Serviço público: algumas sugestões de software livre

Queres ter software fiável sem pagar um tostão e de forma absolutamente legal, sem recorrer a cracks e artifícios desse tipo? Este artigo da PC Guia que encontrei nos meandros internéticos (link aqui ) dá uma ajuda importante para ficares a par das possibilidades que há por aí em termos de freeware. Aproveitei uma recente formatação ao disco rígido para instalar umas funcionalidades que nada têm a ver com a Microsoft (como o Open Office, o Audacity, o Firefox e o Thunderbird) e não me tenho dado mal.

Os negócios de Entre Campos e a crise na Câmara de Lisboa

Nos últimos dias, os noticiários têm dado especial atenção à instabilidade que se vive na Câmara de Lisboa. Resumo o que aconteceu, para quem não acompanhou: o vereador José Sá Fernandes (candidato independente pelo Bloco de Esquerda nas últimas autárquicas) denunciou que foi alvo de uma tentativa de suborno (200 mil euros) para que parasse de contestar um negócio que envolve uma troca de terrenos entre a Câmara de Lisboa e uma empresa de nome Braga Parques. Os terrenos em causa são os do Parque Mayer e os da Feira Popular, coisa pouca como se vê. A partir dessa denúncia, a PJ tem estado a investigar o que se tem passado recentemente na Câmara de Lisboa no que diz respeito a terrenos, construção, imobiliário e afins.

Alguém que denuncia que foi alvo de uma tentativa de suborno (aliás, a pessoa que queria corromper foi apanhadíssima com a mão na massa, já que a conversa até foi gravada e a PJ estava avisada antecipadamente e ajudou a montar a cilada) certamente que nada terá a ver com negócios estranhos. Daí, acredito que José Sá Fernandes nada tenha a ver com jogadas de bastidores. Mas levanta suspeitas sobre as restantes forças partidárias na autarquia, sobretudo quem está actualmente à frente dos seus destinos. Daí que a assessora de Carmona Rodrigues tenha sido constituída arguida neste processo.

Em 2001, Santana Lopes era visto como o salvador da Câmara de Lisboa, enquanto João Soares fazia uso da sua arrogância partindo do princípio que seria novamente eleito presidente. Acabou por ser Santana Lopes, com Carmona Rodrigues como número dois, a ser o vencedor na capital. Lançou uma série de medidas fabulosas para a cidade, como o Túnel do Marquês, o casino, a reabilitação do Parque Mayer graças à contratação do arquitecto Frank Gehry e a reabilitação da Feira Popular com a sua colocação num ponto mais atractivo da cidade. Medidas que, cinco anos depois, tiveram o impacto que se sabe. O Túnel do Marquês arrasta-se há uma série de anos e apenas contribuirá para a entrada de mais carros no centro da cidade. O Parque Mayer não teve qualquer intervenção e o erário público teve de pagar a indemnização ao arquitecto americano, ao passo que a Feira Popular continua... fechada. De todas as promessas, a única que avançou foi o casino, mas suspeito por ter sido feito graças à iniciativa privada.

Sempre achei que Carmona Rodrigues nunca seria o salvador da cidade, precisamente por ter sido cúmplice das megalomanias de Santana Lopes enquanto foi presidente. Foi eleito perante o consenso geral de que dirigia uma equipa de gente séria e o facto de o seu opositor se chamar Manuel Maria Carrilho também ajudou. Agora, a câmara está mergulhada numa crise de liderança e o pior é que nenhum dos partidos da Oposição quer eleições antecipadas, numa daquelas clássicas jogadas da política que consiste em desgastar o adversário até este cair no ringue de cansaço.

E tudo isto por um estranho negócio com terrenos na zona de Entre Campos. Até eu, que sou um cepo do ramo imobiliário, me apercebi do que estava em causa com a transferência da Feira Popular para outra zona. Não terá sido apenas por uma questão de degradação do espaço ou porque ficaria melhor noutro ponto da cidade. Foi, tão somente, porque terrenos daqueles são demasiado valiosos para que pudessem ser usados para algo tão pouco lucrativo como a Feira Popular. Vá lá que alguém deste vez deu com a boca no trombone...

Contas fáceis de fazer

Se chegar atrasado ao trabalho uns 10 ou 15 minutos todos os dias, consigo reduzir a minha carga horária para 39 horas semanais.

