Pelo facto de ter estado de férias e fora de Lisboa nos últimos dias, não pude escrever aqui no LdM. Como esta coisa dos blogues continua dependente de factores técnicos, como um computador e uma ligação à Internet, há coisas que não se podem mesmo contornar.
Bom, um dos assuntos quentes dos últimos dias foi o outdoor do PNR, em plena rotunda do Marquês de Pombal, dizendo que já basta de imigração e pedindo aos estrangeiros que cá residem para que saiam do país, utilizando a imagem de um avião. A coisa suscitou comentários diversos, dos partidos às associações de imigrantes e até o Governo se exprimiu sobre o dito cartaz.
Em primeiro lugar, temos de ter em conta isto: apesar da atenção mediática de que é alvo, o PNR é um partido com uma votação residual em Portugal, cito que nas últimas legislativas teve 0,16% dos votos, metade do que foi conseguido pelo Partido Humanista, menos de um quarto do PND e cinco vezes menos do que o MRPP. Ou seja, a atenção de que é alvo é manifestamente desproporcional em relação à sua expressividade eleitoral. Para além disso, qualquer pessoa sabe qual é a posição deste partido em relação à imigração, que é expressa nas opiniões dos seus dirigentes, nos seus tempos de antena e nos cartazes que estão pelas paredes. Ou seja, o outdoor da polémica limita-se a ser coerente em relação à posição do partido.
Apesar de reconhecer que há um conteúdo que pode roçar a inconstitucionalidade, a minha opinião é de que não se deve sobrevalorizar este outdoor e de que este não deveria ser retirado do respectivo local. Digo isto porque existe um valor que é a liberdade de expressão, se há partidos que optam por associar directamente imigração e criminalidade, então que dêem a conhecer essa tese aos cidadãos e eleitores.
Sabe-se que a Democracia vive do pluralismo de ideias e terá de conviver sempre com aqueles que se situam nos seus extremos, neste caso um partido de extrema-direita - cuja posição sobre o fecho de fronteiras aos imigrantes, aliás, não é muito diferente da que é veiculada pela generalidade dos países europeus, que cada vez mais optam pela ideia da Europa Fortaleza - mas também o deve fazer com partidos da extrema-esquerda. Marginalizar essas mesmas forças políticas pode ter um efeito perverso.
Digo isto por achar que as mais diversas posições devem ter lugar em Democracia.Caberá aos eleitores julgar qual a argumentação e quais os políticos que lhes são mais convenientes.
A vitória do Salazar
Depois de uma maratona de três horas sobre a memória histórica deste país, com o confronto de ideias e as sempre memoráveis prestações da Odete Santos, eis que o resultado dos Grandes Portugueses trouxe o que se suspeitava, ou seja, uma votação mais expressiva para Oliveira Salazar. Apesar de este ser um concurso e apenas estar representado 2% da nossa população (registaram-se pouco mais de 200 mil votos), não deixa de ser um dado interessante que este tenha sido considerado o melhor de todos. Das pessoas que eu conheço apenas uma votou no "Botas" e esse estava sob o efeito de substâncias pouco aconselháveis à saúde quando o fez, de modo que me é difícil perceber que razões estão subjacentes a um voto em tão bizarra personagem. Aponto algumas, como as expectativas que não se concretizaram com o advento da Democracia, a desconfiança na classe política, a maior insegurança nas ruas ou uma certa nostalgia no Império. Ou simplesmente - e essa parece-me a maior razão - o legado que Salazar deixou impregnado na nossa mentalidade e de que todos nós ainda padecemos.
Ainda que respeitando quem considere Salazar o maior português de sempre, o meu desejo é o de que quem admire esta personagem nunca tenha de passar por uma situação de prisão política, pela obrigação de combater em terra alheia, pelas dificuldades que se viviam sobretudo nos meios rurais ou por ver os filhos terem pouco mais do que a quarta classe, por tal não ser conveniente ao regime. E, sinceramente, espero também que continuem a visitar de forma livre a Internet e os blogues, coisa que o senhor que idolatram certamente iria abominar se ainda fosse vivo.
Ainda que respeitando quem considere Salazar o maior português de sempre, o meu desejo é o de que quem admire esta personagem nunca tenha de passar por uma situação de prisão política, pela obrigação de combater em terra alheia, pelas dificuldades que se viviam sobretudo nos meios rurais ou por ver os filhos terem pouco mais do que a quarta classe, por tal não ser conveniente ao regime. E, sinceramente, espero também que continuem a visitar de forma livre a Internet e os blogues, coisa que o senhor que idolatram certamente iria abominar se ainda fosse vivo.
A utopia do Morais

Certamente que estão recordados da personagem Lauro Dérmio, da saudosa Herman Enciclopédia, que levava ao extremo as traduções e fazia-as de forma pouco correcta. Se essa personagem se referisse ao seleccionador nacional de râguebi Tomás Morais, certamente faria a tradução para Thomas Moore, autor da obra "Utopia".
A associação um tanto ou quanto forçada entre os dois nomes pode, no entanto, remeter para o que tem sido o percurso épico deste homem e que terá começado numa ideia quase utópica. Há alguns anos lidera a selecção nacional de râguebi, composta unicamente por jogadores amadores, onde cabem desde estudantes a veterinários, e que tem vindo a subir a pulso à custa de muito espírito de sacrifício, uma melhor organização e novos métodos de trabalho. A crescente importância e visibilidade de uma modalidade que por cá era associada a putos ricos com apelios mais vistosos tem também o seu cunho pessoal.
O trabalho desenvolvido ao longo destes anos e a mudança que imprimiu teve hoje o seu auge com a qualificação para o Mundial da modalidade, onde irá ombrear numa primeira fase com selecções como a Escócia e a Nova Zelândia. Para facilitar a compreensão da dimensão do fenómeno, refira-se que é a única selecção amadora a participar nesta prova e que, usando como termo de comparação com o futebol nacional, equivale a uma equipa da terceira divisão ir subindo escalões sempre com o mesmo plantel até chegar à primeira divisão. Não esquecendo que é a primeira vez que, em Portugal, uma selecção amadora chega ao mundial da respectiva modalidade.
