos anos lá fora, é demasiado periférico em termos de projecção, competitividade e capacidade financeira, pelo que é perfeitamente normal que qualquer gigante europeu (ou até um clube de segunda linha em Espanha, Inglaterra ou Itália) tenha condições para fazer os dirigentes dos clubes nacionais quebrarem a promessa de "Jogador A ou B é inegociável", sobrepondo os interesses económicos aos interesses desportivos. Nunca esquecendo que os clubes não nadam em dinheiro e tem gastos correntes tremendos, não podendo rejeitar tão avultadas somas.

Face à dimensão reduzida do campeonato português, seria plausível pensar que Nani ou Anderson alguma vez fossem transferidos por valores muito superiores aos tais 25 milhões de euros? Se pensarmos que a transferência mais elevada envolvendo a saída de um jogador do campeonato português foi de 30 milhões de euros por Ricardo Carvalho em plena fúria despesista do Chelsea, ficamos com a ideia de que o futebol português não tem a dimensão económica dos grandes campeonatos mundiais, pelo que a tese da manutenção destes jovens jogadores para serem vendidos por muito mais dinheiro dentro de alguns anos cai completamente por terra.

Vencedores da greve geral

Nem trabalhadores, nem CGTP, nem Governo. Os verdadeiros vencedores da greve geral de 30 de Maio foram os taxistas de Lisboa.

O Sr. Alves e a greve geral

Deparei-me ontem à noite, num autocarro cheio devido ao fecho do metropolitano, com um dos cidadãos que hoje não faz greve. Para ajudar a contar a estória vou chamá-lo de Sr. Alves. Pelo cheiro a álcool que exalava, tinha andado a beber uns copos e dizia mal da greve geral de hoje, essencialmente pela figura que está por detrás do protesto, o Secretário-Geral da CGTP Carvalho da Silva. Por entre diversas críticas a ele e a outros sindicalistas, o Sr. Alves criticava o facto de a classe dirigente dos sindicatos não fazer mais nada do que andar a protestar e não se preocupar com a criação de emprego, dizendo também que muitos não fizeram mais nada na vida sem trabalhar nos sindicatos.

O grande golpe na argumentação foi quando ele disse que tinha andado com o Carvalho da Silva na guerra colonial, mais propriamente em Cabinda. Até aí, o então furriel Carvalho da Silva era um operacional de comunicações e nem sequer ia para a frente de combate, o que revela o carácter de quem dirige a CGTP. Quem não andava de metralhadora na mão durante a guerra colonial dificilmente poderia ser alguém que ajudasse a levar este país para a frente. Para rematar, a receita para este país: "O que o povo português precisa é de levar umas lambadas!". Temos homem!

28


E já lá vão 28! Aproveito o post diário para agradecer a todos quantos me presentearam durante o dia de hoje com telefonemas e sms de parabéns. Agradeço antecipadamente a todos quantos me vão enviar felicitações nos próximos dias, por confundirem o dia ou não se terem lembrado da data a tempo, coisa que eu bem sei o que é por me acontecer amiúde.

Googladas actualizadas

karaoke dos santos populares portugueses
joão malheiro meteorologia
um sonho a dois onda choc
conta bancária no BES a descoberto
fotos de acidentes macabros
musica do anuncio das três amigas tv cabo
codigo html jornal record

O interesse pelas googladas

Do lado de lá do Atlântico, uma simpática referência por parte do Blog do Emílio Pacheco (ver link), que dedica um post a blogues portugueses que dão a conhecer algumas das pesquisas que serviram para aumentar o respectivo número de visitantes. Pelo que fiquei a saber, apenas aqui o LdM e o entretanto extinto Desejo Casar deram a conhecer pérolas desta natureza. Posso, em abono da verdade, dizer que a maioria das pesquisas são coisas normalíssimas e que apenas faço uma selecção das mais bizarras.