Sobre o referendo ao aborto - razões para votar no Sim

Antes de dar a conhecer a minha opinião sobre o tema, faço uma ressalva: ao contrário do que consta na pergunta que será colocada aos portugueses em referendo, o que se propõe não é a despenalização do aborto mas antes a legalização. A partir do momento em que há um enquadramento legal para o aborto e será possível a sua realização em unidades de saúde, deixa de se falar no fim de aplicação de uma pena e antes na sua legalização. Despenalização é o que existe, por exemplo, para o consumo de charros, deixando de haver quem vá para a prisão pelo seu consumo, havendo uma multa para quem cometa essa infracção.

Adiante. O que está, portanto, em causa no referendo é, apesar de toda a poeira que se tem levantado, tão-somente a possibilidade de uma mulher interromper a sua gravidez até às 10 semanas num estabelecimento de saúde legalmente autorizado (público ou privado). Não se discute se há vida até às X semanas, se deveria haver mais informação junto da população juvenil, se se deve apostar mais no planeamento familiar, se a mulher pode criar um trauma para o futuro por ter decidido abortar. Não é isso que se pergunta, apenas se pergunta se poderá ser possível fazer abortos em estabelecimentos de saúde até às 10 semanas e mais nada.

Primeiro ponto: há ou não vida até às 10 semanas? A minha resposta é um redondo "não sei". Se a própria comunidade médica não está de acordo sobre esta matéria, eu , que até cheguei a ter negativa a disciplinas de Ciência quando andava na escola, não posso emitir grande opinião a este respeito. A profusão de opiniões que tenho ouvido sobre esta matéria só me aumenta a dúvida. Mas, por um momento, admitamos que sim. Será que, por essa razão, se deve impedir a realização do aborto? Nesse caso, que haja coerência e que se proíba para outras situações, como os casos de violação. Que culpa tem o embrião de ter sido gerado numa situação de violação? De uma maneira ou de outra, não é isso que se está a perguntar e alguém comparar o aborto a enforcamentos, como já ouvi por aí, pode não ser a melhor forma de demonstrar a hipótese de haver vida até às 10 semanas.

Segundo ponto: devemos andar a contribuir com os nossos impostos para a realização de práticas abortivas? Sem querer tornear a questão, posso responder com dois argumentos a essa pergunta que circula por outdoors dessas ruas de Portugal. Em primeiro lugar, esta história de pagarmos impostos e contribuirmos para um bem comum tem sempre um inconveniente, que é o de haver dinheiro para coisas profundamente inúteis, como ordenados de autarcas por esse país fora que andam a encher os bolsos à conta de negócios lesivos do erário público, estádios de futebol que têm uma média de espectadores inferior a alguns concertos na Aula Magna ou reformas milionárias para gestores públicos. Em segundo lugar, partindo do princípio que andamos a contribuir para uma situação que deveria ter sido evitada pelo casal, posso argumentar que toda a gente está farta de saber que fumar faz mal à saúde, mas não é por isso que deixam de se realizar operações no Serviço Nacional de Saúde para doenças causadas pelo consumo de tabaco. Também não é por falta de informação que os jovens apanham bebedeiras que põe em causa a própria integridade física, mas não me choca que o dinheiro dos meus impostos pague o serviço de emergência que é prestado a quem entra em coma alcoólico. Em suma, há dinheiro que é gasto com abortos e poderia ser usado de forma mais correcta, dentro do Serviço Nacional de Saúde, mas em sociedade também temos que salvaguardar estas situações.

Terceiro ponto: não deveria ser mais racional apostar na prevenção do aborto, seja pela educação sexual nas escolas, pela maior aposta no planeamento familiar ou pelo maior acesso a métodos anticoncepcionais? Claro que a informação é sempre melhor do que a ignorância e que o planeamento de uma gravidez é melhor do que aparecerem surpresas desagradáveis, mas aí estamos a ser utópicos e pensar que a prevenção resolve a questão, o que manifestamente não acontece. Para além disso, falar na abrangência do planeamento familiar junto de toda a população é falar de algo que ainda não existe.