Num país demasiado asfixiado com o círculo fechado dos três grandes do futebol português, seria interessante olhar para estes verdadeiros casos de estudo e prestar o reconhecimento a quem justamente o merece, neste caso ao treinador e aos jogadores que prescindem de grande parte de vida pessoal para se dedicarem a este desporto. Mesmo que seja um desporto cujas regras e funcionamento eu confesso que mal conheço.
O lado de lá da gastronomia
Este fim-de-semana, anda tudo num alvoroço para assinalar os 50 anos de existência da União Europeia, com diversas iniciativas e mais um concerto da Katia Guerreiro. Hoje, decidi assinalar tão proeminente data, mas num sentido inverso, alarvando de forma pouco rudimentar e pouco salutar num restaurante brasileiro na Charneca da Caparica. Do ponto de vista gastronómico, arrisco dizer que estou mais virado para o lado de lá do Atlântico do que para a Europa.
E depois dos reality shows?
O rei dos reality shows apareceu em Portugal há sete anos. Anos antes do Big Brother, houve outros grandes momentos televisivos dentro do mesmo género em meados dos anos 90, trazidos essencialmente pela iniciante SIC que procurava ganhar audiência à custa do "Perdoa-me", "All you need is love" ou "Não se esqueça da escova de dentes". Ainda assim, o ano de 2000 trouxe uma viragem no panorama televisivo, introduzindo uma nova relação de forças entre a esfera privada e a esfera pública de quem neles participava. E, desde a primeira edição do Big Brother, sucederam-se outras edições do mesmo concurso seja com anónimos ou gente conhecida, o Bar da TV, as noivas do Zé Maria, a Academia de Estrelas ou gente mais ou menos famosa numa quinta ou num quartel.
Aquele que era o universo de gente conhecida deste país alterou-se: deixaram de ser conhecidos apenas os actores, os apresentadores ou os músicos, para que aqueles que saltaram para a ribalta graças a estes concursos lhes ocuparem parte do espaço. E aí surgiram os mais diversos fenómenos de popularidade. Hoje, durante um zapping a diferentes horas do dia, confrontei-me com dois casos absolutamente diferentes de pessoas que saíram do mesmo universo. Primeiro, o caso positivo do casal Sérgio e Verónica, que protagonizou cenas pouco púdicas na segunda edição do Big Brother e que deu em casamento cá fora e ao nascimento duma filha. Ao que parece, usaram o dinheiro que ganharam com a notoriedade e fizeram uma imobiliária. O segundo caso é mais grave e é protagonizado por Mário Ribeiro, que se tornou conhecido como o Mário que usava a expressão "Tázaber?" a cada cinco minutos. Hoje, fiquei a saber que foi condenado a sete anos de prisão por envolvimento num assalto com mais uns capangas. O caso típico de alguém que era levado ao colo por toda a gente e a quem a vida não correu bem a partir de determinada altura.
Isto numa altura em que ocorre um concurso em que tipos inteligentes mas algo desajeitados fazem parelha com mulheres bonitas mas com neurónios um pouco lentos. Certamente que há ali gente (sobretudo do lado feminino) que quererá tornar-se conhecida graças à aparição no programa, quem sabe para saltar para a capa de uma FHM ou Maxmen ou para os Morangos com Açúcar, sonhando talvez com vôos mais altos. Os casos diferentes que eu hoje trouxe revelam que esta exposição mediática não é, por si só, positiva. Só para quem tem a cabeça no sítio é que pode haver vantagens, coisa que nem toda a gente parece ter.
Aquele que era o universo de gente conhecida deste país alterou-se: deixaram de ser conhecidos apenas os actores, os apresentadores ou os músicos, para que aqueles que saltaram para a ribalta graças a estes concursos lhes ocuparem parte do espaço. E aí surgiram os mais diversos fenómenos de popularidade. Hoje, durante um zapping a diferentes horas do dia, confrontei-me com dois casos absolutamente diferentes de pessoas que saíram do mesmo universo. Primeiro, o caso positivo do casal Sérgio e Verónica, que protagonizou cenas pouco púdicas na segunda edição do Big Brother e que deu em casamento cá fora e ao nascimento duma filha. Ao que parece, usaram o dinheiro que ganharam com a notoriedade e fizeram uma imobiliária. O segundo caso é mais grave e é protagonizado por Mário Ribeiro, que se tornou conhecido como o Mário que usava a expressão "Tázaber?" a cada cinco minutos. Hoje, fiquei a saber que foi condenado a sete anos de prisão por envolvimento num assalto com mais uns capangas. O caso típico de alguém que era levado ao colo por toda a gente e a quem a vida não correu bem a partir de determinada altura.
Isto numa altura em que ocorre um concurso em que tipos inteligentes mas algo desajeitados fazem parelha com mulheres bonitas mas com neurónios um pouco lentos. Certamente que há ali gente (sobretudo do lado feminino) que quererá tornar-se conhecida graças à aparição no programa, quem sabe para saltar para a capa de uma FHM ou Maxmen ou para os Morangos com Açúcar, sonhando talvez com vôos mais altos. Os casos diferentes que eu hoje trouxe revelam que esta exposição mediática não é, por si só, positiva. Só para quem tem a cabeça no sítio é que pode haver vantagens, coisa que nem toda a gente parece ter.
Reservoir dogs
As limitações ao uso e porte de arma são conhecidas. Não é qualquer um que a pode usar e, mesmo que o possa fazer, terá de fundamentar bem a razão e percebe-se porquê. Quem não tem licença só precisar de conhecer as pessoas certas para que possa comprar uma arma e poder usá-la para roubar, ferir e até matar.