Posso até dizer que o espaço das googladas funciona para este blogue como os "Tesourinhos deprimentes" para o Gato Fedorento, por ser uma coisa apelativa, mas que é a única de que os autores (ou o autor, no meu caso) não são responsáveis.

Pouca credibilidade


Numa altura em que se discutem as sete maravilhas do mundo e se faz a respectiva votação, parece-me que esta peca por deixar de fora algumas candidaturas de peso. Uma votação das maravilhas do mundo onde não consta Beyonce Knowles parece-me algo, no mínimo, pouco credível.

Se hoje ganhar o Euromilhões

Pago o que fôr preciso ao maior especialista português em Estética para escrever a obra "Estética na Música Pimba".

Adquiro uma panóplia de carros movidos exclusivamente a óleo vegetal aos meus amigos e compro milhares de litros de óleo usado em cafés para pôr esses carros a andar, espalhando o cheiro a pastéis de bacalhau e a chamuças por toda a cidade de Lisboa.

Pago todos os custos da candidatura e da campanha eleitoral à Câmara de Lisboa de uma destas personalidades: Manuel João Vieira, Artur Gonçalves, Avelino Ferreira Torres ou um qualquer ex-participante no Big Brother.

Aparências que podem iludir

Como era hoje o meu caso: ir no metro, com ar absolutamente impenetrável como quem parece estar a pensar na dimensão esóterica da obra de Fernando Pessoa ou na influência de Kant no pensamento político do Sec. XVIII, mas, no fundo, estar absolutamente compenetrado nos sucessos de Leonel Nunes que passam no meu leitor de mp3.

Barrasca (II)

Ontem, um amigo falou-me num termo que usei há alguns posts atrás, dizendo que foi a primeira vez que ouviu falar em tal coisa. O termo em causa é o termo barrasca, que pode ser classificado como sendo um adjectivo, e significa qualquer coisa como reles ou ordinário, como se depreende pelo facto de ter usado essa palavra para adjectivar a marca Axe.

No entanto, a palavra não consta no dicionário e a busca por "barrasca" no Google remete em primeiro lugar para o post sobre a dita marca. Essa mesma busca apresenta também outros contextos em que a palavra é usada, como descrever senhoras com profissões livres de impostos ou com reputação social um pouco afectada. Julgava eu que tinha criado, sem o saber, uma palavra à sempre dinâmica língua portuguesa, mas enganei-me.

Acções do Benfica

Primeiro dia das acções do Benfica em Bolsa. De 5 euros passam para 6 euros a meio da sessão, o que equivale a uma subida de 20%. No fim do dia, as acções fecham a 4,42 euros, correspondendo a uma queda de 14%. Estabelecendo o paralelo entre o máximo e o mínimo, concluímos que chegou a haver uma perda de quase um terço do valor.

O primeiro dia das acções do Benfica na Bolsa é, no fundo, o reflexo do estado de alma do adepto benfiquista, que oscila entre achar o clube o melhor do mundo e dizer que esse mesmo clube é um bando de cepos. A forma benfiquista de estar na vida é assim transportada para a esfera da especulação bolsista.

Barrasca


Um destes dias, fui abordado para responder a um estudo de mercado. Como, por uma questão de solidariedade, dou sempre uma ajuda a quem está no terreno a fazer inquéritos - também somava umas coroas à minha conta bancária a fazê-lo quando andava na universidade - aceitei
responder a um questionário sobre consumo de gel de banho. Lamentei apenas o facto de não me ter sido perguntado qualquer coisa como "Numa palavra, defina-me a marca tal". Digo isto porque, se me fosse feita essa pergunta em relação à Axe, eu teria uma excelente oportunidade de dizer qualquer coisa como "Essa marca é barrasca".

P.S.: Não tenho culpa de os produtos da dita marca terem um cheiro ordinário e quererem fazer daquilo alguma coisa de jeito, ainda por cima alimentando um certo imaginário masculino, através da atribuição de poderes de sedução.

