O ex-ditador que pode ter virado herói


Julgo que nenhum ser humano com um mínimo de inteligência poderá ter simpatia por Saddam Hussein: era um ditador sanguinário, que enquanto liderou o Iraque foi responsável por um número elevadíssimo de mortes. Faço parte desse grupo, mas julgo que a execução do ex-ditador, que decorreu durante a madrugada, foi a pior das soluções. Alguém como Saddam merecia certamente passar o resto dos seus dias na prisão, mas sem que lhe fosse decretada a pena de morte. Por três razões: em primeiro lugar, porque morreu como um mártir com um Corão na mão ficando para a história como um herói; em segundo lugar, porque a sua morte não terá qualquer efeito benéfico na pacificação da situação do Iraque, como se comprova com os atentados que ocorreram depois da notícia da sua morte; em terceiro lugar, porque não se pode invocar qualquer superioridade moral de uma Democracia quando se aprovam métodos de condenar pessoas iguais aos de qualquer ditadura (Washington congratulou-se com esta notícia).

Sinestesia

Um documentário que passou hoje no Odisseia relatava o fenómeno da Sinestesia nos seres humanos. Basicamente, quem "padece" de Sinestesia tem uma percepção das coisas envolvendo diversos órgãos sensoriais ao mesmo tempo, ao contrário da generalidade da população. Por exemplo, os sinestésicos quando vêm ou ouvem determinadas palavras fazem imediatamente uma acção a cores ou sabores. O fenómeno mais comum é precisamente o de associar imediatamente cores a letras, números, dias da semana ou palavras e os intervenientes referiam que o simples acto de olhar para uma tabuleta pode conter uma grande densidade cromática (um N pode ser amarelo, um A pode ser roxo, por aí adiante).

Julgava que a Sinestesia era algo que dizia respeito unicamente ao campo das figuras de estilo aplicadas à Literatura, mas afinal há quem incorpore essa mesma figura de estilo. Ao ver relatos tão impressionantes como o de pessoas que olham para o lado e vêm tabelas de números, que vêm dezenas de cores numa simples folha de jornal ou que associam nomes de pessoas a sabores de comida, imediatamente me ocorreu a ideia de que é uma situação muito parecida a alguém ser constantemente um dos protagonistas do filme "Yellow Submarine".

As coisas do Inverno

O tempo frio com que agora nos deparamos tem as suas coisas giras, mas é pouco dado a grandes demonstrações de masculinidade. Recordo-me, a título de exemplo, dos cachecóis com riscos que são excessivamente fashion e da necessidade de usar aqueles batons da Labello para evitar o cieiro.

A sopa verde

Hoje estreei-me a fazer sopas. Tentei seguir à risca a receita da sopa de cenoura que vi algures na Internet, mas alguma coisa terá falhado o que era suposto ser uma sopa de côr de cenoura (precisamente por se basear no dito vegetal) resultou numa coisa em tons de... verde. Acho que não terei interpretado da melhor maneira a parte que dizia respeito ao alho francês. Para além disso, a sopa tinha quantidades de sal de tal modo exorbitantes que os meus níveis de colesterol devem ter duplicado depois de a ter ingerido, o que me obrigou a fazer uma careta típica das crianças que não gostam de comer sopa. Imagino o espanto se tivessem comido a que eu fiz hoje...

Ainda assim, quando fôr um gajo batido em sopas (com o tempo e a experiência, acredito que a coisa vá lá) irei certamente recordar com um sorriso o dia em que fiz uma sopa de cenoura esverdeada.

A Lei da Memória: a ladaínha dos jogos Spectrum



Confesso que na altura achava pouca piada a estes riscos e a este barulho irritante dos jogos de Zx Spectrum a entrar. A coisa demorava sempre uma média de quatro ou cinco minutos e bastava o mais ínfimo erro para que o jogo não fosse carregado e ficássemos agarrados a olhar para a televisão (os monitores usados especificamente para computadores eram uma modernice e uma mariquice, ainda para mais está provado que o uso do Spectrum danificava, a longo prazo, as televisões sobretudo as mais antigas). Ainda assim, o tempo apaga as coisas más e é com uma dose de nostalgia reforçada que revejo este pequeno pedaço da memória Spectrum. Felizmente, os emuladores de Spectrum que há para PC dispensam este requisito técnico.