Apesar do perigo que representa um qualquer cidadão com uma arma - e até alguns agentes de autoridade pouco escrupulosos ou mal treinados - esta só se torna um perigo real se alguém a usar. Pois bem, por este Portugal há um perigo tão grande ou pior do que gente armada, trata-se de malta que possui cães de raças consideradas perigosas, como os pitbull ou rottweiler, que têm nos seus genes uma predisposição para atacar terceiros e que se tornam ainda mais perigosos se forem colocados em mãos erradas.
Lembrei-me desta consideração porque hoje morreu uma pessoa vítima do ataque de quatro cães arraçados de rottweiler. Supostamente, esta bicharada andava à solta e atacou uma pessoa que apenas estava no sítio errado à hora errada. O tipo que é dono dos ditos cujos será, no máximo, condenado a homicídio por negligência. Num país com regras tão rígidas em relação à posse de arma - e ainda bem - não se percebe porque não se tomam medidas enérgicas em relação à posse de determinados animais que são potenciais assassinos. Há países europeus onde estão a ser tomadas medidas no sentido de acabar com estas espécies, mas parece que por cá terá de morrer mais gente ou mais uns quantos terão de ser ameaçados por esta bicharada até que as autoridades se dignem a fazer mais do que proceder ao seu registo.
Apesar do perigo que representa um qualquer cidadão com uma arma - e até alguns agentes de autoridade pouco escrupulosos ou mal treinados - esta só se torna um perigo real se alguém a usar. Pois bem, por este Portugal há um perigo tão grande ou pior do que gente armada, trata-se de malta que possui cães de raças consideradas perigosas, como os pitbull ou rottweiler, que têm nos seus genes uma predisposição para atacar terceiros e que se tornam ainda mais perigosos se forem colocados em mãos erradas.
Lembrei-me desta consideração porque hoje morreu uma pessoa vítima do ataque de quatro cães arraçados de rottweiler. Supostamente, esta bicharada andava à solta e atacou uma pessoa que apenas estava no sítio errado à hora errada. O tipo que é dono dos ditos cujos será, no máximo, condenado a homicídio por negligência. Num país com regras tão rígidas em relação à posse de arma - e ainda bem - não se percebe porque não se tomam medidas enérgicas em relação à posse de determinados animais que são potenciais assassinos. Há países europeus onde estão a ser tomadas medidas no sentido de acabar com estas espécies, mas parece que por cá terá de morrer mais gente ou mais uns quantos terão de ser ameaçados por esta bicharada até que as autoridades se dignem a fazer mais do que proceder ao seu registo.
A saída de cena

Belmiro de Azevedo não é conhecido pela sua simpatia enquanto pessoa ou pela boa relação que estabeleceu com o poder político. No que diz respeito ao segundo aspecto, deu sempre a ideia de que o poder político constituía um obstáculo aos empresários de um modo geral e à Sonae em particular. Sinal de que o poder político talvez ainda manda alguma coisa. Ainda assim, há que enaltecer que é dos poucos empresários portugueses que se podem orgulhar de ter criado um império em Portugal sem serem de famílias ricas, sendo sabido que foi um professor que convenceu os pais de Belmiro de Azevedo a deixá-lo prolongar os estudos e de que o próprio Belmiro completou a sua instrução à custa de algum sacrifício pessoal. Hoje em dia, a Sonae é um grupo enorme, onde cabe a distribuição, as telecomunicações, o turismo, aglomerados de madeira e centros comerciais e há muito deixou de competir apenas em Portugal.
Foi hoje anunciado que a Sonae deixará de ser liderada por Belmiro de Azevedo, que será substituído pelo filho Paulo Azevedo. Uma sucessão dinástica que dá razão a todos aqueles que defendem que essa é a forma de passar testemunho, como os monárquicos. Apesar de ser um tipo que acha que manda no país e no poder político e do seu estilo truculento, sou obrigado a reconhecer-lhe o mérito. E, numa altura em que se procuram os Josés Mourinhos nas mais diversas áreas, este é bem capaz de ser o Mourinho da gestão.
2ª Feira é dia de googladas!
hi5 odesenho que passa no 25
ordenado de empregado de apoio a cliente da optimus
Raul durão apresentador
luciana abreu com problemas sociais
frasco melgas
imagens de rapazes goticos
ordenado de empregado de apoio a cliente da optimus
Raul durão apresentador
luciana abreu com problemas sociais
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O que é que a tristeza não paga?
A sabedoria popular portuguesa é toda ela uma lição de vida e com um enorme fundo moral. Disso não há grandes dúvidas. Mas os provérbios também podem ser o retrato de um país. Exemplo disso é o «Tristezas não pagam dívidas» que, no fundo, quer dizer que não são as tristezas que fazem a vida avançar, mas arranja uma forma um pouco miserabilista de o demonstrar. Poderia ser Tristezas não pagam viagens às capitais europeias, Tristezas não pagam plasmas, Tristezas não pagam o colégio dos pequenos, Tristezas não pagam um carro novo e por aí adiante. Mas preferiu manter-se o conceito do dinheiro como forma de pagar dívidas e pouco mais. Mas, por ter o tal fundo moral inerente aos provérbios, reconheço o bom-senso nesta frase que parece faltar a quem recorre ao crédito, que é o de se preocupar mais com as dívidas do que com outras possibilidades oferecidas pela Cofidis, Mediátis e outros abutres desta vida.
Prémio Camões 2007

De tão bom escritor que é, António Lobo Antunes é sempre um justo vencedor de qualquer prémio literário, seja o de melhor escritor residente na freguesia de Benfica ou o Nobel da Literatura. Hoje, soube-se que ganhou o Prémio Camões 2007. Como reacção à notícia, apenas agradeceu terem-se lembrado do seu nome. Nem é preciso agradecer, digo eu, já que não passa do mais elementar acto de justiça.