Duas notas sobre os festejos da vitória do Porto

1. Sempre que o Futebol Clube do Porto vence alguma coisa a história repete-se: milhares de pessoas nas ruas envergando cachecóis com a inscrição "anti-lampiões" e com a frase da ordem "Filhos da p... SLB". Apesar das sucessivas conquistas que o Porto tem vindo a conseguir no futebol - e eu não sou daqueles que dizem que isso só aconteceu por causa dos árbitros e das jogadas de bastidores - parece continuar a persistir na cabeça de alguns adeptos o sentimento de pequenez, não a felicidade por se ter ganho, mas antes a felicidade porque o Benfica não ganhou. Em tempos, pensei que era mau que isto acontecesse e que era apenas sinal de falta de fair play, mas hoje vejo isto como o reconhecimento que o monstro chamado Benfica ainda paira nas cabeças de muita gente.

2. Festejos dos adeptos essencialmente no Porto. Perfeitamente natural, visto ser o clube da cidade. Em Lisboa, tal como noutros pontos do país, houve festejos dos adeptos, tanto na Avenida da República como no Marquês de Pombal, onde estiveram 500 pessoas. Adeptos de um clube que não é da cidade puderam festejar no mesmo sítio onde se festejam as vitórias de Benfica, Sporting e da selecção nacional. Há coisa de dois anos, não foi possível os adeptos do Benfica festejarem na Avenida dos Aliados, onde foram recebidos de forma selvagem por membros de uma claque do Porto, perante o beneplácito do respectivo presidente. Em Lisboa, nada disso aconteceu. É sinal de que a guerra Norte-Sul, de que o Futebol Clube do Porto parece ser o baluarte, se reflecte essencialmente na cidade Invicta. A superioridade moral, ainda que confinada ao mundo melindroso do futebol, não deixa de ser uma coisa boa.

Googladas

a parabolica apanha a sic?
cereais pequeno almoço pingo doce
anuncios bpi gonçalo
vestuario para adeptos dos super dragoes
musicas atrevidas potuguesas
nome do rui sousa dos morangos com açucar hi5
grelo grande

Cantinho do sósia


D. João III, rei de Portugal entre 1521 e 1557 / João Canto e Castro, conhecido imitador de figuras públicas.

Ironia da Matemática

Num país tão adverso a números e contas, não deixa de ser irónico que seja na Matemática que a maioria dos adeptos depositam esperanças de que o seu clube venha a ser amanhã campeão.

A familiaridade (2)


Um dos meus ícones preferidos - o conhecido menino chorão - também foi sujeito ao escrutínio do My Heritage, e parece que até ele tem traços de semelhança com celebridade. Depois querem que isto tenha algum crédito...

Se hoje ganhar o Euromilhões:

- Cumpro a promessa de ir a Fátima de bicicleta
- Alugo um anfiteatro e contrato o Artur Gonçalves para dar um espectáculo repleto de grandes sucessos
- Pago o que fôr preciso ao D. Duarte Pio e faço as trafulhices necessárias para obter um título nobiliárquico exclusivo de um qualquer ponto do subúrbio lisboeta, tipo Visconde da Brandoa, Duque de Corroios ou Conde de Unhos.

A familiaridade

Mediante registo, o site My heritage possibilita ao utilizador saber com quem é parecido, dentro de um universo de figuras públicas do cinema, música ou da História. Após a inserção de uma fotografia, o sistema detecta traços da cara e estabelece paralelos com essas figuras e dá uma escala de percentagem consoante se é mais ou menos parecidos com determinadas figuras.

Através de diversos testes, fiquei a saber coisas surpreendentes sobre mim próprio, ao saber que sou parecido com personalidades como Art Garfunkel, Malcolm X, Elton John, Donald Rumsfeld, Jack Osbourne, Benicio del Toro ou Jean-Claude Van Damme.

