A reeleição de Lula



Tivessem ocorrido num país da Europa, os escândalos que envolveram o partido de Lula da Silva teriam até dado para eleições antecipadas e os envolvidos muito dificilmente apareceriam novamente na praça pública tão cedo. Mas, num país onde a corrupção alastra desde a mais alta esfera de Estado até ao simples polícia de rua, a coisa enche páginas de jornais, mas não é suficiente para mandar governos abaixo.

No mesmo país onde a corrupção alastra, também há muita gente com falta de comida na boca e a pobreza é uma condição natural. Assim sendo, para quem pouco tinha antes de Lula e passou a ter um pouco mais pouco importa se há negócios pouco claros no Governo. Em primeiro lugar, vem a satisfação de necessidades básicas para o ser humano e a necessidade de ter gente honesta e idónea no Governo não é, certamente, uma necessidade básica.

Mudanças na oferta musical

A secção da barra lateral dedicada à música conta com algumas alterações: passará a chamar-se a Lista que toca e terá temas difusos, mais ou menos subordinados à mesma temática, como sucede com os êxitos foleiros dos 80's que pus cá hoje.

As músicas não deverão ser mudadas semanalmente, como sucedia até agora, devendo constar mais algum tempo. Sempre que houver mudanças na lista eu informo.

























Os grandes portugueses: a minha previsão dos 10 mais votados

A votação dos telespectadores para os Grandes Portugueses termina já na próxima terça-feira. De acordo com as regras do programa, após a votação serão divulgados os nomes dos 10 nomes que obtiverem mais nomeações, para posteriormente serem transmitidos documentários sobre cada uma dessas personalidades e decorrer a votação para eleger, entre os 10, quem é o maior português de todos os tempos.

Entretanto, faço a minha previsão para os 10 nomes que serão os mais votados pelo público português, para mais tarde conferir (atenção, esta não é a escolha que eu faria):

- D. Afonso Henriques
- Álvaro Cunhal
- Amália Rodrigues
- António de Oliveira Salazar
- Cavaco Silva
- Eusébio
- Francisco Sá Carneiro
- José Mourinho
- Luís Vaz de Camões
- Mário Soares

Explico a escolha:

- D. Afonso Henriques - certamente que muita gente se irá lembrar dele, seguindo o raciocínio de que, se não fosse ele, este país onde vivemos possivelmente nem existiria.

- Álvaro Cunhal - quando se fala em mobilização dos comunistas, esta pode ser comprovada através da grande afluência à festa do Avante, às manifestações convocadas pela CGTP ou pelo PCP. Não é de estranhar que muitos comunistas, a começar pelos mais novos, se lembrem de votar para recordar o líder histórico.

- Amália Rodrigues - aquela que foi, durante muito tempo, quase considerada a voz de um povo e a grande figura do fado, algo tipicamente português, é alguém que acho que pode recolher muitos votos. Se prestarem atenção, é a única mulher da lista, pelo que, a haver mulheres na lista de 10 figuras, Amália será certamente uma delas.

- António de Oliveira Salazar - o facto de ter sido inicialmente esquecido nas sugestões de voto da RTP pode ajudar a capitalizar alguns votos. Numa altura em que cresce a desconfiança nos partidos e nos políticos, é bem possível que apareça esta surpresa.

- Cavaco Silva - desde que há democracia foi o Primeiro Ministro a manter-se mais tempo no cargo e é, actualmente, Presidente da República, a que acresce o facto de ser o político preferido de uma camada razoável da população.

- Eusébio - já que o futebol é o desporto-rei em Portugal, do qual Eusébio é a figura maior, é normal que o "Pantera Negra" recolha um bom número de votos. Muito benfiquista que acha que os políticos só querem é meter dinheiro aos bolsos pode certamente lembrar-se da velha glória.

- Francisco Sá Carneiro - está presente na memória de muitas pessoas em Portugal, por ter sido uma das figuras que marcou a transição democrática. Para além disso, o facto de ter morrido novo e em circunstâncias trágicas deixa sempre aquela ideia de que poderia ter sido o político que teria posto o país nos eixos.