As melhores SMS de Natal que recebi

Um excelente carnaval e uma páscoa radiosa. Que 2009 seja um ano cheio de cenas tipo... bué, assim tranquilas. Viva os reis magos. Sms patrocinada por pex.com

As estrelas brilhavam, os sinos tocavam, a cabana abanava, o José marteleva, a Maria gemia, e tu? O que fazes no escadote atrás do burro? Desejo-te um feliz natal e um ano novo com rabanadas.

Melhor do que estas SMS só mesmo um programa especial que passou na RTP Memória entre a uma e duas da manhã, destinado a assinalar junto dos emigrantes a quadra festiva de... 1989. Videoclips de músicas de Natal e não só de Marco Paulo, Paulo Alexandre (incluindo o clássico "Verde vinho"), Jorge Ferreira, Clemente e Roberto Leal. Guardei para mim a secreta esperança de que algum Pai Natal internético tenha conseguido gravar aquele programa e disponibilize aquelas pérolas da música popular portuguesa no Youtube.

Uma analogia um pouco parva

Dizem os entendidos nas coisas da culinária que um bife, se fôr realmente bom, só precisa de ir à grelha ou à chapa com uns grãozinhos de sal para saber bem. Os adornos com molhos justificam-se quando o bife não é grande espingarda e é preciso compensar a falta de sabor original do bife com outros ingredientes. É o mesmo que acontece com as caras das mulheres, quando estas põem muitos produtos na cara é sinal que estão a tentar atenuar certas fraquezas, porque as outras até com olheiras e ramelas na cara nunca perdem a beleza.

Pérolas que me chegam ao ouvido (1)

"A T. é muito gira de cara, mas do pescoço para baixo parece um jogador de básquete".

(deve ser das imagens mais estranhas com que me tenho deparado na minha imaginação nos últimos tempos, já imagino a pobre da rapariga a andar de top pela rua abaixo, com um número e o nome inscritos atrás das costas enquanto ouço os comentários do Carlos Barroca, ainda por cima essa comparação só queria enaltecer que a pessoa em causa tem os ombros largos)

Pérolas que me chegam ao ouvido - introdução

Num momento de grande estímulo intelectual (vulgo estar entalado no metropolitano de Lisboa em plena hora de ponta), julguei importante postar aqui pequenas pérolas que ouço aqui e ali, seja no trabalho, em momentos de confraternização, na televisão ou enquanto ouço conversas de transeuntes.

A polivalência de Jel

Passei ontem os olhos pelo programa "Vai tudo abaixo", na SIC Radical. E tive a "sorte" de apanhar a compilação dos melhores momentos (a lei de Murphy a vir ao de cima, como não podia deixar de ser). O programa é feito pelo Jel, um rapaz que se notabilizou pelas aparições televisivas ao lado do célebre Emplastro (supostamente, o Emplastro era o guitarrista da banda do Jel, mas apenas a fingir), e consiste numa espécie de apanhados que vai buscar a pior tradição do "Gente gira" (na África do Sul) e do "Minas e Armadilhas" (com Júlio César, uma miúda de patins e um travesti). Vai buscar essa tradição do gozo alarve com desconhecidos misturado com uma espécie de atitude irreverente e de querer chamar a atenção para certos problemas sociais.

Assim sendo, foi-me possível assistir a momentos fascinantes como o Jel vestido de maltrapilho a ameaçar uma senhora de idade com uma faca enquanto esta gritava por ajuda, vestido de agente funerário a tirar as medidas a desconhecidos para fazer o respectivo caixão (o que, num dos casos, lhe valeu um estalo de um reformado), a imitar um brasileiro a entrevistar de forma pagodeira o José Cid (que é quase tão greve como falar de forma pagodeira com o Presidente da República ou com o Presidente do Tribunal Constitucional) ou a fazer de repórter a entrevistar transeuntes para saber como se diz em bom português certos palavrões. Para não falar da personagem que já tinha feito na "Revolta dos Pastéis de Nata" do machista gay e de um preto que se intitulava de Black Skinhead e ameaçava imigrantes de lhes dar uma carga de porrada. Para além disso, foi a primeira vez a que assisti a alguém cuspir para uma câmara de televisão.

Posto isto, concluo que o Jel é um artista polivalente: tanto faz más músicas, como maus videoclips como maus programas de televisão.

Cosmopolitismo

Ao deparar-me com um muito tipicamente nórdico salmão ao lado do portuguesíssimo carapau numa banca do mercado ou ao vislumbrar, num balcão de um qualquer café português, o típico pastel de bacalhau acompanhado de uma condimentada chamuça vem-me à cabeça de que o cosmopolitismo e o encontro de culturas não é apenas uma condição política ou social, mas também algo que pode passar pelo estômago de cada um.