A grande revelação surgiu quando descobri finalmente quem é a celebridade mundial que maior parecença tem comigo, já que, depois de ter colocado uma das fotografias, fiquei a saber que tenho um nível de semelhança de 74% - que se revelou o mais elevado de todos - com esta senhora: a actriz Alison Lohman. Estranho.


O prémio regularidade, no entanto, vai para Jean-Claude Van Damme, Benicio del Toro e o antigo primeiro-ministro da Turquia Bulent Ecevit, já que são referidos em duas ou três das cinco ou seis fotografias que pus a teste.

Já tenho visto num ou noutro blogue testes feitos a partir do site. Aconselho uma visita. Um pouco de non-sense faz sempre bem à alma.

Momento Betandwin (2)


Perceber que o futebol, não sendo uma ciência exacta, nem sempre se compadece com fenómenos do foro esotérico. É certo que o jogo acabou por ser resolvido nas grandes penalidades, mas a falha de projecção mantém-se.

Momento Betandwin


Na saudosa época de 2004/05, o Benfica foi eliminado da Taça UEFA pelo CSKA de Moscovo, que mais tarde viria a conquistar o troféu em pleno estádio Alvalade XXI. Na época seguinte, a eliminação na Liga dos Campeões ocorreu perante um Barcelona imparável, que pouco tempo depois viria a ganhar a competição. Para a final da Taça UEFA, e partindo do princípio que o vencedor destas competições teve o condão de afastar o Benfica, arrisco dizer que será o Espanhol de Barcelona a ganhar a taça. Se assim fôr, ficamos assim como uma espécie de Cabo das Tormentas das competições europeias, que, sendo ultrapassado, possibilitará a vitória final.

"Bairro Alto e o seu entulho"


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Hoje em dia, não obstante alguns perigos que lá se correm à noite (gente simpática a vender estupefacientes, possibilidade de ser roubado, algumas cenas de pancadaria), muita gente (eu incluído) vai ao Bairro Alto, mesmo sabendo que pode ser confrontada com um dos perigos que citei.

Apesar de hoje não ser dos sítios mais seguros em Lisboa, o que é facto é que, há coisa de 30 anos, não eram putos com bonés e andar de orangotango que por lá paravam. A canção "Bairro Alto e o seu entulho" relata o que era a vida naquele bairro e a má fama que lhe era inerente, com roubos constantes, senhoras da vida que ajudavam a roubar os seus clientes e oportunistas e aldrabões em cada esquina, prontos a enganar os mais incautos. A música é da autoria do grande Artur Gonçalves, como não podia deixar de ser.

Andam turistas e zé-robertos
Oportunistas a enganar chico-espertos
Muitas fedelhas de fraco estilo
e burras velhas a precisarem de asilo

Googladas frescas

como nao inserir musica no bloco de comerciais do playlist
youtube "gente gira"
fotos de acidentes nos portos da china
fotos de acidentes com adornos
qual profissão consagrou ronald reagan fora da sua vida politica
vilolencia no futebol é um efeito perverso
Alberto João Jardim habilitações

O fim dos sonhos para os lados de Moscavide


No início da presente época futebolística, expressei os meus desejos para que a coisa me corresse pelo melhor, leia-se ver o Benfica campeão nacional e ver o Olivais e Moscavide assegurar a manutenção na Liga de Honra (ver post). Quanto ao primeiro objectivo, apesar de matematicamente possível, parece difícil que tal venha a suceder. Em relação à manutenção do meu segundo clube de coração, tive durante dois terços da época a noção de que tal poderia perfeitamente acontecer, face à sucessão de bons resultados que antecipavam uma época calma a meio da tabela. No entanto, as mudanças a meio da época, com as entradas e saídas de jogadores com um saldo que se revelou negativo, acabaram por afundar o clube na classificação, como atesta o facto de os últimos 12 jogos terem acabado com... 2 empates e 10 derrotas.