- José Mourinho - é o português mais conhecido no estrangeiro, conseguiu pegar numa equipa que pouco mais fazia do que ir à UEFA e torná-la num grande europeu. Para além disso, cristaliza qualidades pouco habituais no português, o que faz dele uma espécie de modelo daquilo que os portugueses gostariam de ser, mas são demasiado preguiçosos para conseguir.

- Luis Vaz de Camões - escreveu a grande obra da literatura portuguesa, o que não é coisa pouca, acrescendo o facto de ter sido lido na escola pelas gerações mais velhas pode despertar nessas gerações um "clique" de revivalismo dos tempos da escola.

- Mário Soares - foi uma das figuras importantes na oposição ao Estado Novo, na transição democrática em Portugal e na adesão à União Europeia, sendo alguém que marcou o séc. XX português. Para além disso, foi Presidente da República e continua a ser uma das referências democráticas em Portugal.

Houve outros nomes de que me lembrei que poderiam vir a constar nesta lista, como Luís Figo, Belmiro de Azevedo, Pinto da Costa, Marquês de Pombal ou Vasco da Gama. Não por uma questão de opinião pessoal, mas por considerar que são figuras susceptíveis de serem nomeadas por muita gente.

Como referi num post anterior, a escolha que eu fiz foi o Fernando Pessoa, que não consta nesta lista, por eu considerar que não vá recolher o número de votos suficientes para ficar nos primeiros 10. Apesar de ter sido esse o nome que escolhi, gostaria que outros nomes constassem nessa lista, como Eça de Queirós, António Lobo Antunes, Aristides de Sousa Mendes, Humberto Delgado ou Mário Soares.

Os que ainda não votaram, podem fazê-lo aqui.

Más companhias

Nos últimos tempos fiz umas mudanças no meu perfil no Hi5: decidi remover os perfis de figuras públicas como George W. Bush, Bento XVI e Bin Laden. A educação que recebi recomenda-me que eu evite certo tipo de amizades...

O bem escasso que se desperdiçou

A entrevista de ontem de António Lobo Antunes na RTP1 foi um espectáculo difícil de assistir (só não soltei um bom rol de palavrões, porque não estava sozinho a ver o programa). Sabe-se que o escritor não é grande amigo de ir dar entrevistas à televisão e estas entrevistas são um bem escasso que é necessário ser aproveitado. A entrevista foi um bom exemplo do que pode ser a falta de sensibilidade para se fazer entrevistas: Judite de Sousa parecia estar perante um qualquer político e as suas promessas eleitorais, intervindo sucessivamente, ignorando estar perante alguém que demora algum tempo a iniciar os seus raciocínios e as respostas. Quando Lobo Antunes começava a desenvolver a sua visão das coisas, era imediatamente confrontado com perguntas que mudavam o rumo da entrevista, como "Quando está com outros escritores, falam do quê? Da vida?" ou "Fala com as suas filhas sobre o seu trabalho?", para não falar do clássico "Para quando um próximo livro?", quando está um livro quentinho nas livrarias, acabado de editar.

Um conselho: limitem a "Grande entrevista" a políticos, gestores públicos, ministros, secretários de Estado, líderes partidários, presidentes de Câmaras e outra gente que usa as entrevistas como tempo de antena e deixem os artistas brilhar noutros espaços televisivos, quem sabe se entrevistados pela Ana Sousa Dias ou alguém que não queira ser o protagonista do programa.

O roubo da licença de construção


Há uns meses atrás, na mais recente passagem de ano, um dos meus companheiros de festejos e leitor deste blogue decidiu abandonar a casa e ir à procura de animação no exterior. Quando regressou, não veio de mãos vazias, já que decidiu trazer com ele uma licença de construção que estava num terreno onde posteriormente será construída uma casa (não me perguntem porquê, mas acredito que o consumo pouco moderado de álcool ajuda a explicar). No entanto, como mandam as boas regras da educação, ao fim de um dia, decidiu recolocar a tabuleta no mesmo sítio de onde ela tinha vindo.