Quarto ponto: é legítimo uma mulher fazer um aborto apenas por achar que não deve prosseguir a gravidez? Sendo esta uma questão do foro individual, é-me difícil imaginar o que vai na cabeça de uma mulher para decidir interromper a gravidez. Há toda uma série de motivos que se podem enumerar, como a falta de apoio da família, a "fuga" do progenitor, a falta de condições financeiras naquele momento para assegurar um futuro à criança. Pode argumentar-se que, comparado com a vida de um embrião, são razões pouco válidas. Talvez sejam, mas acredito que seja uma intervenção extremamente dolorosa do ponto de vista físico e psicológico, pelo que poucas pessoas o farão de forma leviana. De qualquer modo, podemos perguntar-nos sobre as condições que hoje são oferecidas às famílias quando têm filhos: o preço abusivo das creches e infantários, os quase simbólicos abonos de família ou as dificuldades com que uma mulher se depara no mercado de trabalho quando está grávida ou tem filhos pequenos.

Quinto ponto: a actual lei é justa e contempla as situações em que o aborto realmente se justifica? Pelas razões que enumerei, não a considero justa. Nem sequer a considero coerente, já que não é cumprida e esse é argumento para mudá-la, já que nenhuma mulher vai presa pelo facto de fazer um aborto apesar de o Código Penal contemplar uma pena de três anos de prisão. Estranhamente, até há juristas que defendem a actual lei. Aliás, esta é uma daquelas matérias reveladores da República das Bananas em que vivemos do ponto de vista jurídico, já que há um distanciamento entre a lei e a interpretação de que é alvo. Para além disso, quando falamos na efectiva possibilidade de realização de um aborto, falamos de uma questão social. Ou seja, quem é rico ou remediado, tem a hipótese de realizar a prática em Espanha e ainda tem a seu favor o facto de não ter de carregar um certo fardo em termos sociais. Mas quem não se pode dar a esses luxos, tem de recorrer a parteiras com negócios caseiros sem o mínimo de condições. Ou seja, para quem tem dinheiro a questão de fazer ou não o aborto em condições quase não é uma questão, o pior é quando esse dinheiro não existe.

Sexto ponto: partindo do princípio que o aborto será legalizado, como devem ser enquadradas as situações de aborto que não estão contempladas na lei? Antes de mais, seria bom que deixassem de existir abortos de vão-de-escada, mas sei que isso será difícil acontecer. É como a actividade de electricista: não é por a actividade estar legalizada que deixam de existir uns tipos a fazer uns "biscates por fora". Ainda assim, e na minha modesta opinião, deveria constituir um crime realizar abortos, não do ponto de vista de quem recorre a eles, mas de quem lucra com o negócio (às vezes, misturado com outras actividades pouco recomendáveis, como tráfico de droga ou de armas).

Por estas razões, considero importante que haja uma vitória do Sim no referendo. Não por ser um adepto da prática ou por ser contra a vida humana (até porque estamos a falar de situações que não contemplam a generalidade das mulheres, pois acredito que a maioria não fez nem fará abortos por iniciativa própria), mas por achar que é um mal menor. Depois da legalização, é fundamental que o Estado e a sociedade encontrem formas de combater as causas que levam ao aborto e isso seria razão para um grande consenso nacional, mas ao menos que se salvaguardem as situações em que isso não pode acontecer.

Levantar da cama

Face ao frio que se faz sentir por estes dias, o simples acto de a pessoa se levantar da cama já constitui uma prova de assinalável coragem.

Karaoke portátil

No maravilhoso mundo da electrónica e dos gadgets, uma pequena funcionalidade nos leitores de mp3 ter-me-à passado ao lado: a função karaoke, como atesta este aparelho. Se a coisa realmente funcionar, temos uma espécie de karaoke de bolso, para nosso próprio usufruto. Sem dúvida que oferece todo um mundo de novas experiências, embora seja necessário algum cuidado para não se passar por tonto.

No entanto, apesar do natural entusiasmo que uma funcionalidade destas me suscita, não é crível que venha a comprar o dito produto. Já bem me basta um bajolo de uma marca com o estranho nome de Seaby para me regalar com a melhor invenção de sempre das terras asiáticas.

Falha própria

Andar a culpar os outros pelos próprios erros é feio. E foi o que eu fiz, ao dizer que o serviço do Bravenet andava em baixo, já atribuindo culpas a hackers ou falhas técnicas. O que realmente se passava é que o acesso me estava a ser bloqueado pela firewall recentemente instalada e só hoje me apercebi desse facto. Do mal o menos, já consegui configurá-la para me permitir o acesso à informação dos contadores, estatísticas e quejandos.