Hoje, com a derrota que confirmou a descida e serviu para colocou o Leixões na Superliga da próxima época, fica praticamente encerrada aquela que poderia ter sido uma grande época por parte do clube com o orçamento mais baixo na segunda liga. Assim sendo, a próxima época trará o regresso ao convívio com os adversários de sempre, como o Mafra, o Atlético ou o Pinhalnovense. Ainda assim, é sempre um marco importante neste modesto clube às portas de Lisboa.

O segundo lugar da Eurovisão

Só hoje é que vi na Internet o desenlace do Festival da Eurovisão de ontem. Também fiquei a saber que Portugal ficou a escassos três pontos na votação da semi-final de poder participar na final (se o Luxemburgo ainda tivesse tido direito de voto, certamente que a portuguesa Sabrina teria lá estado ontem). Venceu uma canção da Sérvia, cantada por uma senhora parecida com o Harry Potter (mais uma boa dica para a secção Cantinho do sósia, aqui no blogue), mas parece que a mais divertida de todas veio da Ucrânia, com uma roupagem um pouco euro-pop vestida sobre uma canção típica daquele país.

Das canções que foram à final, fiquei apenas a conhecer as duas primeiras. Como não sou propriamente apreciador do Harry Potter, e porque Portugal deu os 12 pontos à Ucrânia (o que habitualmente acontece, fruto do voto dos imigrantes daquele país que cá vivem), é o vídeo que destaco. Aviso que a música "Dancing" dos Verka Serduchka se cola ao ouvido num instantinho.

Blasted Mechanism


De concertos é-me sempre difícil falar. Parto sempre do princípio que quem está em palco tenta fazer o melhor que pode e sabe e é sempre complicado abordar objectivamente algo sem cair na visão simplista do "gostei" ou "não gostei". No entanto, ontem ao assistir ao último concerto da edição deste ano da Semana Académica de Lisboa - onde finalmente consegui ver Rinoçerôse, em concerto relativamente curto mas a cumprir as minhas expectativas, e onde também passaram Pedro Abrunhosa e os Mau - confirmei a minha tese de que não será fácil encontrar em Portugal quem faça concertos tão entusiasmantes como os Blasted Mechanism.

Reportagens sobre gente alcoolizada

Talvez seja uma ideia um pouco errada da minha parte, mas julgo que este ano tem havido mais atenção por parte das televisões em relação aos habituais festejos de universitários que estão a terminar os seus cursos. Julgo ser uma opção questionável, pois também já estive muitas vezes em sítios com elevado índice de gente alcoolizada e duvido que isso também tivesse algum interesse jornalístico.

25 anos do Spectrum


A data passou despercebida, mas há umas semanas atrás registou-se uma importante efeméride: foi assinalado o 25º aniversário do lançamento do ZX Spectrum, o pequeno computador com uma memória de 48K, cujos programas e jogos eram lidos num gravador e que se ligava a uma qualquer televisão, nunca esquecendo o inesquecível transformador que impedia um uso de muitas horas consecutivas face ao perigo de aquecer demasiado.

A uniformização em matéria de acesso a determinados bens que se registava até aos inícios da década de 90 - em que as pessoas viam os mesmos programas de televisão, jogavam os mesmos jogos e videojogos ou consumiam os mesmos produtos nos cafés e supermercados - impedia uma liberdade de escolha como hoje existe, mas ajudou a construir uma memória colectiva mais sólida para muita gente. Se perguntarmos a qualquer pessoa que hoje tenha entre 25 e 35 anos se teve um Spectrum o mais certo é responder afirmativamente ou, se não o teve, havia o primo ou o vizinho que tinha uma maquineta destas.