A zona onde tudo se passou é ali para os lados da chamada zona Oeste e que não é conhecida pelo bom gosto com que as casas são construídas. Ele é meninos de pedra a urinar, peixes a soltar água para a boca uns dos outros, azulejos a fazer de revestimento exterior ou piscinas com golfinhos. É, em linguagem mais corriqueira, um bom reduto dos chamados "patos bravos".

Certamente que não é um acto de grande civismo andar a furtar licenças de habitação alheias, mas um crime ainda maior é aquele que será cometido pelo (provável) pato bravo que comprou o terreno e se prepara para cometer mais uma alarvidade arquitectónica naquele sítio, capazes de afectar o juízo de qualquer comum mortal. No fundo, qualquer cidadão gostaria, não de retirar a licença de construção, mas sim de mandar abaixo muita casa de pato bravo aí plantada.

Serviço público: aviões de papel

Para ter motivação para trabalhar num dia como o de hoje, em que chove ou está farrusco, nada como aqueles factores externos, como vídeos do youtube, uns blogues ou umas larachas na Internet. Em boa verdade, motivação para trabalhar não se ganha, mas o tempo passa um pouco mais depressa.

No entanto, nada como recuar aos tempos de escola e recorrer aos clássicos aviões de papel. Eu, que sempre fui um cepo para conceber estes modelos de engenharia, confirmo que o modelo que vos forneço é razoavelmente aerodinâmico e consegue voar uns bons metros. E, por momentos, em pleno local de trabalho, nada como regressar aos tempos da nossa vida em que, quando nos falavam em "trabalho", a única coisa que vinha à cabeça era aquela coisa onde os pais passavam o dia.

Modelo de avião de papel

Mais umas boas googladas que vieram cá dar

Vídeos de pancada entre cães

Scorpions a morte

Simpsons + esquizofrenia

O que é falácios

Álcool na adolescência

legislação porteiros discoteca

Notas de cultura: Onda Choc(que)



Antes de mais chamo a atenção para o curioso trocadilho que consta no título. Com ideias destas, qualquer dia vou trabalhar para o Record só para inventar trocadilhos desta índole para colocar nas capas dos jornais. Mas adiante.

Certamente que estão recordados da música "Dragostea din tei", cantada pelos O-Zone, que se tornou no sucesso musical do Verão de 2004. Uma música absolutamente idiota, mas o condão de se colar ao ouvido, como sucede com todos os sucessos de Verão.

Quando se pensava que esta música estava morta no imaginário colectivo, eis que alguém se lembra de a ressuscitar por intermédio dos Onda Choc. Os Onda Choc surgiram no fim dos anos 80 e, durante uns anos, alimentavam o cançonetismo infantil e pré-adolescente com versões de êxitos musicais, com adaptação das letras em português. Rivalizavam com os Mini Stars e eram uns pré-adolescentes vindos da linha de Cascais. Hoje, deve ser gente licenciada e que vota no Isaltino Morais nas eleições autárquicas.

Sobre esta música, versa uma situação um pouco difícil: o rapaz está apaixonado por uma rapariga, mas a coisa não está a correr como ele desejaria, apesar das tentativas de contacto telefónico. O vídeo parece uma coisa um pouco em cima do joelho, atente-se nas coreografias pouco coordenadas e a letra roça o cómico, da qual realço um pequeno trecho:

Alô,
Olá jóia,
Sou eu de novo,
O Picasso,
Mas não me fazes num fanico,
eu não sou um maçarico.

Músicas da semana: Groove Armada






    My friend



    Chicago



    Superstylin'



    I see you baby (Fat boy Slim remix)

A última corrida


As poucas hipóteses de Michael Schumacher se tornar campeão do mundo acabaram por não se concretizar e o piloto alemão realizou a última corrida da carreira sem festejar o título de campeão mundial. Ainda assim, é de enaltecer o fim de uma carreira que tanto ficou marcada pelos títulos (houve até uma temporada recente em que o grande motivo de interesse dos grandes prémios era saber quem ficava em segundo, pois quase que se sabia quem seria o primeiro), como pela falta de desportivismo e arrogância. Pessoalmente, nunca fui um grande adepto de Schumacher, por achar que houve alturas em que passou um pouco do que seria razoável em termos de desportivismo, mas os sete títulos de campeão do mundo falam por si e é isso que fica para a história. Nunca esquecendo que foi ele que ajudou a Ferrari a quebrar o enguiço de títulos.

