Na passada sexta-feira, um grupo de 50 pessoas invadiu uma plantação de milho transgénico em Silves, na qual destruiu pouco mais de um hectare. As pessoas pertencem a uma associação ecologista denominada Verde Eufémia e desejavam, com a sua acção, chamar a atenção para os perigos da cultura dos transgénicos e mostrar o seu desagrado recorrendo à destruição da produção. Esta intervenção pode ser enquadrada dentro da categoria de "Acção Directa", bem mais comum noutros países, onde grupos de defesa do ambiente ou dos direitos dos animais passam das palavras aos actos. Uma acção deste género é, por exemplo, a invasão de laboratórios onde tentam libertar os animais sujeitos a experiências médicas.
Posso estar enganado, mas julgo que este episódio foi aquele que, até hoje, deu mais tempo de antena aos transgénicos. Ou seja, um acto de invasão de propriedade conseguiu ser mais visível nos meios de comunicação social do que a divulgação de pareceres científicos sobre esta realidade. Isto prova que, não obstante esta ser uma prática comum em muitos países, em Portugal ainda há uma certa penumbra de conhecimento sobre estas questões.
Sobre este tema, a única posição que consigo ter é a de que deve haver uma informação ao consumidor que lhe permita saber se este está a consumir um alimento geneticamente modificado. Sobre os seus benefícios e malefícios, confesso não ter conhecimentos cientificamente sustentados que me permitam ter uma opinião formada. Tal como eu, a generalidade da população portuguesa. Também por isso, acho que foi um pouco desproporcionada esta invasão. Em primeiro lugar, porque permite uma associação entre a contestação aos transgénicos e a invasão ilegal de propriedades onde estes se cultivam, retirando margem de manobra para opiniões anti-transgénicos que sejam mais ponderadas e sustentadas cientificamente e colocando especialistas e invasores de propriedades no mesmo saco. Em segundo lugar, porque quem sai beneficiado com toda esta polémica acaba por ser o agricultor, que até pode cultivar produtos altamente prejudiciais para a saúde e para o ambiente, mas que aparece como uma vítima nas mãos de perigosos vândalos. Mais uma vez se falou nos transgénicos, mas sem falar no essencial. E acho que a causa dos transgénicos ganhou aqui mais um impulso.

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