Pérolas que me chegam ao ouvido (2)

«Ao pé do Humphrey Bogart, até o maior machão se sente um mariconço»
(quando ouvi esta da primeira vez não pude deixar de dar razão ao interlocutor: no fundo somos todos uns meninos ao pé deste gajo, que fumava que nem uma chaminé, bebia como deve ser, provou a melhor "fruta" da época, usava chapéu e que até a falar sobre a meteorologia devia ter classe)
Actualização de googladas
video "oliveira salazar" portugal download
pull&bear amesterdão
como fazer afundanços
tipos de falácios
quando que as mulher pode passar a votar
o benfica tem o maior palmarés do desporto português
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Mal por mal, antes o Cunhal (III)

Álvaro Cunhal é tido como um dos grandes opositores a Salazar, senão o maior de todos. Foi um dos fundadores do Partido Comunista e teve ligações ao partido comunista da União Soviética. Passou muitos anos da sua vida na prisão e sujeitou-se às mais refinadas técnicas de tortura pelos senhores da PIDE. Ironicamente, conviveu mais tempo com um regime autoritário do que com a Democracia. Pelo seu carácter combativo durante o Estado Novo e pelo seu papel de fundador do PCP é considerado a grande referência dos comunistas portugueses.
Enquanto outros tinham como referência o que se passava na Europa Ocidental e os seus sistemas democráticos, Cunhal identificava-se com o que se passava na União Soviética, ou seja, com um regime que era pior do que aquele que por cá vigorava. Ficou para a história o comício do Primeiro de Maio, alguns dias depois do 25 de Abril, em que aparece ao lado de Mário Soares.No entanto, a diferença entre o que defendia e os outros sectores democráticos começou a a sentir-se pouco depois da Revolução. E o seu carácter pouco consensual manifesta-se não só pelas referências ideológicas como por aquilo que foi a actuação do PCP durante o pós-25 de Abril, em que o poder saiu para a rua e os excessos foram muitos, envolvendo muitas forças políticas para além do PCP, como o PS, o MES, o MRPP ou a UDP, e com alguns protagonistas que viriam mais tarde a ser figuras de prestígio, como primeiros ministros e presidentes da Comissão Europeia.
Os episódios dos excessos desse período são conhecidos. Foi a nacionalização dos grupos económicos, da banca e dos seguros, que anos mais tarde foram devolvidos à proveniência, e que atingiram famílias como os Mello e Champalimaud. Foram as barricadas nas vias de acesso aos comícios do Mário Soares, que era tido como o amigo dos americanos. Foram os confrontos em diversos pontos do país, como o conhecido episódio no RALIS. Foram as FP-25, com Otelo Saraiva de Carvalho à cabeça. Mas as primeiras eleições livres confirmaram aquilo que os comunistas mais temiam: apesar de terem mais força nas ruas não tinham a maioria do apoio da população que se expressou em votos, o que ainda hoje acontece.
Face ao que foi este país até desde o 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975, muitas pessoas continuam a associar a imagem de Álvaro Cunhal e do PCP a esse período de rebaldaria. E ainda há muita gente que se diz contra o 25 de Abril por causa desse ano e meio. E, tal como no Estado Novo, esse período deixou marcas, que se arrastaram durante muitos anos e que julgo algumas serem ainda visíveis. Basta olhar para os arredores de Lisboa, com a construção em catadupa e sem seguir qualquer princípio de ordenamento urbano, sem falar nos famosos bairros sociais em que casas eram construídas em 24 horas mesmo que sem saneamento básico. Ainda hoje levamos com problemas de tráfego urbano e até do ponto de vista social nessas zonas à conta disso. Pensemos também em figuras que funcionavam como pontos de autoridade, não no sentido repressivo mas num sentido de referência, como os professores ou as forças de segurança, que perderam progressivamente o estatuto de prestígio que antes gozavam e hoje é o que se vê, muito à conta da “revolução cultural” muito pós-25 de Abril.
Assim sendo, não deixa de ser um pouco estranho que a votação para eleger o maior português de todos os tempos, num país com mais de oito séculos de História, se possa limitar à escolha de duas figuras que não marcaram o país da melhor maneira, ou, como já ouvi dizer, dois “tiranetes”. Um começou como Ministro das Finanças e pouco tempo depois iniciava uma carreira de ditador que duraria 40 anos. Outro almejava o poder deste país e torná-lo numa sucursal do Bloco de Leste. Entre um que foi ditador e outro que queria mas não conseguiu, a minha preferência vai para o segundo, precisamente porque nunca chegou a sê-lo. Para fazer o ajuste de contas com Século XX português, faz falta Mário Soares, que sempre foi um lutador contra a ditadura de Salazar e que impediu a ditadura que Cunhal se preparava para instalar. Soares, que foi sempre o mais democrático dos três, não está lá. E é pena. Por isso, numa escolha entre os outros dois, acho que, mal por mal, antes o Cunhal.
Mal por mal, antes o Cunhal (II)

António de Oliveira Salazar é, obviamente, uma figura controversa. Chegou ao poder na sequência de um golpe militar que pôs fim a um certo regabofe associado à Primeira República. Desejou sanear as contas públicas numa primeira fase antes de haver Planos de Estabilidade e Crescimento e conseguiu. Para além de ter posto alguma ordem na situação política do país e de ter ajudado a sanear as contas públicas numa primeira fase, tinha o desejo de um Portugal imune o mais possível ao que se passava no estrangeiro e só desejava uma projecção para o exterior através das colónias. Em pleno período de confronto entre os blocos americano e soviético, Salazar não tinha especial predilecção por nenhum e apenas esteve mais próximo dos americanos por ser um mal menor. Estava contra o bloco soviético, por ser a antítese do que por cá se passava, mas não nutria afeição pela maior abertura de mercados e de costumes que vinham dos Estados Unidos. Por seguir essa atitude de falta de abertura ao exterior, não espanta a dita neutralidade de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, algo que, no entanto, é contestado por alguns historiadores.