Problemas no Bravenet

Nos últimos dias tem estado em baixo o Bravenet, o que me impede de saber dados fundamentais sobre o blogue, como o número de visitas e a forma como essas visitas cá vieram parar. Não sei se será um ataque de um brincalhão ou problemas técnicos, mas não deixa de causar um certo incómodo para os blogueiros de todo o mundo.

O culto de Pedro Mantorras



Adeptos de outros clubes terão dificuldade em perceber o porquê do culto benfiquista em torno do jogador Pedro Mantorras. Até eu, que sou benfiquista, admito que esse culto me faz alguma confusão quando penso com um pouco de racionalidade no assunto. Mas por que raio os adeptos do clube português com maior palmarés e maior número de adeptos em Portugal hão-de idolatrar um jogador que nunca é titular, não tem os pergaminhos dos seus colegas de equipa, que não consegue jogar durante 90 minutos e que nem consegue ser titular numa selecção da terceira ou quarta divisão do futebol mundial?

A resposta a essa pergunta só é possível do ponto de vista emocional, porque racionalmente estamos conversados, e dessa perspectiva eu posso dar a minha resposta. Porque Mantorras consegue encarnar muito do que é hoje a alma do adepto benfiquista, já que num mundo futebolístico cada vez mais dominado pelo dinheiro, não deixa de ser enternecedor ver um jogador a vestir a camisola do clube com uma alegria parecida a quem joga numa qualquer rua de Luanda.

Para além disso, se olharmos para o que tem sido o Benfica nos últimos 15 anos, não deixa de haver um certo paralelismo com a carreira do jogador. Foi dos primeiros a ser contratado aquando da mudança de rumo desportivo que foi a época 2001/02, vindo desse epifenómeno da primeira divisão nacional chamado Alverca, tendo sido sobrevalorizado aquando da chegada ao clube (mantendo a tendência benfiquista de exagerar positiva ou negativamente a propósito do valor dos seus atletas), prometeu muito nos primeiros tempos mas uma lesão e posterior tratamento com um longo calvário ia deitando tudo abaixo (no fundo, como esse calvário que foram os 11 anos de jejum nos campeonatos nacionais). Para além disso, é dos poucos jogadores que não entra em campo cheio de tatuagens no braço, sem cortes de cabelo originais e sem o cabelo pintado, deixando de parte aquele lado cada vez mais fashion e metrossexual do futebol moderno, coisa que o adepto benfiquista da velha guarda bem dispensa. E sempre que entra em campo, apodera-se do comum adepto ou simpatizante uma esperança messiânica de que é dos seus pés que sai a resolução do jogo, e se há adepto com uma certa tendência sebastianista esse adepto é, sem dúvida, o do Benfica.

E, se mais respostas faltassem a essa estranha dúvida, ontem foi dada uma importante resposta. Num sensaborão jogo em que íamos sendo eliminados pela União de Leiria, eis que consegue resolver um encontro que parecia destinado para acabar numa surpresa. E, apesar das recentes declarações do médico que o operou e do Fernando Santos dando conta de que não se pode contar com o jogador para grandes andanças, o comum adepto lá vai depositando a esperança de que, num qualquer jogo, quando as vedetas da equipa não resolvem a contenda, o Mantorras saltará do banco e , qual feitiçaria de um mago africano, virará o rumo dos acontecimentos. O que até pode nem acontecer, mas os mitos são mesmo assim.

Para quando uns glutões reais?

Havia (e acho que ainda há) uma marca de detergente cuja imagem de marca são uns glutões que devoram as manchas entranhadas na roupa aquando da lavagem. Hoje, enquanto limpava a casa, questionei-me sobre o momento da passagem desses glutões do mundo fictício da publicidade para a vida real, nomeadamente para saltitarem pelas casas e engolirem bolas de cotão, centopeias ou outros seres estranhos que povoam o submundo da sujidade caseira.

Serviço público: saber a seguradora dos veículos

Para aqueles casos tão comuns de alguém bater no carro de terceiros e depois desatar a fugir, esta ferramenta pode ser útil para as vítimas, já que permite saber a seguradora do infractor no dia em causa.

http://www.isp.pt/NR/exeres/019EEB91-E357-4A7C-8BD2-B62293701692.htm

E eis que, de repente, parecia que estava a fazer um relatório para a Brigada de Trânsito.