E, para fazer jus ao título do post, acrescento que a corrida de hoje no Brasil foi, para além da derradeira corrida de Schumacher na F1, também a última a ser transmitida na RTP1. Esta prova passará a ser transmitida, na próxima época, na Sport TV, o que constitui mais um rombo na oferta desportiva a que temos acesso em canais abertos.

A história do Papa

Para os mais desatentos, informo que saiu há uns dias atrás um DVD que conta a história de João Paulo II em desenhos animados (notícia aqui) . Já estou como o Diácono Remédios: qualquer dia ainda se lembram de contar a história do Pio XII em marionetas ou a história do Bento XVI com figuras de plasticina.

Fotografias em restaurantes no Hi5

Não devo ser a única pessoa a ter-me apercebido deste facto, mas cá vai: muitas pessoas têm fotos no Hi5 tiradas em restaurantes, sozinhas, acompanhadas ou com toda a turma da faculdade. Até aí tudo bem, cada um tira fotografias onde quer e coloca as que entender no Hi5. Refiro-me especificamente às legendas associadas às fotografias tiradas em restaurantes, ou seja, vemos 2 ou 3 pessoas à mesa e depois "jantar em Londres" ou "Cachupa em Cabo Verde, uma maravilha!" ou então "Jantar romântico em Roma", no fundo, aquele não é uma simples fotografia tirada ao jantar, mas também um testemunho de que a pessoa esteve nos ditos sítios. O que leva a questionar-me sobre se não haverá uma profunda aldrabice em muitas dessas fotografias, já que podemos estar a ver fotografias tiradas num qualquer estabelecimento em Portugual e, na legenda, sermos informados que as refeições foram deglutidas em Barcelona, Vladivostok ou Pequim. Para evitar confusões, nada como tirar fotografias ao lado de pontos emblemáticos e aí sim, pode-se aferir que a pessoa, efectivamente, esteve na dita cidade.

Aprovação do referendo ao aborto

Foi aprovada no Parlamento a realização de um novo referendo ao aborto, provavelmente a realizar-se nos primeiros meses de 2007. Felizmente que houve um consenso razoável em torno da realização do referendo, com o voto favorável do PS, PSD e Bloco de Esquerda e a abstenção do CDS/PP. Fica a ideia de que já passou tempo suficiente após a realização do primeiro referendo sobre a matéria, permitindo uma discussão com maior distanciamento face ao que aconteceu há oito anos atrás.

A voz que se insurgiu contra a realização do referendo foi o PCP, que pedia a alteração da lei no Parlamento. Percebe-se que queiram aproveitar um período em que há uma maioria de esquerda no Parlamento para mudar a lei, mas é preciso ter em atenção que esta é uma das chamadas questões "fracturantes" na sociedade portuguesa, em que há quase uma divisão entre Esquerda e Direita, em que um lado defende a livre escolha da mulher e o outro lado prefere manter a actual lei.

Assim sendo, através da votação até seria possível alterar a lei a favor da despenalização e o Presidente da República até poderia deixar passar a lei. No entanto, não seria impossível que, quando regressasse uma maioria de Direita ao poder em Portugal, surgissem alterações à lei, podendo até um líder partidário mais afoito usar esse regresso à penalização do aborto como promessa eleitoral. No caso do referendo ter uma votação no sentido da despenalização do aborto, passa a existir uma base social de apoio à medida, o que retiraria margem de manobra a um qualquer Governo para fazer as alterações legislativas. Nestas coisas, querer fazer as mudanças à pressa pode nem sempre ser a melhor solução.