Se esses méritos lhe podem ser atribuídos, o balanço que se pode fazer dos 40 anos que esteve no poder não pode abandonar factos incontornáveis. Em primeiro lugar, o mérito de se ter mantido no poder durante esse tempo todo passou por uma limitação extraordinária das liberdades individuais, nomeadamente a de expressão e ao nível da conduta do dia-a-dia dos cidadãos. Quem se manifestava num sentido contrário às orientações do regime tinha lugar garantido numa prisão para presos políticos, com as conhecidas práticas de tortura que não raro acabavam com a morte dos opositores. Ou seja, fortalecia-se o poder eliminando os seus opositores. Para além disso, foi incapaz de perceber os ventos de mudança que vinham de outros países africanos que lutavam pela independência nos anos 60. Numa atitude de manter o império português, mandou muitas dezenas de milhares de portugueses para uma guerra nas colónias de que muitos nunca regressaram vivos ou regressaram com traumas físicos ou psicológicos para o resto da vida. Uma guerra que chegou a consumir 40% do orçamento anual. A tese de Salazar como um estadista, apologista de um grande rigor nas contas públicas e de alguém que se soube situar no lado certo da história perde aqui bastante peso. Para não falar de um outro pilar importante na manutenção da ordem, precisamente a Igreja, que tentava funcionar como o paradigma da moral e dos bons costumes favoráveis ao Regime e que fechava os olhos aos atropelos pouco católicos aos direitos humanos que eram praticados na altura, nunca esquecendo aquele episódio que envolve três pastorinhos, uma azinheira e a Nossa Senhora de Fátima.
A marca que Salazar deixou no país vai além das decisões tomadas no plano político ou económico enquanto foi Presidente do Conselho. O fechamento face ao exterior, a mediania que está instalada no país em termos de ambição e de posses e a forma nostálgica como ainda se olha para o Império são alguns dos casos em que a mentalidade o seu pensamento político ainda se fazem notar. Um país que se indigna no início com a perspectiva de brasileiros vestirem as cores da selecção nacional de futebol mas que passa ao lado de um cabo-verdiano (Nélson) usar a camisola das quinas, como se aquele país ainda fosse uma colónia. Um país onde a maioria deseja pertencer ao funcionalismo público, mesmo que saiba que pode passar parte da sua vida num sítio sem grandes condições de trabalho, mas agradecendo a benesse de não ter de se preocupar mais com a procura de um novo emprego até à altura da reforma. Um país que agradece os rios de dinheiro vindos da Europa, mas que se insurge perante a necessidade imposta por Bruxelas de meter ordem nas contas públicas. E, pior ainda, ainda hoje temos a noção de que o país teve uma espécie de Idade das Trevas em pleno Séc. XX e de que ainda tentamos recuperar desse grande atraso, a nível político, económico e cultural provocado durante o tempo em que fomos governados por Salazar e seus acólitos. Quantas vezes não ouvimos a expressão “Apanhar o comboio da Europa”?
E, se mais dúvidas houvessem: a própria lista dos 10 grandes portugueses tem ou não uma certa marca de Salazar? Vejamos quem lá está:
- o próprio Salazar;
- Álvaro Cunhal, que foi um dos seus grandes (senão o maior) opositor;
- Aristides de Sousa Mendes, o diplomata que achou que salvar a vida a 30 mil pessoas era mais importante do que o posicionamento geopolítico do regime na Segunda Grande Guerra e do que a sua carreira diplomática;
- três figuras importantes (D. João II, Infante D. Henrique, Vasco da Gama), talvez as mais importantes, do período dos Descobrimentos, que é considerada a época áurea da História de Portugal, em que foi erigido o Império celebrado pelo Estado Novo e cuja grandiosidade era ensinada nas escolas;
- Luís de Camões e Fernando Pessoa, cujas obras foram alvo de aproveitamento do regime, embora a obra de ambos seja de tal modo abrangente que tanto foi alvo de aproveitamento no Estado Novo como depois dele.
E, nos restantes 90 nomeados, também por lá param Marcello Caetano, José Hermano Saraiva ou a Irmã Lúcia. Na outra face da moeda, também podemos encontrar nomes como Humberto Delgado, Mário Soares, Catarina Eufémia ou Zeca Afonso, que se tornaram heróis por contestarem o Estado Novo.
Mal por mal, antes o Cunhal (I)
Decidi escrevinhar umas linhas sobre Salazar e Cunhal, devido a notícias que dão conta da disputa entre estas duas figuras para o primeiro lugar dos Grandes Portugueses. Também já ouvi dizer que isso é um boato lançado para aumentar o número de votações e, com isso, os proveitos de quem anda a ganhar dinheiro com o concurso. Ainda assim, essa situação permitiu uma discussão mais ou menos acalorada sobre estas duas figuras, de que a blogoesfera até tem sido um palco interessante, sem esquecer a televisão e os jornais. Aliás, numa edição recente do Expresso, António Barreto defendia que são as duas personalidades que marcaram da pior maneira a nossa história recente.
Nota prévia: como já tinha dito antes, não é nenhuma destas figuras que recolhe o meu voto para este concurso. Para mim, aquele que é o maior português de sempre é Fernando Pessoa, pela dimensão da sua obra e por ter as condições para ser o maior embaixador da cultura portuguesa além-fronteiras. Ao contrário de muita gente que tenho visto na Internet a exprimir-se sobre estas duas personagens, não tenho no meu passado familiar ninguém que tenha sido particularmente prejudicado por nenhum deles e por aquilo que cada um simboliza. Ou seja, o máximo que tenho na família são pessoas obrigadas a emigrar por causa da guerra colonial e alguns problemas em ir aos comícios do Mário Soares, devido às barricadas de comunistas armados com tacos de basebol. Ou seja, ninguém foi preso, perseguido e torturado pela PIDE e também não esteve na Guerra Colonial, mas ninguém foi expropriado do que quer que fosse durante o PREC. Isso permite uma análise sem falar em causa própria.