Sentido de humor

Tenho um sentido de humor relativamente abrangente, que não deixa de passar por esse campo melindroso do humor negro, ou seja pelo acto de pegar em coisas dramáticas dando-lhe a forma de algo com graça. Mas tomo consciência de algumas limitações desse meu sentido de humor quando vejo que há muitos milhares de pessoas que decidem votar no Salazar para maior português de sempre. É que, por muito que me esforce, não consigo achar grande piada à brincadeira...

As mais recentes googladas

simpatia para ganhar no jogo

karaoke "a ternura dos 40"

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Assista na internet o episódio dos Simpsons oasis

video de flauta pan

como era a comida do sec xix em braga

O grande português Hélio

A presença de Hélio Pestana nos 100 grandes portugueses, à frente de nomes como António Lobo Antunes ou Paula Rêgo, não pode deixar de constituir um grande disparate, no entanto dá-me direito a um gracejo. É que posso dizer que, durante umas duas ou três semanas no penúltimo Verão, ia diariamente no mesmo autocarro que um dos 100 maiores portugueses de todos os tempos

Grandes portugueses: a minha previsão do Top 10 e o Top 10 efectivo

Neste meu post escrito ainda em Outubro, fiz a minha previsão em relação àqueles que eu achava que seriam os 10 portugueses mais votados na eleição da RTP "Grandes Portugueses". Comparando os 10 que foram efectivamente os mais votados (D. Afonso Henriques, Álvaro Cunhal, Salazar, Aristides de Sousa Mendes, Fernando Pessoa, Infante D. Henrique, D. João II, Camões, Marquês de Pombal, Vasco da Gama) e a minha votação, concluo que apenas acertei em quatro nomes (D. Afonso Henriques, Cunhal, Salazar e Camões) e que fracassaram as minhas previsões de que haveria uma certa falta de memória histórica em detrimento de personalidades actuais ou de um passado mais recente.

Em relação aos 10 a que chegámos, parece-me importante salientar a presença de figuras essencialmente ligadas a momentos mais marcantes da nossa História, como a luta por um Portugal independente, os descobrimentos e o Estado Novo e será interessante saber até que ponto se valorizará mais, por exemplo, quem definiu linhas para os Descobrimentos (D. João II) ou quem colocou a "mão na massa" (Vasco da Gama) ou , por outro lado, quem se manteve no poder mais de 40 anos à custa de um regime opressivo (Salazar) ou quem teve a coragem de o enfrentar (Álvaro Cunhal e Aristides de Sousa Mendes).

Quanto à lista dos 100 mais votados, acabou por constituir uma amostra razoável sobre a forma como os portugueses olham para o seu próprio país. Ou seja, há figuras da Cultura, mas estas são maioritariamente ligadas à literatura, havendo uma representação reduzida na área da Pintura, Arquitectura e Música. Há uma presença muito relevante de figuras ligadas aos Descobrimentos, não só pelos navegadores, mas pelos reis associados a esse período histórico. As figuras religiosas têm a sua presença óbvia, não só nas figuras dos padres, como também em figuras que ainda ocupam um certo imaginário nacional (Irmã Lúcia e Santo António, por exemplo). Há figuras da Política do pós-25 de Abril, tanto do lado dos que contribuíram para o 25 de Abril para os que ajudaram a solidificar o regime democrático. No campo do desporto, com a presença óbvia do futebol, não se descuraram grandes nomes como Joaquim Agostinho e Rosa Mota. A eleição de figuras ligadas essencialmente ao audiovisual, como Ricardo Araújo Pereira, Herman José e José Hermano Saraiva (que terá sido escolhido pela visibilidade mediática mais do que por qualquer outra razão) mostra a importância do fenómeno televisivo para muita gente. Houve também espaço, ou não fosse esta uma votação absolutamente democrática e feita em Portugal, para umas brincadeiras parvas, como a eleição de Hélio Pestana e de Maria do Carmo Seabra.

O fim da carreira de Figo

Nos últimos dias, ficámos a saber a forma como Figo irá terminar a sua carreira. Não no Sporting, como já se diz há muitos anos, mas num clube árabe com um nome difícil de fixar. Não importa, já que ficará por lá pouco tempo.

Em conversas de café, sempre disse que Figo nunca iria acabar a carreira no Sporting, nunca estabelecendo um paralelo com o que poderia vir a acontecer com Rui Costa e o fim da sua carreira no Benfica. E a diferença de comportamento entre ambos em relação aos clubes que os formaram sempre foi demasiado grande para que ambos tivessem o mesmo destino.