Face a essa popularidade do formato, é normal que surjam memórias bastante parecidas sobre os jogos que se jogavam e aí, apesar de estarem contabilizados um total de 14 mil títulos para o Spectrum, há nomes que vêm imediatamente à cabeça: Chuckie Egg, Bomb Jack, Out Run, Match Day, Manic Miner, F1 GP, Full Throttle ou o produto nacional Paradise Café. Tal como pode vir à cabeça de bastantes pessoas os concursos de jogos de Spectrum nos programas do Raúl Durão ou do Luís Pereira de Sousa, bem como as rubricas de jogos do Paulo Dimas. Pode também dizer-se que foi com o Spectrum que ficou marcada a sina deste país em matéria de respeito pelos direitos de autor na área dos videojogos, já que esta era uma expressão desconhecida de quem jogava e de quem vendia os jogos, com lojas respeitáveis a venderem à descarada cassetes com capas caseiras.

Quem hoje tem consolas e computadores com poderosas placas gráficas certamente que ficará confuso com a popularidade que a marca alcançou, já que falamos, não da pré-história dos jogos, mas de algo pouco mais desenvolvido do que isso, mas onde a falta de capacidades gráficas era compensada com uma notável jogabilidade, sendo diferente da generalidade dos jogos que hoje se publicam, com honrosas excepções. No entanto, para muitos destes jogos ficarem na memória colectiva de uma faixa etária é sinal de reconhecimento que havia muita imaginação e trabalho por detrás das limitações técnicas, de que resultavam produtos muito populares. Afinal de contas, o Spectrum encarnou na prática a velha máxima de que a necessidade aguça o engenho.

A identidade que se perde

Quando comecei a usar o IRC, há uns 7 ou 8 anos atrás, precisei de arranjar um nick. Sem ter pensado muito no assunto, escolhi o nick Mickey_House. Afinal de contas, tive durante muitos anos no meu quarto um quadro de tão nobre personagem do universo Disney e era um trocadilho fácil de fixar. Mesmo depois disso, usei o nick como nome de utilizador, por exemplo no Hattrick e no Youtube.


No entanto, qual não foi o meu espanto quando, numa recente passagem pela sempre fascinante Margem Sul do Tejo, fiquei a saber por intermédio de uns cartazes que existe um tal de Mickey_House Project, que actuam em discotecas, como sucederá um destes dias na Costa da Caparica. Com tanto nome engraçado que havia para escolher, alguém se havia de lembrar de pegar neste. A Murphyologia tarda mas não falha. Face ao confiscar de uma identidade que em tempos quase se me colou à pele, só me resta desejar que o projecto seja alguma coisa de jeito. Do mal o menos.

Jogo dos 7

Respondendo ao repto lançado pelo autor do blogue O Profano, e não querendo deixar ninguém ficar mal, aqui vão as respostas às questões levantadas. Sete respostas para sete perguntas, precisamente.

Sete coisas que tenho de fazer antes de morrer
Ganhar o Euromilhões
Ir a Fátima de bicicleta (uma promessa que fiz, meio a sério meio a brincar, caso ganhasse o Euromilhões em conjunto com os meus colegas)
Escrever um livro
Dar um calduço num Primeiro-Ministro ou Presidente da República em plena cerimónia oficial
Ter viajado até 25 países diferentes, pelo menos
Abrir um bar
Entrar num filme de terror como figurante ou num papel sem qualquer relevância para o desenrolar da história

Sete coisas que mais digo
Eeeh pá!
Então e o Benfica?
Meu caro/Minha cara
Isto agora 'tá complicado de finanças
F...-se (quando ouço o despertador a tocar)
Falem mais baixo!
Sabes quem é que eu vi hoje?