O colega esquizofrénico

Ouvi, ainda há pouco, no autocarro uma conversa de uma meia dúzia de estudantes universitárias, do primeiro ou, vá lá, segundo ano, que se queixavam de alguns dos seus colegas, todos eles rapazes. Mas não era aquele "cortar" que se associa mais às mulheres quando estão nos cabeleireiros e ao Cláudio Ramos. Quando digo que estavam a dizer mal, refiro-me a dizer mal no sentido psíquico, já que haviam sempre de ter algum problema mental mais ou menos grave, os desgraçados. Passaram a maior parte do tempo a falar num que tinha esquizofrenia, dizendo que nunca se poderiam dar com a dita pessoa, nem sequer fazer trabalhos de grupo com ele.

Pensei imediatamente que era a falta de experiência a falar, já que, daqui a 4 ou 5 anos, quando começarem a trabalhar e se depararem com chefes, directores, administradores e outros seres sanguinários, certamente que até do colega esquizofrénico vão sentir saudades.

Mas quais campinos, qual quê !?



Muito antes de assistirmos aos anúncios televisivos do Licor Beirão protagonizados pelo Manuel João Vieira e a mais recente aparição do campino Fernando, dizendo que o Licor Beirão é melhor que o Whisky (e eu, apesar de não desgostar de whisky, assino por baixo), Tony de Matos deu a cara por esta bebida. Aliás, urge reavivar as memórias de Tony de Matos junto da minha geração, sedenta de revivalismos manhosos.

Os grandes portugueses (II)

Estive, há pouco, a ver na RTP1 o programa sobre "Os Grandes Portugueses". Para além da explicação da Maria Elisa sobre os objectivos e os moldes do programa, foram transmitidas diversas entrevistas, com figuras conhecidas e com simples anónimos, sobre quem é a personalidade que elegem como o maior português de todos os tempos. No essencial, as escolhas recaíam em numa determinada pessoa da mesma área, denotando alguma coerência nessa matéria. Ou seja: fadistas elegiam outros fadistas, pintores escolhiam outros pintores, escritores nomeavam outros escritores, políticos enalteciam outros políticos e miúdas parvas e inconscientes elegiam o Cristiano Ronaldo.

Músicas da semana: Kraftwerk






    Radioactivity



    Trans Europe Express



    The model



    Autobahn



    Home Computer

Notas de cultura: "As baleias"

A frieza da música

Aconteceu há pouco. Entro no metro e sento-me. À minha frente estão duas raparigas, de 18,20 anos, bastante animadas e a trocar segredos. Provavelmente, são um pouco mais do que boa s amigas, digo eu que não sou cego. Quanto a mim, simplesmente, estou impávido à frente delas, com o meu pólo Lacoste falsificado vestido, ouvindo no leitor de mp3 o "Robots" dos Kraftwerk, com aquele ar de quem nada tem a ver com aquilo e de quem estará a pensar qualquer coisa sobre qual será a sanção aplicada à Coreia do Norte pelos testes nucleares.

Tudo isto é simples de explicar: de um lado do banco, o calor feminino mostrado pelas raparigas, do outro lado, a frieza e a tecnologia, que a música dos Kraftwerk ajuda a transmitir. Aqueles Kraftwerk são completamente a antítese do lado emocional e sentimental do ser humano.

Pequenos apontamentos televisivos: acidentes e álcool na juventude

Apontamento 1
Ontem, os noticiários da SIC e TVI abriram com notícias que davam conta de um acidente com um helicóptero em Nova Iorque, que foi contra um prédio. Passe o exagero, até se percebe a reacção a quente das autoridades americanas na sequência do acidente, mas nos primeiros minutos cedo deu para perceber que se tratava de um mero acidente, já que ninguém é maluco suficiente para fazer um atentado terrorista com um helicóptero. Até o FBI deu rapidamente conta que não haviam quaisquer indícios de acto terrorista. Dissipou-se depressa o receio inicial, mas não se percebe por que motivo ambas as televisões fizeram questão de dedicar quase uma hora a um directo sobre o assunto (recorrendo à velha técnica do audiovisual português chamada "encher chouriços", embora sem o requinte de um Raúl Durão). Um acidente com um helicóptero em Nova Iorque mereceu muito mais atenção do que um acidente semelhante teria se tivesse ocorrido noutro ponto qualquer de Portugal. Depois, ainda há quem queira que não haja um clima de receio constante...