A utilidade da "Dica da Semana"

Desde ontem que os armários da minha cozinhaa estão tapados com umas folhas da "Dica da Semana", para evitar que a poeira se acumule. Quanto a mim, esta situação desmente a ideia feita de que esse jornal não tem qualquer tipo de utilidade.

Googladas fresquinhas

regras empilhadores

beta grande grelo

simpatia para ganhar aumento no trabalho

namorado de Luciana Abreu

MARKETING DE COMO INCENTIVAR A DAR O DIZIMO

QUIM BARREIROS NOS PIMBA YOU TUB

A nomeação de Maria José Morgado


Estavam prometidas para hoje notícias vindas da Procuradoria-Geral da República a propósito do "Apito Dourado". E uma boa notícia chegou, já que Maria José Morgado foi nomeada para centralizar as respectivas investigações. Do que se conhece da magistrada, sabe-se que não tem medo de afrontar interesses e muitas polémicas investigações surgiram à sua custa (a Vale e Azevedo, Pimenta Machado ou aos subornos na GNR) e é de esperar que desta vez consiga resultados visíveis. Tem aquilo a que, em bom português, se chama "sangue na guelra".

Sobressai, no entanto, um dado negativo: é que, pelo estardalhaço que a nomeação causou, dá a ideia de que seria a única pessoa em Portugal capaz de levar a bom porto as investigações, o que parece fazer dela uma espécie de D. Sebastião da investigação criminal em Portugal.

Mulheres nas obras

Passei, esta manhã, por umas obras que decorriam numa casa e vi lá uma mulher a trabalhar. Se a memória não me atraiçoa foi a primeira vez que vi uma mulher a trabalhar nas obras. Não digo isto num tom depreciativo ou machista, apenas constatei esse facto. É, sem dúvida, um sinal de algum avanço civilizacional quando há mulheres a trabalhar nas obras, por duas razões: por um lado, é sinal de que estão tão habilitadas a fazer esse trabalho como os homens e, por outro lado, porque poderá incutir na rapaziada que lá trabalha algum respeito para que não passem a vida a mandar piropos às transeuntes.

A Lei da Memória: a Internet há 10 anos atrás

Há coisa de 10 anos, por esta altura do ano, a única prenda que eu tinha na lista era uma ligação à Internet, que consistiria num modem. Infelizmente, a autoridade a quem competia tomar a decisão (neste caso, os meus pais) não assistiu ao meu pedido.

Confusos? Porque raio colocar aqui um pedido antigo de uma prenda de Natal que acabei por não receber? Explico: um destes dias ocorreu lembrar-me deste facto e também me ocorreu fazer um exercício de memória em busca de elementos que me permitissem reconstruir o que era o acesso à Internet em finais de 1996. E algumas das coisas até podem parecer anedóticas, mas a passagem do tempo tem esse dom.

Na altura, as únicas pessoas minhas conhecidas que tinham acesso à Internet em casa (era uma coisa que dava os primeiros passos na maioria das empresas) eram o meu colega de carteira e um professor de Informática. Se mesmo um simples PC não era coisa que toda a gente tivesse, imagine-se um acesso à Internet. E foi à conta desse meu colega de carteira que fiquei com o "bichinho" de querer ter Net.

Para se poder ter acesso, era necessário um modem de 14.4 kbps, mas começavam a aparecer os de 28 kbps, que custavam uns 40 contos. Para se aceder era necessário ter um acesso através de uma empresa e tinha de se comprar um pacote de um mínimo de 15 horas de navegação por mês, a que acrescia as chamadas telefónicas. O acesso à Net teria de se fazer para um dos servidores da PT, se o mais próximo funcionasse pagava-se a chamada local, senão até poderia ser uma chamada regional. Na altura, os serviços de Internet eram fornecidos por empresas como a Telepac, a IP e a Esoterica, para citar as mais conhecidas. Para se poder ter um endereço de e-mail personalizado, era preciso enviar um postal para a dita empresa com as três opções desejadas. As pessoas que usufruíam do e-mail eram tão poucas, que chegou a haver uma espécie de páginas amarelas dos fornecedores das empresas com todos os endereços e recordo-me perfeitamente que o último nome da lista da Telepac era o escritor Rui Zink.