Sete coisas que faço bem
Imitar o Marco do Big Brother
Uma coisa muito estúpida que consiste em atirar canetas ao ar sem as deixar cair
Falar francês com pronúncia muito parecida com a dos próprios
Cozinhar (diria relativamente bem em termos genéricos, mas bem em comparação com a maioria das pessoas que conheço)
Guardar segredos e outras informações confidenciais
Cantar êxitos da canção nacional e brasileira em Karaoke
Gerir o meu dinheiro

Sete coisas que não faço
Beber vodka, eristoff e demais bebidas amaricadas
Arrotar em frente às outras pessoas
Conduzir
Ser arrumado, por mais que tente
Ser mal-educado com as outras pessoas
Andar com camisolas de manga à cava (as usadas pelos jogadores de basquetebol)
Comer coisas que para mim são estranhas, mas são elogiadas por muita gente, como favas, couve-flôr, lulas, chocos, polvo

Sete coisas que me encantam
Comer bem
Beber bem
Estar com os meus amigos
Ouvir música
Ler
Escrever
Dormir

Sete coisas que odeio
O calor excessivo
Som muito alto
Cinismo
Discutir ou ver pessoas a discutir por cenas parvas, como futebol e religião
Ler constantes atropelos à Língua Portuguesa, com coisas criminosas como "klk", "estive-mos", "à muito tempo" ou "eu, ontem fui".
Ser burlado
Fazer malas de viagem

Convidar sete blogues a fazerem o mesmo
Não sei se terei sete anos de azar se não o fizer, mas não estou a ver sete blogues de malta conhecida para enviar o desafio. Ainda assim, fica o convite aos blogues Lorenz Marks , Ocasionalidades e Pex.

Sabrina

Este fim-de-semana realiza-se mais um festival da Eurovisão, desta vez na Finlândia (depois da vitória dos grandes Lordi na edição do ano passado). Portugal mete novamente a cabeça no cepo neste concurso, com a participação de uma artista de nome Sabrina. Sem querer fazer juízos a priori, parece-me que será mais uma edição em que Portugal não chegará sequer à final, a não ser que a Sabrina em causa fosse a senhora protagonista do vídeo em baixo e que pudesse concorrer por Portugal por uma qualquer aldrabice administrativa de atribuição de segunda nacionalidade.

O fascinante mundo das googladas

figuras importantes roménia
vinho de mesa palmares
a historia dos Onda-Choc
o que aconteceu com a tina charles
curso de minas e armadilhas
carlos queiroz que nunca acabou os estudos

A Madeira é um jardim


Já dizia o artista da canção nacional Max. Vistas bem as coisas, a Madeira talvez deva ser considerada "O" Jardim. Desde que é líder do Governo Regional da Madeira, coleccionou vitórias eleitorais, terá feito obra e quem nele vota, pelos vistos, reconhece. Alberto João Jardim é bem visto na Madeira, mas só aí é que a imagem tem eficácia. Seguindo a linha outros arautos da luta anti-Lisboa que pululam no Norte do país, Alberto João Jardim criou trincheiras entre o que é a Madeira e o que é o poder colonialista de Lisboa. Ou se está com ele ou se está contra ele, o que equivale a dizer que ou se está pela Madeira ou se está contra a Madeira. Interesses da Madeira e interesses do país não são compatíveis. Viu-se pelos resultados de ontem, numas eleições que ganhou com quase dois terços dos votos, numas eleições em que dispensou levar um programa eleitoral a votos e onde a campanha se centrou na contestação à decisão do Governo em entregar menos verbas para a região.

O seu estilo truculento suscita, em quem não é madeirense ou não vota nele, um paternalismo do género "Coitado do homem é maluco e não sabe o que diz", um riso de escárnio face à patetice da figura ou uma afronta ao que se pretende ser o respeito pela unidade de um país com quase nove séculos de história. Ao longo destes anos, viram-se as coisas mais inacreditáveis, que passam por episódios como o grito de "Morte aos comunas!", o apelidar de mafioso o então Primeiro Ministro António Guterres (perante o sorriso cúmplice do então líder da Oposição e actual Presidente da Comissão Europeia) e as constantes acusações de colonialismo aos diversos governos da República. Criou uma gigantesca rede de tentáculos, que abrange a comunicação social, a Administração Pública, as empresas municipais, a construção civil e o futebol (como justificar que um clube com a dimensão do Nacional esteja na primeira Liga?), que torna difícil a actuação de quem se apresente como alternativa, vítimas do chamado défice democrático. Para além disso, as largas quantias de dinheiro enviadas do Continente para a região serviram para aumentar as fileiras de funcionários públicos e para fomentar esse gigantesco "polvo" e não para fomentar um modelo de desenvolvimento que vai para além dos hotéis e do off-shore.