Apontamento 2
A reportagem de ontem da RTP1 sobre o álcool na adolescência trouxe mais do mesmo: os putos saiem cada vez mais cedo à noite, apanham bebedeiras de fazer corar os adultos e com as quais os pais nem sonham e, para além disso, os donos dos bares e discotecas fecham os olhos à idade dos petizes. Admito que me faz alguma confusão ver tristes espectáculos de filas de putos a vomitar nas ruas quando passo por Santos à noite, mas essa é daquelas coisas que não tenho grande legitimidade para criticar, porque passaria por falso moralista. No entanto, houve um aspecto importante: se compararmos os moldes em que as saídas se passam entre os putos, será que é muito diferente do que se verifica naquele grupo dos 25-30 anos? Ou seja, será que os mais velhos não apanham grandes bebedeiras, às vezes saindo à noite de propósito para as apanhar e tentando chegar a casa com ar minimamente composto? Pois é, nada do que vi na reportagem me pareceu muito fora de contexto em comparação com as pessoas que me rodeiam e com o que vejo genericamente quando saio à noite no Bairro Alto ou na Bica. E, das duas uma: ou os putos andam a ganhar demasiado cedo os tiques dos mais velhos, ou então somos nós que não evoluimos muito e ainda andamos a fazer certas figuras bastante parecidas com o que fazem os mais novos.

A elegibilidade de Deco

A propósito do último post relativo à votação sobre os Grandes Portugueses, um leitor atento pergunta se o Deco é português. Em última análise, podemos questionar-nos se Deco é ou não elegível para a votação da RTP.

Ora bem, podemos considerar Deco como português por ter como uma das suas nacionalidades a portuguesa e por vestir a camisola das quinas. No entanto, no reverso da medalha constam as suas raízes brasileiras, a declaração feita no passado de que o seu grande desejo era vestir a camisola da "canarinha" (há meia dúzia de anos atrás), o facto de chamar Anderson (nenhum português se chama Anderson) e o pormenor de gostar mais de picanha com arroz e feijão do que de cozido à portuguesa. Aliás, eu não deveria estar a dizer isto, porque gosto mais desses pratos brasileiros do que de cozido à portuguesa, mas isso é um pormenor.

Em suma, apesar de falarmos de alguém que veste a camisola nacional e muito faz por merecê-lo, é um facto que Deco certamente se sente mais brasileiro do que português, o que vai além da mera questão da legalidade. Ainda assim, acredito perfeitamente que muita gente vá votar nele para o Grande Português.

Os grandes portugueses

Tinha ouvido falar nesta iniciativa Os Grandes Portugueses há alguns meses, através de uma pessoa conhecida que trabalha na produção, e na altura pus-me a congeminar sobre qual seria realmente o maior português de sempre para mim e também qual seria o sentimento da generalidade da população nesta matéria.

Ainda que a ideia não seja originalmente portuguesa e sabendo que a maioria da população não irá preocupar-se com o assunto, não deixo de estar curioso sobre o que irá sair desta votação. No entanto, prevejo que a lista dos 10 Grandes será uma mistura entre figuras do passado recente e algumas figuras históricas da Nação. Ou seja, ao lado de Amália Rodrigues ou Eusébio poderão constar D. Afonso Henriques ou Vasco da Gama.

Quanto à minha escolha nesta matéria, foi para o Fernando Pessoa. Ainda que tenha gostado do que li dele, talvez não me tenha debruçado tanto sobre a sua obra como fiz com Eça de Queiroz ou José Saramago, mas qualquer pessoa com dois dedos de testa se apercebe que falamos, não de um grande escritor, mas sim de um génio, de que os seus heterónimos são um bom exemplo. Para além disso, é talvez o português com mais probabilidade de ser conhecido em todo o mundo em qualquer período de tempo. Como não é uma figura histórica, não fica confinado ao nosso país, e sendo um escritor, aquilo que fez não será esquecido com o passar dos séculos. Para além disso, conseguiu encarnar o espírito do que é ser português, como atesta a obra "A Mensagem".