Em termos do que era o acesso estamos conversados. No que diz respeito aos serviços de busca de informação a que era possível aceder, havia a página de referência que era o Yahoo, que era o grande motor de busca (do Google não se falava). Em Portugal, o Sapo ainda era o motor de pesquisa criado pela Universidade de Aveiro, havendo outras referências importantes como o AEIOU e o Cusco. Nesse aspecto, levávamos um baile dos brasileiros, que tinham muitos mais e melhores motores de busca.

No início de 1997, por decisão governamental foi criado o Terravista, o que constitui a primeira grande oportunidade de os portugueses poderem colocar páginas na Internet, o que aconteceu comigo e mais algumas pessoas que fizeram o site "Literatura Alternativa", que ainda deu cartas e foi alvo de algumas referências na comunicação social e pôs em contacto uns aspirantes a escritores de Portugal e do Brasil. Olhando para trás, aquilo nem era nada de especial, mas face ao vazio que havia de produção nacional na Internet até podia ser considerada coisa boa. Aliás, o Terravista foi buscar muitas referências a um serviço americano que também se destinava a um vulgar utilizador de Internet, o Geocities.

Acabei por ter Net três anos depois, graças a uma ligação do Clix e um modem de 33 kbps, onde se pagavam sempre as chamadas locais e não era necessário comprar pacotes de horas de navegação. Aliás, esses acessos e, uns anos mais tarde, a profusão da banda larga foram os grandes impulsionadores da generalização da Internet à população portuguesa.

Lavar roupa suja

Nos últimos dias, o que mais se tem falado é do livro de Carolina Salgado, mais propriamente das revelações que faz sobre a forma como Pinto da Costa se mexe nos meandros do futebol. Lança acusações como as de haver árbitros a irem a casa de Pinto da Costa, a prévia informação dada por alguém da PJ sobre a detenção para prestar esclarecimentos no âmbito do Apito Dourado ou o serviço encomendado para dar uma sova no vereador de Gondomar que lançou acusações sobre Pinto da Costa. Acusações que até podem ser verdadeiras, mas a maneira como se lançam as acusações, com a autora a confessar-se ela própria co-autora de um dos episódios, deixa sempre a ideia de que o livro só serve para lavar roupa suja em público. Ou só agora é que ela se apercebeu que os factos que relata no livro são coisa pouco católica de se fazer?

Nova lista que toca: Frank Sinatra

Como está a ficar um tempo um pouco agreste, nada como aconchegar a alma com a voz de Frank Sinatra. Sei que havia prometido não voltar a pôr músicas que fossem todas do mesmo artista, mas esta é a única altura o ano em que fazia sentido colocar estas músicas.





















A primeira vez no Casino

Este fim-de-semana fui, pela primeira vez na minha existência, a um casino. Mais precisamente ao Casino de Lisboa. De início, a arena lounge é um bonito espaço e quem por lá se senta não passa pelo aborrecimento de estar sempre a ver as mesmas pessoas à volta, já que o espaço está em constante movimento. Na zona de jogo, perde-se um certo glamour. Não falo daquela zona do rés-do-chão, onde se podem fazer apostas a 1 cêntimo e que é um espaço com carácter um pouco mais lúdico. O primeiro andar tem mais por onde a pessoa se perder, seja pelo maior número de máquinas, mas sobretudo pela rapaziada que por lá passa: gente constantemente a esfumaçar e a dar no whisky enquanto joga nas máquinas, uns que têm bloco de apontamentos para anotar as bolas que saem na roleta russa e gente a pôr centenas de euros nas mãos dos croupiers à espera de retorno. Quanto a mim, perdi 10 minutos numa máquina de Draw Poker e consegui sair de lá com mais 3 euros do que quando entrei.

Um pormenor: à excepção dos restaurantes e lojas chinesas que por aí pululam, o casino é o sítio é talvez o sítio onde consegui ver mais chineses juntos e não os vi nas máquinas, mas antes em zonas de jogo mais arrojadas. Parece que a desgraça e o vício do jogo consegue aproximar mais os chineses dos portugueses do que qualquer política governamental de imigração.

A Lei da Memória: o pagode ao Fantasporto no tempo em que o Herman tinha piada



Há uns espertos que acham que os tempos áureos do Herman José foram no Tal Canal. Não foram maus tempos, não senhor, mas foi na Herman Enciclopédia que para mim o Herman atingiu o auge. A partir daí, tem estado a arrastar-se em talk shows com uns "soquetes" engraçados pelo meio.