Nota prévia: como já tinha dito antes, não é nenhuma destas figuras que recolhe o meu voto para este concurso. Para mim, aquele que é o maior português de sempre é Fernando Pessoa, pela dimensão da sua obra e por ter as condições para ser o maior embaixador da cultura portuguesa além-fronteiras. Ao contrário de muita gente que tenho visto na Internet a exprimir-se sobre estas duas personagens, não tenho no meu passado familiar ninguém que tenha sido particularmente prejudicado por nenhum deles e por aquilo que cada um simboliza. Ou seja, o máximo que tenho na família são pessoas obrigadas a emigrar por causa da guerra colonial e alguns problemas em ir aos comícios do Mário Soares, devido às barricadas de comunistas armados com tacos de basebol. Ou seja, ninguém foi preso, perseguido e torturado pela PIDE e também não esteve na Guerra Colonial, mas ninguém foi expropriado do que quer que fosse durante o PREC. Isso permite uma análise sem falar em causa própria.
Discriminação? Desconheço.
Ontem, dia internacional da Mulher, falou-se na questão da discriminação entre os dois sexos em matéria laboral, nomeadamente no que diz respeito aos salários. Pelos vistos, continuam a existir sítios onde mulheres ganham menos que os homens, apesar de cumprirem as mesmas funções. Nesse aspecto, posso dizer com indisfarçável orgulho que trabalho num sítio onde essa discriminação não existe, já que homens e mulheres são explorados e mal pagos exactamente da mesma maneira.
Parece que até os craques se prestam a estas coisas
Numa altura em que a discussão sobre a violência no futebol recai naquilo que os adeptos dos clubes fazem, não deixa de ser irónico que sejam os próprios artistas a promover coisas pouco dignas nos relvados da mais prestigiada competição de clubes.
A televisão pública faz 50 anos
Hoje, a RTP faz 50 anos. Uma idade que corresponde a um respeitável cidadão, com carreira feita, em contraponto com as suas concorrentes com uma idade que anda ali pela adolescência. Quer queiramos quer não, a televisão pública confunde-se muitas vezes com a história recente de Portugal e com a nossa própria história e memórias enquanto pessoas.
Foi o veículo privilegiado para notícias como a instauração da liberdade, o PREC, a morte de Sá Carneiro, a queda do muro de Berlim, a Guerra no Golfo ou as finais europeias dos clubes portugueses na década de 80, enquanto foi o único canal televisivo português. E quem tem mais de 20 anos certamente que não conheceu outros desenhos animados na infância que não os da RTP, o que permite uma sempre saudável troca de memórias.
A concorrência trouxe dúvidas à RTP sobre o seu posicionamento e os diversos governos não ajudaram sobre a forma de conciliar audiências com o serviço público. Os anos mais recentes trouxeram estabilidade e um maior sentido de serviço público, prestado essencialmente pelo segundo canal.
Assim sendo, nada como assinalar a efeméride.
Isto de estudar mais não é só benesses
Um estudo do Eurostat sobre a actual condição da mulher nos diversos países da União Europeia chega a conclusões que já são conhecidas sobre o nosso país. Em primeiro lugar, constata-se que há mais mulheres nas universidades. Nada que não se soubesse, afinal de contas as alunas são normalmente mais esforçadas e organizadas que os alunos, logo é normal que cheguem em maior número ao ensino superior. Em segundo lugar, o estudo conclui que o desemprego atinge mais o sexo feminino do que os homens e que as mulheres têm mais dificuldades em conseguir emprego.
Poderíamos avançar com inúmeras explicações para a segunda conclusão. Uma explicação possível remete para a primeira conclusão, ou seja, as mulheres têm mais dificuldades em conseguir emprego precisamente por terem mais habilitações. Num país onde é mais fácil conseguir emprego com o 9ºano do que com um doutoramento e onde as hipóteses de empregabilidade diminuem à medida que os níveis de escolaridade aumentam, não é estranho concluir que até pode existir uma certa relação causa-efeito entre essas duas variáveis.
Um conselho possível poderia ser: estudem menos e pode ser que se safem, pá!
Poderíamos avançar com inúmeras explicações para a segunda conclusão. Uma explicação possível remete para a primeira conclusão, ou seja, as mulheres têm mais dificuldades em conseguir emprego precisamente por terem mais habilitações. Num país onde é mais fácil conseguir emprego com o 9ºano do que com um doutoramento e onde as hipóteses de empregabilidade diminuem à medida que os níveis de escolaridade aumentam, não é estranho concluir que até pode existir uma certa relação causa-efeito entre essas duas variáveis.
Um conselho possível poderia ser: estudem menos e pode ser que se safem, pá!
Isto é que tem sido uma colheita de googladas!...
cabo-verdiano, carpinteiro
Karaté kids suas regras objectivos do karaté kids
como aprender e fazer expresão matematica
musica do documentario de salazar
porque o nabo nao tem talo
fotos de acidentes com empilhadores
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fotos de acidentes com empilhadores
O meio-termo
O meio-termo é a pior condição humana que pode existir. Porque comporta consigo todo um conjunto de angústias, a dúvida entre o sim e o não, a disputa interna entre o poder e o querer ou o desconhecimento das capacidades.
Exemplos? Imaginem uma casa cara, vá lá de 120 mil euros para cima. O rico tem dinheiro para a comprar e não há problema. O pobre sabe que não tem dinheiro e deixa estar. O remediado ou classe média faz contas à vida, estuda spreads das instituições bancárias, faz uma previsão de gastos e quanto fica a sobrar no final do mês, equaciona um hipotético despedimento. No fim, só toma a decisão de ponderar todo o tipo de factores.
Um homem tem uma nova colega de trabalho, que considera bonita e até é descomprometida. Se o homem fôr tudo menos atraente depressa se mentaliza que está a sonhar demasiado alto. Se estiver no extremo oposto da beleza, fica com a certeza de que pode conseguir alguma coisa. O tipo que está no meio-termo enche-se de dúvidas e de incertezas sobre o que consegue fazer, fica ali no vai-não-vai, enfim coisas que só dão chatices.