É, portanto, um grande português, cuja importância tem um carácter intemporal e com bastante reconhecimento no estrangeiro.

Conclusão a que cheguei há pouco depois de ter cortado o cabelo:

Tou a ficar careca com'ó car... !!!

(reacção emocional e um pouco a quente)

A pessoa só gosta se não ouve

Um colega disse-me, há pouco tempo que, de a música "Crazy" de Gnars Barkley tanto passar nos Morangos com Açúcar, poder deixar de gostar dessa música porque se irá fartar. Percebo o que ele quis dizer, já que passei pelo mesmo: eu também gostava muito dos D'zrt antes de eles sequer aparecem nos Morangos com Açúcar e só deixei de gostar quando comecei a ouvi-los na série.

Músicas da semana: Texas






    Inner smile



    Summer son



    Getaway



    I don't want a lover

Mais um bom naipe de googladas que cá chegaram

Notícias da ASAE sobre azeite

Jogos toxicodependentes

Parabólica apanha os canais árabes

Lei trabalhar de chinelo

Lei dos góticos

Como comer anona

Famosos com esquizofrenia

Grandes memórias?

Nos canais da RTP, tem vindo a passar um spot da RTP Memória cujo mote é qualquer coisa como RTP Memória - não deixe que as grandes memórias se apaguem. É, sem dúvida, um bom slogan e até se pode dizer que muitas vezes o canal cumpre esse papel. No entanto, há uma dúvida existencial que me assalta: que grandes memórias podem estar inerentes a coisas como uma retransmissão de um Salgueiros - Benfica da época 94/95?

Comparar os sonhos

Esta madrugada, mandei umas belíssimas gargalhadas ao ouvir o Há vida em Markl de quarta-feira, dedicado aos sonhos. Convém explicar que ouço esse programa via podcast, pelo que normalmente ouço-o mais tarde do que as outras pessoas, nem tão pouco sei a que horas do dia é transmitido.

Mas sobre o dito programa de quarta-feira, foi abordada a questão dos sonhos, mais um daqueles temas que até merece blogues inteiros, mas fico-me por uns posts. O Nuno Markl deixou duas ideias que me ficaram na memória e que acho que merecem ser referidas (não é citação).

- Sonhar é como ter um filme independente a passar na nossa cabeça
- O sonho mais estranho que já tive passava-se nas ruas da Amadora, onde andavam os Scorpions atrás de mim a cantar o "Still Loving you".

Chamo a atenção para o segundo sonho e toda a componente tuning que lhe está adjacente, já que há Scorpions (música que esta gente gosta de ouvir em volume elevado) e há Amadora (o subúrbio de onde muita desta malta é proveniente).

Há algumas noites atrás, tive uma discussão com uns amigos a propósito de um sonho que me ocorreu há coisa de um mês: estava num cenário de guerra e soube que andavam uns tipos atrás de mim para me darem um tiro, o que acabou por se confirmar, tendo levado à minha morte. Apesar disso, fiquei bastante satisfeito, porque depois acordei no Céu, com outras pessoas que também tinham morrido.

Explicar os sonhos não é tarefa fácil, mas não é difícil comparar a gravidade de cada um deles. Sonhar que se morre não é certamente positivo, mas entre sonhar andar a fugir dos Scorpions a cantar o "Still loving you" nas ruas da Amadora e sonhar levar um tiro, certamente que haverá muita gente a escolher a segunda opção. Eu talvez fosse uma delas.

Ele há tipos com umas habilidades esquisitas...

É o caso deste puto, chamado Joel Turner, que sabe produzir toda uma panóplia de sons e até fazer música com eles. Soubesse eu fazer coisas destas e nem precisava de fazer mais nada na vida. O Joel Turner concorreu com sucesso ao Ídolos da Nova Zelândia e este é o vídeo da sua audição.

O Plano Tecnológico começa a dar frutos

Um dos vencedores do Prémio Nobel da Medicina é descendente de portugueses.