Deixemos Rui Costa e pensemos apenas em Figo. Desde há muitos anos que há cada vez menos espaço para o futebol romântico, dos jogadores que pensam acima de tudo nos clubes e menos nas suas próprias carreiras. Há, certamente, uma associação clara e inequívoca entre certos jogadores e os respectivos clubes, pensemos de Maldini e o AC Milan, em Raul e o Real Madrid ou Del Piero no caso da Juventus. Em Portugal, há alguns casos recentes, como Paulinho Santos, Vítor Baía e Jorge Costa como símbolos do Futebol Clube do Porto. Infelizmente, o Benfica não terá casos flagrantes como esses, de jogadores a quem só falta ter um SLB estampado na testa, mas ainda há uns jogadores com muitos anos de casa e que já estão há muito associados ao clube e não têm o estatuto de quem só lá está de passagem.

Ao futebol romântico, contrapõe-se o futebol enquanto espelho do mundo cá fora, onde a óptica empresarial impera e onde tudo tem de dar lucro. O futebol, enquanto máquina de gerar receitas, evolui muito nos últimos 10, 15 anos. Passou a ser um mundo virado essencialmente para os negócios, fazendo parte dessa nova visão coisas como o pay-per-view, os namings dos estádios, os contratos chorudos de patrocínio ou a exploração dos direitos de imagem. Os jogadores entraram também nesse espírito, passaram a ver a carreira de futebolista como uma maneira de conseguir proveitosos lucros, pensando essencialmente na sua carreira e nos dividendos que daí podem advir. Figo encarna isso na perfeição, basta lembrarmo-nos de que assinou por dois clubes italianos em 95, que trocou Barcelona pelo Real Madrid em 2000 e a recente transferência para um clube visando exclusivamente a parte financeira.

Posto isto, é legítimo dizer que Figo irá acabar a carreira no clube do seu coração. Pensando que irá para o clube que mais dinheiro lhe poderá oferecer, não é exagerado dizer que vai à procura daquilo que sempre procurou enquanto profissional de futebol: o dinheiro.

O sonho que serve de metáfora

Esta noite sonhei que estava numa garagem vazia e, de repente e sem eu dar por isso, me aparece o Dias Ferreira com um ar enraivecido vindo de trás de uma coluna. Para mal dos meus pecados, vinha com uma metralhadora e, assim que me viu, desatou a disparar. No entanto, não me causou qualquer dano físico.

Julgo que este pequeno episódio, apesar de totalmente surreal, é uma boa metáfora daquilo que esse senhor já faz há muitos anos na área do comentarismo desportivo, que é mandar vir contra tudo o que mexa, seja o seu clube ou o Benfica, mas quando se trata de fazer algo de realmente frutífero acaba por nada concretizar. A recente desistência de se candidatar à presidência do Sporting, por entender que não era o momento indicado, é disso um bom exemplo.

Brincadeiras familiares

Há uns tempos atrás, uma menina de 4 anos teve a bondade de me fazer uns desenhos, em que os protagonistas, para além dela, eram os colegas do infantário. Nesses desenhos, ela desenhou-se a ela mesma com o namorado, bem como outros colegas, mas sempre aos pares e parecia que a coisa estava bem orientada para uns quantos casamentos.

Parece que a tendência casamenteira infantil, de que as brincadeiras dos pais e das mães são um bom exemplo, continua perfeitamente intacta. No entanto, questiono-me se, face às mudanças na estrutura familiar que ocorreram nas últimas décadas, não veremos um dia as crianças a dizer coisas como "vamos brincar às uniões de facto!" ou "embora jogar às famílias monoparentais!".

Coisas do Marketing: a redundância dos anúncios da TV Cabo



Qualquer campanha publicitária tem assim uma espécie de ideia forte que é necessário fazer passar. A campanha da TV Cabo que tem passado nas últimas semanas visa passar uma mensagem: é chato ter apenas os quatro canais e daí a necessidade de ter TV Cabo. A partir daí, como acontece com todas as campanhas da TV Cabo, fomos bombardeados com a campanha em muppies, jornais, televisões e o que mais houvesse.