Este vídeo é uma rábula da Rute Remédios a gozar com o Fantasporto e é um dos melhores momentos da Enciclopédia, onde nem sequer falta a figura do provedor. Não sei se o "Hora H" terá momentos tão geniais como este, mas muitos dos que escreveram a Herman Enciclopédia (o Nuno Markl, por exemplo) estarão no próximo, o que pode dar algumas esperanças de que virá aí coisa boa.

O primeiro disco dos Oasis que não vou comprar

Se os Oasis não são a minha banda favorita andam lá perto. Até agora, comprei religiosamente todos os álbuns e ainda tenho uma meia dúzia de singles. Quando se gosta mesmo não se vai lá com álbuns em mp3 tirados da net, a não ser que se trate de algum concerto gravado à socapa.

Mas quando se trata de um Best of, lançado em plena altura natalícia para a editora ganhar uns cobres e sem nenhuma novidade em termos de canções, seria uma redundância comprar a dita obra. Ainda assim, o "Stop the clocks", por ser uma compilação de músicas destes senhores, não deixa de ser um belíssimo disco.

Um pequeno post sobre justiça social

Foi hoje anunciado o valor do salário mínimo para 2007, que se situará nos 403 euros, o que representa um aumento de 4,4% face ao ano passado. Embora não tenha totalmente a certeza, parece-me que é dos aumentos mais significativos a que assistimos nos últimos anos, bem acima da inflação. Sabemos que o nível do salário mínimo é um indicativo importante para se avaliar do nível de vida de determinado país. E aí passamos quase por um país de Terceiro Mundo, pois não é preciso ser um génio para dizer que esses valores mal dão para uma pessoa viver, por isso deveria ser consensual na sociedade portuguesa que estes valores deveriam subir e muito daqui em diante.

Deveria ser consensual, mas não é. Nem falo tanto dos sindicatos ou deste Governo em particular, mas antes dessa rapaziada pouco generosa chamada confederações patronais. Como o próprio nome indica, este gente é representante dos interesses dos patrões e, em vez de tentar encontrar soluções para tornar as empresas mais competitivas e produtivas, sobretudo as PME, e por inerência a própria economia nacional, decidem dizer umas larachas sobre o salário mínimo, dizendo que não poderia ser superior 395 euros, ou qualquer coisa equivalente.

O argumento usado era o de que o aumento do salário mínimo deveria ser acompanhado do aumento de produtividade, ou seja, para se aumentar os ordenados em percentagem X deve haver um aumento de lucros superior a esse valor X. Ora bem, durante muito tempo fomos um país de mão de obra intensiva que vivia à conta desses salários baixos, mas agora nem isso nos salva, já que o que não falta é países com salários mais baixos do que os nossos. Quando há empresas, como é o caso do calçado ou vestuário, que pagam salários mínimos das duas uma: ou os patrões são uns forretas e preferem meter mais ao bolso, ou então são empresas que estão no limite e só sobrevivem porque pagam pouco e aí a manutenção do salário mínimo é um simples balão de oxigénio que qualquer dia deixará de fazer efeito Aliás, o aumento substancial dos salários mínimos poderá ser o sinal para muito empresário começar a perceber que tem de se mexer em termos de modernização da sua empresa se não quiser o seu encerramento. Outro sector que supostamente pode ser afectado por este aumento é o comércio, como foi dito pelo "patronato". Mas alguém acredita que não haja muito estabelecimento (como na hotelaria ou restauração) que paga o salário mínimo de forma oficial e que paga "por fora" (o pagamento "por fora" é uma instituição ainda com muito peso em Portugal) uns extras aos funcionários?

Assim sendo, se é certo que há sindicatos (ou os seus dirigentes) que não são muito de fiar, também é preciso não cair na canção do bandido da rapaziada que as CIP, AIP ou CCP gostam de desenterrar.

A escolha do Pior Português de sempre

Para os mais desatentos a esta febre de escolher portugueses pelas melhores ou piores razões, eis que informo que decorre na Internet uma votação para eleger o Pior Português de Sempre, numa colaboração entre o Inimigo Público e o programa da SIC Notícias O Eixo do Mal. Depois de terem sido propostos vários nomes pelos telespectadores (a minha proposta para que Ricardo Espírito Santo Salgado fosse a votos acabou por não ser aceite), foram criadas duas categorias: por um lado, o maior responsável pelo estado a que este país chegou e, por outro lado, quem melhor encarna as piores características do povo português.