Xenu - o lado utilitário da vida

Começa hoje o projecto Xenu, feito por mim e mais dois amigos. Este blogue visa dar informação importante para toda a gente, mas incidindo essencialmente no sexo masculino, em particular aqueles que têm de se desenrascar sozinhos. Há uma assumida ambição em termos de temáticas, que irão abranger, entre outras, culinária, manutenção de equipamentos caseiros, bebidas, sugestões para fora de casa ou conselhos para melhor gerir o dinheiro.

Quanto ao nome do Blogue, apesar de remeter para deuses inter-planetários e outras alucinações colectivas, baseia-se num trocadilho de algum mau-gosto com a expressão "Chez Nous".

Entretanto, deixo o aviso que o meu envolvimento no Xenu não terá quaisquer implicações no funcionamento do LdM. Continuará tudo como normal por estas bandas.

http://www.xenu.wordpress.com

Lisboa afinal dorme

Hoje, quando vinha para o trabalho, deparei-me com uma praxe académica, em que os alunos caloiros traziam pijama vestido. Foi aí que me apercebi das diferenças culturais entre Lisboa e uma grande metrópole como Nova Iorque. É que, enquanto Nova Iorque é conhecida como a cidade que nunca dorme, em Lisboa ainda há quem ande na rua em traje de dormir às 4 da tarde.

Murphyologia no Metro

A Murphyologia aplicada a um acto tão simples como apanhar o metro pode ser assim definida (esta inventei eu):

Quando você se dirige para apanhar o metro, o primeiro metro a chegar será sempre o do lado oposto da linha. Este princípio será ainda mais óbvio se você estiver atrasado.

Músicas da semana: Depeche Mode






    Behind the wheel



    Blasphemous rumours



    Personal Jesus



    Never let me down again



    Barrel of a gun

Bebedeira duracell

Ontem fiz aquilo que em bom português se chama "apanhar uma bebedeira de caixão à cova", como há muito não acontecia. A uma boa dose de vinho ao jantar, seguiram-se uma meia dúzia de imperiais, dois licores Beirão e um gin tónico, como cereja em cima do bolo. Tamanha quantidade de álcool não podia dar em boa coisa e os episódios não faltaram, como abandonar a rapaziada no bar (chamo a atenção para o facto de lá estarem pessoas que eu juntei e que só se conheciam há uma hora) para ir sozinho fazer grande choldra num outro onde sou cliente mais ou menos habitual e onde acho que arranjei problemas com um gajo que lá estava, falar com uns franceses (coisa notável, tendo em linha de conta que mal conseguia dizer uma frase com sentido), passar de propósito no meio de uma cena de pancada entre prostitutas no Cais do Sodré, ser ameaçado de porrada por um tipo que eu me limitei a chamar porque o motorista do autocarro lhe disse que tinha de pagar bilhete. Enfim, episódios vários e reveladores de um estado de bebedeira já no estado de decadência. E atenção, estou apenas a falar daquilo que me lembro.

Hoje, quando acordei, para além daquelas perguntas que fazemos a nós mesmos depois de uma noite de bebedeira como "Quem sou eu?", "O que é que aconteceu ontem à noite?" ou "Mas porque é que eu andei a beber?", reparei num pormenor interessante: não estava com sintomas de ressaca, apesar de ter consumido álcool como há muito não se via. Não me doía a cabeça nem a barriga e não me apetecia vomitar, sendo que a única anomalia física era sentir alguma fragilidade nas pernas. No entanto, não foi um qualquer milagre que me aconteceu esta manhã, porque o que sucedeu foi ainda estar bêbado quando acordei (o bold não está aqui por acaso). De facto, apesar de ter tomado um bom banho asssim que acordei, fui à rua e andava meio aos ziguezagues, tinha ainda a voz de bagaço que caracteriza os estados de bebedeira e as palavras saíam-me trôpegas da boca. Mas, para não dar argumentos ao álcool para ele dizer que ele me venceu, ainda bebi dois copos de vinhos ao almoço. O álcool ganhou a batalha, mas não a guerra.

Há um intuito moral neste post? Há, sim senhor. O álcool é mau quando em excesso? Ninguém duvida. Ainda estou um pouco alcoolizado enquanto escrevo isto? Pois, tenho de admitir que sim.