Um tipo convida amigos para jantar em casa. Se cozinhar mal e os outros souberem disso, não terá problemas em servir uma comida bastante simples para evitar dar barraca. Se sabe cozinhar bem, não terá problema em encontrar uma boa receita e fazê-la como deve ser. O pior é quando a pessoa duvida das próprias capacidades para concretizar uma receita e de agradar aos outros e aí a cabeça enche-se de hipóteses de pratos a confeccionar, probabilidades de as coisas correrem mal e, se fôr consciente, ponderar um plano B.
A pessoa está num Karaoke que não está dentro de um restaurante chinês. Um dos convencionais, portanto. Se a pessoa tem a noção que canta mal, deixa-se estar e bebe mais um copo. Se canta bem, sabe que fará certamente boa figura e pode avançar. Se canta mais ou menos, pondera numa música que a pode beneficiar, equaciona se há muita gente a ver ou se o som está bom. E pode também pedir a um colega para ajudar na prestação musical. Dúvidas sobre a capacidade artística, o desejo de cantar e as probabilidades de dar barraca à frente das outras pessoas. Tudo coisas que não deviam acontecer, mas esse é o preço a pagar pelo meio-termo em que a pessoa se encontra.
O estar no meio-termo e a dúvida é dos piores estados de espírito que se podem ter. Nessas situações, nada como pensar no que dizia o conhecido Murphy: se as coisas podem correr mal, é certo que correrão mal. E ter ciente esse princípio ajuda em muitas decisões.
Exemplos? Imaginem uma casa cara, vá lá de 120 mil euros para cima. O rico tem dinheiro para a comprar e não há problema. O pobre sabe que não tem dinheiro e deixa estar. O remediado ou classe média faz contas à vida, estuda spreads das instituições bancárias, faz uma previsão de gastos e quanto fica a sobrar no final do mês, equaciona um hipotético despedimento. No fim, só toma a decisão de ponderar todo o tipo de factores.
Um homem tem uma nova colega de trabalho, que considera bonita e até é descomprometida. Se o homem fôr tudo menos atraente depressa se mentaliza que está a sonhar demasiado alto. Se estiver no extremo oposto da beleza, fica com a certeza de que pode conseguir alguma coisa. O tipo que está no meio-termo enche-se de dúvidas e de incertezas sobre o que consegue fazer, fica ali no vai-não-vai, enfim coisas que só dão chatices.
Um tipo convida amigos para jantar em casa. Se cozinhar mal e os outros souberem disso, não terá problemas em servir uma comida bastante simples para evitar dar barraca. Se sabe cozinhar bem, não terá problema em encontrar uma boa receita e fazê-la como deve ser. O pior é quando a pessoa duvida das próprias capacidades para concretizar uma receita e de agradar aos outros e aí a cabeça enche-se de hipóteses de pratos a confeccionar, probabilidades de as coisas correrem mal e, se fôr consciente, ponderar um plano B.
A pessoa está num Karaoke que não está dentro de um restaurante chinês. Um dos convencionais, portanto. Se a pessoa tem a noção que canta mal, deixa-se estar e bebe mais um copo. Se canta bem, sabe que fará certamente boa figura e pode avançar. Se canta mais ou menos, pondera numa música que a pode beneficiar, equaciona se há muita gente a ver ou se o som está bom. E pode também pedir a um colega para ajudar na prestação musical. Dúvidas sobre a capacidade artística, o desejo de cantar e as probabilidades de dar barraca à frente das outras pessoas. Tudo coisas que não deviam acontecer, mas esse é o preço a pagar pelo meio-termo em que a pessoa se encontra.
O estar no meio-termo e a dúvida é dos piores estados de espírito que se podem ter. Nessas situações, nada como pensar no que dizia o conhecido Murphy: se as coisas podem correr mal, é certo que correrão mal. E ter ciente esse princípio ajuda em muitas decisões.
Playlist já funciona a 100%
Já procedi às devidas alterações na playlist do LdM. Para além de ter criado uma nova playlist com 25 músicas, coloquei uma opção para que possam ouvir as músicas numa janela à parte, escolher as músicas que querem, accionar a opção shuffle e outras mordomias.
Expectativas para a OPA sobre a PT...
depois de ouvir umas discussões no autocarro sobre o tema:
Independentemente da decisão de hoje à tarde sobre a PT, posso adiantar que no meu bolso não entrará nem um cêntimo. Assim sendo, bem que aqueles gatunos se podem roubar uns outros que eu quero lá saber! A única coisa que eu sei é que anda tudo a meter ao bolso e é às nossas custas!
Agora a sério: hoje o Bloco de Esquerda levantou a questão do peso que terá no erário público se a OPA se concretizar, já que muito dinheiro envolvido passará por muito lado menos pela administração fiscal portuguesa. É um argumento importante, até porque é muito dinheiro. Apesar de no início até achar bem que o negócio avançasse, depressa concluí que afinal estou em Portugal e se há interesses que não ficarão salvaguardados se o negócio avançar, serão certamente os dos consumidores e dos contribuintes. Assim sendo, para mal já basta como está.
Independentemente da decisão de hoje à tarde sobre a PT, posso adiantar que no meu bolso não entrará nem um cêntimo. Assim sendo, bem que aqueles gatunos se podem roubar uns outros que eu quero lá saber! A única coisa que eu sei é que anda tudo a meter ao bolso e é às nossas custas!
Agora a sério: hoje o Bloco de Esquerda levantou a questão do peso que terá no erário público se a OPA se concretizar, já que muito dinheiro envolvido passará por muito lado menos pela administração fiscal portuguesa. É um argumento importante, até porque é muito dinheiro. Apesar de no início até achar bem que o negócio avançasse, depressa concluí que afinal estou em Portugal e se há interesses que não ficarão salvaguardados se o negócio avançar, serão certamente os dos consumidores e dos contribuintes. Assim sendo, para mal já basta como está.
