
Raúl Durão foi, durante muitos anos, uma das referências da nossa televisão, essencialmente enquanto apresentador, tendo inclusivamente criado um estilo próprio de gerir os tempos nos programas cuja apresentação tinha a seu cargo. O estilo peculiar de «encher chouriços» e de saber falar sobre os mais diversos assuntos seria certamente uma boa escola para muitos ditos apresentadores da televisão lusa. Dele se dizia - e lembro-me de ouvir isto de um amigo e colega de trabalho - que chegava ao ponto de ir diariamente para os programas quase na ignorância, tal era a sua confiança na capacidade de conduzir a emissão, independentemente do tema em causa. Dos seus programas, recordo também as rubricas do Vasco Brilhante sobre cinema ou do Paulo Dimas sobre jogos do Spectrum, figuras que surgiram na televisão portuguesa nos anos 80 e daí não passaram.
Com as mudanças que ocorreram na televisão nacional após a chegada das televisões privadas, certas figuras emblemáticas da televisão pública perderam o protagonismo e Raúl Durão foi uma delas. Quem hoje vê os programas da tarde, protagonizados por meninas com saliências peitorais reforçadas por silicone ou por versões mais fashion do personagem Nelo do Herman José, terá talvez mais por onde "lavar a vista", mas vai-se perdendo a oportunidade de ver gente com este dom natural de conduzir os mais diversos programas, seja sobre segurança rodoviária ou sobre rendas de bilros. Raul Durão era uma dessas figuras e hoje desapareceu. Que descanse em paz.

2 comentários:
É marado, mas apesar de nunca falado com ele (a não ser pela tv onde o via regularmente como a maior parte das pessoas) até fiquei triste e com a sensação de ter perdido um conhecido.
RIP Raúl Durão
Que Deus guarde o nosso Raul junto aos seus braços
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