Como gosto de fazer as escolhas logo de início, dei os meus votos a:

Quem é o maior responsável pela situação a que chegámos?
Escolhi D. Sebastião. É certo que não tinha responsabilidade do grau de parentesco dos seus progenitores, mas não deixou de ser o responsável por duas marcas indeléveis no que é Portugal: o facto de se lançar numa guerra de forma absolutamente irresponsável deixando este país entregue aos espanhóis durante 60 anos e também por ter implementado o mito do sebastianismo, que é algo intrinsecamente português pelas piores razões, pois representa aquela eterna esperança de que há algures um salvador da pátria e que estamos constantemente à espera que ele apareça.

Quem melhor encarna as piores qualidades do povo português?
Apesar de haver um bom naipe de candidatos, elegi Valentim Loureiro. Admito que ainda vacilei em outros nomes, como Pina Moura (pela deriva ideológica, que vai desde o fervoroso comunista até ao tipo que vai para ministro para acautelar os interesses de uma empresa que passa a presidir quando sai do Governo) e Alberto João Jardim (este seria bom, mas se ganhasse a votação não deixaria de ser um troféu de caça, para provar a cabala de que é alvo pelos "cubanos" do continente). O Major consegue cristalizar o que há de melhor no espírito trafulha nacional, desde os esquemas que arranjava quando era militar, como o facto de se conseguir "orientar" no desempenho de diversos cargos públicos, não se coibindo de desempenhar três ao mesmo tempo, sempre com jogadas pouco claras à mistura. A sua popularidade, nomeadamente junto dos eleitores de Gondomar, prova que há nele uma aura de tipo porreiro e que diz as verdades, no fundo, é típico o manda-chuva que cada português, no seu íntimo, gostaria de ser.

Os interessados em participar nesta votação devem fazê-lo aqui: http://piorportugues.blogs.sapo.pt/

Actualização de googladas que têm vindo cá dar

aerodinamico gonçalo

importancia talo das verduras

verbo reiterar

reacções reduzidos pelo catalisador de Adams

porque e que o meu hi5 não actualiza os comments que recebo

fotos de acidentes com aneís no trabalho

Humor do melhor na :2


A série "Extras", da mesma autoria do genial "The Office", passa aos domingos na :2 , entre as 23h e as 23h30. Quem gosta da série passada na empresa de comercialização da papel, nomeadamente a personagem David Brent, não vai ficar desapontado com esta, que se passa nos meandros das filmagens, mas onde o personagem interpretado por Ricky Gervais é um figurante que quer subir na escala.

Nem os putos lá vão

A participação portuguesa na Eurovisão Júnior fez jus ao que costumam ser as participações dos crescidos, ou seja, fraquinha. Não vi a cerimónia, mas vi as tabelas de classificação que provam que o troféu foi para essa grande potência da música que é a Rússia e que Portugal se ficou pelo penúltimo lugar (toma lá Macedónia, são os únicos que não se riem de nós!). Ninguém em Portugal parece mentalizado para isto: enquanto as participações portuguesas na Eurovisão forem a desgraça que se sabe, nunca poderemos aspirar a criar grandes fenómenos da música pop. Os sucessivos governos assobiam para o ar e nada fazem, mas eu digo que há que criar uma verdadeira escola de artistas pop manhosos em Portugal, treinando os putos para serem vedetas da canção internacional quando forem adultos, fazendo-lhes penteados esquisitos desde tenra idade e obrigando-os a vestir aquela roupa amaricada que é imagem de marca dos artistas pop. Caso contrário, nunca poderemos aspirar a exportar uns representantes nacionais neste género musical.

Parecia que era o destino a mandar

Há dias assim. O Benfica começou o jogo a ganhar, o Sporting respondeu e começou a atacar e foi apanhado num contra-ataque finalizado por Simão Sabrosa. A segunda parte foi um festival de tentativas do Sporting em chegar ao golo e o Benfica manteve-se resguardado cá atrás, esperando possibilidades de contra-ataque. E assim se manteve durante a segunda parte. Parecia que estava escrito nas cartas que o Benfica ia ganhar um jogo, quando se começa a ganhar com um golo de Ricardo Rocha estava visto que não havia grandes hipóteses de o resultado ser outro. E não venham com histórias do penálti que podia ter sido marcado e não foi. É certo que era penálti e o Sporting pode queixar-se disso, mas a sorte da rapaziada do Lumiar já estava traçada desde o começo do jogo, provavelmente essa bola do penálti iria parar na cara de algum adepto...