Murphyologia laboral
Concorri há uns dias a um emprego e cheguei a ir à entrevista, mas acabei por não ser escolhido num universo de quatro concorrentes, apesar de ter experiência no cargo e alguma "bagagem" importante para o respectivo desempenho. Baseando-me numa percentagem de sucesso (com base numa relação entre todas as entrevistas a que fui e as vezes em que fui admitido), concluo que as hipóteses de ser bem sucedido são bastante baixas. Há-de chegar o dia em que sou o único candidato a um emprego e nem assim serei escolhido.
Quem quer matar a cerveja preta?
Ao consumo de cerveja podem ser associadas muitas coisas, normalmente bastante divertidas, como sair à noite, festivais de Verão, futebol na televisão, muita gente junta numa casa ou um bando de tipos que se juntaram para jogar na playstation em comunidade. Contrapondo a outras bebidas, que se querem glamourosas ou requintadas, a cerveja é aquilo que se sabe e não se presta a segundas interpretações, sabe-se que tanto é bebida pelo servente de pedreiro como pelo presidente do Conselho de Administração que não renega o seu sabor. A boa e bela cerveja, fresquinha, que faz barriga e obriga a constantes idas à casa-de-banho, com um sabor mais ou menos amargo, que sempre se bebe em quantidades apreciáveis, de dia ou à noite.
Ao conceito da pureza da cerveja e dos valores a ela inerente, os fabricantes têm estado a responder com golpes baixos de marketing. No fundo, como os pais que deram uma determinada educação a um filho e querem mudar a sua personalidade quando este já é adulto. A cerveja sem álcool é um desses atentados. Querer fazer de uma bebida alcoólica - ainda por cima pouco alcoólica - uma bebida limpa é, usando o exemplo contrário, como querer fazer um sumol laranja ou ice tea de pêssego em versão alcoólica. Outros casos são a cerveja com sabores ou as cervejas ditas mais light, como a Super Bock Green. No fundo, cervejas que visam captar um público que nada tinha a ver com o universo do consumo de cerveja. Mariquices, digo eu: de cerveja ou se gosta ou não se gosta, pode não se apreciar tanto esta ou aquela marca, mas isto de se gostar de cerveja é quase uma marca que se cola à pessoa. Quando se pergunta a alguém se gosta ou não de cerveja, a pessoa diz sim ou não ou que gosta mais de marca A ou B, mas não diz: ah e tal, gosto da cerveja mas só aquela com sabor a pêssego ou daquela que sabe a panaché, que se dá aos miúdos de 13 anos.
A esta ofensiva de matar o conceito da cerveja, a Super Bock deu mais um importante contributo: a Super Bock Stout sem álcool. Durante muito tempo, a cerveja preta manteve-se incólume a esta ofensiva, ao cimo de uma montanha vendo os seus pares cá em baixo serem adulterados. Durante muito tempo, a cerveja preta foi o último reduto dos apreciadores da boa cerveja, tanto aquelas que só se conseguem beber nos bares irlandeses como das que vinham sendo alvo de melhoria por parte das cervejeiras nacionais. Quem pensava que a preta ficava imune a estes assassinatos de carácter enganou-se, com o advento de uma versão rasca sem álcool, destinada a meninos que querem parecer gente grande, mas sem terem o sabor amargo da cerveja na boca.
Sinceramente, espero que nenhuma destas novas formas de cerveja tenha resultados comerciais, para que os apreciadores da cerveja tradicional possam dizer a esses senhores engravatados: Vai mudar o espírito da cerveja para outro lado, pá!
Ao conceito da pureza da cerveja e dos valores a ela inerente, os fabricantes têm estado a responder com golpes baixos de marketing. No fundo, como os pais que deram uma determinada educação a um filho e querem mudar a sua personalidade quando este já é adulto. A cerveja sem álcool é um desses atentados. Querer fazer de uma bebida alcoólica - ainda por cima pouco alcoólica - uma bebida limpa é, usando o exemplo contrário, como querer fazer um sumol laranja ou ice tea de pêssego em versão alcoólica. Outros casos são a cerveja com sabores ou as cervejas ditas mais light, como a Super Bock Green. No fundo, cervejas que visam captar um público que nada tinha a ver com o universo do consumo de cerveja. Mariquices, digo eu: de cerveja ou se gosta ou não se gosta, pode não se apreciar tanto esta ou aquela marca, mas isto de se gostar de cerveja é quase uma marca que se cola à pessoa. Quando se pergunta a alguém se gosta ou não de cerveja, a pessoa diz sim ou não ou que gosta mais de marca A ou B, mas não diz: ah e tal, gosto da cerveja mas só aquela com sabor a pêssego ou daquela que sabe a panaché, que se dá aos miúdos de 13 anos.
A esta ofensiva de matar o conceito da cerveja, a Super Bock deu mais um importante contributo: a Super Bock Stout sem álcool. Durante muito tempo, a cerveja preta manteve-se incólume a esta ofensiva, ao cimo de uma montanha vendo os seus pares cá em baixo serem adulterados. Durante muito tempo, a cerveja preta foi o último reduto dos apreciadores da boa cerveja, tanto aquelas que só se conseguem beber nos bares irlandeses como das que vinham sendo alvo de melhoria por parte das cervejeiras nacionais. Quem pensava que a preta ficava imune a estes assassinatos de carácter enganou-se, com o advento de uma versão rasca sem álcool, destinada a meninos que querem parecer gente grande, mas sem terem o sabor amargo da cerveja na boca.
Sinceramente, espero que nenhuma destas novas formas de cerveja tenha resultados comerciais, para que os apreciadores da cerveja tradicional possam dizer a esses senhores engravatados: Vai mudar o espírito da cerveja para outro lado, pá!