É precisamente na questão dos anúncios televisivos que reside uma certa redundância. Vejamos: a campanha quer transmitir a ideia de que é imperioso ter mais do que os quatro canais clássicos. Vaí daí, seria de apostar essencialmente nesses quatro canais clássicos. Isso acontece, mas a campanha passa também nos canais do cabo, como aqueles pertencentes ao universo SIC e aos canais de cabo da RTP (RTPN e RTP Memória) que são canais que podem ser vistos por quem? Lá está: por pessoas que já têm nas suas casas uma ligação de televisão por cabo e que, por isso, são imunes a esse apelo de terem mais do que os canais de sinal aberto. Poderíamos argumentar que há muita gente que tem serviço de televisão por cabo sem ser a TV Cabo e que acedem aos ditos canais, mas mesmo junto desses a mensagem não passará com grande eficácia. Também o facto de a PT ter uma ligação qualquer com os canais SIC, e com isso poder ter eventualmente acesso gratuito aos blocos publicitários desses canais, poderá ter lógica neste caso particular, mas em relação à RTP?

Ouve-se com frequência o comum cidadão dizer mal das empresas públicas, nomeadamente os recorrentes corropios nas administrações da CGD, CTT ou EDP com o prejuízos óbvios para o erário público, mas nunca ninguém se terá lembrado das verbas astronómicas que são gastas por empresas públicas (neste caso, a PT) nestas campanhas publicitárias com eficácia um tanto ou quanto duvidosa.

Quando a coisa aperta, calha a todos...

"Excelente pessoa"

Estava hoje a consultar a minha conta pessoal no Miau.pt, quando me deparo, na zona dos feedbacks, com um comentário relativo a uma compra que fiz no passado de uma caderneta de um mundial de futebol. O comentário relativo ao meu comportamento no negócio era, e passo a citar: "Excelente pessoa". A isto se chama pecar por excesso: sei que sou um tipo honesto, mas alguém vir dizer que sou uma excelente pessoa só porque comprei uma caderneta de futebol parece-me um pouco exagerado.

Ainda o discurso de Ano Novo do Presidente da República

Até agora, Cavaco e Sócrates têm funcionado em sintonia e o Presidente da República até deu o aval a algumas medidas pouco populares do Governo. No discurso de Ano Novo, Cavaco Silva exigiu resultados depois de serem pedidos sacrifícios aos portugueses. O universo dos comentadores políticos e os líderes partidários dissecaram as palavras do Presidente na entrada para 2007. Eu, que também sou gente, disseco o seguinte: Cavaco Silva portou-se como aqueles pais que dão umas prendas porreiras aos filhos no Natal, exigindo-lhes, em contrapartida, aplicação e boas notas no segundo e no terceiro período. Quem disse que o Presidente da República não funciona como o pai de todos nós?

Primeira actualização de googladas de 2007

morango "grandes portugueses"

como instalar uma antena parabolica com motor

piropos brasileiros

leonel antune talo nabo

30 razões para dar o dízimo

hi5 goncalo gata

Algumas figuras nacionais do ano que ontem findou

Nota prévia: este post teria bastante mais sentido se tivesse sido escrito ontem, mas a esta hora andava a comprar camarões congelados, espumante e outros apetrechos para os festejos da passagem de ano. No entanto o que conta é a intenção.

Cavaco Silva - por ter ganho a eleição presidencial, depois de o país muito suspirar pelo seu regresso tendo feito dele mais um D. Sebastião.
Manuel Alegre - por ter conseguido um honroso segundo lugar nas presidenciais, apesar de não dispôr dos meios de campanha que os restantes.
Paulo de Azevedo - ao encabeçar a OPA da Sonaecom sobre a PT, dá um sinal de grande arrojo e coragem num meio empresarial como o português, nem sempre dado a grandes aventuras.
Luís Filipe Scolari - a presença da selecção nacional de futebol nas meias-finais do Mundial da Alemanha tem muito do seu cunho pessoal, goste-se ou não do estilo.
Cristiano Ronaldo - foi talvez a grande figura da selecção nacional no Mundial, a que acresce o belíssimo campeonato que está a fazer em Inglaterra.
Joe Berardo - por ter endrominado o Estado português e, por inerência, todos nós, pelo negócio que fez com a sua colecção particular que será exibida no CCB e com a qual poderá facturar uma belíssima maquia.
António Nunes (presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) - graças às sucessivas e mediáticas fiscalizações, a ASAE vai dando a ideia de querer acabar com a bandalheira em muitos estabelecimentos de comércio e serviços neste país.
Gato Fedorento - no espaço de um ano, saiem da SIC Radical para a RTP1, onde têm estatuto de vedetas e direito ao horário nobre e tornam-se imagem de marca da Portugal Telecom.