Para além disso, a mais recente campanha eleitoral provou de que massa é feito, com acusações de fascistas aos membros do actual Governo e a constante postura de vitimização com inaugurações diárias de obras, nomeadamente os 200 metros de estrada, para pagar um favor à senhora que lhe cuidou dos filhos. Com a vitória de ontem, vai pedir uma reunião extraordinária com o Presidente da República, para mostrar que a população da Madeira contesta a nova lei de finanças regionais. Se houver determinação, certamente que as pretensões desse senhor não serão satisfeitas. É que, usando o mesmo princípio maniqueísta do bem contra o mal e do Continente contra a Madeira, certamente que se a nova lei não é boa para as pretensões de Alberto João Jardim, então é porque é boa para o resto do país.

A carreira que acabou antes de começar

Há uns meses atrás, a Sport TV lançou um concurso para a população em geral, no sentido de encontrar novos talentos na área da locução desportiva. Respondendo ao repto lançado por tão nobre instituição da comunicação social, e influenciado por inúmeros elogios de pessoas que me diziam ter jeito para tão árdua tarefa - cerca de três pessoas - lá enviei um relato em mp3, dando a conhecer as incidências de um desafio no Pro Evolution Soccer.

Pensava eu que tal iniciativa tinha caído no esquecimento, quando recebi um e-mail há uns dias atrás dando conta do facto de eu não ter sido seleccionado no dito concurso. Parece evidente que se perdeu uma oportunidade de criar um ícone no mundo da locução desportiva nacional.

Sinais da passagem do tempo

Aperceber-me que há já algum tempo (meses? anos?) que não digo nem ouço ninguém dizer termos como marunfa, mirabélico, pantufada ou bezunta.

Eleições antecipadas em Lisboa

Há já uns meses que a gestão autárquica lisboeta andava meio moribunda e hoje ficou a saber-se que serão realizadas eleições intercalares na capital. Juridicamente nada impedia que a situação continuasse, mas o factor político falou mais alto e Carmona Rodrigues deixou de contar com o apoio do partido que o tem estado a apoiar.

Na origem desta situação estão uns negócios de terrenos da Câmara com essa estranha empresa intitulada Bragaparques e há suspeitas de gestão danosa por parte de quem gere a autarquia e também dessa mesma empresa. Quem levantou o véu sobre esta situação foi o suspeito do costume: o vereador José Sá Fernandes. Há uns dois ou três anos tinha a fama de tipo chato que mandava embargar obras e que denunciava bons negócios imobiliários mas que eram lesivos para o erário público. Ele próprio acusou o dono da Bragaparques de o ter tentado subornar com 200 mil euros e há supostamente gravações que comprovam a acusação. É difícil imaginar se estes negócios conheceriam a luz do dia se ele não tivesse sido eleito vereador nas últimas autárquicas. Mas ainda bem que o foi e o simples facto de denunciar as trafulhices que ocorrem na Câmara da capital faz dele um tipo um pouco mais sério do que muitas das figuras da gestão autárquica lisboeta.

Anos 80 na Playlist

Algumas das músicas que marcaram os anos 80, como "Billie Jean", "Big in Japan" ou "The final countdown" estão na playlist do lado direito do LdM

Googladas do Primeiro de Maio

leonel nunes se a couve tem talo
liga vitalis ao vivo
lista de nomes das noivas do conde Drácula
fabricantes de roulotes bar
tristeza não pagam dívidas
empilhadores legislação